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19 de junho de 2008

Onde está a vergonha?



Tentei evitá-lo mas não foi possível. Não resisti! Esta pérola da falta de vergonha,foi-me enviada por e-mail.
TENTEI COMPRAR UM IATE,
A TROCO DO MEU CARRITO
VAT'EMBORA AMIGO, VATE!
E TROCA-O POR UM BURRITO.

GASÓLEO A 0,80€ PARA OS IATES

O Governo democrático e maioritário do PS tem por hábito quando é confrontado com realidades, apontar os canhões para o PSD, seu parceiro do «Bloco Central de Interesses».

Mas agora, todos ficam a saber : os que têm iates e embarcações de recreio, através do Artº 29 do Cap. II da Portaria 117-A de 8 de Fevereiro de 2008, beneficiam de gasóleo ao preço do que pagam os armadores e os pescadores.

Assim todos os portugueses são iguais perante a Lei, desde que tenham iates…

É da mais elementar justiça que os trabalhadores e as empresas que tenham carro a gasóleo o paguem a 1,42 €, e os banqueiros e empresários do 'Compromisso Portugal' o paguem a 0,80 €, e é justo, porque estes não têm culpa que os trabalhadores não comprem iates!


Porreiro pá !


NB:
a quadra é da autoria do João Manuel Mangericão (Neco)

11 de junho de 2008

Portugal 3-1 Rep. Checa


[imagem retirada de http://noticias.sapo.pt/desporto/]



Portugal havia derrotado a Turquia, na 1ª Jornada (Grupo “A”) do Euro’2008, por 2-0. Hoje foi a vez da República Checa. É isto, Sr. Pinto Ribeiro, Ministro, o que ajuda “a afirmar a língua portuguesa no mundo”. Não o acordo ortográfico. (1)

Não obstante (agora dirijo-me aos jogadores das Selecções Nacionais, mas o “recado” também serve para os governantes e outros homens de Estado), não é o suficiente.

É bom que todos os angolanos, brasileiros, cabo-verdianos, guineenses, macaenses, moçambicanos, portugueses, santomenses e timorenses, nos areópagos mundiais, seja numa cimeira da ONU ou no rescaldo de um jogo de futebol, se exprimam em português. (2)

Eu sei que existe a tentação, nesses momentos, de mostrarmos que falamos (a verdade é que na maior parte das vezes apenas “arranhamos” ) o alemão, o castelhano, o francês ou o inglês.

Porém o entendimento não se faz com subserviência. Quando nós temos disso necessidade arranjamos intérpretes. Por que não o contrário?

São vocês, as figuras públicas internacionais, o melhor veículo de afirmação da língua portuguesa.

Nesses momentos a nossa Pátria deverá ser a mesma de Fernando Pessoa: “a Língua Portuguesa”! Esse é o instrumento do nosso entendimento.


admário costa lindo


(1) O Estado da Nação II.
(2) E penso que os Galegos devem proceder de igual modo: os filhos do Galaico-Português nada devem a Castela! Sem desprimor para Espanha.

4 de junho de 2008

Candidatura Luso-Galega a Património da Humanidade



É impressionante a quantidade de milhões de euros que se gastam, num país a braços com uma crise (demasiado) prolongada, com a promoção de eventos que se promovem por si próprios.

Eu sei que, em alturas determinadas, há sempre aqueles que aproveitam certas situações para aumentar a conta bancária pessoal, inventando necessidades ilusórias. Mas digam-me qual é a necessidade de um gasto tão milionário na promoção, por exemplo, do campeonato europeu de futebol, Euro 2008? Será que os amantes do desporto, particularmente do futebol, não sabem o que se passa? Ah!, já sabia!

E sabia que em 2005 a “Associação Cultural e Pedagógica Ponte… nas Ondas” promoveu a Candidatura Multinacional de Património Imaterial Galego-Português e concorreu à III Proclamação das Obras-Primas do Património Oral e Imaterial da Humanidade (Masterpiece of Oral and Intangible Heritage of Humanity), que se decidiu em Julho daquele ano?

Não sabia? Pois essa Candidatura aconteceu, na verdade!

E sabia que, não obstante todo o esforço posto ao serviço da Candidatura, a proposta não foi escolhida pela UNESCO por apresentar uma lista de património muito vasto?

Também não sabia? Pois a Candidatura refere “as tradições orais galego-portuguesas, reporta-se a uma marca distintiva das expressões culturais das regiões do Norte de Portugal e da Galiza (Espanha), que as caracteriza como uma unidade de práticas sociais e simbólicas, de que a tradição oral é uma manifestação original […] alia-a às manifestações materiais e simbólicas no Noroeste Peninsular porque nela encontram sentido e têm origem as comunidades humanas aqui residentes e que têm consciência da importância deste mundo da oralidade na construção da sua identidade cultural. […] A excepcionalidade desta candidatura reside no facto de ela ser testemunho de um passado e de um presente que ultrapassa as barreiras políticas, através do sentimento de pertença a uma cultura comum posta em causa por alguns ditames da história e pelas transformações da sociedade contemporânea e de que a experiência de novos contactos reavivou e exigiu a salvaguarda. “

E sabia que em Setembro de 2008 a Unesco, em reunião realizada em Tóquio, decidiu abrir o processo para nova inscrição e que o seu Director, Kochiro Maatsura, se tem mostrado muito empenhado e tem insistido na nossa recandidatura, prova de que a proposta de 2005 não foi em vão e mostrou a sua importância e viabilidade?

Pois, não sabia, que pena!

“Desde então, Ponte...nas ondas! coordenada por um grupo de especialistas de universidades galegas e portuguesas continuou a trabalhar na reformulação do dossier da Candidatura do Património Imaterial Galego-Português, de acordo com as sugestões feitas, na altura, pela própria Unesco.

“Esta reformulação foi já remetida ao Ministério de Cultura de Portugal para a submeter à sua aprovação, para que a proposta seja enviada, depois de aprovada pelos dois governos, para a Divisão de Património Imaterial antes de 30 de Agosto deste ano e possa concorrer às inscrições na Lista Representativa do Património Imaterial que a Unesco tornará pública em Setembro de 2009.”

A Ponte… nas Ondas, em Março do corrente ano, pediu uma audiência ao ministro da Cultura de Portugal, José António Pinto Ribeiro. O Jornal de Notícias (JN) refere hoje que, quase TRÊS MESES DEPOIS, na ausência de resposta “o investigador da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro Alexandre Parafita e os deputados do PSD eleitos por Bragança manifestaram preocupação por temer que o Norte de Portugal pudesse ficar arredado da candidatura.” E sabe-se que o prazo para a apresentação da candidatura termina no próximo dia 30 de Agosto.

À boa maneira portuguesa o Ministério da Cultura diz que “já foram dadas instruções ao Instituto dos Museus e da Conservação, entidade que tem competências na área do património imaterial, para receber em audiência a associação Ponte… nas Ondas.” E informou dessas instruções a associação?

“Ainda não foi definida uma data para o encontro, mas vai acontecer em breve" (JN). A confiarmos no sentido de brevidade do Governo, nem o pai morre nem a família almoça.

Para terminar, como não há bela sem senão, ou como tantas vezes se esconde o gato com o rabo de fora, atentem no primeiro parágrafo da notícia do JN:
“O Ministério da Cultura mostrou interesse em acompanhar e, eventualmente, apoiar uma candidatura luso-galaica à lista representativa do Património Imaterial da Humanidade da Unesco. A garantia foi dada ao JN por fonte ministerial.”

admário costa lindo

Sociedade Secreta II

Consegui, finalmente, entrar no “Angola Museke”, o tão restrito fórum a que se refere o meu artigo “Sociedade Secreta”.

Vou aqui transcrever o artigo que lá publiquei, comemorando tão importante acontecimento.

Não estou com isto a transgredir qualquer Lei do fórum, tampouco a sua regra de ouro, porque NÃO vou “divulgar, transcrever, copiar ou utilizar a informação privada de cada membro assim como as suas mensagens, para fora das paredes do Museke.”

O artigo que se segue é de minha autoria e, assim sendo, apenas eu tenho o direito e a liberdade de dispor dele plenamente.

- transcrevendo:

Caríssimos,
sou o membro mais recente desta comunidade. Devo esse privilégio à SIAM LI.

Ao entrar no fórum cumpri TRÊS TAREFAS:

1

A primeira foi consultar o perfil da Siam Li. Fiquei sem saber se a conheço pessoalmente, ou não. Sei que a re-conheço de outras memórias. Pode ela não ter nascido em Angola, ou nunca ter calcado o solo daquela saudosa Terra mas, tenho a certeza, tem dentro de si aquilo que aprendi desde candengue, nas douradas areias do Namibe, a reconhecer como genuinamente angolano [1] (e que deveria ser apanágio de toda a Humanidade): a capacidade de saber dar sem esperar contrapartidas.

A Siam colocou um comentário no meu blog que dizia apenas isto: “Admário Podes dizer que eu te convidei Um abração”. Fico-te imensamente grato por isso.

Penso que não é normal, ou não será muito usual, que um novo membro entre com um handicap. Acontece que eu entrei com isso de handicap. Por via do meu artigo “Sociedade Secreta”, publicado no Angola Haria, o meu blog, a 23 de Maio p.p.

Pode isto parecer um discurso desconexo, mas não é. Esperem por aquilo que fiz de seguida.

2

Não sabendo, nem tendo premeditado, qualquer esquema para o périplo inicial, cliquei aqui e ali. Depois do ali entrei no “Jornal do Museke” e, como faço sempre em qualquer fórum, fui de imediato para a última página porque sei que aí se fica a saber muito do que é necessário conhecer antes de nos embrenharmos nos meandros de qualquer fio.

Há quem diga que o destino define apenas o término de uma viagem ou o destinatário de uma carta. Para lá disso nada nos garante a existência de um Destino, digamos esotérico, para que estejamos fadados. Não vou aqui filosofar sobre essa possibilidade, ou impossibilidade, por pensar que estaríamos daqui a pouco, mais palavra menos linha, a discutir o sexo dos anjos.

Sobre o sexo dos anjos, ou equiparados, já tenho a minha dose. Tinha a minha filha ainda a espontaneidade infantil quando, durante uma certa procissão, em determinado momento, parou à nossa frente um andor de Santo António com o Menino ao colo. Reparei que a minha filhota admirava com atenção redobrada aquele andor, quando se saiu com esta (tendo em vista que o Menino ia nu, como o Rei da estória):

“Pai, o Jesus não tem pila?!”

Não lhe expliquei que Deuses e Anjos não têm precisão de pila para coisa alguma - é, pelo menos, o que se diz! - não fosse a criança continuar com os porquês e eu me visse na contingência de terminar a questão com o eloquente “porque sim”! Disse-lhe apenas que a falta da pila se devia a um esquecimento (providencial ou eloquente - parêntese omitido na altura) do artista-autor da peça.

Com tudo isto queria eu dizer que, não sei por que artes do Destino ou desígnio de desconhecido Kalundu, encontrei o meu artigo “Sociedade Secreta” transcrito no “Jornal”. Cedo concluí que o tal Destino ou Kalundu usa também a alcunha XPTO. E até fica bem porque XPTO também não tem sexo. Não falo de pila ou pombinha, é de Sexo mesmo.

Conclui-se, assim, que o artigo em causa é já do conhecimento da população do Museke e dos seus órgãos administrativos. Assim sendo, vou reafirmar, depois de cá ter entrado, o que disse quando ainda estava do lado de fora: este fórum é Elitista, uma vez que o acesso é extremamente restrito.

Pode estar no pensamento dos seus mentores torná-lo um espaço controlado (daí a questão do Grande Irmão), podem até dizer “civilizado”, onde a possibilidade de existência de conflitos, como noutros lados já aconteceu, é minimizada ou mesmo eliminada. De qualquer forma, não é restringindo o acesso que isso se consegue.

A SELECÇÂO é, como nos ensina a Natureza, sempre NATURAL.

3

E é neste parágrafo que entra a terceira tarefa que cumpri ao entrar no fórum: tentar conhecer-vos.

Reparem que eu bem tinha razão, a SOCIEDADE é tão SECRETA que os próprios membros não se conhecem: a maior parte deles não tem nome, nem morada, nem telefone, nem e-mail, nem interesses, nem ocupação… nem Sexo!

Pensem apenas nisto: não é por isso que o mundo vai deixar de girar ou passar a rodopiar à nossa feição. Nós é que vamos ficar fechados numa redoma com ar viciado.

Kandandu grande
admário.

[1] O Meu amigo Zèdu-o-Outro diz que essa capacidade está em vias de extinção. Eu já lhe fiz ver que não, o Povo continua o mesmo.

- fim de transcrição.

publicado a 3.06.2008 em
http://www.casafricana.net/museke/thread.php?threadid=226

1 de junho de 2008

Ser Criança

Ser criança é pintar o mundo de luz e cor,

É rebolar na relva e sentir o seu sabor!

É rir e chorar de alegria e emoção,

É conseguir guardar o mundo junto ao coração!


Graça Torres Lindo

29 de maio de 2008

O Estado da Nação III

ou A Excepção e a Regra
ou Pura Filosofia

a Excepção

1. A Amnistia Internacional (AI) voltou a incluir Portugal no seu relatório anual. Segundo este organismo (referindo dados fornecidos pelo Governo Português) 39 mulheres foram mortas pelos maridos ou companheiros durante o ano de 2007. E são apenas os dados conhecidos e apurados de facto.

Aqueles que espancam, por vezes até à morte, mulheres (e também crianças, é bom lembrar) julgam-se civilizados e riem-se alarvemente quando, refastelados no sofá em frente a um televisor com uma bejeca na mão, comentam documentários sobre povos do dito “terceiro mundo” escarnecendo-os pelo simples facto de a sua cultura apresentar ritos e situações consideradas (por eles, “civilizados”) aberrantes. E acham, do alto da sua purulenta “superioridade”, que matar uma companheira, mãe dos seus filhos as mais das vezes, não é uma aberração. E a soçaite bate palmas porque andar por aí com um osso atravessado nos beiços não tá com nada! O que dá mesmo é matar de uma vez por todas.

Mentecapto é a palavra mais prazenteira que encontro para esses energúmenos .

2. A AI refere também que “as alegações de maus tratos por parte da polícia e subsequente impunidade dos envolvidos persistiram durante o ano de 2007”.

O Ministro da Administração Interna, sr. Rui Pereira, disse, a este respeito, que reafirma a sua “profunda confiança nas forças de segurança portuguesas, que têm um comportamento dedicado” e afirma “com toda a clareza, tal como me foi dito pela própria Amnistia que quaisquer comportamentos desviantes são a absoluta excepção e nunca a regra”.

Apetece-me parafrasear um cantor meu amigo: “Pois é, senhor Zé!”, não foi consigo nem com familiar seu.

Acho abominável quando os políticos tratam as pessoas como números ou regras gramaticais.

As excepções às regras gramaticais, Senhor Ministro, não fazem mossa. As excepções que o senhor refere magoam, maltratam e ferem, por vezes irreversivelmente, muitos cidadãos. E a revolta seria absolutamente a mesma se a excepção se referisse apenas a UMA pessoa.

Mas esta não é sensibilidade dos políticos que temos.

a Regra

A Regra, neste Estado super-liberal, é a subserviência do(s) Governo(s) face aos grandes Grupos Económicos. Neste caso sem Excepções.

Acho imensa graça (coitada da piada salutar!) quando oiço os comentadores políticos, da área económica, analisar a lengalenga do situacionismo (ressalvando algumas honrosas exclusões). As teorias que apresentam contravertem sempre as histórias da carochinha, aqui incluídas a do capuchinho vermelho, a dos três porquinhos e do lobo mau. Olha! Por coincidência aparece sempre um lobo. De quatro patas, que os há – e muitos – de duas apenas. Esses, sim, sãos os verdadeiros lobos das fábulas. E talvez seja por uma qualquer deficiência de discernimento humano que estes carnívoros estão em perigo de extinção, eles que não têm culpa absolutamente nenhuma do estado do planeta mas, antes, vítimas indefesas dos lobos-de-duas-patas.

Na infância ficávamos felizes porque os maus perdiam a contenda. Chegados à idade adulta verificamos que é mentira, os maus vencem sempre, nem que para tal seja necessário inverter a moral da história.

Fiquei a saber há dias, pela imprensa, que o Sr. Governo afirmou não haver hipóteses de sustentar ajudas à classe média. Mas das ajudas à classe alta não falou. Nunca, em tempo algum, se esclareceu o povo por que motivo, por exemplo, à Banca todo-poderosa, que apresenta lucros anuais pornográficos, se aplica uma taxa de IRC inferior aos demais contribuintes. Nunca se explicou por que motivo as gasolineiras constituíram um Cartel descarado na formação do preço dos combustíveis, sem que o Estado faça cumprir a Lei.

(parêntesis): Lei que é implacavelmente imposta às Organizações Não-Governamentais de ajuda aos desfavorecidos, às Sopas dos Pobres, obrigando-as a cumprir regras de acondicionamento idênticas à dos Restaurantes. Lei que acha (segundo uma entendida governamental) que é mais salutar para os pobres não comer nada do que tragar um pedaço de carne acondicionado num normal frigorífico caseiro.

É certo que o Governo já afirmou que irá chamar à Assembleia da República a Autoridade da Concorrência para explicações sobre os preços dos combustíveis. Mas, quando? Após o 30º ou o 50º aumento de preços? Ou será que ando eu distraído?

Após o 21º aumento de preço dos combustíveis a argumentação mudou de tom, precisamente porque se seguiu a uma baixa do preço do crude: a questão é que aquele que está nas refinarias ainda foi comprado ao preço anterior! “Pois é, Senhor Zé!” Mas aquando do primeiro aumento também havia muito crude à espera de refinação e o aumento aconteceu na mesma!

a Filosofia

A isto chama-se falta de vergonha!

Há quem ache que não, que é apenas pura Filosofia. E pergunto eu: mas que mal fez o homem, falecido há tantos séculos, para o desvirtuarem tão despudoradamente?


admário costa lindo

23 de maio de 2008

Sociedade Secreta




Hoje descobri um sítio chamado Angola Museke.

Como tudo o que diz respeito a Angola me interessa (não sei se já repararam!) tentei entrar.

Tão lépido ia que, não se abrindo a porta, bati com o nariz na dita.

O Angola Museke é um sítio privado para membros devidamente registados.”



Nada de anormal. Há imensos sítios, fóruns, blogs, comunidades e tudo o mais que reclamam a inscrição prévia, grátis ou mediante o pagamento de determinada quota. O aviso era tão explícito que não hesitei nem olhei para trás. Corri a inscrever-me

e não é que voltei a bater com o nariz da dita. A porta!


Ah! “Este fórum só é aberto a pessoas convidadas pelos membros já inscritos.”

Tudo bem, vamos lá à procura dos tais membros já inscritos. Pode ser que encontre algum kamba ou conhecido que me convide a entrar.

Nada! Nada de nada! Dê as voltas que der, acabo sempre na mensagem inicial:



Ou seja, em resumo: o Angola Museke é um fórum privadíssimo, apenas são permitidos membros inscritos e só estes podem convidar alguém…

… mas não há meio de saber quem eles são!

Dizer deste fórum que é um condomínio fechado é pouco. O sítio é tão hermético que é proibido “divulgar, transcrever, copiar ou utilizar a informação privada de cada membro assim como as suas mensagens, para fora das paredes do Museke.”

Exactamente assim! Cliquem na (3ª) imagem para aumentar e confirmem.

E pensamos nós que a internet é a globalização da informação. Será, mas não para todos.

George Orwell bem tinha razão. E eu bem me farto de alertar. O Grande Irmão anda por aí. Está também no Angola Museke, não tenho dúvida alguma.

O mais sensato e verdadeiro, ao fim e ao cabo, seria colocar, bem à vista, um aviso simples - SOCIEDADE SECRETA.


admário costa lindo

18 de maio de 2008

O Estado da Nação II

Estive sem acesso à internet durante um mês, por questões relacionadas com a linha telefónica. A este respeito apetece-me aqui registar que a PT (porque é ela quem faz o débito) nos deve em dobro, a mim e aos meus vizinhos, a Taxa Municipal de Direitos de Passagem. Não estranhem porque a razão é simples: os cabos telefónicos da zona onde residimos são aéreos e passam pelas nossas propriedades. A questão do dobro é também de fácil explicação: uma parte pela restituição dos débitos até agora liquidados e outra parte, de igual valor, pelos direitos de passagem que nos assistem mas dos quais a telefónica faz tábua rasa.


A zona em causa, na cidade da Póvoa de Varzim, é uma parcela do território municipal esquecida por todas as entidades, oficiais ou oficiosas, excepção feita aos períodos eleitorais. Há alguns anos atrás, quando foi instalada na zona uma grande superfície comercial, a artéria principal, Rua de Sacra Família, foi desventrada e aproveitou-se a altura para colocação das infra-estruturas da TV Cabo. Toda a população da dita rua e seus ramais colaterais beneficiaram com essa implementação, com excepção do nosso bairro que fica, com precisão milimétrica, a dois passos da dita artéria principal. A TV Cabo bem tentou impingir-nos o sistema mais dispendioso, via satélite, mas enganou-se redondamente: ninguém aderiu.


Durante este interregno (de privação de acesso à internet) a Terra não parou, nem a rotação nem a translação, e muita água correu sob as pontes.


Os combustíveis aumentaram em Portugal, durante o corrente ano, 15 vezes (e pelos vistos a coisa não pára por aqui). A Autoridade da Concorrência será chamada à Assembleia da República para explicações sobre o assunto. Mas não será suficiente que esta Autoridade esclareça por que motivo a formação de cartel por parte das gasolineiras tem passado em claro, escandalosamente. Será necessário que o Governo defina se está, realmente, aberto à diminuição da enorme carga fiscal sobre os combustíveis, que ultrapassa os 60%.


A questão do Acordo Ortográfico continua na berra. Para Pinto Ribeiro, ministro da Cultura, a uniformização da grafia é essencial e “vai ajudar a afirmar a língua portuguesa no mundo”. Os ingleses que não saibam desta tirada do nosso ministro, caso contrário ficam logo a saber qual o mal que tem impedido que o Inglês seja a língua mais utilizada no mundo.


Na China um terramoto fez, até ao momento, mais de 22.000 mortos e uma enormidade de situações de carência alimentar e sanitária. Como sempre, em situações destas, os mais prejudicados são as populações mais desfavorecidas. Ainda assim o governo chinês teve o desplante de colocar entraves às primeiras ajudas humanitárias. E todos os governantes se rebaixam ao governo daquele país asiático, organizador dos próximos Jogos Olímpicos. Como é o caso do senhor Albano Nunes, chefe de uma delegação do PCP que visitou a China. O senhor Nunes elogiou os êxitos das conquistas chinesas na construção do socialismo: desrespeito pelos Direitos Humanos, repressão, implantação de um sistema capitalista ultraliberal, desemprego, salários de miséria, segurança social inexistente, injustiça social com um fosso abissal entre ricos e pobres, inexistência de liberdade de opinião e reunião, imprensa manietada, etc. e tal.


O espantoso é que o combate a tudo isto é o cavalo de batalha do PCP na Assembleia da República… em Portugal. Duas posições antagónicas ou apenas a constatação que o que reclamamos para nós não é o mesmo que defendemos para os outros?

Angola ultrapassou, com a média de 1.873 milhões de barris de petróleo, a produção da Nigéria, que tem sido o maior produtor africano do ouro negro. Talvez assim as condições de sobrevivência do povo angolano sofram uma significativa dignificação.


Pôde ler-se no Jornal de Angola (1): “A liberdade de Imprensa teve sempre inimigos confessos e alguns idiotas úteis que, mesmo sem o saberem, são os inimigos mais difíceis de conter ou de enfrentar. São aqueles que os patrões usam para todos os abusos, para todos os fins, para todas as manobras.”


Para uns ninguém se atreverá a contestar esta posição de defesa da liberdade de imprensa. Para outros terá sido um tiro no pé.


Seja como for, o jornal que assim “fala” emprega, num artigo de opinião (ou será uma mucanda?), 12 vezes as palavras quadrilha/quadrilheiro, 6 vezes idiota, 5 vezes dono/a voz do dono, para além de alarves, ladrão, cleptomaníaco, roubou, salteadores, etc., referindo-se a jornalistas portugueses e tendo como pano de fundo as declarações de Bob Geldoff em Lisboa.


Outras tiradas filosóficas inseridas no artigo em causa:


1. “… são os angolanos que decidem do seu presente e do seu futuro…” Não se diz quem são esses angolanos que decidem, nem com que instrumentos isso é conseguido. Será por meio de eleições livres e democráticas?


2. “… diamantes de sangue…” A este respeito será aconselhável a leitura da reportagem “Operação Kissonde: Os Diamantes da Humilhação e da Miséria”, de Rafael Marques.

3. “Por uma questão de decência e como forma de nos solidarizarmos com o Povo Português, que merece uma imprensa livre e responsável.” Sem comentários!


Este artigo do Jornal de Angola termina desta forma: “Basta de abusos e insultos!”


Só me resta concluir que, numa “imprensa livre e responsável”, só escreve desta forma quem veicula “a voz do dono”.


E que mesmo os tiros no pé têm limite!


admário costa lindo


(1) “A quadrilha dos abusadores”, Jornal de Angola, 12.05.2008

10 de abril de 2008

Inqualificável



Nunca saberei tudo do que é capaz a parte mais infame dessa espécie animal a que pertenço e que dá pelo epíteto de Homo sapiens. Um dos seus espécimes, um tal Habacuc, Guillermo Habacuc Vargas - que deve fazer parte da espécie por puro engano uma vez que, dentro do esqueleto, terá, quando muito, rochas em vez de carne, nervo e sangue e serradura no lugar de cérebro - cometeu um crime hediondo e inimaginável… pelo menos para mim.

Em 2007, durante a Bienal Costarricense de Artes Visuales (Bienarte), aquele energúmeno atou um pobre cachorro a uma das paredes do centro de exposições e manteve-o ali, sem alimentação, até à morte.

“Segundo me foi dado saber o cão morreu no dia seguinte por falta de alimentação. Durante a inauguração fiquei a saber que o cão fora perseguido durante a tarde por entre as casas de chapa e papelão de um bairro de Manágua com nome de um santo que Habacuc não soube precisar na altura. Cinco das crianças que ajudaram na captura receberam, pela colaboração, gorjetas de 10 córdobas. Durante a exposição algumas pessoas pediram a libertação do cãozinho mas o artista recusou-a. O nome do cão era (foi) Natividad [Natal] e foi deixado morrer à fome à vista de todos, como se a morte de um pobre cão fosse um desavergonhado show mediático, durante o qual ninguém fez nada, senão aplaudir ou observar com olhares desorientados.”

Este facto é do conhecimento público mas o endemoninhado continua impune. E mais: pelos vistos há quem ache graça e considere aquilo uma “obra de arte”. Vai daí o dito selvagem foi convidado a repetir a proeza durante a Bienal Centroamericana Honduras 2008.

Inqualificável.


Se estás tão revoltado quanto eu, assina a petição online

Boicot a la presencia de Guillermo Habacuc Vargas en la Bienal Centroamericana Honduras 2008


admário costa lindo

nota:
A citação e as imagens são do blog El Perrito Vive

9 de abril de 2008

Mitologias



é evidente que é preciso ter em conta a mediocridade…” (1)


Há muito quem aspire ao estatuto de mito, neste mundo e em outros. Os mitos, como os deuses, constroem-se para serem idolatrados, alguns para lá de várias eternidades. Isto porque, é bom de ver, a cada um a sua eternidade. Mas os mitos, como os deuses, também se desmoronam dado que têm, todos eles, pés de barro.

Mais do que de qualquer outro aspecto, como o respeito pelas pessoas visadas e pela sua acção cívica que Agualusa expressamente ressalvou, tendo em atenção o rumo que as coisas tomaram aqui se falará de Mitos, de Liberdade e de Sipaios.

José Eduardo Agualusa, autor de “O Vendedor de Passados”, afirmou ao Angolense sobre o autor de “Sagrada Esperança”:

"Uma pessoa que ache que o Agostinho Neto, por exemplo, foi um extraordinário poeta é porque não conhece rigorosamente nada de poesia. Agostinho Neto foi um poeta medíocre", adiantando ainda que António Cardoso ou António Jacinto “a quem reconhece destaque na luta nacionalista angolana, são igualmente fracos poetas". (2)

Até aqui nada se nos afigura como anormal - nem o conceito legítimo, tampouco a adjectivação, uma vez que medíocre é melhor que mau que, por sua vez, vale mais que péssimo.

A opinião de Agualusa é partilhada, em Portugal e para já, por Vasco Graça Moura : "Conheço relativamente mal a poesia angolana. Mas daquilo que conheço, estou inteiramente de acordo com aquilo que diz o José Eduardo Agualusa. Penso que ele faz uma apreciação do ponto de vista literário e isso está no exercício pleno da sua liberdade de expressão e do seu direito à crítica." (2)

Da polémica em Angola, Artur Queiroz acha que “a grandeza da obra literária de Agostinho Neto foi reconhecida em todo o mundo por académicos, professores, críticos literários e confrades.” (3)

Sousa Jamba contraria-o ao afirmar: “Tenho dado aulas e feito conferências de e sobre Literatura Africana em várias partes do mundo. Muitos dos meus alunos e participantes dessas conferências nunca ouviram falar de Agostinho Neto.” (4)

Laurindo Vieira afirma que não é “crítico literário, nunca fui e acredito que não o serei por não dispor de formação nesta área”, mas lá vai dizendo que “a poesia de Agostinho Neto apresenta uma dimensão estética em que predomina o belo e o seu efeito sobre os sentidos é avassalador” e “retrata um tempo de sonhos desfeitos, de hetero-utopias constantes em que o sonho e a realidade do sujeito retratado se manifestavam no desejo da Liberdade.” (5)

Não é por essas mas por outras que Barthes considera que “é a escrita do recitativo, e não o seu conteúdo, que reintegra o romance sartriano na categoria das Belas-Letras.” (1)

“Agostinho Neto guiou o seu povo pelo caminho das estrelas. Que outro poeta na História Universal libertou a sua pátria com poemas e fuzis?”, questiona(-se) Queiroz. (3)

Abomino o mito. Essa dos fuzis é um tanto forçada, embora faça parte da argamassa utilizada para a construção do dito. Seja como for, com as duas coisas em simultâneo - poemas e fuzis - confesso que não me recordo, de momento. Mas lembram-se que há não muito tempo atrás se exaltava o conceito e a prática da Negritude, como arma libertadora? Pois então, nesse contexto, que tal lembrar Léopold Sédar Senghor ? E, já agora, o que tem isso a ver com a qualidade literária?

“... o presumível escritor voltou a atacar, desta vez três poetas que estão mortos e por isso nem sequer podem fazer a sua defesa.” (3)

Xé! Calma aí, para ver se entendi: por terem morrido, já não se pode falar deles? Fala-se, sim ... mas só se for em tom elogioso! É isso?

Bem vistas as coisas, nada de verdadeiramente dramático se passou, até esta fase da maka. Argumentar desta forma é tão normal, em sociedade, como tomar uma aspirina para a enxaqueca.

Em sociedade, ou em democracia como é mais correcto discorrer. Há, porém, quem oiça falar em democracia e trate imediatamente de sacar a pistola.

“Vem agora uma flatulência retardada do colonial fascismo sujar a sua memória com uma tentativa de assassinato de carácter.” (3)

Grande pensamento, camarada! Antológico! Estamos a tratar de qualidades de carácter ou de qualidades literárias? Então que tal falarmos do nacional-fascismo ou fascismo-nacionalista?

“A cobardia aqui assume a dimensão de um assassinato de carácter o que faz de Agualusa uma figura com todos os predicados para entrar na minha lista pessoal dos leprosos morais.” (3)

Arrepio-me quando alguém que está no poder, ou encostado a ele como é o caso, fala em listas pessoais. Nem todos têm a memória curta e é preciso ter cuidado porque não se trata, aqui, da lista de Schindler.

Grosso modo estas opiniões, por serem salutares, não obstam a que estejamos de sobreaviso em relação a quem argumenta com um porrinho na mão. Porém, chegados à argumentação de João Pinto é inevitável que sintamos calafrios. As afirmações que este senhor faz - e só as faz porque tem as costas quentes - são aterradoras. Pelo exacerbado mitismo que encerram e pela evidente intenção de repressão que exaltam. Tanto mais que surgem de uma área que deveria ser um garante fundamental da liberdade - o Direito e a Justiça.

João Pinto (6) disse de sua justiça: (7)

“Ao escritor importa narrar, verdades ou inverdades, mas cabe aos professores, intelectuais ou sábios ensinarem o que é verdadeiro, científico, afastando os embustes, malabarismos; e aos políticos servirem em nome do bem comum.”

Esta tirada, no que se refere à ficção, e à poesia em particular, são palavras ocas. Depois há a velha questão de saber o que é a Verdade, ou as verdades. Quanto ao “servirem em nome do bem comum” caiu-lhe a boca para a verdade: servirem em nome de e não servirem O bem comum.

“Mas, ao sê-lo, não pode mentir, [o escritor] ofender a honra dos outros, muito menos impor seus gostos pessoais ou estéticos, mesmo que apresentados; por serem susceptíveis de discussões, … é uma questão de interesses da comunidade, é gestão de interesses, ou seja, é política, cidade, tem haver com lideranças dos sujeitos, elites naquilo que é a expressão máxima na estética literária, política, económica ou social.”

O que aí vai de estapafúrdio. A literatura tem uma estética própria, melhor, estéticas concretas que não se devem confundir nem misturar com a politiquice de que V.Exª trata.

“Neto é Kilamba, kituta, kiximbi sendo-o é intérprete das divindades aquáticas do Kwanza, é o antropónino de crianças que nascem com poderes especiais, segundo o antropólogo Virgílio Coelho (1989). Quando o fazem rompem, revolucionam, atacam dando origem aos conflitos ou xinguilamentos, atendendo os interesses espirituais, por razões inerentes à religiosidade, nzumbi, kalunga, malunga, ituta, segundo Heli Chatelain.”

O Mito em avançado estadio de construção, mais concretamente.

“… o texto da entrevista de Agualusa, no Jornal Angolense de 15 a 22 de Março de 2008, e no seu Artigo de defesa no Semanário a “Capital”, de 29 de Março a 5 de Abril de 2008, mostra um arrazoado intelectual de uma elite que a todo custo quer ser livre e fazer o que lhe apetece sem ser respondido! São democratas quando xingam os outros, quando dizem qualquer baboseira e ainda por cima se agradece! Que tamanha liberdade, que ética defendemos, que humanismo! Que educação, que conhecimento manifestamos, onde está afinal a cultura...

De humanismo falarei num próximo artigo sobre o encerramento do Escritório das Nações Unidas para os Direitos Humanos em Angola.

Por outro lado, quem lê o seu artigo na íntegra fica com a clara sensação que este pedaço de prosa se vira contra si, como a pescadinha-de-rabo-na-boca. E, ademais, ao “fazer o que lhe apetece sem ser respondido” V.Exª vai já esclarecer:

“Acho mesmo que, deve haver responsabilidade criminal e civil por estarem reunidos todos requisitos do ultraje à moral pública (ofendeu a moral cultural ou intelectual dos angolanos), previsto e punido no Artigo 420º do Código Penal. É preciso moralizar, sob pena de banalizar a figura mais importância da nossa memória colectiva contemporânea.”

V.Exª enganou-se, não tem estofo de jurista, nem de homem de Direito. Talvez de sipaio ou capataz de roça. Que me diz?

De todos aqueles que correram atrás das declarações de Agualusa, Sousa Jamba surge como o mais equilibrado e sensato:

“Temos de agradecer a Agualusa por ter levantado a questão. Agora cabe-nos ler ou reler as obras dos autores que ele menciona para tirarmos as nossas conclusões.” (4)

E assim sendo, sejam quais forem as conclusões, urge que os sipaios de Angola interiorizem de uma vez por todas que Opinião não é um Crime.


admário costa lindo


notas e fontes:
(1) Roland Barthes. O Grau Zero da Escrita, Edições 70, Lisboa, 1997.
(2)
José Eduardo Agualusa considera Agostinho Neto ”poeta medíocre" e é ameaçado com processo judicial, Lusa, 8.04.2008.
(3) Artur Queiroz.
O comerciante desalmado, Jornal de Angola, 18.03.2008
(4) Sousa Jamba,
Em defesa de José Eduardo Agualusa, Angolense cit. AngoNotícias, 22.03.2008.
(5) Laurindo Vieira.
Sobre a poesia de Agostinho Neto, Jornal de Angola, 30.03.2008.
(6) João Pinto é Jurista e Ensina Ciência Política e Direito Público na UnIA e Faculdade de Letras e Ciências Sociais da UAN (Universidade Agostinho Neto).
(7) João Pinto,
Literatura identidade e política, Jornal de Angola, 6.04.2008.

1 de abril de 2008

Aileda. Bio


Aileda


Nascida no Algarve (Olhão), cresceu em Angola até 1975.

Faz do seu "mata-saudade" o Desenho e a Pintura, como a Poesia que, além de hobbies, foram suporte à interacção com alunos e outros, no seu percurso como Professora.

Autodidacta, com sonhos... (inspira-se no Tempo dos Sonhos... em "Memórias de memória"), ensaia experiências plásticas, por técnicas variadas.

Aileda - assina os seus trabalhos, apenas reconhecidos no seu meio restrito (familiares, amigos e colegas).


clique no logotipo para aceder à página ArtHaria

29 de março de 2008

O País que Falta




Numa altura em que o baile é mandado pela questão do Acordo ortográfico, daqui afirmo que à comunidade lusófona, ou CPLP (Comunidade dos Países de Língua Oficial Portuguesa), falta um país.

Não sou apenas eu quem o diz. Em lugares tão distantes quanto a Galiza e o Brasil, há muitas vozes que o reclamam.

Aqui ficam alguns apontamentos a respeito:

1.
“Este é o sítio web do Movimento Defesa da Língua (M.D.L.). Somos uma organização de acção social de base nascida no 1995 como aposta dos grupos de base que existiam na altura, e que como eles procura a naturalização da língua própria da Galiza, conhecida internamente como galego e internacionalmente como português. Queremos ser o referente das pessoas que acreditam na reintegração das falas galegas no sistema linguístico a que pertence, a Lusofonia, especialmente para reverter o processo de substituição do galego/português polo castelhano na população da Galiza e recuperá-lo para todo o uso linguístico.

Somos um colectivo democrático, aberto e horizontal que se rege por assembleia; independente de qualquer outro colectivo e partido político; e que aceita e ainda fomenta a liberdade de pensamento, salvo práticas ou condutas anti-sociais intoleráveis. Mais informação na secção Sobre o MDL.

Um fito importante foi que conseguimos fazer pola primeira vez que todos os colectivos lusistas da Galiza se reunissem em Compostela em Dezembro de 2001. Ali nasceu o Manifesto unitário reintegracionista do 15 de Dezembro (M15D), que defende a opção da Lusofonia como a única válida para a naturalização e recuperação da língua. O Comunicado sobre a reforma ortográfica e a língua na Galiza é muito parecido e além disso mais actual.

Convidamos-te a veres o nosso trabalho durante este tempo, e o que temos preparado para dentro de pouco. Convidamos-te também a contactar-nos e remeter-nos quaisquer sugestões. Estamos cá na defesa da língua na Galiza.”

( página principal do portal MDL )


2.
“Por muitos anos, chefes políticos galegos derrotados optaram pelo exílio em Portugal, inconformados com a sujeição de sua pátria aos reinos de Castela e Aragão. Um desses exilados foi o avô paterno de um poeta que, hoje, tem o seu nome ligado indissociavelmente à Língua Portuguesa: Luís Vaz de Camões (1524-1525?/1580). Se as circunstâncias políticas fossem outras, com certeza, Camões também seria reverenciado como o maior poeta da língua galega, ao lado de Rosalía de Castro (1837-1885)…
Carlos Quiroga, 45 anos, nascido em Vilazante, é professor de Literaturas Lusófonas na Universidade de Santiago… Continua a defender a liberdade e o final da censura promovida por aqueles setores comprometidos com os interesses político-económicos de Madri, apesar das últimas mudanças políticas que permitiram ao galego pelo menos recuperar sua auto-estima.
Essa liberdade, obviamente, só será completa quando a Galiza puder se filiar como nação independente à Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP), integrando-se ao mundo lusófono de mais de 200 milhões de pessoas, já que os galegos continuam a ser portugueses que ficaram além do Minho como os portugueses são galegos que ficaram do lado de cá.”

( Adelto Gonçalves, “Periferias” ou a viagem da língua, Vértice nº 136, Setembro-Outubro 2007, pp.140/142)


3.
Rosalía de Castro (1837-1885)

Este vaise e aquel vaise

Este vaise i aquel vaise,
e todos, todos se van,
Galicia, sin homes quedas
que te poidan traballar.

Téns, en cambio, orfos e orfas
e campos de soledad,
e pais que non teñen fillos
e fillos que non tén pais.

E téns corazóns que sufren
longas ausencias mortás,
viudas de vivos e mortos
que ninguén consolará.

¡Olvidémo-los mortos!



Corre o vento, o río pasa

Corre o vento, o río pasa;
corren nubes, nubes corren
camiño da miña casa.

Miña casa, meu abrigo:
vanse todos, eu me quedo
sin compaña, nin amigo.

Eu me quedo contemprando
as laradas das casiñas
por quen vivo suspirando.

Ven a noite..., morre o día,
as campanas tocan lonxe
o tocar da Ave María.

Elas tocan pra que rece;
eu non rezo, que os saloucos,
afogándome parece
que por min tén que rezar.

Campanas de Bastabales,
cando vos oio tocar,
mórrome de soidades.


admário costa lindo

24 de março de 2008

Luanda-a-Velha ou Luanda-a-Nova? III











3. Luanda-a-Nova

Neste tempo consumista em que vivemos, quando as pernas de uma cadeira se desengonçam é mais apropriado comprar uma nova mobília completa.

Os Bancos estão aí para ajudar. Fazem empréstimos ao preço da uva mijona, sem entrada e sem juros, com prazos a perder de vista e sem necessidade de garantias. Há até aqueles que nos pagam o seguro do carro e as contas da água, luz, telefone, internet e TV Cabo. É por estas e por outras que se diz que o Prémio Nobel da Paz de 2006 foi mal atribuído a Muhammad Yunus, porque o que ele faz é a mesmíssima coisa que fazem os grandes bancos capitalistas. Isso e muito mais: os grandes bancos, na Páscoa, põem à disposição dos clientes, nos seus balcões, tigelinhas de cristal com amêndoas e caramelos, oferecem serpentinas pelo Carnaval e cartões de boas festas no Natal. A Banca usurpou as funções das Misericórdias.

Voltando à pacassa fria, é mais fácil comprar o novo do que consertar o velho. No estado em que se encontra Luanda, diz-se à boca cheia, é melhor construir uma capital nova. Esta questão não é de agora mas acentuou-se nos últimos tempos, segundo me confidenciou um amigo que visitou Angola há pouco tempo. Contou-me isso e mais: que Luanda está edificada sobre uma mina de diamantes e é por essa razão que os governantes não se interessam em renovar ou requalificar a cidade. Deixa-se apodrecer e depois é só catar diamantes.

Mujimbos [5] à parte, o certo é que, segundo esse amigo, Luanda-a-Nova já está em construção, de Belas para sul. O ministro diz que é mentira, mas não deixa de esconder o gato com o rabo de fora:

“Diríamos que, quando se fala em nova capital, significa, essencialmente, a transferência, por assim dizer, do centro superior do poder político. Do que eu saiba, isto não está ainda na agenda do Governo”. [6]

1. Antes que tudo, caro Ministro, quando se fala em capital, em Angola, sabe tão bem como eu, fala-se de Luanda-a-cidade.

2. O que está verdadeiramente em causa é algo mais do que o “centro superior do poder político”.

3. Quando diz que “não está AINDA na agenda do Governo” quer significar que não há fumo sem fogo!? Mentira?

4. O que é necessário esclarecer: aquilo que está a ser construído para sul de Belas,
a) é uma nova cidade,
b) ou apenas está a ser posto em prática o plano de urbanismo que, afirmou V.Exª na entrevista citada, ainda está em estudo… e nem sequer tem competências atribuídas?

admário costa lindo













[5]
Boatos.
[6] Sita José, entrevista citada.


Para ler na íntegra a entrevista de Sita José:
aceder ao “Jornal de Angola online/
fazer a pesquisa por “criação de uma nova capital”.



imagens Google Earth 24.03.2008:
1. Sambizanga e Mercado Roque Santeiro
2. São Paulo
3/8. Belas


início do artigo
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comenta, discute, refila…


18 de março de 2008

Luanda-a-Velha ou Luanda-a-Nova? II


















2. O Paraíso

Quem olha para estas imagens descobre que o Paraíso existe. Fica em Luanda e serve, exclusivamente, para Reis, Príncipes, Viscondes, Condes, Marqueses, Duques, Valetes e Manilhas. E Jokers. Os tais de quem se sabe serem produtos do Vendedor de Passados.

Para estes pouco importa que o saneamento esteja podre – eles pouco tempo passam nas ruas, não sentem os cheiros.

Pouco importa que a distribuição eléctrica ande pelas ruas da amargura – eles compram geradores de corrente.

Pouco importa que falte a água canalizada – eles bebem água engarrafada, de marca, e lavam-se com perfumes, de marca.

Pouco importa que os musseques se tenham multiplicado na proporção de 1 para 20 – eles vivem em apartamentos de luxo e condomínios fechados, com áreas nunca inferiores a 150m2 por fracção.

O tempo do “Viva o Poder Popular” vai longe. O Povo já esqueceu o que isso queria dizer, se alguma vez pretendeu dizer alguma coisa. Muitos dos que berravam o slogan aos quarenta ventos hoje são Jokers, que podem assumir qualquer valor do baralho. Hoje quando alguém, por brincadeira, lhes sopra o velho slogan ao ouvido sentem asco e vomitam… uísque de malte e dom pérignon.

Quem olha para estas imagens descobre que o Paraíso existe. Fica em Luanda e dele se fixam fotos maravilhosas. Hoje, porém, o avanço da tecnologia permite-nos descobrir a fealdade que a beleza, por vezes, encerra.











Os Jokers pouco se importam com isso, apreciam mais o vistoso e o efémero. Manobram o passado com uma displicência arrogante.

“A agitação retrambolhava a placidez da ilha. Mais barcos cruzavam as águas descarregando objectos e pessoas. Os do bengalô matabichavam, a música suspendera-se e Noíto escutava as conversas.
«Fiat, já topaste que esses bailundos queimaram já as janelas? Puta que os pariu. Eu bem tentei um esquema para a casa ficar com o Silva mas o gajo é uma merda até decidir entrevistar-se com o funcionário da capitania. E agora calha-nos esta vizinhança. Traz aí o jindungo para remediar. Não é a mesma coisa. Devias ter temperado antes, Vera.»
«E os miúdos?»
«Eu na idade deles, pequeno almoço, pão e café com leite. E vivó-velho. Eles têm manteiga, doce, bolo, pá. Dá-me uma a estalar. Mando cá um sarro. Carreguei demais no uísque, ontem. Hoje não saio da cerveja. Fiat, amanhã, vais-me enterrar essas latas todas, pá. Isto é uma vergonha. Porra, és pior que o Comissariado ou estás a precisar de Filipinos?»
«Começas logo de manhã a dar pra trás!»
«O Jaime não aguenta! Henda, tu ou o Mandela, liguem a música, estamos a desperdiçar a energia.» [3]

“Andava a manhã a tilintar-se de latas e garrafas, patadas e dentadas dos cães sobre os despojos sobressaídos na areia. Ossos. Demasias de condutos, carne. Sobejos de peixe. Pedaços de ananás, mamão e abacate. Acompanhamentos, funji, arroz, batata e macarrão. Tudo salgalhado na areia. Papéis e pensos higiénicos. E o farejar dos cães, rabo de antena, latindo em despique pelos mais do espólio.” [4]

Ali fica o Paraíso, paredes-meias com o Inferno. Dantesco.

admário costa lindo


[3] Monteiro, Manuel Rui. Rioseco, Edições Cotovia, Lisboa, 1997, p. 111.
[4] Monteiro, ob.cit. p. 115.



crédito das imagens:
1. Mário Leong Antunes
2,3,4. Fernando Manuel Antunes




»»» Luanda-a-Nova


17 de março de 2008

Domínio Público

Dominio Publico


È um dos meus Portais favoritos.

Um sítio onde se pode encontrar de tudo o que é do domínio público (que não está dependente de direitos de autor) desde a Arte à Literatura, da História às Novas Tecnologias aplicadas ao ensino.

Se queres mulheres nuas, não tem. Se queres piadas de caserna, também não tem. Mas se queres Camões, Machado de Assis ou Fernando Pessoa, tem muito. Se queres Shakespeare, Sófocles ou Lorca, também tem muito.

O portal “Domínio Público" foi lançado em Novembro de 2004 pelo Ministério da Educação do Brasil e “propõe o compartilhamento de conhecimentos de forma equânime, colocando à disposição de todos os usuários da rede mundial de computadores - Internet - uma biblioteca virtual que deverá se constituir em referência para professores, alunos, pesquisadores e para a população em geral.

Este portal constitui-se em um ambiente virtual que permite a coleta, a integração, a preservação e o compartilhamento de conhecimentos, sendo seu principal objetivo o de promover o amplo acesso às obras literárias, artísticas e científicas (na forma de textos, sons, imagens e vídeos), já em domínio público ou que tenham a sua divulgação devidamente autorizada, que constituem o patrimônio cultural brasileiro e universal.”

(in Missão do Portal)

Obras dos autores citados e muitos outros podem ser descarregadas de borla. O acervo é enorme.

Não obstante a notícia chegou... aterradora. O portal está em vias de ser encerrado por não ser usado com a dimensão que o projecto requer.

É isto que nós, internautas da cultura, queremos?

admário costa lindo


nota:
para aceder ao portal clica no logótipo.

15 de março de 2008

Luanda-a-Velha ou Luanda-a-Nova? I













1. O Pesadelo




Luanda é uma cidade sem Rei nem Roque. Diz-se.

Há, no entanto, quem conteste esta afirmação porque Luanda tem Rei, sim senhor, tem vários Reis para maior precisão, porque não há burguesia que se preze sem o(s) seu(s) Rei(s). E quando não tem vai-se ao Vendedor de Passados:

“Depois de terminarem o jantar, depois de beber o seu chá de menta – José Buchmann preferiu um café – o albino foi buscar uma pasta de cartolina e abriu-a em cima da mesa. Mostrou o passaporte, o bilhete de identidade, a carta de condução. Havia também várias fotografias. Numa, em tons de sépia, bastante gasta, via-se um homem enorme, com um ar absorto, montado num boi-cavalo.
«Este», apresentou o albino, «é Cornélio Buchmann, o seu avô.»
Numa outra, um casal abraçava-se, junto a um rio, contra um horizonte largo e sem arestas. O homem tinha os olhos baixos. A mulher, num vestido estampado, florido, sorria para a objectiva. José Buchmann segurou a fotografia e levantou-se, colocando-se directamente sob a luz do candeeiro. A voz tremeu-lhe um pouco:
«São os meus pais?»
O albino confirmou.” [1]

E Roque também tem… o Santeiro pois então!

O certo e sabido é que Luanda está a rebentar pelas costuras:
por mor da sobrepopulação, do caos urbanístico, da surrealista desordem do transito rodoviário, pela escassez de meios de assistência social e pela caducidade das infra-estruturas de água, electricidade e saneamento básico.

A culpada por esta catástrofe urbana e social é a guerra, ou a sua herança, é bom de ver.

Se concordo com esta justificação no que diz respeito ao aumento demográfico da capital, o mesmo não posso dizer em relação aos restantes itens da questão. A cidade, depois da independência, não sofreu os efeitos directos da guerra. Mas, ao fim e ao cabo, a haver um bode expiatório quem mais o poderia ser senão a guerra? Embora se soubesse que, sem obras de conservação e manutenção, as infra-estruturas, mais dia menos dia, entrariam em colapso. Embora também se saiba que em tempo de guerra não se limpam armas. Nem as armas nem o resto.

“A cidade de Luanda, sobretudo a partir do período pós-idependência, começou a evoluir, ou seja, a crescer territorialmente, do ponto de vista espacial, mas sem aquilo que se pode considerar desenvolvimento. A cidade cresceu, sem que, em contrapartida, houvesse um acompanhamento das suas infra-estruturas e uma dotação de serviços sociais ao ritmo da expansão da cidade.” [2]


admário costa lindo


[1] Agualusa, José Eduardo. O Vendedor de Passados, Publicações Dom Quixote, Lisboa, 2004, pp.56-57.
[2] Sita José, Ministro do Urbanismo e Ambiente, entrevista ao Jornal de Angola em 9.09.2007.

crédito das imagens:
1. Fernando Manuel Antunes
2. desconhecido
3.
Steven LeVourc’h
4. Jorge Alberto


29 de fevereiro de 2008

Uma língua não é de ninguem!

Os camaradas guerrilheiros vinham de todo o lado. Cada um na sua língua. E entendiam-se. Essa língua dos tugas, que não é só deles, é nossa, uniu-nos muito. Afinal uma língua não é de ninguém! A língua é de quem aprendeu. Igual saber resolver. Carpintaria é do meu marido não é só de quem lhe ensinou. Já viu uma pessoa com uma língua só para si? Uma língua é para falar com outra pessoa e se as pessoas são muitas, tem de haver uma maneira de se entenderem.

fala de Noíto
Rioseco” de Manuel Rui

24 de fevereiro de 2008

Dois Grandes Humanistas

COMUNICADO


Envolta na mais profunda dor, a Direcção da Casa de Angola, em Lisboa, comunica aos seus associados e a toda a Comunidade Angolana em Portugal, o passamento de dois concidadãos que se transformaram em Ilustres e Distintos na luta pela Independência da nossa Pátria, bem como para o bem-estar social dos Angolanos:
- Gentil Ferreira Viana e
- Joaquim Pinto de Andrade
A nossa dor é tamanha que só nos resta tempo para enviar às respectivas famílias as nossa profundas e sentidas condolências.

A Direcção

(Comunicado da “Casa de Angola”)

O “Angola Haria” sente profundamente a perda de dois dos maiores Humanistas angolanos, dois Homens que nunca ninguém conseguiu vergar, que tinham da política o sentido verdadeiro – servir e não servir-se – e que rejeitaram sempre benesses e mordomias em detrimento do bem-estar do Povo.

Bem Hajam pela Obra, pelo Exemplo e pelo Legado.

admário costa lindo


22 de fevereiro de 2008

Fórum: segurança anti-spam

Foi acrescentada ao Fórum uma segurança anti-spam:

assim, para publicação de uma resposta ou tema não é necessária a confirmação de e-mail; em sua substituição foi colocada uma imagem de confirmação; antes da publicação devem digitar-se, na caixa que surge por baixo dessa imagem, as letras e/ou algarismos que aí aparecem.


admário costa lindo

Fórum Angola Haria





Olá amigos e leitores!

A rede de blogs Angola Haria, http://angolaharia.blogspot.com, disponibiliza, a partir de hoje, o “Forum Angola Haria” para que os seus leitores possam dar asas ao querer, escrevendo uma simples mensagem, partilhando as suas memórias ou promovendo discussões salutares, enfim... viajando pela vida.

COMO VIAJAR PELO FÓRUM

1 - Os Temas ou tópicos podem ser abertos por qualquer visitante (em “POST”) atendendo aos quesitos Simplicidade e Originalidade, evitando sempre as repetições de temas. Qualquer visitante pode, não obstante, solicitar a abertura de um Tema ao Administrador, dirigindo-se-lhe por este post.

2 – Para que os Temas sejam efectivamente Temas, as respostas devem ser sempre efectuadas na mensagem respectiva ( em “REPLY”) e nunca em novo POST.

3 – NÃO HÁ possibilidade de EDITAR as mensagens.

4 - Apenas o Administrador tem a faculdade de APAGAR qualquer TEMA.

REGRAS

O Fórum é um espaço aberto e livre não sendo necessário, sequer, registo prévio mas, para que a estadia e as viagens decorram em bonança, há algumas regras a respeitar:

1 – O “Fórum Angola Haria” rege-se pelos princípios da democracia e da sã convivência, respeitadores das regras do Estado de Direito Democrático.

2 – Não são permitidas mensagens que perfilhem ou incitem a qualquer forma de discriminação ou intolerância.

3 – Não são permitidas mensagens insultuosas, quer a visitantes quer a pessoas exteriores ao fórum.

4 - O “Fórum Angola Haria” reserva-se o direito de actuar “in situ” contra quem não respeitar as regras enunciadas.

Desejo a todos uma feliz estadia.

admário costa lindo


(mensagem de abertura do Fórum)
o acesso faz-se pela coluna da direita, em "Enter my Forum" ou por
http://pub23.bravenet.com/forum/1917116303


12 de fevereiro de 2008

Encerramento de "o bico" e "Makamba"

Caros Leitores e Amigos,

a página “o bico-de-lacre e o tarrote” e o suplemento “Makamba” serão encerrados muito em breve.

Mais notícias sobre o assunto surgirão aqui oportunamente.

admário costa lindo

24 de janeiro de 2008

Não se pode viver com o rio...


Quando as grandes catástrofes naturais sucedem são os mais pobres, aqueles que vivem do dia-a-dia, da sua força de trabalho que lhes fornece condições de mera subsistência, quem mais sofre.

Nessas alturas salva-os apenas a solidariedade, as acções de organizações não governamentais que, a esmagadora maioria das vezes, fazem muito mais do que os governos e que, para além disso, dão aos governantes as alternativas certas para as situações concretas, conhecimentos que só pode adquirir quem anda no terreno com as vítimas.

As cheias do Zambeze já se tornaram ciclicamente regulares. A tradição tem uma grande força naquela região, como noutras, mas já muita coisa se poderia ter feito para controlar e prevenir as cheias e evitar tanta desgraça. Infelizmente os governos têm a memória curta e mesquinha.

admário costa lindo










Não se pode viver com o rio, nem se pode viver sem ele






Os povos que vivem ao longo do rio Zambeze, na região central de Moçambique, sabem que, com pequenos intervalos anuais, uma inundação é inevitável. Podem perder tudo mas o solo fértil da planície inundada, o peixe a adicionar ao seu cabaz alimentar e a tradição levam-nos a regressar às planícies, a cada primavera, para plantação das novas colheitas.

Este ano, conforme o governo de Moçambique ia resgatando por barco os fazendeiros, muitos das mesmas comunidades vitimadas pelas inundações do ano passado e alguns residentes na bacia do rio, começaram a questionar-se sobre a possibilidade de se manter essa tradição. O Zambeze transbordou por três vezes em sete anos, provocando devastação e roubando vidas.

"Este ano foi demais," disse Félix Bernardo, um fazendeiro da vila inundada de Muriwa, descansando à sombra de uma árvore na cidade de Mopeia, província do Zambeze, depois de ter desembarcado de um barco de salvamento. "Não restou nenhum alimento. O povo está farto desta situação”.

Bernardo e cerca de vinte vizinhos esperavam, ao calor opressivo da meia-tarde, a partida para o centro de realojamento de Zona Verde, ali próximo. Carregavam todas as suas imbambas: panelas e cabaças, uma enfiada de peixe seco, algumas mangas, e rolos de luandos. Disseram que as reservas de alimentos se tinham perdido.

Quando um trabalhador desalojado sugeriu que passariam agora a viver do dia-a-dia, o grupo agitou-se. "Viver do dia-a-dia era o que já fazíamos!" disse Adélia Ernesto, também de Muriwa, que chegou no mesmo barco com um bebé às costas. "Aqui, mesmo que cultivemos, não haverá nenhum alimento."

Em Mopeia muitas pessoas dos centros de realojamento partilham a opinião de Ernesto e acreditam que a terra acima da área de inundação não é suficientemente fértil para alimentar grandes famílias. "Aqui há um lugar para nós permanecermos, mas a terra não dá grande coisa," disse Inês de Luís, deslocada há uma semana da sua cidade para o Centro de Realojamento 24 de Julho. "Nós poderíamos permanecer aqui mas o alimento não crescerá, assim teremos que voltar para as zonas baixas."


Não voltem para casa

Os 2.574 km de comprimento do rio Zambeze, o quarto mais extenso de África, correm desde a Zâmbia, de Angola, ao longo das fronteiras da Namíbia, do Botswana e do Zimbabwe até Moçambique, onde desagua no Oceano Índico.

Depois das inundações de 2007, que ceifaram dezenas de vidas, o governo de Moçambique incentivou fortemente os fazendeiros a reconstruir as suas casas em terrenos mais elevados e a fazer sementeiras alternativas caso estivessem na disposição de continuar a plantar nos terrenos de aluvião. "No ano passado nós aconselhámos a população a cultivar dois lotes de terra," disse Abrista Mujuarte, administrador distrital de Mopeia. "Há algumas comunidades onde cada família fez duas quintas."

Mas as pessoas do acampamento de Zona Verde dizem que lá não há força de trabalho suficiente para cultivar dois lotes de terra, mesmo nas comunidades não afectadas pela recente inundação. No acampamento os membros masculinos da família fazem tijolos durante o dia em troca de ajuda alimentar, enquanto as mulheres cultivam as terras junto ao rio na esperança de uma colheita melhor.

Apesar da actividade de fabrico de tijolos, as pessoas do centro de Zona Verde vivem em qualquer lugar, desde casas com cobertura de capim a tendas esfarrapadas do ano passado. Dúzias de jovens voluntários vindos da capital, Maputo, disseram que não havia cimento suficiente para as prometidas casas que se disponibilizaram vir construir para os desalojados.

A inundação deste ano, que desalojou mais de 57.000 pessoas, veio cedo demais e apanhou de surpresa os organismos não-governamentais mais relevantes. Como parte de um plano de recuperação das vítimas da inundação do ano passado, a Save the Children do Reino Unido organizou duas feiras agrícolas em Mopeia, em Novembro 2007.

Este organismo ofereceu às famílias certificados no valor aproximado de 16,00 US dólares e convenceu os comerciantes locais de sementes e ferramentas a vender-lhes os seus produtos. O governo de Moçambique organizou feiras semelhantes em outras partes do distrito. Infelizmente, as sementeiras feitas com aquelas sementes perderam-se uma vez mais. "Tudo que nós recebemos na feira de Muriwa, todas aquelas coisas se perderam na enxurrada," disse Inês de Luis.


"Diz-se," repete Judite Waera, responsável do Save the Children em Mopeia, "que é um fenómeno natural mas foi uma despesa que desperdiçámos. A partir de agora será necessário prever isto; agora aprendemos a lição."

Repensar estratégias

Os trabalhadores desalojados, o governo e os residentes perguntam-se como prevenir a perda das colheitas e as evacuações em massa quando o rio Zambeze voltar a transbordar. A distribuição de terras, a ajuda agrícola e as medidas de controlo das inundações, como diques, foram possibilidades equacionadas. "Não podemos incentivar as populações a mudarem-se para terrenos mais elevados se não lhes for oferecida uma alternativa económica," disse Chris McIvor, director nacional do Save the Children do Reino Unido.

Disse ainda que a sua organização irá implementar um programa que beneficiará as crianças órfãs e vulneráveis, incluindo as vítimas das inundações. O programa incentiva os membros da comunidade a fazer propostas de negócios em actividades como a pesca, a carpintaria ou o artesanato; aos projectos seleccionados serão concedidos subsídios até ao montante de 1.200 US dólares.

Estimulando meios de subsistência para além do produto das colheitas, McIvor tem esperança que as vítimas do rio não voltarão a viver sem nenhuma fonte de rendimento. "É um modelo que deveria ser seguido pelo governo e por outras organizações”, disse aquele responsável. “Para as populações continuarem em zonas seguras, necessitam destes incentivos económicos.”


IRIN


online, 22.01.2008

31 de dezembro de 2007

A nossa celebrada inteligência II



Há uma geração, os humanos evitaram a destruição nuclear; com sorte, continuaremos a iludir esses e outros terrores em massa. Mas, hoje, damos muitas vezes por nós a perguntar-nos se teremos inadvertidamente envenenado ou aquecido demais o planeta, connosco incluídos. Também usámos e abusámos da água e do solo a ponto de já haver pouco de cada, e dizimámos dezenas de espécies que, provavelmente, nunca mais voltarão a existir. O nosso mundo, como alertam várias e respeitadas vozes, poderá um dia degenerar em algo parecido com um terreno vazio, onde corvos e ratazanas corram por entre as ervas, caçando-se uns aos outros. Se isso acontecer, a que ponto correram tão mal as coisas para que, com toda a nossa celebrada inteligência superior, não estejamos entre os sobreviventes?


Alan Weisman
“O Mundo Sem Nós”

A nossa celebrada inteligência I




Uma amiga fez o favor de me enviar esta imagem por email.
Continua actual, embora tenham decorrido alguns anos.
Eis a legenda que a acompanhava e que subscrevo inteiramente:

“Só quem é pobre, é que procede com tanta generosidade.

Que pena o HOMEM não ser sempre assim.”



crédito da imagem: Gujarat Samachar Online

24 de dezembro de 2007

Exposições ArtHaria

Caros Amigos:

Todos os Artistas desejam que a sua Obra seja divulgada até ao mais recôndito canto da Terra.

Não sabemos se isso é possível, mas vamos tentar.

o Angola Haria abriu hoje mais uma página que mais não é do que a extensão das Exposições dos nossos artistas.

Porém, como se disse várias vezes, o Angola Haria está aberto para o mundo. Basta uma mensagem por correio electrónico para nascer uma nova página.

A página "Exposições" estará ligada à página do ArtHaria respectiva.

No presente caso, a 1ª Exposição é "Tempo no Tempo" de Ferreira Pinto.
Basta ligar, desta página, à ArtHaria de Ferreira Pinto e nesta a "Tempo no Tempo" (coluna da direita).

21 de dezembro de 2007

Festas Felizes




Desejamos a todos os Amigos e Colaboradores

FELIZ NATAL

e

PRÓSPERO ANO NOVO

crédito da imagem do imbondeiro:
ADIMO, Amigos do Distrito de Moçamedes

8 de dezembro de 2007

Portugal, o Estado da Nação I



Faz ou que eu digo…
não faças o que eu faço!

É, o Estado Português, Pessoa de Bem?

Tenho muitas dúvidas. Pelo que me é dado observar é o mínimo que se pode dizer a respeito.

Quem é devedor ao Estado paga, mais tarde ou mais cedo, a bem ou a mal. Caso a colecta não seja legítima, o imposto indevido ou a taxa estapafúrdia, pagas primeiro e reclamas depois.

O Estado recebe em prazos fixos e rígidos, que ele próprio determina, mas paga em prazos móveis e maleáveis, que ele próprio decide.

O Estado cobra juros nos pagamentos fora do prazo. A uns chama “compensatórios”, por compensação está-se mesmo a ver, a outros “de mora”, precisamente pela demora. E são cumulativos. E são, muitas das vezes, duplicativos, juros sobre juros.

O Estado, aos cidadãos que pagam, não lhes chama “pagantes”, mas “contribuintes”. Para dar a ideia que estamos, assim, a contribuir… para a UNICEF, os Médicos Sem Fronteiras ou a Cruz Vermelha.

O Estado não se contenta em colectar e cobrar impostos: inventa nomes e obrigações. Em vez de cobrar os impostos no final do exercício ou ano civil, inventou os “Pagamentos por Conta”: recebe antecipadamente, “por contado que há-de vir. Não chegando, inventa-se outro: “Pagamento Especial por Conta”, inventado há anos atrás com o objectivo de “equilibrar o Orçamento”. Daquele ano. Ficou para sempre. Mas, caso haja lugar a devolução daquilo que recebeu indevidamente, o Estado não paga juros.

O Estado nunca prescinde de qualquer imposto. O epíteto mais suave que se deu à “Sisa” foi “anacrónico”. Acabou-se com ele. Acabou-se? Então o que é o IMT, Imposto Municipal sobre as Transacções, (re)nascido das suas cinzas como a Fénix?

O Estado é exímio nos nomes pomposos. Passamos a vida, todos, pobres e ricos, a descontar para a Segurança Social. E o que se recebe no fim da vida activa? Uns cem, outros cinco mil. Numa idade em que todos têm as mesmas necessidades de alimentação, saúde e assistência médica, os que menos ganharam durante a vida activa, menos recebem na pré-morte. Ao organismo que tutela esta discrepância o Estado denomina de Solidariedade Social. E não falei nas “reformas douradas”, atribuídas em período activo e que são, no mínimo, IMORAIS.

Tenho para mim que as fiscalizações aos estabelecimentos comerciais e industriais, a cargo da ASAE, são, mais do que fiscalizações, colectas. Mais um dinheirinho que entra para os cofres do Estado, para “equilíbrio” do Orçamento. Não são as condições de trabalho, de atendimento ao público, de higiene e segurança no trabalho o que está verdadeiramente em causa. De outro modo como se justifica a notícia que se segue?

A Associação Sindical dos Funcionários da Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASF – ASAE), (sic) mostra-se … descontente com a atribuição das ajudas de custo, o incumprimento de regras internas de higiene, saúde e segurança e ainda com o facto de a ASAE «não passar recibos discriminados de todos e cada um dos montantes que são pagos a cada funcionário (impedindo assim que este possa verificar da sua correcção)». [1]

A pergunta inicial fica, assim, com resposta concreta.



[1] Sol, 5.12.2007




admário costa lindo

28 de novembro de 2007

Boas Festas do Zé da Fisga


BOAS FESTAS

é o que desejam a toda Angola e aos leitores do Angola Haria,
o Zé da Fisga e o seu criador, Nando.

O Nando aproveita esta oportunidade para fazer o seguinte apelo:

Pretendendo reunir o seu espólio artístico, agradece a quem possua qualquer obra sua, imagem em qualquer suporte e formato ou qualquer objecto com as suas criações, o favor de o contactar através do e-mail do Angola Haria.

Agradecemos que passem esta informação a amigos e conhecidos.

A reunião desse espólio será apresentada no Angola Haria, em página ArtHaria a criar oportunamente.

O Nando e o Angola Haria agradecem penhoradamente.