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30 de julho de 2007

Isto é só para Angolanos!

Conferência no Porto sobre as eleições em Angola
- 200 angolanos de primeira e alguns de segunda



Hoje à tarde, na Faculdade de Economia do Porto (Portugal) realizou-se uma conferência sobre o processo eleitoral em Angola. Caetano de Sousa, presidente da Comissão Nacional Eleitoral (CNE), foi o orador principal do evento ao qual compareceram cerca de 200 angolanos de primeira e mais meia dúzia de segunda.

Com uma hora de atraso, o encontro começou com o aplauso da assistência à entrada do Embaixador de Angola, Assunção Afonso Sousa dos Anjos, bem como das cônsules em Lisboa e no Porto, respectivamente Elisabeth Simbrão e Maria de Jesus dos Reis Ferreira, e ao orador convidado.

Por deficiências sonoras, que nada preocuparam a assistência, pouco percebi do que disse o Embaixador ou do que afirmou Caetano de Sousa. Também é certo que, diga-se em abono da verdade, abandonei a sessão no início da intervenção do presidente da CNE.

E abandonei a sessão porque descobri que, afinal, o meu lugar não era ali. E descobri graças à oportuna explicação de gente ligada à organização, presumo que do Consulado no Porto.

Explico. No meio dos tais 200 cidadãos presentes estavam pouco mais de meia dúzia de brancos, mesmo contando com o meu velho amigo Ricardo Pereira que ali se encontrava a fotografar ao serviço do Consulado.

Durante a sessão algumas pessoas foram distribuindo pela assistência um pequeno papel que, tempos depois recolhiam. Presumo que se tratava de perguntas sobre o processo eleitoral e destinadas aos oradores.

Reparei (talvez por deficiência profissional) que esses papéis não eram entregues aos cidadãos brancos que, se não eram angolanos eram, pelo menos, amigos de Angola. Não creio que estivessem ali como penetras apenas para o faustoso beberete que estava a ser montado para o fim da festa.

Interpelei então uma das pessoas que distribuía os ditos papéis, perguntando-lhe se eu não teria direito a um deles.

A resposta foi clara e inequívoca:

“- Isto é só para angolanos”.

A tradução desta afirmação é fácil, já que nenhum dos 200 cidadãos presentes trazia qualquer rótulo a dizer: “Sou angolano”. Ou seja, queria dizer: “Isto é só para angolanos negros”.

Assim sendo, e porque sou angolano… mas branco, não tive outro remédio que não fosse abandonar a sala. Triste, é certo. Magoado, é claro. Mas como nada posso fazer quanto ao local em que nasci, ao país que amo, e muito menos quanto à minha cor, a solução foi vir embora.

28.07.2007
Orlando Castro
in
Alto Hama



A raça no Bilhete de Identidade parecia uma brincadeira. Mas não era. Otyiri muene.

Afinalmente aparece outra: angolano tem que ser negro; para ter todos os direitos e regalias da angolanidade só sendo negro, nem que seja pintado.

O Mário, filho de um grande avilo meu, que nasceu em Angola mas de ascendência angolana, portuguesa e macaense, não é negro. Portanto, se estivesse na Conferência do Porto não teria recebido o papelinho.

Mas quem garante aos promotores da Conferência que aqueles que receberam o papelinho eram (todos) angolanos?

Não sabiam que também há negros portugueses?

Por que carga de água é que um branco nascido em Angola, só porque é branco não há-de ser angolano?

E por que carga de água um negro nascido em Portugal, só porque é negro não há-de ser português?

Alguém sabe responder?

admário costa lindo

4 comentários:

Ju disse...

Que tristeza! mas não é de admirar, pois não? Enfim, esperemos que estas parvoíces vão sendo cada vez mais raras, que as mentes se abram e se desenvolvam as inteligências... Acho que nem os próprios saberão explicar "coisas" tão retorcidas.

Anónimo disse...

Quem sabe responder ao que bem pergunta, são os nossos amigos Skin-heads! É óbvio que há muito, muito tempo, quando se fala em Europeu isso quer dizer = raça branca; e quando se fala em africano, isso quer dizer = Negro! Isso de "angolano branco" é, no entender dos tais, uma mistificação que visa apenas prolongar o colonialismo, ou no mínimo, representa uma forma de neo-colonialismo. - Não esqueçamos a teoria da negritude de Shengor e de de outros célebres líderes africanos da década de 60 e que continuam a ter os seus seguidores: a África é um continente negro! Pois é.... Por isso é que levámos um pontapé no cú há mais de 30 anos e continuamos com esta gente na palminha das mãos... Eu que na altura era miúdo e que lá nasci, nem ouso dizer que "aquilo" era a minha terra. Prefiro dizer: nasci lá!... E, como tal, EXIJO A MESMA RECIPROCIDADE PARA ESSA GENTE... NÃO HÁ EUROPEUS NEGROS, HÁ NEGROS NASCIDOS NA EUROPA, E QUE SÃO CADA VEZ MAIS, E QUE VÃO COLONIZAR ISTO DE UMA TAL MANEIRA QUE QUALQUER DIA SEREMOS UMA MINORIA, E DEPOIS LÁ TEREMOS A CENA DO PAPELINHO QUE SE PASSOU NO PORTO (NUMA UNIVERSIDADE PORTUGUESA!!!), TORNADA BANAL, E O BRANCO TORNADO CIDADÃO DE SEGUNDA NO SEU PRÓPRIO CONTINENTE DE ORIGEM... É uma tristeza... talvez eu e os meus descendentes tenhamos de continuar a fugir dessa gente até ao Pólo Norte... pode ser que o clima nos defenda do alastramento desta mancha de óleo queimado.... - já sei que me vão chamar racista! pois claro!!! só que entendo que contra um racismo, só se pode responder com outro racismo. Nada de ovinhos em peneiras, e complacências de cú para cima, sempre de joelhos a pedir miseráveis desculpas pelos tais 5 séculos de colonialismo! Estou farto dessas posições de cócoras de políticos (e cidadãos polidos) de "politicamente correcto"! A África é para esquecer, acho que não devemos voltar a pôr lá os pés, mas, em contrapartida, tudo o que seja preto e que mexa, RUA DAQUI!!!!

Anónimo disse...

Concordo com o Anónimo! e porque como ele disse, isto é "politicamente incorrecto" também me assino como Anónimo!
Na verdade, se quando dizemos "africanos" nos estamos a referir a "negros", porque é que quando dizemos "europeus", nos devemos estar a referir a brancos+negros??? E quando se fala em "racismo" só falamos em racismo de branco para preto e procuramos esquecer que também há racismo de preto para branco!!! - sobretudo nessas pretensas élites dos corruptos de Luanda, amigos e lacaios do Sr. Eduardo dos Santos, os camaradas do MPLA agora parece que ex-pretensos marxistas-leninistas (sabem lá eles o que isso é, mas...)reciclados!
Há que os pôr daqui pra fora, já que também não nos quiseram lá na terra deles!
Se um episódio desses ocorresse numa universidade angolana (haverá mais que uma, por sinal deixada pelos colonialistas portugueses??), em que houvesse uma reunião de estudantes portugueses brancos e alguns negros aparecessem lá a dizerem-se portugueses, e se esses fossem excluídos, como é que seria??? (para já, nunca um português branco em terra alheia africana teria uma atitude dessas, mas se tivesse, era logo fuzilado!!!)
Ou seja, enquanto andar por aí esse "complexo de colonizado" (que, na verdade é um complexo de inferioridade e um recalcamento frustrado), ninguém pode falar em reciprocidade, nem entendimentos.
Acho o mesmo que o Anónimo: África é para esquecer....

Anónimo disse...

O racismo nasce da ignorancia.
Seja em Portugal ou em Angola ha racismo.
Responder "dente por dente" ou "olho por olho" e apenas a perpetuacao do ciclo ignorancia/racismo.

Seja em Portugal ou em Angola tambem ha pessoas de boa vontade que vao alem deste racocinio primario.