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17 de janeiro de 2007

"Fala do Homem Nascido"

crédito: Mário Monteiro Jaleco


Venho da terra assombrada,
do ventre da minha mãe;
não pretendo roubar nada
nem falar mal de ninguém…

Com licença! Com licença!
Que a barca se fez ao mar.
Não há poder que me vença.
Mesmo morto hei-de passar.

António Gedeão, “Fala do Homem Nascido”

Muito se tem falado sobre a questão do momento: o Aborto*. Assim mesmo, seja qual for o volteio que se pretenda dar à questão.

Toda a gente tem opinião própria, coisa louvável desde que ninguém pense ser senhor da verdade absoluta. Desde que ninguém pense que os seus direitos particulares devem prevalecer sobre todos os outros.

Andam no ar e no papel argumentos que vão desde as questões económicas à problemática do direito da mulher a dispor do próprio corpo.

Poucas vezes... melhor, quase nunca se escuta ou lê o seguinte:


Todo indivíduo tem direito à vida, à liberdade e à segurança pessoal.

Artigo 3° da Declaração Universal dos Direitos Humanos, aprovada em Roma a 4 de Novembro de 1950, em vigor desde 3 de Setembro de 1953 e ratificada por Portugal a 13 de Outubro de 1978.


1. Os Estados Partes reconhecem à criança o direito inerente à vida.

2. Os Estados Partes asseguram na máxima medida possível a sobrevivência e o desenvolvimento da criança.

Artigo 6º da Convenção sobre os Direitos da Criança, adoptada pela Assembleia Geral nas Nações Unidas em 20 de Novembro de 1989 e ratificada por Portugal em 21 de Setembro de 1990.


Este é o tempo
Da selva mais obscura

Até o ar azul se tornou grades
E a luz do sol se tornou impura

Esta é a noite
Densa de chacais
Pesada de amargura

Este é o tempo em que os homens renunciam.

Sophia de Mello Breyner Andresen



Escrevi este pequeno desabafo porque me sinto nascido.
Todos podem e devem manifestar-se, aqui. Quer se sintam nascidos… ou não!


admário costa lindo

*

O que eu queria dizer, na verdade: "liberalização do Aborto". - 22.01.2007

4 comentários:

Nair disse...

Obrigada pelo desafio. De facto, muito se tem dito sobre o aborto, nem sempre falando daquilo que é, para mim, a única questão: tenho o direito de dispor da vida de alguém? A resposta, vinda do mais fundo da minha consciência, é esta: O direito à vida não é algo discutível. A actual lei do aborto prevê algumas circunstâncias em que o mesmo é permitido. Essas excepções podem equiparar-se ao que o Código Penal prevê para os casos em que alguém mata em legítima defesa da sua própria vida. A grande maioria dos argumentos a favor ou contra o aborto constituem apenas retóricas acessórias que tentam explicar aquilo que não precisa de explicações. Não prevê o Código Penal que eu mate alguém simplesmente porque a sua presença interfere com os meus planos de vida. Não se trata de discutir se a mulher tem ou não direitos sobre o seu próprio corpo. Trata-se de saber se tem o direito de matar um ser humano que ela própria gerou. Onde estão os defensores dos direitos humanos? Onde estão os que lutam contra a pena de morte? Todos têm direito a ser defendidos menos aqueles pequeninos seres humanos que estão vivos, mas ainda não podemos pegar ao colo? Uma coisa peço a todos: reflitamos bem antes de votar no próximo refrendo. Temos que decidir que mundo queremos deixar aos nossos filhos.

Elizete disse...

Sem falso moralismo, respeitando a opinião de cada um, sobre uma hipotética lei que despenalize totalmente o aborto, deixo aqui a questão a quem, por lhe ter sido dada a oportunidade de nascer…agora é tão acérrimo defensor do “sim”:
-Se quando foi concebido, sua mãe tivesse acesso à total despenalização do aborto, será que teria nascido?
Pense, medite…
Meu Deus, numa época em que há toda a informação sobre os meios anticoncepcionais para se poder prevenir a gravidez é preciso deixar que aconteça para depois haver sangue, desenraizar… e matar?
Novo convite :
Pense, medite!...

Admário Costa Lindo disse...

Recolocação de um comentário que, por lapso do autor, foi publicado num outro artigo:

quote
O Axioma Matemático do ABORTO ( AMA ).
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Divulga a 5 colegas. Divulga também na tua Junta de FREGUESIA, na tua CÂMARA Municipal e na tua PARÓQUIA.
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Ver em http://eunaodesisto.blogs.sapo.pt/24694.html
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Caso o Link falhe aqui vai o documento todo.
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TEMA: O Axioma Matemático do ABORTO (AMA).
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"Quem decide, se aborta ou não, é a mulher grávida. E mais ninguém".
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Em especial mais nenhum "meio-homem" (Padres, Bispos, Cónegos, Arcebispos,
Monsenhores, Cardiais Patriarcas ou Matriarcas, Papas ou Papistas).
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Em especialíssimo mais nenhuma Madame, Madamesinha, Madameseta,.....
(lembrem-se que os maiores inimigos das mulheres são as próprias .........)
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Nota: Quem não souber o que é um Axioma pergunte aos/ás Professores/ras de
"Má Temática" e aos Padres.
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PS: O autor deste blog é um homem.
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Braga, 30 de Novembro de 2006.
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EXTRA 1 - Bendita seja a mulher
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"Não aconselharei nunca ninguém a optar por um aborto, mas agirei sempre com a
consciência de que A DECISÃO FINAL É DA mulher que está grávida."
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in http://jn.sapo.pt/2006/12/02/preto_no_branco/bendita_seja_a_mulher.html
"Cá se, fazem..." , Paulo Baldaia, Chefe de Redacção
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EXTRA 2 - Aos Católicos sensatos:
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Assinem pelo NÃO. Falem pelo NÃO. Mas votem pelo SIM.
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Assim "ninguém" vos fará mal porque o voto é secreto.
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NOTA: Aposto que se o SIM GANHAR se deverá valer aos votos destes Católicos. Quanto vale a aposta?
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PUBLICIDADE:
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Paguem um ORDENADO DE SEIS MIL E CEM (6100) EUROS, mensal, a cada um dos TRÊS
DAS JUNTAS de Freguesia: O Presidente, o Tesoureiro e o Secretário.
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Nota: Tenham as habilitações que tiverem e sejam de que Partido forem.
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? Porquê?
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Porque as Juntas de Freguesia são o PRIMEIRO PILAR DA GOVERNAÇÃO de um País
( Em http://eunaodesisto.blogs.sapo.pt/arquivo/2005_04.html#565183 ).
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Nota: Só um Presidente de Câmara, em trezentas e tal, é que puxou pela cabeça.
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ANÓNIMO para os que não gostam de armantes.
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JOSÉ DA SILVA MAURÍCIO para os que não gostam de Anónimos.
unquote

Ju disse...

Sinto-me desafiada... mas não estou com grande vontade de entrar na discussão, nos termos em que é posta. Respeito todas as opiniões de boa fé (respeito a minha também, "nascida" que sou...). Pergunto: se ganhar o "sim", alguma mulher se sentirá obrigada a abortar, ou será mais fácil (??!!) para ela se decidir fazê-lo? Não, apenas, dentro dos limites da lei, não será humilhada nem julgada. E se ganhar o "não"?
P.S.: Não pretendo convencer ninguém