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5 de julho de 2006

Réplica e Rebeldia


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Exposição de artistas lusófonos em Luanda


O Instituto Camões inaugurou no dia 3, no Centro Cultural Português de Luanda, a exposição «Réplica e Rebeldia», que reúne cerca de sete dezenas de obras de 35 artistas de Angola, Brasil, Cabo Verde e Moçambique. “Esta exposição pretende ser um contributo para a visibilidade de um conjunto de artistas que, sendo excelentes, não têm a projecção que era justo que tivessem”, afirmou António Pinto Ribeiro, comissário desta mostra, em declarações à Lusa na capital angolana. Nesse sentido, a exposição, integralmente produzida pelo Instituto Camões, surge numa perspectiva de “cooperação artística internacional”. “De uma forma geral, os artistas africanos são muito pouco conhecidos”, admitiu António Pinto Ribeiro, que se encontra em Luanda a preparar a abertura desta exposição de artistas lusófonos. Para António Pinto Ribeiro, uma das razões para esse desconhecimento internacional reside na “falta de mercado, de galerias e de críticos de arte em África”, mas, no caso concreto dos criadores lusófonos, também é consequência de Portugal, antigo país colonizador, “não ter força suficiente para lhes assegurar uma presença internacional”. De alguma forma, a realização da exposição pretende ser uma forma de minimizar este problema, assegurando projecção e visibilidade internacional a um conjunto de artistas de língua portuguesa que, de outra forma, teriam grandes dificuldades para apresentar o seu trabalho.

A exposição estreou em Maputo, capital de Moçambique, onde esteve patente dois meses no Museu de Arte Moderna, viajando depois para Luanda, onde poderá ser visitada até meados de Agosto no Centro Cultural Português e no Museu de História Natural. Até finais de 2008, esta exposição vai ainda estar patente no Brasil e em Cabo Verde, mas também em Berlim, capital alemã, e em Washington, nos Estados Unidos.
Segundo António Pinto Ribeiro, não é por acaso que a digressão começa por África. “A intenção - disse - foi permitir que, ao contrário do que habitualmente acontece, os artistas possam ser os primeiros a ver a exposição”. O catálogo da mostra inclui um texto da autoria de uma pessoa de cada país com artistas representados, que apresenta uma visão sobre a história da arte local, cuja evolução pretende estar sintetizada no título da exposição: «Réplica e Rebeldia». “Inicialmente, a arte africana era uma espécie de ‘réplica’ do modelo europeu, transmitido pelo país colonizador, mas, a determinada altura, surgiu uma consciência de ‘rebeldia’ dos artistas locais, que tentaram encontrar um modo de trabalho mais de acordo com a sua realidade”, afirmou António Pinto Ribeiro, explicando o título da exposição. Nesta perspectiva, o núcleo inicial da exposição “é uma espécie da retaguarda mais importante dessa rebeldia”, apresentado de uma forma que “pretende marcar a diferença” entre a fase da ‘réplica’ e a evolução que resultou da ‘rebeldia’ dos artistas africanos face aos modelos impostos pelos europeus.

“O Primeiro de Janeiro”, 3.07.2006

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«Réplica e Rebeldia» mostra arte contemporânea

Esta exposição, cujo critério deselecção esteve a cargo de Pinto Ribeiro, reúne 70 obras de artistas que correspondem à retaguarda da história contemporânea de Angola, Moçambique,
Cabo-Verde e Brasil.

Produzida e encomendada pelo Instituto Camões, numa lógica de cooperação artística internacional, «Réplica e Rebeldia» integra imagens artísticas dos criadores angolanos Victor Teixeira (Viteix) 1, Fernando Alvim 2, António Ole 3, Tiago Borges 4 e Yonamine 5, que por meio de quadros, instalações, esculturas, vídeo, fotografia e desenho poderão mostrar, através da arte, alguns dos meandros da história de Angola.

“Tantã Cultural” nº 220, 29.Junho/5.Julho.2006

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artafrica seleccione o nome do artista.

1 comentário:

Ju disse...

Gostei imenso de ver, Admário, obrigada!
Um abraço, para ti e para todos os visitantes