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30 de dezembro de 2012

Retornados: Identidades de Um Grupo Inconformado


Apontamentos que me suscita a leitura do estudo

 

Retornados: Identidades de Um Grupo (In)Conformado

Estudo de Cláudia Sofia Pinto e Susana Faria

Orientado por Dr. João Arriscado Nunes

Seminário de Investigação em Sociologia da Cultura – Setembro de 1996´

Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra

 

Descarregue o estudo aqui.

 

 

1. Retornados e Refugiados.

[---] ” a investigação que nos propomos realizar, tomará como objecto os retornados das ex-colónias ultramarinas, conceptualmente definidos como: todos os indivíduos que, tendo nascido em Portugal, construíram as suas vidas nas colónias portuguesas e foram obrigados a regressar após a sua independência. Para além desta população analisaremos também a segunda geração de retornados, ou seja: os filhos da primeira geração que, tendo nascido em África, regressaram (1) a Portugal com os seus pais, sendo ainda crianças ou adolescentes.”

(1)
Há aqui uma incorrecção referente à segunda geração: como pode alguém regressar a um lugar de onde não é natural?

“Porque se se dirigissem a mim como retornada, eu dizia-lhe imediatamente: «Meu caro senhor ou minha cara senhora, está plenamente enganada, porque eu retornada não sou coisíssima nenhuma. O mais que posso ser é uma exilada ou uma refugiada. Agora, retornada não sou!»” (entrevistada do estudo).


 2. Milionários exploradores de negros.

“Inicialmente, o 25 de Abril de 74 trazia promessas de democracia e liberdade que iam ao encontro dos sentimentos separatistas em relação à metrópole. Contudo, os colonos insurgiram-se contra o rumo dos acontecimentos quando o governo de Angola foi entregue à maioria africana. De facto, as alternativas de uma federação entre Portugal e as colónias, bem como a de uma transição lenta e gradual para a liberdade não resistiram à pressão do MPLA, FNLA e FRELIMO. Começa então a avolumar-se entre a comunidade dos colonos um sentimento antiportuguês, especialmente visível entre os jovens, que assume a forma de aversão para todo um povo, o qual acusam de os ter abandonado à sua sorte. Para com o Governo, a antipatia remonta às suas intromissões na vida da colónia. Relativamente aos militares, são acusados de ter pouco interesse em acabar com a guerra colonial dados os privilégios que esta lhes proporcionava.(2) O 25 de Abril de 74 e o consequente programa de descolonização só vêm aumentar esta aversão. Por fim, o colono português descobre um sentimento entre a gente portuguesa que lhe é pouco favorável e que resulta da imagem do colono como um milionário ou explorador de negros indefesos,(3) não olhando com muita simpatia o seu irmão que regressa do além-mar.”

“Quando chegámos fomos muito hostilizados. O retornado foi muito hostilizado. Tanto que muitos não conseguiram permanecer aqui e foram para o Brasil, para a Venezuela, para muitos lados, e não quiseram ficar cá.” (entrevistado do estudo).

“Eu também não falava dessas coisas, é o que o meu marido diz, só vale a pena falar de retornados com pessoas que nos compreendam, que tenham tido a mesma vivência e os mesmos problemas. Esses compreendem! Agora falar disso com outras pessoas que não têm essas vivências é como estar a «malhar em ferro frio», não vale a pena!” (entrevistada do estudo).

(2)


Os privilégios dos militares portugueses, o que levou ao prolongamento da guerra, são a razão principal de inexistência de um exército genuinamente Angolano, Moçambicano, Guineense, etc., à data do 25 de Abril. Na minha óptica, a falta desse exército foi a causa da não imposição, por quem o deveria ter feito – o exército português –, do cumprimento dos acordos de independência celebrados entre o governo português e os movimentos de libertação.

(3)


Havia exploradores, claro, só assim se justificavam as colónias. Mas o grosso dessa riqueza, dessa exploração, verdadeiramente, nem sequer ficava com os colonos em África – não era deles: vinha para a metrópole (coisa que muitos ignoraram mas que dela beneficiaram) e ia para as contas dos milionários, fora de Portugal e de África. Esses, os milionários das colónias, alguns dos quais poucas vezes puseram os pés em África, nunca foram enxovalhados pela população portuguesa. Estavam longe! Não tiveram necessidade de enviar caixotes com tachos e panelas para Portugal!



3. Tentar os caminhos da paz e da harmonia, com quem?

“No caso angolano, o grande êxodo seguiu-se aos incidentes entre o MPLA e a FNLA em Junho de 75. A comunidade portuguesa, ignorando os apelos da Comissão Nacional de Defesa para que ali permanecessem, exigiu ao governo português a sua evacuação imediata para Portugal ou para qualquer parte do mundo onde pudessem refazer a sua vida.
[…]
“Só quando se começa a ouvir falar que o número de retornados se aproxima já de meio milhão é que o governo português se começa a preocupar com o seu levantamento estatístico, bem como com as inevitáveis consequências económicas e sociais que resultariam de um súbito aumento do número de desempregados. O Governo apela então a todos aqueles que pensavam retornar a Portugal que repensassem a sua decisão e se possível voltassem às ex-colónias tentando os caminhos da paz e da harmonia.” (4)

(4)
Porém, “os caminhos da paz e da harmonia” não dependiam apenas da vontade dos retornados.

 “Camarada Agostinho Neto, dá, por isso, instruções secretas aos militantes do MPLA para aterrorizarem por todos os meios os brancos, matando, pilhando e incendiando, a fim de provocar a sua debandada de Angola. Sede cruéis sobretudo com as crianças, as mulheres e os velhos para desanimar os mais corajosos. Tão arreigados estão à terra esses cães exploradores brancos que só o terror os fará fugir.”

O que se transcreve faz parte de uma carta oriunda da Repartição do Gabinete do Governo-Geral de Angola, datada de 22 de Dezembro de 1974 e assinada pelo Vice-Almirante António Alva Rosa Coutinho.

A veracidade desta carta (ou do facto de ter sido escrita por Rosa Coutinho) é contestada, nomeadamente, por Pacheco Pereira no  Abrupto.

Não obstante, é citada por Américo Cardoso Botelho no seu livro – “Holocausto em Angola, Memórias de entre o cárcere e o cemitério”, Nova Vega, Lisboa, 2007”, pp. 61-62 –  e, que me pareça, Pacheco Pereira não é pessoa mais séria do que Botelho, por fazer aquela afirmação, nem Botelho é menos sério por incluir a carta no livro.

Seja como for, a verdade é que:

a)      não tenho memória de Rosa Coutinho ter contestado a carta (ele que sempre se assumiu como irascível arauto da verdade – sua! – e defensor dos explorados);

b)      que o papel de Rosa Coutinho na descolonização é bem conhecido, principalmente por quem vivia em Angola na altura;

c)       que tudo aquilo que era aconselhado a Agostinho Neto, na carta, escrita por quem quer que tenha sido, aconteceu na verdade. Eu próprio sou disso testemunha.

Isto, no entanto,  não imputa culpas directas a Agostinho Neto. Sobre esta questão – das culpas – darei a minha opinião em artigo separado mas, desde já, avanço um pouco: não foram responsáveis pela “catástrofe” da descolonização , apenas ou maioritariamente, os responsáveis angolanos. A questão fulcral é muito anterior.

4. Melhor do que o governo, a família.

“Segundo este estudo, uma das razões que terá facilitado a integração desta população terá sido a persistência durante e sua estadia em África de inúmeros vínculos para com a Metrópole, nomeadamente, vínculos de carácter familiar.”

[…]

Terá sido devido a estes factores de carácter não-económico que os retornados se instalaram maioritariamente nas regiões de Portugal onde viviam as suas famílias. Esta estratégia de “retorno às origens” prende-se com a procura de apoio nos momentos que se seguiram ao retorno, apoio este de carácter relacional, cultural e afectivo e que parece ter sido mais importante do que o fornecido pelas entidades governamentais.”


5. Comunidade autónoma.

“Relativamente à questão da integração dos retornados do ultramar este autor [Rui Pena Pires, “Os Retornados: Um Estudo Sociográfico”, Cadernos IED - Instituto de Estudos para o Desenvolvimento, Lisboa, 1984] salienta ainda que, apesar de existirem entre eles cumplicidade e solidariedades de vários tipos, elas apresentam um carácter relativamente pontual, não se constituindo portanto como uma verdadeira comunidade autónoma. (5) Tal não significa a inexistência de casos em que a fragilidade das solidariedades familiares e locais foi parcialmente compensada pelo desenvolvimento de relações mais intensas entre os retornados, criando condições favoráveis à emergência de referentes de identidade colectiva.”

(5)
A minha experiência diz-me o contrário: que os retornados se constituíram, não obstante a integração, uma verdadeira “comunidade autónoma”, muito embora não haja apetência dos órgãos de comunicação social pelos seus movimentos de encontros, físicos (reuniões anuais de retornados pelo país fora) e virtuais (na internet, em canais próprios ou no Facebook e outros).



Não queiram que esses encontros sejam reuniões bolorentas entre governantes para se congratularem pelas medidas (sempre acertadas) que tomaram em relação ao futuro défice do país. Não, esses encontros servem apenas para conservar e estreitar laços que se trouxeram de África ou que, entretanto, se criaram por cá.


“Olhe, aqueles encontros de retornados, eu numa 1ª fase nunca lá fui” (…) Eu não tenho muito feitio para o choradinho e estou convencida que aquelas reuniões no princípio era um bocadinho o chorar o leite derramado! E eu não estava para aí virada! Estava a apontar para o futuro e para construir uma vida nova, e era aquilo que eu tinha que fazer!” (entrevistada do estudo).
 


Contrariamente ao que muita gente pensa (alguns retornados incluídos), os encontros de retornados não são, hoje, reuniões de “choradinho” nem se destinam a “chorar o leite derramado”. São encontros “banais”, como quaisquer outros, entre pessoas que mantêm afinidades e que querem conservá-las. Poderiam ser encontros entre professores do mesmo curso ou da mesma escola, entre pessoas que viveram na Aldeia da Luz, que foi submersa, poderiam ser encontros de antigos alunos de uma escola que já não existe, mas não são: são encontros entre pessoas – ou grupos, heterogéneos embora - que sofreram um estigma comum, que ultrapassaram as dificuldades e que construíram o futuro sem, no entanto, deixar de olhar para o passado. Porque essas, as pessoas que avançam para o futuro tendo em conta o passado, que não esquecem o que foram e o que sofreram, sabem sempre para onde vão. Aprenderam com a experiência a ser uma “comunidade” forte.

Não é possível negar que, no início (eu também não fui adepto desses primeiros encontros – comecei a frequentar alguns a partir de 1999, e muita coisa apreendi dessas reuniões  passadas) se tentava apenas vazar uma frustração e apenas se pretendia “chorar sobre o leite derramado”. Alguns dos retornados tinham culpas, directas ou indirectas, sobre esse derramamento de leite (melhor, de sangue).

Porém, como o tempo é, sempre, o melhor conselheiro, as coisas foram mudando, as pessoas também e quem protestava por não ter podido trazer Angola às costas ou em caixotes, resignou-se.  Com o correr do tempo, concluindo que nada conseguiam dessa forma (nem de outras), alguns foram abandonando os encontros e houve uma selecção natural das posições e opiniões. 

Conheço muito boa gente que não pensa hoje da mesma forma que pensava em 1975 e que reconhece haver culpas repartidas. Para essa mudança de atitude, penso eu, muito contribuíram os tais encontros de angolanos e a amálgama de opiniões de grupos tão heterogéneos.

Há também os que não mudaram e que, como alguns dos “metropolitanos”, consideram ainda que toda a culpa deve ser imputada ao 25 de Abril, aos capitães, ao Mário Soares, ao Almeida Santos, ao Melo Antunes… enfim, esses são os casos perdidos.

A internet, por outro lado, permitiu o encontro virtual de inúmeros retornados e refugiados espalhados pelo mundo. Se todos fizessem o mesmo, penso que o mundo seria bem melhor: conversam, contam histórias de filhos e netos, escrevem poemas, falam da música que ouvem, dos filmes a que assistem, riem e choram, e recordam o passado, o que não é crime algum. E, principalmente, aprendem uns com os outros a rever o que se passou. Basta aceder a alguns dos fóruns angolanos na internet, para confirmar a evolução do pensamento dos retornados

                                                                  


6. Mesmo assim, com melhor formação.

“Quanto à formação escolar, o Censo de 1981 revela que a população de retornados apresenta qualificações acima da média o que parece dever-se ao acelerado crescimento económico e à necessidade que o Estado português sentiu, com o início da Guerra Colonial, de expandir o aparelho administrativo nas colónias e proceder à criação de novos serviços públicos como forma de legitimar interna e internacionalmente a sua presença nos territórios ultramarinos.” (6)

(6)
Não obstante, a maioria dos jovens que vieram de Angola não tiveram todos a mesma sorte, no que à educação diz respeito.

O caso da minha geração: o acesso ao ensino em Porto Alexandre/Tombua, onde passei a infância, a adolescência e parte da juventude, como na quase totalidade do território angolano, a educação intermédia e superior era apenas para ricos. Isto para a população de origem europeia, porque para os africanos não era, sequer, equacionável.

Em Porto Alexandre, quando entrei para o ensino primário, havia apenas uma escola oficial desse tipo e um Colégio que ministrava o ensino secundário, propriedade da Igreja Católica. Uma Escola Comercial, oficial, foi inaugurada muito perto da ocorrência do 25 de Abril. Terminado o ensino secundário, naquele Colégio não oficial - o que nos obrigava a prestar provas num estabelecimento oficial, na capital do distrito - nenhuma hipótese havia de continuar os estudos na localidade. Só quem tinha condições económicas folgadas podia mandar os filhos estudar fora: numa capital de distrito, o ensino intermédio, ou em Luanda, o ensino superior. O meu pai, que tinha que sustentar três filhos, não tinha essas condições. Ganhava 6.000$00 por mês, em 1974, um pouco mais do que eu comecei a auferir quando fui admitido no funcionalismo público – algo mais de 5.000$00. Este caso não era a excepção – era a regra.

O facto de o Censo de 1981 revelar “que a população de retornados apresenta qualificações acima da média” só comprova que o povo em Portugal vivia em condições miseráveis. Do que não se pode aferir que em África fosse muito melhor. Na educação, aquilo de que acabei de tratar.


7. Contribuição para a mudança cultural de Portugal.

“Uma das principais razões que nos leva a considerar o retorno como de extrema importância é a consequente inclusão na sociedade portuguesa de um grande número de indivíduos com trajectórias muito distintas das que caracterizavam a grande maioria dos portugueses e que naturalmente veio introduzir nela novos saberes, estilos de vida e valores. De facto, as sociedades coloniais apresentavam traços particulares que possibilitaram: a emergência de percursos de mobilidade ascendente; a atenuação de alguns constrangimentos morais de origem tradicional, associados ao controlo social da vida quotidiana; e o contacto directo com civilizações diferentes da europeia e da ocidental. Ao nível das consequências do retorno para a sociedade portuguesa, estas particularidades contribuíram para: uma recomposição das hierarquias sociais; uma maior liberalização dos costumes; a adopção de novas orientações estéticas e novos usos da linguagem; bem como para a incidência de novos valores e comportamentos.” (7)

“Eu digo-te uma coisa com toda a verdade. Eu tenho para mim como ponto de honra, não admitir nenhum hábito, mas nenhum hábito que seja de Portugal continental! (…) Por conseguinte, não uso a linguagem que usam cá” Não quero usar a linguagem que usam cá!” (entrevistado do estudo).

“[…] os nossos entrevistados utilizaram diversas vezes termos angolanos ou moçambicanos, cujo significado tiveram que explicar por não existirem termos equivalentes em português. Retomando a questão da comunidade interpretativa, os retornados entre si utilizam uma linguagem carregada de representações de determinada realidade que não tem equivalente em Portugal e portanto têm alguma dificuldade em explicar o seu significado […]”

“A restinga era uma zona muito bonita, era uma ponta de areia… O que é uma restinga? É uma entrada de areia pelo mar, que forma uma restinga. Aquilo era comprido, tinha uns 10 Km de comprimento, onde ficavam praias bonitas. Portanto, o Lobito formava ali uma baía onde o mar entrava, era o porto e depois era tudo praias muito bonitas, com casuarinas, uma espécie de pinheiros que não há cá, do género do pinheiro manso, mas não tão farfalhudo, mais levezinho!” (entrevistado do estudo).

(7)
É ponto definitivamente aceite que os retornados trouxeram uma linguagem nova para Portugal. Uma linguagem mais aberta e criativa.

Os exemplos acima referidos não são, no entanto, os melhores:

Restinga, uma “faixa de areia ou de pedra que se prende ao litoral e avança pelo mar”, é um termo provavelmente de origem castelhana que entrou para o léxico português no séc. XV. Cf. HOUAISS, António e VILLAR, Mauro de Salles, Instituto António Houaiss, “Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa”, Global Notícias Publicações, Lisboa, 2005.

Casuarina é “design. comum às árvores do gén. Casuarina, da fam. das casuarináceas, que reúne 17 spp., nativas do Sudoeste da Ásia às ilhas do Oeste do Pacífico e ger. cultivadas como quebra-vento, pela madeiram ou como ornamentais (cf. o.c.). A designação deve-se ao facto de algumas espécies apresentarem a copa semelhante à plumagem do casuar, ave corredora australiana. Já encontrei casuarinas no Algarve e sei que é uma árvore ornamental apreciada em Espanha.

Estas palavras não são, então, especificamente angolanas, embora lá muito utilizadas. Mas também o verbo Desconseguir é muito angolano no uso, mas não na origem. Há, até, quem pense, em Portugal, ser uma das expressões criativas dos angolanos quando é absolutamente portuguesa, embora não usada pelos portugueses.

Outras palavras (e são inúmeras no léxico português) no entanto, são consideradas tão puramente portuguesas que muito pouca gente sabe que a sua origem é angolana:

Coxilar – que prefiro a cochilar – deriva do verbo kimbundu Kukoxila, cabecear com sono;

Minhoca, o verme anelídeo, deriva do kimbundu Munhoka, semelhante à cobra;

Cachimbo – caximbo estaria bem melhor – aquele aparelho de alguns fumadores, deriva do kimbundu Kuxiba, absorver, chupar, sorver.

Quanto ao léxico por aqui me fico, uma vez que com bués, buererés e cambas já os portugueses estão familiarizados. Ah! Mas já agora também vos digo que a Dica (palpite), importada por Portugal via Brasil, é também uma adaptação do kimbundu Dika!

 
última actualização:
29.01.2013
 

25 de dezembro de 2012

Feliz Natal (0)

Este ano, enquanto os “iluminados” (“illuminati” para ser mais cáustico) deste mundo nos dão miséria e desgraça, eu quero oferecer-vos um pouco daquilo de que mais gosto, para que possamos estar, como dizia Beethoven, mais perto de Deus, ou dos Deuses, como queiram, seja essa entidade o que for, desde que não político, financeiro ou mentecapto!


“Barco Negro”, Amália Rodrigues
 “Menino do Bairro Negro”, Zeca Afonso
Mariza






“Barco Negro”

De manhã, que medo, que me achasses feia!

 Acordei, tremendo, deitada n'areia

 Mas logo os teus olhos disseram que não,

 E o sol penetrou no meu coração. [Bis]

Vi depois, numa rocha, uma cruz,

 E o teu barco negro dançava na luz

 Vi teu braço acenando, entre as velas já soltas

 Dizem as velhas da praia, que não voltas:


São loucas! São loucas!

Eu sei, meu amor,

 Que nem chegaste a partir,

 Pois tudo, em meu redor,

 Me diz qu'estás sempre comigo. [Bis]

No vento que lança areia nos vidros;

 Na água que canta, no fogo mortiço;

 No calor do leito, nos bancos vazios;

 Dentro do meu peito, estás sempre comigo.


" Menino Do Bairro Negro "


Olha o sol que vai nascendo

Anda ver o mar

Os meninos vão correndo

Ver o sol chegar


Menino sem condição

Irmão de todos os nus

Tira os olhos do chão

Vem ver a luz


Menino do mal trajar

Um novo dia lá vem

Só quem souber cantar

Vira também


Negro bairro negro

Bairro negro

Onde não há pão

Não há sossego

Menino pobre o teu lar

Queira ou não queira o papão

Há-de um dia cantar

Esta canção


Olha o sol que vai nascendo

Anda ver o mar

Os meninos vão correndo

Ver o sol chegar


Se até dá gosto cantar

Se toda a terra sorri

Quem te não há-de amar

Menino a ti


Se não é fúria a razão

Se toda a gente quiser

Um dia hás-de aprender

Haja o que houver


Negro bairro negro

Bairro negro

Onde não há pão

Não há sossego


Menino pobre o teu lar

Queira ou não queira o papão

Há-de um dia cantar

Esta canção




24 de dezembro de 2012

Feliz Natal (1)


Canção de Embalar”, Zeca Afonso
Coliseu dos Recreios, Lisboa, 29 de janeiro de 1983 (o último concerto)
 
 






“Canção De Embalar”


Dorme meu menino a estrela d'alva

 Já a procurei e não a vi

 Se ela não vier de madrugada

Outra que eu souber será pra ti [bis]


Outra que eu souber na noite escura

 Sobre o teu sorriso de encantar

 Ouvirás cantando nas alturas

 Trovas e cantigas de embalar [bis]

 
 Trovas e cantigas muito belas

 Afina a garganta meu cantor

 Quando a luz se apaga nas janelas

 Perde a estrela d'alva o seu fulgor [bis]

 
 Perde a estrela d'alva pequenina

 Se outra não vier para a render

 Dorme qu’inda à noite é uma menina

 Deixa-a vir também adormecer [bis]





 

23 de dezembro de 2012

22 de dezembro de 2012

Feliz Natal (3)

" Haja o que houver", Madredeus
Teresa Salgueiro / José Carreras





Haja o que houver


Eu estou aqui

Haja o que houver

espero por ti

Volta no vento ó meu amor

Volta depressa por favor



Há quanto tempo, já esqueci

Porque fiquei, longe de ti

Cada momento é pior

Volta no vento por favor...



Eu sei quem és

pra mim

Haja, o que houver

espero por ti...



Há quanto tempo, já esqueci

Porque fiquei, longe de ti

Cada momento é pior

Volta no vento por favor



Eu sei quem és

pra mim

Haja, o que houver

espero por ti...






Feliz Natal (4)

Wish you were here”, Pink Floyd
David Gilmour, live unplugged – a versão da minha preferência





“Quem me dera que estivesses aqui!”

(a minha tradução/versão)


Então,

achas então que consegues distinguir o céu do inferno,

os céus azuis do sofrimento?

Consegues distinguir um verde campo de um frio carril de aço?

Um sorriso de uma máscara?

Achas que consegues?

Obrigaram-te a trocar os teus heróis por fantasmas?

Árvores por quentes cinzas?

Ar quente por uma fresca brisa?

O conforto frio pela mudança?

Trocaste uma marcha de combate pelo papel principal numa cela?

Quem me dera,

quem me dera que estivesses aqui!

Não passamos de duas almas perdidas nadando num aquário, ano após ano,

correndo sobre o mesmo chão corrompido.

O que encontrámos?

Os medos de sempre.

Quem me dera que estivesses aqui!





“Wish you were here”


So,

so you think you can tell Heaven from Hell,

blue skies from pain.

Can you tell a green field from a cold steel rail?

A smile from a veil?

Do you think you can tell?

And did they get you to trade your heroes for ghosts?

Hot ashes for trees?

Hot air for a cool breeze?

Cold comfort for change?

And did you exchange a walk on part in the war for a lead role in a cage?

How I wish,

how I wish you were here.

We're just two lost souls swimming in a fish bowl, year after year,

Running over the same old ground.

What have we found?

The same old fears.

Wish you were here.




8 de setembro de 2012

Guerra Total

 MANUAL DE GUERRILHA CIBERNÉTICA
INTRODUÇÃO


Tenho mantido, durante todo este tempo de Guerrilha Estatal, um silêncio contido e espectante.

Acabou-se.

O primeiro-ministro de Portugal acaba de declarar Guerra Total e Aberta aos trabalhadores Portugueses, anunciando que:

1 - o Estado passa a ter um ganho de 1,25% com as contribuições 'para a Segurança Social;

2 - O patronato ganha 5,75 %;

3 - os Trabalhadores perdem 7%.

Se isto não é uma Guerra, depois de todas as sobrecargas anteriores, o que serà?

O senhor-que-pensa-que-manda mostrou, finalmente, a face. Um rosto hipócrita de político mentecapto e defensor acérrimo do capital.

Por tudo o que fez contra quem trabalha e em nada contribuiu para a crise.

Por tudo o que não fez contra os detentores do capital, os verdadeiros culpados de tudo o que tem acontecido com a barbárie financeira.

A partir deste momento o AngolaHaria assume-se, incondicionalmente, como um

.
Assim encerro, temporariamente, este blog.

O Manual de Guerrilha Cibernética nasce dentro de momentos.

23 de fevereiro de 2012

7 de outubro de 2011

Ocupemos todas as Wall Streets

travelblog.org/


Queridos amigos,

Milhares de norte-americanos ocuparam sem violência a Wall Street - um epicentro do poder financeiro global e da corrupção. Eles são os últimos raios de luz em um novo movimento pela justiça social que está se espalhando rapidamente pelo mundo: de Madrid a Jerusalém e a 146 outras cidades, com outras aderindo a cada instante. Mas eles precisam de nossa ajuda para triunfarem.

Como são as famílias de trabalhadores que estão pagando a conta de uma crise financeira causada por elites corruptas, os manifestantes estão exigindo uma verdadeira democracia, justiça social e combate à corrupção. Mas eles estão sob forte pressão das autoridades e alguns meios de comunicação estão retratando-os como grupos extremistas. Se milhões de nós de todo o mundo os apoiarem, vamos aumentar a sua determinação e mostrar à mídia e aos líderes que os protestos fazem parte de um movimento massivo pela mudança.
Este ano pode ser o nosso 1968 desse século, mas para ter sucesso ele deve ser um movimento de todos os cidadãos, de todas classes sociais. Clique para participar da campanha para a democracia real - um contador gigante será erguido no centro da ocupação em Nova York mostrando ao vivo cada um de nós que assinarmos a petição e retransmitido ao vivo na página da petição:

http://www.avaaz.org/po/the_world_vs_wall_st/?vl

A onda mundial de protestos é o capítulo mais recente na história deste ano do poder global do povo. No Egito, as pessoas tomaram a praça Tahrir e derrubaram seu ditador. Na Índia, o jejum de um homem trouxe milhões às ruas e o governo teve que ceder - vencendo uma ação real para acabar com a corrupção. Durante meses, os cidadãos gregos protestam sem descanso contra os injustos cortes nos gastos públicos. Na Espanha, milhares de "indignados" desafiaram a proibição de manifestações pré-eleitoral e montaram um acampamento de protesto na praça do Sol para manifestar contra a corrupção política e a manipulação do governo da crise econômica. E neste verão em Israel as pessoas construíram "cidades de tendas" para protestar contra o aumento dos custos de habitação e por justiça social.
Estes assuntos nacionais estão ligados por uma narrativa global de determinação para acabar com a conivência das elites e de políticos corruptos - que em muitos países ajudaram a causar uma prejudicial crise financeira e agora eles querem que as famílias de trabalhadores paguem a conta. O movimento de massas que está respondendo a isso pode não só garantir que o ônus da recessão não caia sobre os mais vulneráveis, mas também pode ajudar a melhorar o equilíbrio de poder entre democracia e corrupção. Clique para apoiar o movimento:
http://www.avaaz.org/po/the_world_vs_wall_st/?vl


Em cada revolta, do Cairo a Nova York, o pedido por um governo responsável que sirva o povo é claro e nossa comunidade global tem apoiado esse poder do povo em todo o mundo, onde quer que tenha surgido. O tempo em que os políticos ficavam nas mãos dos poucos corruptos está terminando e, em seu lugar, estamos construindo democracias reais, de, por e para as pessoas.

Com esperança,

Emma, Maria Paz, Alice, Ricken, Morgan, Brianna, Shibayan e o resto da equipe Avaaz

Mais informações:

Protestos no sEUA entram no 18º dia e se alastram, "OEstadodeSãoPaulo"

A ocupação de Wall Street e a luta simbólica, "OGlobo"

Contra medidas de austeridade, Grécia faz greve no sector público, "GI"

Protestos contra corrupção reúnem milhares no Kuair "Folha de S.Paulo"
Ocupa Wall St - recursos on-line para a ocupação (em inglês)
http://occupywallst.org/

Apoie a comunidade da Avaaz!
Nós somos totalmente sustentados por doações de indivíduos, não aceitamos financiamento de governos ou empresas. Nossa equipe dedicada garante que até as menores doações sejam bem aproveitadas:
https://secure.avaaz.org/po/donate_to_avaaz/?cl=1309040894&v=10606






Ocupando Wall Street, CartaMaior

Michael Moore, Venham todos ocupar Wall Street
http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=18595


16 de setembro de 2011

Já é mais fácil circular entre Portugal e Angola



Vistos de curta duração passam a ser emitidos por 90 dias e os de trabalho por três anos. Ambos vão permitir multi-entradas.


Portugal e Angola assinam hoje um acordo global de vistos. Até agora, existia apenas um acordo no âmbito da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP), que não era mais do que um entendimento geral. Segundo avançou à Renascença fonte diplomática, o protocolo assinado hoje, em Lisboa, vem introduzir mudanças profundas nos regimes de vistos de curta duração e laborais.

Os vistos de curta duração para Angola passam a ser emitidos por 90 dias por semestre – ou seja, até 180 dias por ano – e são documentos com multi-entradas, o que quer dizer que os cidadãos podem sair e voltar a entrar no país com o mesmo visto. Até agora, eram apenas de 30 dias, podendo ser renovados duas vezes por iguais períodos e sem multi-entradas.

Estes vistos são considerados essenciais para a internacionalização da economia portuguesa e para desenvolvimento das relações comerciais e empresariais entre Portugal e Angola.

Quanto aos vistos de trabalho, passam a ser emitidos por 36 meses – ou seja, três anos – e também com múltiplas entradas e saídas. São documentos considerados muito importantes para projectos de investimento. Até agora, eram emitidos por um ano, renováveis até duas vezes por períodos iguais, num total máximo de três anos. No final de cada ano, era necessário vir a Portugal pedir novo documento.

O acordo prevê ainda um prazo de oito dias para as concessões de vistos de curta duração, a partir da data de entrega do pedido, e de 30 dias para os vistos de trabalho.

São mudanças que têm como objectivo permitir um novo ciclo na mobilidade de cidadãos dos dois países. Segundo fonte diplomática, existem cerca de sete mil empresas portuguesas que trabalham directamente com Angola, mil das quais instaladas no país, sendo a grande maioria de pequena e média dimensão (PME).

Calcula-se ainda que estejam instalados em Angola entre 120 mil a 140 mil portugueses, a grande maioria em Luanda.
O ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Paulo Portas, e o seu homólogo angolano, Georges Chicoti, que está de visita a Lisboa, assinam o acordo.
António José Soares

http://rr.sapo.pt/informacao_detalhe.aspx?fid=92&did=172853 15.09.2011

15 de setembro de 2011

Palanca-negra a Património da Humanidade


Está na internet uma petição para elevar a Palanca-negra a Património da Humanidade.

Pelo que verifiquei trata-se da Palanca-negra-gigante. Os promotores deveriam ter especificadoessa questão.

Para aderires à causa segue a ligação abaixo e, na página que surgir, clica em "Join Cause", à direita do vídeo.


Eles comem tudo

Ontem assim:

"Batendo as asas pela noite calada
Vêm em bandos com pés de veludo
Chupar o sangue fresco da manada"

Assim hoje:

"São os mordomos do universo todo
Senhores à força mandadores sem lei
Enchem as tulhas bebem vinho novo
Dançam a ronda no pinhal do rei"

E sempre:

"Se alguém se engana com seu ar sisudo
E lhes franqueia as portas à chegada
Eles comem tudo eles comem tudo
Eles comem tudo e não deixam nada"

São os Vampiros.


com o som bem alto"

14 de setembro de 2011

Nação Solidária

Ao divulgá-la, o AngolaHaria está a apoiar a NS-Nação Solidária, Cooperativa de Solidariedade Social.

Faça o mesmo.



Objectivos


Projectos


Projecto 3 R's


 Contactos

Góis Pino Premiado Em Espanha

Góis Pino, artista plástico luso-angolano, arrecadou o 1º Prémio da 16ª edição da Arte no Morrazo, em Cangas, Espanha.

1 de agosto de 2011

A Internacionalização da Amazónia

Durante um debate ocorrido no mês de Novembro de 2000, numa Universidade dos Estados Unidos, o ex-governador do Distrito Federal, Cristovam Buarque*, foi questionado sobre o que pensava da internacionalização da Amazónia. Um jovem introduziu a pergunta dizendo que esperava a resposta de um humanista e não de um brasileiro. Segundo Cristovam, foi a primeira vez que alguém determinou a ótica humanista como ponto de partida para a sua resposta.

Por qualquer motivo (talvez porque os EU se arrogam o papel de zeladores da “verdade”), a resposta de Cristovam Buarque não foi publicada naquele país, garante da “liberdade” mundial.



"De fato, como brasileiro eu simplesmente falaria contra a internacionalização da Amazônia. Por mais que nossos governos não tenham o devido cuidado com esse patrimônio, ele é nosso. Como humanista, sentindo e risco da degradação ambiental que sofre a Amazônia, posso imaginar a sua internacionalização, como também de tudo o mais que tem importância para a Humanidade. Se a Amazônia, sob uma ótica humanista, deve ser internacionalizada, internacionalizemos também as reservas de petróleo do mundo inteiro. O petróleo é tão importante para o bem-estar da humanidade quanto a Amazônia para o nosso futuro. Apesar disso, os donos das reservas sentem-se no direito de aumentar ou diminuir a extração de petróleo e subir ou não o seu preço. Da mesma forma, o capital financeiro dos países ricos deveria ser internacionalizado.

Se a Amazônia é uma reserva para todos os seres humanos, ela não pode ser queimada pela vontade de um dono, ou de um país. Queimar a Amazônia é tão grave quanto o desemprego provocado pelas decisões arbitrárias dos especuladores globais. Não podemos deixar que as reservas financeiras sirvam para queimar países inteiros na volúpia da especulação. Antes mesmo da Amazônia, eu gostaria de ver a internacionalização de todos os grandes museus do mundo. O Louvre não deve pertencer apenas à França. Cada museu do mundo é guardião das mais belas peças produzidas pelo gênio humano. Não se pode deixar esse patrimônio cultural, como o patrimônio natural amazônico, seja manipulado e destruído pelo gosto de um proprietário ou de um país.

Não faz muito, um milionário japonês, decidiu enterrar com ele um quadro de um grande mestre. Antes disso, aquele quadro deveria ter sido internacionalizado. Durante este encontro, as Nações Unidas estão realizando o Fórum do Milênio, mas alguns presidentes de países tiveram dificuldades em comparecer por constrangimentos na fronteira dos EUA. Por isso, eu acho que Nova York, como sede das Nações Unidas, deve ser internacionalizada. Pelo menos Manhattan deveria pertencer a toda a Humanidade. Assim como Paris, Veneza, Roma, Londres, Rio de Janeiro, Brasília, Recife, cada cidade, com sua beleza específica, sua história do mundo, deveriam pertencer ao mundo inteiro. Se os EUA querem internacionalizar a Amazônia, pelo risco de deixá-la nas mãos de brasileiros, internacionalizemos todos os arsenais nucleares dos EUA. Até porque eles já demonstraram que são capazes de usar essas armas, provocando uma destruição milhares de vezes maior do que as lamentáveis queimadas feitas nas florestas do Brasil. Nos seus debates, os atuais candidatos à presidência dos EUA têm defendido a idéia de internacionalizar as reservas florestais do mundo em troca da dívida.

Comecemos usando essa dívida para garantir que cada criança do mundo tenha possibilidade de ir à escola. Internacionalizemos as crianças tratando-as, todas elas, não importando o país onde nasceram, como patrimônio que merece cuidados do mundo inteiro. Ainda mais do que merece a Amazônia. Quando os dirigentes tratarem as crianças pobres do mundo como um patrimônio da Humanidade, eles não deixarão que elas trabalhem quando deveriam estudar; que morram quando deveriam viver. Como humanista, aceito defender a internacionalização do mundo. Mas, enquanto o mundo me tratar como brasileiro, lutarei para que a Amazônia seja nossa. Só nossa."

(*) Cristóvam Buarque foi governador do Distrito Federal (PT) e reitor da Universidade de Brasília (UnB), nos anos 90. É palestrante e humanista respeitado mundialmente.



Fonte:
Portal Brasil, http://www.portalbrasil.net/reportagem_amazonia.htm

22 de junho de 2011

Poderá ser a ponta de um iceberg



O matemático Nuno Crato é o ministro da Educação, do Ensino Superior e da Ciência do 19º Governo Constitucional, acabado de empossar pelo Presidente da República.

Depois de o escutar, no vídeo que vos apresento, só posso concluir que o matemático não podia estar mais correcto no que afirma, particularmente acutilante quando diz que “a culpa, perdoem-me que o diga, é de todos os partidos; todos os partidos que por lá passaram [Ministério da Educação] fizeram mais ou menos o mesmo: deram mais atenção à forma do que ao conteúdo, deram mais recomendações pedagógicas do que traçaram objectivos pedagógicos, do que traçaram objectivos de aprendizagem”. Porque se afirma equidistante de paninhos quentes.

Desta intervenção ressalta uma evidência: os princípios defendidos por Nuno Crato são transversais, tocam, com as distâncias e especificidades próprias das várias franjas da sociedade, toda a governação.

Nuno Crato é independente e estará, por via disso, afastado dos lobbies que, sabemo-lo todos, pululam na política. A questão é saber se terá o apoio total e sem equívocos de Passos Coelho, fundamental, sem margem para dúvidas, para implementar aquilo que se projecta do seu discurso. É necessário, também, confirmar se o próprio Passos Coelho terá o poder necessário para lhe dar carta branca. É que Nuno Crato poderá encetar, não tenho dúvidas, uma verdadeira revolução na Educação e pôr em causa uma estrutura caduca e acomodada: é bom lembrar que a Educação não tem estado apenas nas mãos dos ministros, nem tem dependido unicamente das decisões dos ministros que lhe têm cabido em sorte.

Que Nuno Crato consiga actuar como pretende, que possa também influenciar outras áreas da sociedade, é a esperança, não só minha mas, creio, de todos aqueles que andam, há muitos anos, a exigir uma revolução verdadeira na praxis governativa.



3 de junho de 2011

Os meninos de rua e o Kalemba Skim*

AngoNotícias

“Joel tem 12 anos, viu a mãe morrer e já esteve sem um tecto para morar. O ambiente em casa levou-o a fugir. Ficou a dormir na praia, em Luanda. Só contava com a ajuda dos amigos. Aqueles a quem se juntou há quatro meses e com quem começou a praticar um desporto de que nem sabia o nome.” [1]

Os arruamentos da capital angolana são o lar sem tecto para mais de 4.000 crianças, vindas da guerra, violência, desintegração familiar, dizia a Audácia em 2002. [2]

Vários corpos de adolescentes, não identificados, são encontrados e recolhidos frequentemente nas ruas de Luanda. [3]

Tony foi apenas um dos vários jovens que ainda encontram na rua a sua residência, e que parece encontrar nas drogas a solução dos seus problemas. [4]

Embora Angola possa apresentar em 2012 um dos maiores índices de crescimento mundial [5], é bom que nos questionemos: será vida viver na praia, lavar-se com água da canalização rota, ter mesa posta no contentor do lixo? [6]

As pessoas que moram em casa com tecto mostram-se agastados com atitudes e comportamentos menos abonatórias praticadas pelos meninos de rua nos contentores de lixo. [7] Que culpa têm os meninos?

Não obstante, as coisas vão mudando, paulatinamente, a um ritmo lento, muito mais lento do que aquele que as condições desses meninos reclamam, porque para muitos será tarde demais.


Pixar/Notícias Magazine

“Mais de oitenta crianças e jovens juntam-se nas praias de Luanda para praticar um desporto do qual nem o nome sabiam. O projecto Kalemba Skim vai levar-lhes, já em Junho, a sabedoria e a experiência de profissionais portugueses do skimming. Tudo por uma boa causa: tirar estes jovens das ruas e do mundo das drogas.” [1]

O skimboard é uma variante do surf mas, para o caso, é uma bênção para as crianças de rua. Viram, quiseram fazê-lo, construíram as suas próprias tábuas e começaram a praticá-lo, sem saberem o seu nome sequer. Para quê um nome se o que interessava era a felicidade que sentiam? As imagens que chegam de Angola são elucidativas. Felicidade é o que se vê.

Mas para que essa felicidade não se tornasse efémera, Tchiyna, uma apaixonada pela fotografia, conseguiu olhar para lá das imagens e viu pessoas. Pôs mãos à obra e foi recompensada. Especialistas e técnicos do skimming irão para Angola, este mês, para ajudar a desenvolver a modalidade e ensinar os meninos a construir correctamente as suas pranchas. A construir o seu futuro, longe dos contentores de lixo.

O desporto não é, não pode ser apenas competição. Deverá ser, fundamentalmente, uma forma de construção de vidas dignas e saudáveis.



notas:
* Kalemba é uma palavra quimbunda de que derivou o termo Calema, fenómeno natural da costa ocidental africana, caracterizado por grandes vagas de mar.
Skim de Skimboard.

[1] TADEIA, Patrícia. Skimboard em Luanda, Notícias Magazine, nº 992, 29.05.211.
[2] VIEIRA, José. Meninos nas ruas de Luanda: Para ensinar a sonhar, Audácia, Julho 2002, [url] http://www.audacia.org/cgi-bin/quickregister/scripts/redirect.cgi?redirect=EEuVyEZpVVmsdqCxAn
[3] Adolecentes recolhidos nas ruas de Luanda, MPDA-Movimento para a Paz e a Democracia em Angola , [url] http://www.mpdaangola.com/rubrique,adolecentes-mortos-l-da,1147531.html

[4] LUANDINO, Helder. Conheça a historia de dois jovens que no passado foram meninos de rua, Rádio Ecclesia, 7-07-2010, [url] http://www.radioecclesia.org/index.php?option=com_content&view=article&id=3020:conheca-a-historia-de-dois-jovens-que-no-passado-foram-meninos-de-rua-e-andaram-envolvidos-em-droga-criaram-um-projecto-de-ajuda-a-toxicos-dependentes-e-auxiliam-outros-jovens-a-sairem-das-ruas&catid=161:heroina-da-comunidade&Itemid=521
[5] AngoNotícias. Angola terá em 2012 um dos maiores crescimentos económicos a nível mundial, 2.06.2011, [url] http://www.angonoticias.com/full_headlines.php?id=31947
[6] ALVES, Dinis Manuel. Mediático, [url] http://www.mediatico.com.pt/luanda/esg.html
[7] Angop. Moradores da Avenida Brasil indignados com meninos de rua, 24.05.2005, [url] http://www.portalangop.co.ao/motix/pt_pt/noticias/sociedade/2005/4/21/Moradores-Avenida-Brasil-indignados-com-meninos-rua,aa26e087-7372-40a3-80b3-c61b5378f49c.html


vídeo:

28 de maio de 2011

Dominique Strauss Kahn - A verdade Escondida


O artigo que se segue circula livremente em vários sítios da internet, nomeadamente no Octopedia.blogspot.com e por email, não é, portanto, da responsabilidade do Angola Haria.


“A rádio, os jornais, a televisão não vos contam a verdade. Sobre qualquer informação faça a seguinte pergunta: "Quem beneficia com isto?". Procure pontos de vista diferentes, pense por si. Agora sim, retome a notícia.



CLUBE BILDERBERG EM ACÇÃO!



É fácil destruir a quem se opõe às suas tácticas financeiras.

Dominique Strauss Kahn foi eliminado por ameaçar a elite financeira mundial

Dominique Strauss Kahn foi vítima de uma conspiração construída ao mais alto nível por se ter tornado uma ameaça crescente para os grandes grupos financeiros mundiais. As suas recentes declarações como a necessidade de regular os mercados e as taxas de transacções financeiras, assim como uma distribuição mais equitativa da riqueza, assustaram os que manipulam, especulam e mandam na economia mundial.

Não vale a pena pronunciarmo-nos sobre a culpa ou inocência pelo crime sexual de que Dominique Strauss Kahn é acusado, os media já o lincharam. De qualquer maneira este caso criminal parece demasiado bem orquestrado para ser verdadeiro, as incongruências são muitas e é difícil acreditar nesta história.

O que interessa aqui salientar é: quem beneficia com a saída de cena de Strauss Kahn?

Convém lembrar que quando em 2007 ele foi designado para ser o patrão do FMI, foi eleito pelo grupo do clube Bilderberg, do qual faz parte. Na altura ele não representava qualquer "perigo" para as elites económicas e financeiras mundiais com as quais partilhava as mesmas ideias.

Em 2008, surge a crise financeira mundial e com ela, passados alguns meses, as vozes criticas quanto à culpa da banca mundial e ao papel permissivo e até colaborante do governo norte-americano. Pouco a pouco, o director do FMI começou a demarcar-se da política seguida pelos seus antecessores e do domínio que os Estados Unidos sempre tiveram no seio da organização.

Ainda no início deste mês, passou despercebido nos media o discurso de Dominique Strauss Kahn. Ele estava agora bem longe do que sempre foi a orientação do FMI. Progressivamente o FMI estava a abandonar parte das suas grandes linhas de orientação: o controlo dos capitais e a flexibilização do emprego. A liberalização das finanças, dos capitais e dos mercados era cada vez mais, aos olhos de Strauss Kahn, a responsável pela proliferação da crise "made in America".

O patrão do FMI mostrava agora nos seus discursos uma via mais "suave" de "ajuda" financeira aos países que dela necessitavam, permitia um desemprego menor e um consumo sustentado, e que portanto não seria necessário recorrer às privatizações desenfreadas que só atrasavam a retoma económica. Claro que os banqueiros mundiais não viam com bons olhos esta mudança, achavam que está tudo bem como sempre tinha estado, a saber: que a política seguida até então pelo FMI tinha tido os resultados esperados, isto é os lucros dos grandes grupos financeiros estavam garantidos.

Esta reviravolta era bem-vinda para economistas progressistas como Joseph Stiglitz que num recente discurso no Brooklings Institution, poderá ter dado a sentença de morte ao elogiar o trabalho do seu amigo Dominique Strauss Kahn. Nessa reunião Strauss Kahn concluiu dizendo: "Afinal, o emprego e a justiça são as bases da estabilidade e da prosperidade económica, de uma política de estabilidade e da paz. Isto são as bases do mandato do FMI. Esta é a base do nosso programa".

Era impensável o poder financeiro mundial aceitar um tal discurso, o FMI não podia transformar-se numa organização distribuidora de riqueza. Dominique Strauss Kahn tinha-se tornado num problema.

Recentemente tinha declarado: "Ainda só fizemos metade do caminho. Temos que reforçar o controlo dos mercados pelos Estados, as políticas globais devem produzir uma melhor distribuição dos rendimentos, os bancos centrais devem limitar a expansão demasiado rápida dos créditos e dos preços imobiliários. Progressivamente deve existir um regresso dos mercados ao estado".

A semana passada, Dominique Strauss Kahn, na George Washington University, foi mais longe nas suas declarações: "A mundialização conseguiu muitos resultados...mas ela tem também um lado sombrio: o fosso cavado entre os ricos e os pobres. Parece evidente que temos que criar uma nova forma de mundialização para impedir que a "mão invisível" dos mercados se torne num "punho invisível".

Dominique Strauss Kahn assinou aqui a sua sentença de morte, pisou a alinha vermelha, por isso foi armadilhado e esmagado.”



Para ligação à página oficial de Daniel Estulin (em castelhano), autor do livro "Clube Bilderberg - Os Senhores do Mundo", clique no título



Para saber mais sobre o grupo Bilderberg:
carta de Daniel Estulin, aos bloguistas portugueses

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