SEGUIDORES

14 de novembro de 2010

Sakineh

Publicação original a 28.08.2010
[url] http://dhangolaharia.blogspot.com/2010/08/sakineh.html




Sakineh é uma mulher iraniana condenada à morte por lapidação, acusada de adultério.
Esta lei dos homens que se julgam deuses é o regresso à barbárie

Aminetu Haidar, cidadã do Sahara Ocidental

publicação original a 17.12.2009
[url] http://dhangolaharia.blogspot.com/2009/12/aminetu-haidar-cidada-do-sahara.html







Artigo 4º
Nenhuma pessoa pode ser submetida, por causa de sua identidade nacional ou cultural, ao massacre, à tortura, à perseguição, à deportação, à expulsão ou a condições de vida que possam comprometer a identidade ou à integridade do povo ao qual pertence.

Artigo 5º
Todo povo tem o direito imprescindível e inalienável à autodeterminação. Determina seu estatuto político com inteira liberdade sem qualquer ingerência estrangeira.








Artigo 9.º
Ninguém pode ser arbitrariamente preso, detido ou exilado.

Artigo 15.º
1. Todo o indivíduo tem direito a ter uma nacionalidade.
2. Ninguém pode ser arbitrariamente privado da sua nacionalidade nem do direito de mudar de nacionalidade.

Artigo 18.º
Toda a pessoa tem direito à liberdade de pensamento, de consciência e de religião; este direito implica a liberdade de mudar de religião ou de convicção, assim como a liberdade de manifestar a religião ou convicção, sozinho ou em comum, tanto em público como em privado, pelo ensino, pela prática, pelo culto e pelos ritos.

Artigo 19.º
Todo o indivíduo tem direito à liberdade de opinião e de expressão, o que implica o direito de não ser inquietado pelas suas opiniões e o de procurar, receber e difundir, sem consideração de fronteiras, informações e ideias por qualquer meio de expressão.





A 13 de Novembro, as autoridades marroquinas confiscaram o passaporte à cidadã Aminetu Haidar e no dia seguinte expulsaram-na do país, por ter afirmado que era cidadã saharaui e não marroquina. Deixaram-na abandonada à sua sorte no aeroporto espanhol de Lanzarote, nas ilhas Canárias. Está em greve de fome desde o dia 15 de Novembro em sinal de protesto. [ ler na A.I. ]

Hoje foi hospitalizada.





As minhas convicções não se vendem. A minha única reivindicação é regressar a minha casa com os meus filhos e minha mãe, a El Aaiún, no Sahara Ocidental.” [ ler ]









No dia 18 de Dezembro Aminetu Haidar foi autorizada a viajar de regresso ao Sahara Ocidental num avião privado, após ter sido informada pelas autoridades espanholas que tinha sido alcançado um acordo com as autoridades marroquinas. O passaporte da activista foi devolvido por Marrocos à chegada.

»»» Amnistia Internacional Portugal

13 de novembro de 2010

Índice Global da Fome 2010


Segundo o Índice Global da Fome (IGF) 2010, dos países de expressão oficial portuguesa listados apenas o Brasil caminha para o abandono do espectro da fome e apresenta um nível Baixo. Os restantes estão na fasquia Alarmante:



Guiné Bissau 22.6 – 63º lugar
Moçambique 23.7 - 66º lugar
Timor 25.8 – 71º lugar
Angola 27.2 – 73º lugar



Embora Angola tenha sido dos países que conseguiram maiores progressos desde 1990 (decresceu de 40.6 para 27.2), confirma um dos pressupostos da fome no mundo:

Os países com os níveis mais elevados de Produto Interno Bruto (PIB) per capita, um indicador importante do desempenho económico, tendem a apresentar taxas baixas no IGF 2010 e países com níveis mais baixos tendem a apresentar taxas elevadas.” (1)


Índice Global da Fome (IGF) 2010 (2)


À medida que o mundo se aproxima de 2015, prazo final para se alcançarem as Metas do Desenvolvimento do Milénio - que incluem o objectivo de reduzir para metade a proporção de povos com fome –, o IGF 2010 oferece um panorama útil e multidimensional da fome no mundo. Apresenta algumas melhorias em relação ao de 1990, com uma queda aproximada de um quarto dos níveis. Todavia, o índice para a fome no mundo permanece a um nível caracterizado como “Sério.” O resultado não surpreende uma vez que o número total de povos com fome ultrapassou 1 bilhão em 2009, mesmo que o número diminua para 925 milhões em 2010, de acordo com a FAO - Organização para a Agricultura e a Alimentação das Nações Unidas.

Os resultados regionais mais elevados do IGF registam-se no sul da Ásia e na África subsariana, embora no sul da Ásia tenha havido grandes progressos desde 1990. No sul da Ásia a baixa condição nutricionista, educacional e social da mulher está entre os principais factores que contribuem para uma elevada predominância do défice de peso das crianças com menos de cinco anos. Por outro lado, na África subsariana a ineficácia dos governos, os conflitos, a instabilidade política e as altas taxas de HIV-SIDA estão entre os principais factores que conduzem à elevada mortalidade infantil e a uma enorme proporção de populações que não conseguem satisfazer as suas necessidades calóricas.

Alguns países conseguiram progressos absolutos significativos, melhorando o seu índice IGF. Do índice de 1990 ao de 2010, Angola, Etiópia, Gana, Moçambique, Nicarágua e Vietname alcançaram as melhorias mais significativas. Vinte e nove países têm ainda níveis de fome “alarmantes” ou “extremamente alarmantes.” Os países com índices “extremamente alarmes” em 2010 – Burundi, Chade, Republica Democrática do Congo e Eritreia – situam-se na África subsariana. A maioria dos países com índices “alarmantes” pertencem à África subsariana e ao sul da Ásia. O índice mais elevado de deterioração das contagens IGF ocorreu na Republica Democrática do Congo, maioritariamente devido ao conflito ocorrido e à instabilidade política.

O desempenho económico e a fome estão inversamente correlacionados. Os países com os níveis mais elevados de Produto Interno Bruto (PIB) per capita, um indicador importante do desempenho económico, tendem a apresentar taxas baixas no IGF 2010 e países com níveis mais baixos tendem a apresentar taxas elevadas. No entanto, nem sempre esta relação ocorre. Os conflitos, as doenças, as desigualdades, a administração ineficaz e a discriminação são os factores que podem empurrar um país para níveis de fome mais elevados do que se poderia esperar, tendo em linha de conta o seu PIB. Em contraste, o crescimento económico pro-pobre – a favor da pobreza –, o forte desempenho agrícola e o aumento crescente das igualdades podem reduzir a fome bastante mais do que seria espectável pelo índice do PIB.

A elevada predominância da desnutrição infantil é a principal contribuição para a fome persistente. Globalmente, o maior contributo para os índices IGF é o défice de peso das crianças. Embora a percentagem do subpeso nas crianças até à idade de cinco anos seja apenas um de três elementos que contribuem para a elaboração do IGF, determina quase metade da contagem mundial. A desnutrição da criança não está uniformemente espalhada pelo globo, mas concentra-se preferencialmente em alguns países e regiões. Mais de 90 por cento das crianças enfezadas (cuja estatura se situa abaixo do estabelecido para a sua idade) vivem em África e na Ásia, onde as taxas de enfezamento são de 40 e 36 por cento, respectivamente.

Para melhorar as contagens do IGF, é necessário que os países acelerem o progresso, reduzindo a desnutrição infantil. Conclusões de estudos recentes mostram que a oportunidade para melhorar a nutrição da criança se situa no período de -9 a +24 meses (isto é, nos 1.000 dias entre a concepção e o segundo aniversário). Este é o período em que as crianças mais necessitam de quantidades adequadas de alimentação nutritiva, cuidados médicos preventivos e curativos e práticas apropriadas de cuidados para o desenvolvimento saudável e em que as intervenções são mais capazes de impedir que a desnutrição se instale. Depois dos dois anos de idade os efeitos da desnutrição são, na maior parte dos casos, irreversíveis.

Para reduzir a desnutrição infantil os governos devem investir em intervenções eficazes visando a nutrição das mães e das crianças durante aquele período. Estas intervenções devem centrar-se no melhoramento da nutrição materna durante a gravidez e no aleitamento, promovendo a amamentação sadia e práticas de alimentação complementares, fornecimento de micronutrientes essenciais e adopção da iodização pelo sal, assegurando ao mesmo tempo a imunização apropriada. Alcançando uma cobertura elevada destas intervenções pode conseguir-se um impacto rápido na melhoria da nutrição infantil precoce.

Os governos devem igualmente adoptar políticas que combatam mais eficazmente as causas subjacentes à desnutrição, tais como a insegurança alimentar, a falta do acesso aos serviços de saúde e as práticas impróprias de cuidados e de alimentação, agravadas pela pobreza e pela discriminação. As estratégias para a redução da pobreza centradas na diminuição das desigualdades sociais são, consequentemente, parte da solução para melhorar a nutrição infantil, como o são as políticas que visem especificamente a melhoria da saúde, da nutrição e do estatuto social das meninas e das mulheres.


1. “Taxas baixas” e “Taxas altas” referem-se aqui ao nível de redução da fome e não ao Índice de Fome, que determina a classificação no ranking. A uma taxa baixa de redução da fome corresponde um Índice de Fome alto - e vice-versa. O país que aparece em primeiro lugar no Índice é, dos listados, aquele onde a Fome é menor.


2. adaptado de
IFRI - International Food Policy Research Institute. 2010 Global Hunger Index online, [url]
http://www.ifpri.org/publication/2010-global-hunger-index




descarregue o IGF 2010

28 de outubro de 2010

Em Remodelação

Caros amigos,

o AngolaHaria está em remodelação.

Poderá ser necessário limitar o acesso por curtos períodos.

Isto porque:



A rede de blogs AngolaHaria, perto de completar 5 anos de existência, tornou-se uma estrutura pesada e arcaica. É, pois, hora de mudança.


A mudança versará dois níveis principais: aspecto e articulação dos conteúdos.

Para muitos dos meus leitores, que disso me deram testemunho, o AngolaHaria tornou-se já uma referência no que à divulgação da cultura angolana diz respeito.

Por tal motivo nada se perderá, porque:

1. Passará a existir um ARQUIVO VIVO, onde se guardarão os textos que, mudando de sítio, poderão ser colocados online a qualquer momento;

2. um ARQUIVO MORTO para onde irão os textos simplistas, sem grande conteúdo, como as notas apenas informativas;

- de qualquer destes arquivos serão fornecidos, a quem o solicitar, os conteúdos tal como foram publicados originalmente;

3. um ARQUIVO HISTÓRICO, online, com o título “eBiblos AngolaHaria” que entrará em funcionamento brevemente. Este arquivo será uma espécie de Editora da rede e publicará, em forma de e-book (em PDF) artigos já completos e com mais de 1 ano de existência; o artigo assim publicado será apagado na sua origem; no e-book serão colocadas as referências identificativas originais. Aqui também serão publicados inéditos, havendo um já em fase de programação. Salvaguardo , no entanto, que os livros referentes a artigos do arquivo histórico serão sempre de descarga grátis. Alguns dos inéditos, no entanto, poderão ser passíveis de pagamento.

Tudo isto vai servir para tornar o AngolaHaria mais simples e directo; obviamente, muitas das actuais páginas desaparecerão, serão integradas noutras ou publicadas no Arquivo Histórico. P.e.

ARTES:

Dos artistas actualmente publicados em páginas individuais serão editados e-books, tanto mais que quase todos eles possuem hoje blogs e sítios próprios; as únicas excepções serão as minhas páginas de Pintura e Fotografia que, futuramente, serão integradas em uma única.

LITERATURA:

Toda a Literatura será integrada numa única página, a “LiterHaria”; com isto desaparecerá a divisão entre autores consagrados e amadores ou não consagrados; um dos ícones do AngolaHaria, a página “Poíesis”, no entanto, não morrerá – os poetas continuarão a ter o seu espaço no “LiterHaria” mas, tudo o que está publicado na página de Poesia será editado em e-books (precisamente na colecção Poiesis), vários por ordem alfabética de autores; para o LiterHaria apenas irão os novos poemas a publicar a partir de agora. Os e-books da “Poíesis” (como outros arquivos) serão publicados após revisão efectuada pelos autores de cada volume: nessa altura todos serão convidados a acrescentar, caso o queiram, um determinado número de poemas “novos”, em número a definir; qualquer autor terá o direito de declinar a publicação e nesse caso o seu nome e os seus poemas desaparecerão do arquivo histórico.

DICIONÁRIO:

O dicionário “Mulonga, a Palavra” desaparecerá porque o seu objectivo está cumprido; esta página nasceu como ensaio para o verdadeiro dicionário que estou a preparar para edição em papel; todo o conteúdo actual, embora precário tendo em vista o resultado final, passará para e-book. Por tal motivo, depois da sua publicação serão removidas todas as hiperligações existentes nos textos do AngolaHaria.

Como podem verificar trata-se de uma tarefa gigantesca que não será completada este ano, porque as mudanças serão paulatinas e previamente estudadas. No entanto, como já referi, nada se perderá.



Para qualquer dúvida ou pedido de arquivo basta enviar uma mensagem para



Até lá peço-vos apenas um pouco de paciência e agradeço antecipadamente a vossa benevolência.



Kandando grande do



admário costa lindo

27 de outubro de 2010

3º Seminário CED


Seminário do Centro de Estudos do Deserto (Namibe) a realizar entre 21 e 22 de Novembro de 2010.

Condições  aqui »»»

contactos
Samuel Aço

email: ce.deserto@gmail.com

web: http://www.ce-deserto.com

C.P. 18 301 - Luanda

C.P. 305 - Namibe

++ 244 923 317 404 / 912 820 862

12 de outubro de 2010

Exposição de Pintura "Iconografias"


A Exposição Iconografias será inaugurada às 18H00 do dia 18 de Outubro


na Cooperativa de Cultura A Filantrópica, na Rua 31 de Janeiro nº 1, frente à Estação dos Correios (Central) da Póvoa de Varzim.

A página oficial da exposição estará no ar uma hora antes - aqui  »»»

3 de outubro de 2010

NBSAP 2007-2010

O artigo Angola, Legislação Ambiental, publicado em 2006 no EcoHaria, continua a receber comentários dos leitores manifestando o seu desagrado pelo facto de não ser possível aceder a documento tão importante para o desenvolvimento sustentado de Angola.

Na verdade só é possível conseguir o Livro a que o artigo se refere em Angola, no Ministério do Ambiente.

No entanto o NBSAP - Estratégia e Plano de Acção Nacionais para a Biodiversidade 2007-2010 pode ser consultado ou descarregado do link do índice (coluna do lado direito) no item “Documentos”.

Não se esqueçam que o AngolaHaria é composto por várias páginas, tal como um jornal e explorem, em cada uma dessas páginas, todas as potencialidades da coluna-índice.

24 de setembro de 2010

Serra da Leba by night




Photograph by Kostadin Luchansky


This is Serra da Leba, a landmark in Angola. It has been one of the country's postcard images for decades, but all shots were taken by day. I needed something different. I decided to try a night shot, but it seemed impossible: pitch black, foggy, an altitude of 1,800 meters (5,000 feet). My Nikon can stay open as long as 60 seconds max. But a car takes a few minutes to climb and descend and complete the "drawing." The fog was blocking! Suddenly the fog cleared, a car went down, another went up, and they met in the middle in under 60 seconds. Painting done.

13 de junho de 2010

A quem interessa a Guerra

Que a guerra é um lucro já muitos de nós o sabemos. É também sabido que os objectivos “civilizacionais” e democráticos são apenas uma falácia. Mas quem pode e quem está nos lugares certos para o proclamar, cala-se. Para também poder comer da gamela.

Outros há que, na feira das ilusões, prometem desmascarar a besta mas, mesmo a coberto de Prémios Nobéis extemporâneos, ou outros, arrependem-se redondamente. Promessas tem havido várias mas não há meio de se acabar com as moscas, que são sempre as mesmas. Toda a gente sabe que para acabar com elas, com as moscas, basta acabar com a merda. Mas, pelos vistos, a merda dá muito lucro e, assim sendo, não convém destruí-la. A todo o custo.

O homem que fez o discurso que se segue era um jovem que participou na guerra do Iraque. Apareceu morto dois dias depois destas declarações. De ataque cardíaco, diz a autópsia. Como convém.






Esforcei-me por ter orgulho no meu trabalho mas tudo o que consegui sentir foi vergonha.

O racismo já não conseguia mascarar a realidade da ocupação.
Eles eram gente, seres humanos.

Desde então passei a sentir culpa cada vez que via homens idosos, como aquele que não podia andar e foi carregado numa maca até que a polícia iraquiana o pudesse levar.

Sentia culpa cada vez que via uma mãe com os seus filhos, como aquela que chorava estericamente, gritando que nós éramos piores do que Saddam enquanto a obrigávamos a sair de casa.

Sentia culpa cada vez que via uma rapariga como a que agarrei pelo braço e arrastei para a rua.

Disseram-nos que lutávamoas contra terroristas mas o verdadeiro terrorista era eu e o verdadeiro terrorismo é esta ocupação.

O racismo dos militares tem sido, durante muitas épocas, uma ferramenta importante para justificar a destruição ou a ocupação de outro país. Tem sido muito usado para justificar a morte, a subjugação ou a tortura de outro povo.

O racismo é uma arma vital usada por este governo. É mais poderosa do que uma metralhadora, um tanque, um bombardeiro ou um navio de guerra. É mais destrutivo do que um projéctil de artilharia, um anti-bunquer ou um míssil Tomahawk.
Apesar do nosso país fabricar e gerir essas armas, elas são inofensivas sem pessoas dispostas a usá-las. Aqueles que nos enviam para a guerra não têm que apertar o gatilho ou lançar morteiros. Eles não precisam de lutar na guerra, a sua função é vender a guerra. Precisam de um público disposto a mandar os seus soldados para o perigo. Precisam de soldados dispostos a matar e morrer sem questionar. Eles podem gastar milhões com uma única bomba mas essa bomba só se torna uma arma quando as divisões militares estão dispostas a executar a ordem para usá-la. Eles podem enviar um soldado para qualquer parte do Mundo mas só haverá guerra se o soldado concordar em lutar. É a classe dominante de bilionários que lucra com o sofrimento humano, que se preocupa apenas em aumentar a sua riqueza, em controlar a economia mundial
Sabem que o seu poder consiste somente na habilidade para nos convencer de que a guerra, a opressão e a exploração são do nosso interesse. Eles percebem que a sua riqueza depende da capacidade para convencer as classes trabalhadoras a morrer para controlarem o mercado de outro país e o convencer-nos a matar e morrer tem por base a sua habilidade em fazer-nos pensar que somos, de alguma forma, superiores.
Soldados, marinheiros, marines, aviadores, não têm nada a ganhar com esta ocupação. A grande maioria das pessoas que vivem nos E.U.A. não têm nada a ganhar com esta ocupação. Na verdade, nós não somente não temos nada a ganhar como sofremos mais por causa disso: perdemos membros e damos a nossa vida de forma traumática. As nossas famílias têm que ver os caixões com bandeira descer à cova.

Há milhões de pessoas neste país sem assistência médica, sem trabalho ou acesso à educação e vemos o governo gastar 450 milhões de dólares por dia com essa ocupação. Pessoas pobres e trabalhadoras deste país são enviadas para matar pessoas pobres e trabalhadoras de outro país e tornam os ricos ainda mais ricos.

Sem o racismo os soldados perceberiam que têm muito mais em comum com o povo do Iraque do que com os bilionários que nos mandam para a guerra.

Eu atirei famílias para a rua no Iraque apenas para poder chegar a suas casas e encontrar famílias atiradas para a rua, nessa trágica e desnecessária crise imobiliária.

Devemos acordar e perceber que o nosso verdadeiro inimigo não está em alguma terra distante e não são pessoas cujo nome não conhecemos ou a quem não entendemos culturalmente. O nosso inimigo é gente que conhecemos muito bem e que podemos identificar. O nosso inimigo é um sistema que declara guerra quando é lucrativo, o inimigo é uma companhia que nos despede quando é lucrativo, é uma companhia de seguros que nos nega assistência quando é lucrativo, é o banco que fica com as nossas casas quando é lucrativo. O nosso inimigo não está a 5 mil milhas de distância, está bem aqui.

Se nos organizarmos e lutarmos juntos, com os nossos irmãos e irmãs, podemos parar esta guerra, podemos parar este governo e podemos criar um mundo melhor.


Veja o vídeo





30 de dezembro de 2009

Prémio Dardos


O ano que agora acaba foi, para o AngolaHaria e por motivos vários, muito fraco. Por tal motivo peço imensas desculpas aos meus leitores, seguidores e amigos.

Não quero, no entanto, virar esta página sem referir o “Prémio Dardos”, indicado que fui pela Adélia Clara Vaz, minha amiga, minha prof e minha irmã mais-velha no seu Aileda Aki.

Com o “Dardos” reconhecem-se os valores que um blogueiro demonstra, o seu empenho em transmitir valores culturais, éticos, literários, pessoais que, em suma, demonstrem a sua criatividade através do pensamento vivo que está subjacente nos seus escritos.


São três, as regras do “Prémio Dardos”:

1- Aceitar exibir a imagem.
2- Linkar o blog do qual recebeu o prêmio.
3- Escolher 15 blogs para entrega do Prêmio.

As minhas indicações:

1. para estas indicações segui dois critérios:
a. blogues não indicados para este prémio, por toda a comunidade (até onde foi possível saber);
b. blogues não indicados por mim para outros prémios. [aqui]

2. a ordem é meramente alfabética.


10encantos (Poemas) de Soberano Canhanga
http://10encantos.blogspot.com/

Alto Hama de Orlando Castro
http://altohama.blogspot.com/

A Matéria do Tempo de Fernando Ribeiro
http://amateriadotempo.blogspot.com/

A Minha Sanzala de JotaCê Carranca
http://sanzalando.blogspot.com/

Angola de Aida Saiago
http://www.angola-saiago.net/index.html

Angola da Utopia para a Realidade, Desabafos Angolanos
http://www.desabafosangolanos.blogspot.com/

Associação 27 de Maio
http://27maio.com/

Brisa Poética de Sílvia Câmara
http://brisapoetica.blogspot.com/

Entre as Palavras (minha alma poética) de Nelson Livingston
http://nelsonlevenaspalavras.blogspot.com/

Malambas de Lobitino Almeida N'gola (Eugénio Costa Almeida)
http://malambas.blogspot.com/

Mulembeira de Decio Bettencourt Mateus
http://mulembeira.blogspot.com/

Partos de Pandora de Violeta Teixeira
http://www.mgrande.com/weblog/index.php/partosdepandora/copyright

Quantos poemas tem a noite? de Sherazade/Mirabilis
http://quantospoemas.blogspot.com/

Quitexe de João Garcia
http://quitexe-historia.blogs.sapo.pt/

Rara Avis de Ana Tapadas
http://raraavisinterris.blogspot.com/

4 de dezembro de 2009

Na Pele da Cidade

Na Pele da Cidade
In the Skin of the City
António Ole


Evento: Na Pele da Cidade In the Skin of the City António Ole
"António Ole; artte"
O quê: Exposição
Início: Sexta-feira, 11 de Dezembro às 18:30
Fim: Sexta-feira, 29 de Janeiro às 17:30
Onde: Centro Cultural do Instituto Camões, Luanda

Convidados confirmados:
Jorge Arrulo
Mário Tendinha
Ricardo Lima Viegas



23 de novembro de 2009

D. Birmingham e o Maio de 77

Hukalilile

A análise história tanto pode constituir uma teoria isenta como um enorme embuste.

Quanto ao que a África em geral e a Angola em particular diz respeito, é politicamente correcto afirmar-se que o acervo histórico produzido no período Colonial “foi pegado por um tropel de marinheiros, soldados, comerciantes, missionários, cartógrafos, publicistas, membros de Sociedades de Geografia, cientistas e políticos europeus que foram cozinhando, para o seu interesse teórico e prático, representações sobre o continente e seus habitantes que eles procuraram impingir aos africanos.” (1)

Barbeitos generaliza e mete tudo dentro do mesmo saco, mas não quer isto dizer que não tenha razão, genericamente falando. E esta verdade não invalida uma outra: que o que se seguiu não foi melhor e que os novos marinheiros, soldados, comerciantes, missionários, cartógrafos, publicistas, membros de Sociedades de Geografia, generalizando também, actuaram da mesmíssima forma.

A nova “visão do homem africano e angolano finalmente ajustada aos seus próprios interesses e idiossincrasias” (2) pode não ser uma visão tão isenta como seria desejável e resultar na transposição da posição oficial do sistema político, como o foi no antigamente.

Vem isto a respeito do relato de David Birmingham sobre a “tentativa de golpe de Estado em Luanda a 27 de Maio de 1977.” (3) Sobre os factos, grosso modo, o que diz Birmingham é o mesmo que diz o Governo e o MPLA, ainda que o autor introduza afirmações como “a história oficial da tentativa de golpe de Maio … cobre a maior parte dos problemas…”, tentando assim afirmar uma pretensa isenção de análise.

Esta posição sobre factos históricos não é estranha. A História de Angola, a partir de 1961, confunde-se com a(s) História(s) do MPLA, porque assim se pretende que seja.

O MPLA nunca foi, ou apenas o foi durante um período muito curto, um movimento democrático, mormente após a chegada ao poder (a direcção do Movimento) de Agostinho Neto. Não existe, na História oficial, referência ao método utilizado por Neto para atingir a Direcção que, é sabido, foi tudo menos democrático. O mujimbo (4) fala em usurpação.

Oficialmente Mário Pinto de Andrade, Gentil Viana e outros dirigentes da primeira hora são vistos como nada tendo a acrescentar à História do Movimento. Viriato da Cruz foi sumariamente riscado dessa História. E convém lembrar que Viriato da Cruz foi um dos primeiros e destacado dirigente do Movimento, por todos reconhecido como uma mente brilhante e de extrema dedicação à causa da libertação. Foi feito prisioneiro na China, pelos mentores da Revolução Cultural, pelo facto de se ter recusado a alterar um seu relatório sobre a contribuição da China para a Revolução em África, nada abonatório para os chineses. O MPLA abandonou-o cobardemente, deixou que passasse os últimos tempos de vida na mais cruel indigência, deixou-o apodrecer nas masmorras onde acabou por morrer, tendo sido sepultado sem a mínima dignidade.

O MPLA tem, a respeito da lavagem histórica e outros itens da castração mental copiados do Big Brother, defensores horripilantes. Veja-se o que se passou com José Eduardo Agualusa, quando afirmou que "Uma pessoa que ache que o Agostinho Neto, por exemplo, foi um extraordinário poeta é porque não conhece rigorosamente nada de poesia. Agostinho Neto foi um poeta medíocre." (5)

Saiu em defesa da causa mitológica um tal João Pinto, pelos vistos jurista e, pelos vistos também, professor de Ciência Política e Direito Público: “Acho mesmo que, deve haver responsabilidade criminal e civil por estarem reunidos todos requisitos do ultraje à moral pública (ofendeu a moral cultural ou intelectual dos angolanos), previsto e punido no Artigo 420º do Código Penal.”

O MPLA de Agostinho Neto sempre lidou muito mal com as opiniões contrárias. Foi assim com a Revolta Activa, com a Revolta do Leste e, por fim, com o Fraccionismo. Foi este último o que ele mais temeu porque, para além do mais, era ideologicamente o mais incómodo.

“Inicialmente os seus textos eram alegadamente baseados em Enver Hoxa da Albânia, mas em 1975 mudaram para os escritos de Mao e Nito Alves perorou largamente sobre a análise de classes ao estilo chinês em Angola. Cita Alves (6) voltou estes grupos para Lenine. Dentro do MPLA, estava agora aberto o debate acerca das interpretações verdadeiras e falsas de ideias políticas comuns.” (7) E o MPLA, por escolha – ou imposição - de Agostinho Neto, transformou-se em partido marxista-leninista.

Mas, antes disso, “Agostinho Neto e os seus estavam preocupados com o debate interno, pois as Comissões Populares de Bairro eram grandes centros de debate com a população. E, como seria natural, também estavam preocupados com o problema dos delegados ao Congresso. Havia que evitar que os nitistas chegassem ao Congresso, anunciado para finais de 1977. Com efeito, existia o sério risco de conquistarem os principais lugares de direcção.” (8)

No período pós-independência o MPLA e Neto impuseram ao país, mais do que o partido único, o pensamento orwelliano único, de resto à semelhança do que sempre se passara dentro do Movimento. O próprio Barbeitos afirma que “circunstâncias locais e internacionais fizeram com que, após a independência, a política de informação angolana não divergisse o necessário da prevalecente na ditadura colonial, para que a população adquirisse a capacidade de acesso e de expressão abertos acerca de certo número de coisas que se passavam no país e fora dele,” não se inibindo em referir “a clausura imposta à formação de uma opinião pública livre.” (9)

É assim que, relatando os factos, Birmingham afirma que “o quadro estava montado para um golpe de Estado que se desenrolou com lentidão incrível, brutalidade inexorável e incompetência ridícula durante os seis dias seguintes”: (10)

1. “O quadro estava montado” realmente, mas por alguém que não os supostos conspiradores,

2. pelo que “se desenvolveu com lentidão incrível”, confirmação da inexistência de golpe; que a teoria da conspiração foi montada para legitimar a actuação subsequente das forças da repressão: “O que se passou em Angola terá sido uma provocação, longa e pacientemente planeada, de modo a levar os nitistas a perderem a cabeça e a saírem à rua, justificando assim um contra-golpe, também minuciosamente preparado.” (11)

3. A “brutalidade inexorável” veio da parte das forças repressivas do sistema e não se prolongou pelos “seis dias seguintes” mas por muitos e longos meses. Não se confinou aos nitistas, alargou-se aos seus amigos, familiares, companheiros ideológicos e deu azo a oportunos assassinatos purificadores indiscriminados e em massa.

“David Birmingham é sem dúvida um dos pioneiros da moderna historiografia angolana”, (12) diz Barbeitos mas se, por mero acaso, o seu texto sobre o 27 de Maio chegar a ser tido como Fonte Histórica, bem mais para diante, quando os nossos filhos o lerem terão uma visão totalmente errada desse período da História de Angola:

“Num aspecto, contudo, os conspiradores angolanos adoptaram uma característica perturbadora da revolução etíope, nomeadamente, o assassinato pessoal e a sangue-frio de líderes antagonistas.” (13)

Ficarão com a noção de que os 20 ou 30 mil mortos (14) resultaram da acção dos nitistas e que eles próprios, Nito Alves, Zé Van Dunem e outros, se assassinaram a si próprios.


admário costa lindo




(1) BARBEITOS, Arlindo. Considerações Preliminares, in BIRMINGHAM, David. Portugal e África, Vega Editora, Lisboa, 2003, pg. 14.
(2) Barbeitos, ob. cit., pg.9.
(3) Birmingham, ob. cit., pg. 183.
(4) Notícia; boato.
(5) A este respeito ler o artigo
Mitologias.
(6) aliás Sita Valles.
(7) Birmingham, ob. cit., pg.190.
(8) MATEUS, Dalila Cabrita e Álvaro. Purga em Angola, Nito Alves/Sita Valles/Zé Van Dunem, o 27 de Maio de 1977, 3ª edição revista e actualizada, Texto Editores, Lisboa, 2009, pg. 176.
(9) Barbeitos, ob. cit., pgs. 19-20.
(10) Birmingham, ob. cit., pg. 185.
(11) Mateus, ob. cit., pg. 176.
(12) Barbeitos, ob. Cit., pg. 9.
(13) Birmingham, ob. cit., pg. 196.
(14) “Os cálculos sobre o número de mortos variam. Um responsável da DISA ouvido por nós fala em 15.000. A Amnistia Internacional fez um levantamento e avançou com 20.000 a 40.000 mortos. Adolfo Maria, militante da chamada Revolta Activa, e José Neves, um juiz militar, falam de 30.000 mortos. O jornal Folha 8 refere 60.000. E a chamada Fundação 27 de Maio foi até 80.000. No meio termo estará a virtude. Quedemo-nos, então, pelos 30.000 mortos, o número mais referido.” Mateus, ob. cit., pgs. 151-152.

19 de novembro de 2009

da Liberdade de Opinião e Expressão





DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS DO HOMEM

ARTIGO 19º




Todo o indivíduo tem direito à liberdade de opinião e de expressão, o que implica o direito de não ser inquietado pelas suas opiniões e o de procurar, receber e difundir, sem consideração de fronteiras, informações e ideias por qualquer meio de expressão.



Bable
Tou individuu tien drechu a la llibertá d'opinión y d'espresión, lo que lleva darréu nun pone-y a naide estorbises pola mor de les sos opiniones, y tamién drechu a dir en cata d'informaciones y d'opiniones, lo mesmo qu'a espardeles per cualesquier mediu d'espresión y ensin llendes de fronteres.

Castellano
Todo individuo tiene derecho a la libertad de opinión y de expresión; este derecho incluye el no ser molestado a causa de sus opiniones, el de investigar y recibir informaciones y opiniones, y el de difundirlas, sin limitación de fronteras, por cualquier medio de expresión.

Català
Tota persona té dret a la llibertat d'opinió i d'expressió; aquest dret inclou el de no ser molestat a causa de les pròpies opinions i el de cercar, rebre i difondre les informacions i les idees per qualsevol mitjà i sense límit de fronteres.

Crioulo da Guiné
Kada pekadur tem diritu di liberdadi di opinion, tambi di konta ke ki na sinti, ku sedu diritu di ka kalantadu pabia di si opinions; i tem diritu di buska, risibi i konta utru jinti informason ku ideias, pa kalker meiu, sin limitason di fronteras.

Deutsch
Jeder hat das Recht auf Meinungsfreiheit und freie Meinungsäußerung; dieses Recht schließt die Freiheit ein, Meinungen ungehindert anzuhängen sowie über Medien jeder Art und ohne Rücksicht auf Grenzen Informationen und Gedankengut zu suchen, zu empfangen und zu verbreiten.

Diola
Anoosan nababaj druwa, ebaj kawonoor kiiya di káyiisen ko nen manumaŋumi eeno.Yoo elakomi an awarut ajaakali ebaj siwonoor soola. Naŋooleŋoolen ayab kurim mba siwonoor san aŋoolene afasiken dóo ésukool mba tíyaŋ.

~Donga (Otxivambo)
Omuntu kehe oku na uuthemba womadhiladhilo noku ga popya mo; uuthemba mbuka owa kwatelela mo emanguluko okukala nomadhiladhilo gontumba nopwaa na etompakanitho, osho wo okupewa nokugandja uuyelele nomadhiladhilo tadhi ziilile miikundaneki yoludhi kehe.

Dutch
Een ieder heeft recht op vrijheid van mening en meningsuiting. Dit recht omvat de vrijheid om zonder inmenging een mening te koesteren en om door alle middelen en ongeacht grenzen inlichtingen en denkbeelden op te sporen, te ontvangen en door te geven.

English
Everyone has the right to freedom of opinion and expression; this right includes freedom to hold opinions without interference and to seek, receive and impart information and ideas through any media and regardless of frontiers.

Esperanto
Ĉiu havas la rajton je libereco de opinio kaj esprimado; ĉi tiu rajto inkluzivas la liberecon havi opiniojn sen intervenoj de aliaj, kaj la rajton peti, ricevi kaj havigi informojn kaj ideojn per kiu ajn rimedo kaj senkonsidere pri la landlimoj.

Euskara
Gizabanako guztiek dute eritzi-eta adierazpen-askatasuna. Eskubide horrek barne hartzen du erlijioa eta sinismena aldatzeko askatasuna eta bakoitzaren eritziengatik inork ez gogaitzeko eskubidea, ikerketak egitekoa eta informazioa eta eritziak mugarik gabe eta nolanahiko adierazpidez jaso eta zabaltzekoa.

Forro
Tudu nguê tê dirêtu di liberdade di opinión e di flá. A na ca pô plijudicá nê ua nguê fa punda ê manifestá opinión dê e ê ca pô goló, lêcêbê e uangá , ni qualqué xitu cuê mêssê, tudu pensamentu dê, tudu ideia dê, modo cu ê mêssê.

Français
Tout individu a droit à la liberté d'opinion et d'expression, ce qui implique le droit de ne pas être inquiété pour ses opinions et celui de chercher, de recevoir et de répandre, sans considérations de frontières, les informations et les idées par quelque moyen d'expression que ce soit.

Galego
Todo individuo ten dereito á liberdade de opinión e de expresión; este dereito inclúe o de non ser molestado por mor das súas opinións, o de investigar e recibir informacións e opinións e o de difundilas, sen limitación de fronteiras, por calquera medio de expresión.

~Gangela
Munu woxewo ali na vulemu vwa vukule na vusungameso vwa manyonga co na kulyendekela mu cizango.

Guarani
Maypa tapicha iderecho oguerekóvo ijidea ha iñeñandu tee, ha upéva oikuaaukávo ojejuru mboty´yre ichupe; ko deréchope oike avavépe nonnemolestáivo marandu ha opinión kuéra, ha avei oñemosarambivo ko´âva opaite hendárupi, mayma tembiporu upevarâ oiva rupive.

Ibinda
Woso mutu midi na luve ayi mswa yi kimpwanza ki baka dyandi dibanza, yandi mbadulu ayi dyandi dituba, ayi bo-bwawu, widi na mswa ukhembo bundulu va yilu mabanza mandi evo widi luve lu kutomba madi mkinza mo kayamba ayi katyakisa, mu kukambu ku minkaka evo zindilu, mambu ayi mayindu mandi moso mu yoso kwandi phila mbemo.

Juca sampa


Italiano
Ogni individuo ha diritto alla libertà di opinione e di espressione incluso il diritto di non essere molestato per la propria opinione e quello di cercare, ricevere e diffondere informazioni e idee attraverso ogni mezzo e senza riguardo a frontiere.

Kabuverdianu
Tudo individe tem drêto di tem liberdadi di opinion e di papiâ, sim porblema; assi el tem drêto di ca ser incomodado por causa di sês opinion e el pôdê porcurâ ricebê e spádjâ, sem consideraçon di frontêra, calquer informaçon e idêa, di calquer modo qui el crê fazê êl.

Kikongo/Kituba
Konso muntu ke na luve ya kimpwanza ya mabanza mpe ya kinzonzi ni yawu yina yandi lenda ve kutala boma samu na mabanza ya yandi, dyaka mpe na kusosa kuzwa mpe kumwangisa nsangu ya mabanza ya yandi kisika ni kisika na mutindu yina yandizola nsangu ya yawu.

Kimbundu
Ngamba woso wala kutokala o kubuluka dya kubalula ni dya kuzwela.

Lëtzebuergeusch
All Mënsch huet d'Recht op eng fräi Menong a fir se fräi auszedrécken, an deem och d'Recht mat dran as op eng Menong fräi vu Fuurcht an dat Recht fir Informatiounen an Iddiën ze sichen, ze kréien an ze verbrede mat all dene Mëttele fir sech auszedrécken, déi et gët an ouni sech mussen u Grenze vu Länner ze halen.

Lingala
Moto nyonso azali na likoki ya bokanisi pe bolobi; yango ekopesa ye ndingisa ya kozala na bomo na motema te likolo ya makanisi na ye ndingisa ya koluka, kozwa pe kopanza mayebisi na makanisi esika na esika, na ndenge alingi koyebisa yango.

Lunda
Muntu wejima wenkewa ing'ovu yakutong'ojoka nikuhosha hansang'a yidi yejima chakadi kutiya womaku mukukeng'a kwiluka wunsahu walala hansang'u yinakuleng'ayi kwiluka chiwahi.

Luvale
Mutu wosena analusesa lwavishinganyeka nakuhajika, lusesa kana lunapu lwakushinganyeka vishinganyeka vyenyi chakuhona kupwa nawoma kaha nakuzanga kutambula nakunangula mazu navishinganyeka kuhichila mukala mazu amijimbu chakuhona veka kumukinga.

Makonde
Munu avele na wasa wa kutongola palikuwa. Avele na wasa wa kuwunila ding’ano dyake bila kun’mahani. Avele na wasa wa kuhumya na kupwechela ding’ano, na hata usumba mapalu la vilambo, akalambela.

Makua
Wakunla mutthu ohaana edireito y’ohimya enimmwa m’muru mwawe, ehopipihiwaka ekiiso sa itthu sin’himyawe, ni opheela wakhela ni olalea nuulumo nawe, mulaponimwawe ni ilapo sokhopela.

Tetum
Ema hotu-hotu iha direitu ba liberdade atu iha opiniaun no hato’o nia opiniaun; direitu ida-ne’e inklui mós liberdade atu iha opiniaun ne’ebé laiha interferénsia, no atu buka, simu no hato’o informasaun no ideia sira hosi média sá de’it, no la haree ba rai-ketan.

Tonga
Muntu oonse ulaangulukide kwaamba zyili kumoyo; kwaanguluka ooku kulajatikizya akubuzya, kulaigwa alimwi akupa mizeezo kwiinda mumapepa antela mulisikapepele kakunyina munyinza.

Tsonga
Wini na wihi à thxusekili ku khuluma kumbe ku veka mavonele; hi kolàho a svi faneli ku miyetiwa. Hi ku yengetà , à thxusekile a ku yamukeka ni ku hàxa, na a nga tchuvuki ndzelekani, a tindzava ni mapimo hi ma mayendlele lawa a ma lavàkà.

Txiluba
Muntu yonsu udi ne bukenji bwa kwela meji ne kwakula mudiye muswe. Mbwena kwamba ne kabena mwa kumukwata bwa mine malu aa. Udi ne bukokeshi bwa kukeba, kupeta ne kumwanglaja ngumu ne meji emde myaba yonsu mu mishindu yonsu.

Txinhanja
Munthu aliyense ali ndi danga la ufulu wa maganizo ndi malankhulidwe; ufuluwu ukhudza maganizo a munthu kopanda msokonezo wina wace, kupempha ndi kulandira nzeru ndiponso kuphunzitsa ena nzeru kapena maganizo mogwiritsa nchito njira iriyonse.

Txokwe
Muthu mweswe kanatela kuhana cyulo nyi kuhanjika liji ali nalyo.

Umbundu
Omunu eye omunu okwete omoko yeyovo lyesokolwilo kwenda okuvangula.

Xona
Munhu wese anekodzero yokuva norusununguko rwemaonero ake pasina kukanganiswa, rwekutsvaga, rwekuudzwa kana rwekuzivisa mashoko nemafungiro neipi zvayo nzira zvisineyi nezvemiganhu yenyika.

International Society for Human Rights (ISHR)

2 de fevereiro de 2009

Palavras Aventureiras VI

Dembos


Os cafés, tanto o conteúdo quanto o continente extenso, podem ser oportunidade para uma conversa substantiva ou um fútil desperdício de tempo. Tudo depende da companhia. Na internet passa-se o mesmo, com a variante da anulação de distâncias e a enorme diversidade de interesses que se encontra frente a um computador.

Vem este intróito a propósito das últimas aventuras loquazes provocadas por Denodado, um amigo do Angola Haria desde o primeiro momento.

No comentário que fez ao artigo anterior esclarece, com propriedade e conhecimento, que “o nome Dembo, na verdade, não designa o natural da região do mesmo nome, a qual é constituída, tanto quanto julgo saber, pelo município dos Dembos propriamente dito, cuja sede se chama Quibaxe e que pertence à província do Kwanza-Norte, e pelo município de Nambuangongo, que fica na província do Bengo, além de algumas franjas de municípios vizinhos, como o do Dange (cuja sede é Quitexe), na província do Uíje” e que o nome Dembo é “dado aos detentores da autoridade tradicional máxima na região referida, os quais são herdeiros dos soberanos de antigos estados independentes minúsculos, resultantes de uma separação do reino do Congo.”

Só quem ama verdadeiramente Angola, muito para lá das paisagens idílicas, conhece a História daquela terra. Em Portugal pouca gente sabe que, no tempo daqueles outros senhores, em Angola quem se interessasse pela sua História e por todos os outros aspectos do conhecimento – etnológicos, geográficos, zoológicos, botânicos, arquitectónicos – tinha que ir em sua busca, porque nas escolas ensinavam-nos as serras de Portugal, os rios de Portugal, os caminhos-de-ferro de Portugal, os portos de Portugal, mas de Angola… nada! Talvez pensassem que os matumbos tinham mais era que olhar para céu, para as águas, para os muxitos, para os montes e esperar que se despenhasse a sabedoria aos trambolhões. Ou cadavez tinham medo de nós! Porque sabiam que só quem conhece verdadeiramente pode amar. Aqueles que apenas mastigam o supérfluo e deixam escapar o suco por entre os dedos podem, quanto muito, ter apenas um devaneio amoroso.

Em Nova Lisboa, durante o tempo de tropa, convivi com um amigo muito folgazão, que fazia de tudo para evitar que aquele nefasto período das nossas vidas fosse levado com muita sisudeza. Demo-nos bem com essa postura. Era conhecido por Quibaxe, o nome da sua terra e para mim ficou sendo, para sempre, o Quibaxe. O único convívio que tivemos foi durante o tempo de instrução, mas consigo recordar este episódio, com pormenores vívidos que não vou aqui descrever, trinta e oito anos depois. E esta particularidade, de se dar o nome da terra a pessoas e vice-versa, vai fazer-nos compreender o que vou analisar de seguida.

Tudo o que Denodado escreveu consubstancia um grande conhecimento da região. Nada tenho a rectificar. Irei apenas acrescentar outros pormenores.

Dei a esta série de artigos o título “Palavras Aventureiras” exactamente porque é disso que se trata: a aventurosa vida das palavras – ab aeterno.

A ciência dessa característica dos vocábulos e expressões – a variabilidade de significação durante períodos distintos – é a semântica. Por mais comuns que sejam, ou por isso mesmo, eles e elas têm personalidade e história próprias, pese embora os maus-tratos que lhes damos muitas vezes. Não merecem essa afronta porque, bem vistas as coisas, são dos nossos melhores amigos; tanto, que tudo fazem para nos obsequiar, incluindo a mudança.

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
Muda-se o ser, muda-se a confiança;
Todo o mundo é composto de mudança,
Tomando sempre novas qualidades
.” (Camões)

Há duas formas de derivação das palavras: a evolução morfológica – referente à grafia – e a evolução semântica – do significado ou sentido. A evolução semântica ocorre (muitas vezes a par da morfológica) na passagem de um vocábulo de uma língua para outra – como do Latim para o Português, como das línguas Bantas para o Português. Mas acontece também dentro da própria Língua. Há termos que têm hoje uma acepção diferente da original. A significação inicial pode perder-se, mas pode também manter-se a par do(s) novo(s) significado(s).

Ministro – não é necessário escolher antropónimo porque todos são iguais nesta faceta – já não é o que era: significava em Latim (Ministru) aquele que serve ou ajuda, o criado ou servente, o escravo. Hoje o Ministro é o membro de um Governo (alguns dizem-se ainda escravos do ministério), a quem incumbe um cargo ou função. É também o sacerdote ou pastor de uma religião. Os dicionários registam ainda as acepções auxiliar, criado e executor.

Estilo é uma palavra com uma história sui generis. Eis a sua evolução semântica:

instrumento de escrita > escrita > composição > forma especial de escrever > maneira de se exprimir > característica artística.

Um dos suportes da escrita, entre os Romanos, para além da folha de papiro e do pergaminho, era uma pequena tábua encerada. Para gravar as palavras sobre a tábua utilizavam o Stilus, um ponteiro metálico com duas pontas, uma aguçada para escrever e outra achatada para rasurar. Evoluiu para o português Estilo, vocábulo que passou mais tarde a designar o próprio trabalho que fazia, a Escrita. De escrita evoluiu para Composição, aquilo que se consegue com a escrita. Não contentes, os homens deram-lhe novo conteúdo e passou a designar a forma ou maneira própria de um escritor redigir as suas obras. Hoje apresenta algumas novas evoluções/extensões: forma de falar ou discursar, feição própria da expressão de um artista, costume, praxe, hábito, prática.

Vejam no que deu o ponteiro stilus: de instrumento de escrita chegou a feição própria ou particular de uma obra de arte.

A palavra Dembo derivou – mais correctamente, adaptou-se morfologicamente – do termo quimbundo ~Dembu (pl. ji–), “título que usavam os capitães subordinados do Rei do Congo e seus parentes e que, na organização fundada pelos portugueses, exerciam, nas capitanias, a autoridade militar e administrativa.” (Galvão).

Dembo não fugiu à evolução semântica. “O título passou depois para os chefes indígenas, como equivalente de Soba noutras regiões e, por fim, abrangeu todo o povo e toda a região.” (Galvão).

Outras acepções para Dembo (cf. Ribas) :

– s.cd. Natural da região dos Dembos, ao norte do rio Cuanza;
– s.m. Dialecto falado nessa região;
– s.m.pl. População dessa área, pertencente ao grupo étnico dos Quimbundos;
– adj. Relativo a essa população;
– s.m. Autoridade suprema tradicional, da região dos Dembos; Régulo; Soba que tem sob a sua jurisdição outros sobas.

Significados diversos do tema tratado: (cf. Ribas)
– s.m. Medicamento externo gorduroso para fricção;
– (kimb. ~Dembu) Espírito feminino que, sob a dependência de Lemba (entidade espiritual feminina que promove a procriação), a auxilia na sua missão.

Como vimos, “Dembos eram os chefes, dembos são os súbditos e Dembos é a região.” (Galvão).


admário costa lindo







bibliografia:
CAMÕES, Luis Vaz de. Obras Completas, Edição Comemorativa do IV Centenário da Morte do Poeta, Lírica I, Editorial Verbo, Lisboa, 1980.
GALVÃO, Henrique. Outras Terras, Outras Gentes, Livraria Francisco Franco, Lisboa, 1942.
RIBAS, Óscar. Dicionário de Regionalismos Angolanos, Contemporânea Editora, Matosinhos, 1997.

abreviaturas:
adj. = Adjectivo.
cd = Comum de dois.
cf. = Conforme, de acordo com.
ji– = Prefixo.
Kimb. = Kimbundu.
m. = Masculino.
pl. = Plural.
s. = Substantivo.

31 de janeiro de 2009

Palavras Aventureiras V

O – ndi – mba


At Sex Jan 23, 01:03:00 AM 2009, Denudado said…

(...)a palavra mbondo não tem prefixo do singular, apenas o do plural(...)

Li algures, já não me lembro onde, que a palavra mbondo e todas as outras palavras da mesma classe (é assim que se chama?) têm mesmo um prefixo, o qual não é mais do que a própria nasalação inicial da palavra...

Segundo o autor (uma pessoa muito versada no assunto, se não me falha a memória), mesmo as palavras que não são pronunciadas com a dita nasalação inicial também "possuem" essa mesma nasalação. O que não dá é jeito usá-la com algumas consoantes, isto é, trata-se apenas de uma questão de eufonia (é assim que se diz?). Por exemplo, a palavra hoji (leão em kimbundu) "tem" uma nasalação inicial, só que não dá jeito nasalar a letra H.

O autor lembrava ainda que, se a nasalação inicial não existe em kimbundu para algumas consoantes, ela pode existir para essas mesmas consoantes em outras línguas bantas, dando como exemplo a letra P, que não é nasalada nunca em kimbundu, mas que pode sê-lo em kikongo.


( Comentário a “Palavras Aventureiras V )


O meu caro amigo Denudado tem toda a razão.

Porém, antes de pormenorizar a questão levantada, devo dizer que tudo isto se deve ao meu cavalo de batalha, a nasalação (ou nasalização) da consoante inicial banta.

É um cavalo de batalha por uma razão muito simples: a representação gráfica dessa nasalação tem provocado graves erros de pronúncia do falante português não ilustrado nestas coisas da linguística avançada (e será apenas o português?).

Muitos dos meus leitores conhecem a célebre marca de café Negola. Isso só aconteceu porque se convencionou escrever a palavra ~Gola como NGola.

Os amantes do futebol lembram-se bem de um futebolista congolês que passou pelos relvados portugueses, a quem os locutores da especialidade chamavam Nedinga. Pois o nome do senhor é ~Dinga.

Temos também – e exemplarmente – o sempre presente erro do topónimo Negaje, cidade da província angolana do Uije, que continua assim chamada… e assim continuará porque este é o tipo de erro Histórico sem emenda possível. O mesmo não aconteceu, felizmente, com o Angaje dos Dembos. [1]

Imaginem se Angola se chamasse, hoje, Negola!

Como disse, tudo isto deriva da representação gráfica da nasalação. Fixemos, em primeira análise, que nasalação é o acto de tornar nasal um som, uma palavra, ou a própria voz. Desta forma as palavras pronunciam-se “com o véu palatino abaixado total ou parcialmente, permitindo que uma parte do ar pulmonar saia pelas fossas nasais, produzindo aí uma ressonância.” (Houaiss)

Quem disser que o português não sabe nasalar as consoantes, não está a ser inteiramente correcto. Na língua portuguesa há duas consoantes nasais, precisamente o M e o N, como em cama e em cana; mas, também, como em banho, caso ligeiramente próximo do banto, mas não usualmente inicial. Portanto, os portugueses sabem muito nasalar. Mas não tanto quanto os bantos. Os portugueses não conseguem nasalar o B (~Banze, filtro do amor), o D (~Dende, fruto do dendezeiro) , o F (~Fumu, fidalgo do Congo), o G (~Gana, senhor ou senhora), o J (~Jimbu, búzio), o K (~Khala, água pura), o P (~Puisa, maré), o T (~Themo, flor), o V (~Vula, maré), e o Z (~Zimbu, búzio). [2]

Aqui bate o ponto: o M e o N [3] (que eu substituí por til), antepostos aos grafemas indicados, não são a nasal de si próprios – nasalam, sim, as consoantes que se lhes seguem.

Conclui-se portanto que os tiranos M e N podem bem ser substituídos pelo til, por um traço vertical, por uma barra horizontal, por um asterisco ou por outro sinal qualquer. Quero com isto dizer que aquelas duas consoantes são grafemas contingentes e deveriam ser um simples sinal diacrítico. O sinal diacrítico, muito embora haja quem use chamar-lhe grafema, não passa disso – um sinal sem vida própria.

Falemos então da questão levantada por Denudado.

Em 1851 o bibliotecário do governador da cidade do Cabo, Wilhelm Bleek, estudioso das línguas bantas, descobriu as regras da prefixação dessas línguas, propondo 16 [4] “géneros” (como lhes chamou). Em 1856 o número aumentou para 18. Nesta classificação Bleek inclui o prefixo ou “género” N- (classe 9). (d'Andrade)

De igual forma procederam, por exemplo, Guthrie (1967, 19 classes, N- nas classes 9 e 10) e Meeussen (1969, 23 classes, N- nas classes 9 e 10)

Refere d’Andrade na ob.cit., anotando as diferenças de classificação entre Bleek e Guthrie:
“ […] o prefixo N-, (consoante nasal cujo ponto de articulação é igual ao da consoante seguinte)”.

Quanto a mim Bleek, Guthrie, Meeussen e outros cometem um erro monumental: o que é verdadeiramente nasal em nZambi ou ~Zambi (Deus), não é o N mas o Z.

Aqui está o motivo pelo qual eu não posso concordar com a transformação do sinal de nasal, o N, em prefixo.

“A linguística africana, propriamente dita, não existe. Existe sim a linguística que estuda a faculdade de linguagem humana, qualquer que seja a língua utilizada.” (d’Andrade)

Assim sendo:

Afixos são morfemas usados na formação ou derivação das palavras. Designam-se Prefixos se antepostos ao radical, raiz ou semantema, Infixos se dividem a palavra em duas partes descontínuas e Sufixos quando pospostos.

Acho que o acto de nasalar não pode ser considerado um Prefixo. Nem sequer Infixo ou Sufixo, porque mesmo aí – podendo, com normalidade, tomar a forma de M e Nnão têm vida própria para além da consoante a que servem de muleta. Seria, em termos simples, o mesmo que considerar o N, da palavra Caminho, um infixo.

Quem me dá razão? Pelo menos Óscar Ribas, o maior vulto de sempre da Cultura Angolana. Ribas, justificando a inutilidade destes M e N, ignora-os na ordenação alfabética. A palavra nDele (alma de pessoa falecida), por exemplo, está colocada na ordem das palavras iniciadas por D. Como deve ser!

Para terminar, falemos de outros pontos (do mesmo) focados por Denudado:

– Em Hoji (leão), não há nasal alguma. O que acontece é que, nas línguas bantas, o H é sempre aspirado o que, convenhamos é como que o oposto de nasalação. A representação do fonema NH é, por isso, outro problema não resolvido. Há quem escreva Olunyaneka e Kwanyama, quando eu escrevo Olunhaneka e Kwanhama. É uma excepção que promovo, uma vez que é essa a forma mais inteligível para os portugueses.

– É verdade que o quicongo nasala o fonema P, coisa que não acontece com o quimbundo – (eis alguns exemplos, pela ordem quicongo – quimbundo– português, de palavras com o mesmo significado):

~Pangi – Pange – irmão(ã)
~Paxi – Paxi – angústia, pena, sofrimento
~Polo – Polo – cara, face, aspecto
~Ponda – Ponda – faixa, cinto.

Este pormenor, no entanto, não é justificação seja para o que for. Uns nasalam umas consoantes, outras nasalam outros e alguns outros, ainda, fazem aquilo que fez o português antigo para chegar a Imbondeiro – acrescentam uma vogal à nasalação, como no Zulo e no Txilungu (Zambia).

Não nos admiremos e lembremo-nos que acontece o mesmo no Olunhaneka, no Umbundu, no Kwanhama, no Txihelelo. E não nos esqueçamos que, mesmo nestes casos, o que é nasal é a consoante:

Ondimba, coelho » O – ndi – mba.



admário costa lindo



bibliografia:
d’ANDRADE, Ernesto. Línguas Africanas, Breve Introdução à Fonologia e à Morfologia, A. Santos, Lisboa, 2007.
HOUAISS e Mauro de Salles Villar, António / Instituto António Houaiss. Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa, Global Notícias Publicações, Lisboa, 2005.
RIBAS, Óscar. Dicionário de Regionalismos Angolanos, Contemporânea Editora, Matosinhos, 1997.

notas:
[1] Angaje é sinónimo de Dembo, o natural da região do mesmo nome, a N do Cuanza.
[2] Os exemplos são em Kimbundu, excepto os das letras F, P e ZKikongoK e TOlunhaneka.
[3] Cf. as regras do Alfabético Fonético Internacional, o M nasala B, F, P e V; o N nasala as restantes.
[4] Bleek considera (como outros sucessores seus) as classes independentes do número; se considerarmos o sistema de classificação dependente da dicotomia singular-plural, teremos que dividir por dois o número de géneros de Bleek.

22 de janeiro de 2009

Onde anda a Polícia ?

Hoje, mal abri a newsletter do Correio da Manhã, apanhei com este encharcado:

22 Janeiro 2009 - 02h00
Chefs de culinária e historiadores denunciam falta de folhas em pastas
Torre do Tombo: Receitas conventuais perdidas

António Silva, filho do cozinheiro chef Silva, herdou o gosto pela culinária, principalmente pela pastelaria. Apaixonado pelos doces conventuais, decidiu pesquisar na documentação dos conventos, que está depositada na Torre do Tombo, os segredos da sua confecção. Um mês depois de ter iniciado a pesquisa ficou desiludido. A maior parte das receitas ancestrais tinha desaparecido. "Vi quase todos os conventos de Lisboa e nas listagens de alguns vinham referências aos receituários, mas depois encontrei as pastas vazias", contou, sublinhando que tinha consultado livros que na bibliografia referiam como fonte a documentação original.

Dos comentários à notícia destaco este (andará longe da verdade?):

22 Janeiro 2009 - 12h28 andre couto
Vejam nos sites de leiloes, com sorte acham nos manuscritos ou antiguidades!


Receitas conventuais perdidas ?


Onde anda a Polícia?

Haverá investigação?

E, caso haja, como terminará?

Quem zela pelo acervo da Cultura Portuguesa?

Que país é este?

São questões que gostaria de ver respondidas.

admário costa lindo

20 de janeiro de 2009

Palavras Aventureiras IV

Tenho bué de frio



É verdade que tenho, mesmo. Devo confessar que sou um friorento irrecuperável. Diz o meu irmão que faz as vezes de kabasa, [1] “nem parece que nasceste cá!” Quem nos acompanha de perto apercebe-se rapidamente que, efectivamente, nascemos com os azimutes trocados: eu, poveiro, deveria ter nascido em Angola e ele, angolano, é quem mais parece poveiro – nessas coisas do frio e assim! Por isso ando sempre, de inverno e mais, com bué de frio.

Alguns estudiosos referem a palavra francesa Beaucoup [2] como raiz do termo Bué.

A linguagem popular angolana é, reconhecidamente, pela lei do menor esforço empregada na eliminação simultânea de vários elementos de uma palavra ou expressão.

Analisando esta derivação teremos,

beaucoup > bôcu (forma fonética) > bô (apócope).

Uma norma popular, a que chamo a norma rítmica, é a que permite a duplicação da sílaba final de uma palavra, ou o acrescento (paragoge) de um e tónico, aberto (é) ou fechado (ê), por vezes prolongado, ou as duas formas em simultâneo, com o intuito de lhe dar uma expressão carinhosa ou rítmica, como em

Angola > Angolê

e no celebérrimo

Monangamba > Monangambééé, de António Jacinto e Ruy Mingas.

Desta norma podemos estabelecer a evolução completa:

beaucoup > bôcu > bô > boé > bué (metafonia).

A minha dúvida quanto a esta etimologia deve-se à ocorrência temporal. Diz-se que o termo teria surgido depois da chegada a Angola dos refugiados idos do Zaire, após a independência, em finais de 1975 ou princípios de 1976, portanto.

O meu primeiro contacto com a gíria luandense deu-se em 1972, quando abalei do sul para o norte de Angola, em situação laboral. Aquela linguagem atraiu-me de imediato e passei a estudá-la mas, infelizmente, todos os escritos que acumulei se perderam na voragem da guerra, devido ao deambular constante entre Uije, Porto Alexandre, Luanda e Portugal. Não tenho, portanto, documentos de análise para poder justificar que

escutei este termo bué de vezes, desde 1972.

É inquestionável que o termo Bué nasceu na gíria Calú (de Kaluanda, o natural de Luanda), uma linguagem popular, por vezes caracterizada como linguajar marginal. As palavras e expressões desta gíria nascem de corruptelas/derivações/evoluções do Português, a língua oficial e do Kimbundu, a língua étnica da região, mas a linguagem contém também termos intrínsecos e expressões idiomáticas (incluindo, actualmente, palavras/expressões de língua inglesa, maioritariamente norte-americanas) de grupos marginais com características de organização secreta ou similar. A existência do calú justifica-se, ou justificou-se, por duas ordens de razões:
1ª - resistência cultural ao colonialismo e
2ª – hermetismo de auto-protecção/identidade dos referidos grupos.

RuiRamos, que sabe disto como poucos, também considera que a palavra “nada tem a ver com o kimbundu”. [3] Tavez tenha razão,

mas vejamos, atendendo sempre a que a evolução fonética e a evolução semântica podem ocorrer simultaneamente:

1. mbuwe / mbwe, abundância ou fartura; confesso que desconhecia esta forma quimbunda – poderá ser um arcaísmo e os criadores do bué a tenham recolhido dos seus ancestrais; tal como
Rocha, [4] não consegui provas que possam confirmar ou desmentir a sua existência; a existir de facto, é a melhor candidata a mãe do bué;

2. existe em quimbundo o advérbio Buè, sinónimo de , Bèbi e Búebi [5], aonde ou em que lugar ;
3. outro advérbio quimbundo, [6] ou Buí, significa muito ou completamente escuro.

Luanda, pela sua condição de capital, sempre foi uma cidade grandemente cosmopolita. Então, por que não considerar que o termo Bué possa ter sido tomado de outra(s) língua(s), que não o quimbundo? Digo isto porque

4. existe em olunhaneka o radical mBwe [7], que significa cesta grande;

5. muito escuro diz-se mbu /uu/ em umbundo. [8]

Como já antes afirmei, sou de opinião que o significado original nem sempre é determinante. Mas, para isso, é necessário que tenhamos a certeza absoluta da etimologia. Ora, isso está longe de acontecer, no presente caso.

A palavra Bué ou, mais propriamente, a expressão Bué de, é entendida na gíria (hoje alargada, não só a Portugal mas também ao Brasil e a outros países de expressão portuguesa) como - abundante, em grande quantidade, muito, excessivamente, profundamente.

Eu já nem liguei mais à gasosa, fiquei a olhar a estante com bué de fotos da família do Lima.” [9]

Zeca, viste mesmo a carne? Bocados pequenos sebo misturado, mas se cortar aproveita-se aí bué.“ [10]

Eventualmente nenhuma das palavras aqui sugeridas será a raiz de Bué. São, no entanto, pistas para uma tentativa de identificação. Ou nem isso: Bué pode, pura e simplesmente, ser apenas uma invenção do linguajar marginal que,

não obstante,

se internacionalizou.

Penso que a afirmação de J.M. Costa [2] (que pertence à coloquialidade de estratos alargados da população mais jovem portuguesa de zonas suburbanas) foi ultrapassada pela dinâmica da expressão; o próprio também o considerará, porventura. A utilização do termo nos Países de Expressão Portuguesa, com maior incidência em Angola e Portugal, na linguagem coloquial generalizada e na literatura, fez com que a sua primeva suburbanidade seja hoje um mero apontamento histórico.

É por essa razão que não vejo com bons olhos a afirmação de T.A. [11] - que o bué pode ser retirado dos dicionários.

Qu’é qu’é isso meu!? - banzar-se-ia o Jorge. Tás malaico?



O filho do bué


Como justificação de discordância, acrescento três à achega de Rui Ramos – “a língua portuguesa não se constrói só por via erudita desde os tempos dos lusitanos”: [3]

- a condição de razoabilidade e de bom senso é discutível e, quiçá, imensurável por quem quer que seja;

- dicionarizada ou não, eruditismo ou modismo, gíria ou calão, uma palavra pode viver eternamente, não obstante os eruditos, porque a Língua também evolui por via popular.

Um pequeno parêntese: o bué já tem um filho chamado buereré.

Esta derivação (extensão?) poderá estar relacionada com uma característica fonética do quimbundo que atribui ao D duas fonias, de acordo com a região ou o dialecto – tanto pode ser como o D do português digo, ou como o R de aro (razão pela qual o prefixo di também aparece como ri),

como em

Kombaditokua / Kombaritokua (varrição das cinzas, após óbito),

Kitadi / Kitari ou Ditadi / Ritari (dinheiro).

[ Existe uma característica similar, no Umbundo e nas línguas do SW de Angola, que atribui também dois valores, R e L, ao fonema R (ou ao L, como no ovo de Colombo). No final do texto surgirá uma palavra que é um exemplo: Otxiri / Otxili (verdade), como Otxindere / Otxindele (branco, indivíduo de raça branca) ]

Tudo visto, eis então a evolução para buereré:

bué de > bué re > bueré > buereré (norma rítmica).


- Só quem não conhece a história do termo em causa pode partilhar essa afirmação obituária –

– o bué nasceu nos musseques, envergonhado, receoso como santo-e-senha, ganhou o asfalto, chegou à Mutamba, zarpou mar afora pela baía, vadiou na Metrulha, atravessou o Atlântico e ecoa já pelas amazónias da esperança. Ainda assim, da esperança!

Disse você que vai morrer!

Mas de morte morrida… ou de morte matada?

É que, caro senhor, o muadié está a raciocinar em função do português do Putu, e está esquecer o calú!

É uma doença infantil.

A Bíblia


Se bem repararam, tenho citado vários textos do Ciberdúvidas da Língua Portuguesa.

A razão é simples: sou, desde sempre, um internauta assíduo daquela que é (não tenho dúvidas) a Bíblia Virtual da Linguística em Português. Esta Bíblia, contrariamente à outra, não justifica dogmas, apresenta formas várias de observar o mesmo e, por isso, temo-nos dado bem assim. Otxiri muene! [12]

Bem-haja João Carreira Bom, por onde quer que ande,
Bem-haja José Mário Costa.


notas e bibliografia:
[1] De acordo, desta vez abro uma excepção: Kabasa /ss/ designa, em quimbundo, o gémeo que nasce em segundo lugar, sendo o primeiro o kakulu. É bom de ver que não somos gémeos, embora possa parecer que sim.
[2] COSTA, José Mário. Bué de…, Ciberdúvidas da Língua Portuguesa, 01.02.1997,
[url] http://www.ciberduvidas.com/pergunta.php?id=348:
“A origem é angolana e já pertence à coloquialidade de estratos alargados da população mais jovem portuguesa de zonas suburbanas. É nestas áreas que se cruzam as maiores influências étnico-culturais das comunidades africanas residentes na área de Lisboa, em particular. Bué é um calão luandense, que tem o significado do «beaucoup» francês, «muito de»: bué de charros, bué de confusão, bué de preconceitos.”
[3] RAMOS, Rui. Ainda a palavra “bué”, Ciberdúvidas da Língua Portuguesa, 21.01.2003:
[url] http://www.ciberduvidas.com/pergunta.php?id=11100:
“parece que os dicionários portugueses agora incluem palavras do calão luandense. Óptimo, isto quer dizer que a língua portuguesa não se constrói só por via erudita desde os tempos dos lusitanos, «bárbaros», romanos, gregos, árabes..”
“quem introduziu esse calão de Luanda (que nada tem a ver com o kimbundu) em Lisboa foram os jovens luandenses”
“Parabéns aos jovens luandenses da diáspora que conseguiram o autêntico milagre de introduzir calão luandense no mais conceituado dicionário português.”
[4] ROCHA, Carlos. O uso de bué (= «muito»), novamente, Ciberdúvidas da Língua Portuguesa, 10.11.2006:
[url] http://www.ciberduvidas.com/pergunta.php?id=18744:
“no Dicionário Etimológico Bundo-Português do P. Albino Alves (1947), encontro a forma mbuwe, que significa «abundância, fartura». Contudo, não consegui confirmar noutras obras se é esta a origem do bué português nem pude saber quais eram as propriedades sintá(c)ticas e semânticas da forma «mbwe».”
Nota: este é o texto (aliás, parte do) publicado no sítio, conforme acesso de 14.01.2009. Fiquei com dúvidas – a palavra é «mbuwe» ou «mbwe»?
[5] MATTA, J. D. Cordeiro da. Ensaio de Diccionario Kimbúndu-Portuguez, Casa Editora António Maria Pereira, Lisboa, 1893.
[6] NASCIMENTO, J. Pereira do. Diccionario Portuguez-Kimbundu, Typographia da Missão, Huilla, 1903.
[7] BONNEFOUX, Pde. Benedicto M. Dicionário Olunyaneka-Português, Missão da Huíla, Sá da Bandeira, 1940.
[8] DANIEL, Rev. Henrique Etaungo. Ondisionalu Yumbundu, Dicionário de Umbundo, Umbundo-Português, Edições Naho, Lisboa, 2002.
[9] ONDJAKI. Os da Minha Rua, Caminho, Lisboa, 2007, p. 20.
[10] MONTEIRO, Manuel Rui. Quem Me Dera Ser Onda, Edições Cotovia, 6ª edição, Lisboa, 1991, p. 49.
[11] T.A. Implementar/Bué, Ciberdúvidas da Língua Portuguesa, 11.10.2001:
[url] http://www.ciberduvidas.com/pergunta.php?id=9390:
“«Bué» é um modismo juvenil, e é bem provável que em futuras edições venha a ser retirado, utilizando-se o único mecanismo de eliminação razoável: o bom senso”
[12] É como se diz em umbundo, nhaneca e outras línguas do SW- É mesmo verdade! ou (expressão genuinamente angolana)
Juro com Deus!


admário costa lindo