É rebolar na relva e sentir o seu sabor!
É rir e chorar de alegria e emoção,
É conseguir guardar o mundo junto ao coração!
Graça Torres Lindo


Estive sem acesso à internet durante um mês, por questões relacionadas com a linha telefónica. A este respeito apetece-me aqui registar que a PT (porque é ela quem faz o débito) nos deve em dobro, a mim e aos meus vizinhos, a Taxa Municipal de Direitos de Passagem. Não estranhem porque a razão é simples: os cabos telefónicos da zona onde residimos são aéreos e passam pelas nossas propriedades. A questão do dobro é também de fácil explicação: uma parte pela restituição dos débitos até agora liquidados e outra parte, de igual valor, pelos direitos de passagem que nos assistem mas dos quais a telefónica faz tábua rasa.
A zona em causa, na cidade da Póvoa de Varzim, é uma parcela do território municipal esquecida por todas as entidades, oficiais ou oficiosas, excepção feita aos períodos eleitorais. Há alguns anos atrás, quando foi instalada na zona uma grande superfície comercial, a artéria principal, Rua de Sacra Família, foi desventrada e aproveitou-se a altura para colocação das infra-estruturas da TV Cabo. Toda a população da dita rua e seus ramais colaterais beneficiaram com essa implementação, com excepção do nosso bairro que fica, com precisão milimétrica, a dois passos da dita artéria principal. A TV Cabo bem tentou impingir-nos o sistema mais dispendioso, via satélite, mas enganou-se redondamente: ninguém aderiu.
Durante este interregno (de privação de acesso à internet) a Terra não parou, nem a rotação nem a translação, e muita água correu sob as pontes.
Os combustíveis aumentaram em Portugal, durante o corrente ano, 15 vezes (e pelos vistos a coisa não pára por aqui). A Autoridade da Concorrência será chamada à Assembleia da República para explicações sobre o assunto. Mas não será suficiente que esta Autoridade esclareça por que motivo a formação de cartel por parte das gasolineiras tem passado em claro, escandalosamente. Será necessário que o Governo defina se está, realmente, aberto à diminuição da enorme carga fiscal sobre os combustíveis, que ultrapassa os 60%.
A questão do Acordo Ortográfico continua na berra. Para Pinto Ribeiro, ministro da Cultura, a uniformização da grafia é essencial e “vai ajudar a afirmar a língua portuguesa no mundo”. Os ingleses que não saibam desta tirada do nosso ministro, caso contrário ficam logo a saber qual o mal que tem impedido que o Inglês seja a língua mais utilizada no mundo.
Na China um terramoto fez, até ao momento, mais de 22.000 mortos e uma enormidade de situações de carência alimentar e sanitária. Como sempre, em situações destas, os mais prejudicados são as populações mais desfavorecidas. Ainda assim o governo chinês teve o desplante de colocar entraves às primeiras ajudas humanitárias. E todos os governantes se rebaixam ao governo daquele país asiático, organizador dos próximos Jogos Olímpicos. Como é o caso do senhor Albano Nunes, chefe de uma delegação do PCP que visitou a China. O senhor Nunes elogiou os êxitos das conquistas chinesas na construção do socialismo: desrespeito pelos Direitos Humanos, repressão, implantação de um sistema capitalista ultraliberal, desemprego, salários de miséria, segurança social inexistente, injustiça social com um fosso abissal entre ricos e pobres, inexistência de liberdade de opinião e reunião, imprensa manietada, etc. e tal.
O espantoso é que o combate a tudo isto é o cavalo de batalha do PCP na Assembleia da República… em Portugal. Duas posições antagónicas ou apenas a constatação que o que reclamamos para nós não é o mesmo que defendemos para os outros?
Angola ultrapassou, com a média de 1.873 milhões de barris de petróleo, a produção da Nigéria, que tem sido o maior produtor africano do ouro negro. Talvez assim as condições de sobrevivência do povo angolano sofram uma significativa dignificação.
Pôde ler-se no Jornal de Angola (1): “A liberdade de Imprensa teve sempre inimigos confessos e alguns idiotas úteis que, mesmo sem o saberem, são os inimigos mais difíceis de conter ou de enfrentar. São aqueles que os patrões usam para todos os abusos, para todos os fins, para todas as manobras.”
Para uns ninguém se atreverá a contestar esta posição de defesa da liberdade de imprensa. Para outros terá sido um tiro no pé.
Seja como for, o jornal que assim “fala” emprega, num artigo de opinião (ou será uma mucanda?), 12 vezes as palavras quadrilha/quadrilheiro, 6 vezes idiota, 5 vezes dono/a voz do dono, para além de alarves, ladrão, cleptomaníaco, roubou, salteadores, etc., referindo-se a jornalistas portugueses e tendo como pano de fundo as declarações de Bob Geldoff em Lisboa.
Outras tiradas filosóficas inseridas no artigo em causa:
1. “… são os angolanos que decidem do seu presente e do seu futuro…” Não se diz quem são esses angolanos que decidem, nem com que instrumentos isso é conseguido. Será por meio de eleições livres e democráticas?
2. “… diamantes de sangue…” A este respeito será aconselhável a leitura da reportagem “Operação Kissonde: Os Diamantes da Humilhação e da Miséria”, de Rafael Marques.
3. “Por uma questão de decência e como forma de nos solidarizarmos com o Povo Português, que merece uma imprensa livre e responsável.” Sem comentários!
Este artigo do Jornal de Angola termina desta forma: “Basta de abusos e insultos!”
Só me resta concluir que, numa “imprensa livre e responsável”, só escreve desta forma quem veicula “a voz do dono”.
E que mesmo os tiros no pé têm limite!
(1) “A quadrilha dos abusadores”, Jornal de Angola, 12.05.2008


Nunca saberei tudo do que é capaz a parte mais infame dessa espécie animal a que pertenço e que dá pelo epíteto de Homo sapiens. Um dos seus espécimes, um tal Habacuc, Guillermo Habacuc Vargas - que deve fazer parte da espécie por puro engano uma vez que, dentro do esqueleto, terá, quando muito, rochas em vez de carne, nervo e sangue e serradura no lugar de cérebro - cometeu um crime hediondo e inimaginável… pelo menos para mim.
Em 2007, durante a Bienal Costarricense de Artes Visuales (Bienarte), aquele energúmeno atou um pobre cachorro a uma das paredes do centro de exposições e manteve-o ali, sem alimentação, até à morte.
“Segundo me foi dado saber o cão morreu no dia seguinte por falta de alimentação. Durante a inauguração fiquei a saber que o cão fora perseguido durante a tarde por entre as casas de chapa e papelão de um bairro de Manágua com nome de um santo que Habacuc não soube precisar na altura. Cinco das crianças que ajudaram na captura receberam, pela colaboração, gorjetas de 10 córdobas. Durante a exposição algumas pessoas pediram a libertação do cãozinho mas o artista recusou-a. O nome do cão era (foi) Natividad [Natal] e foi deixado morrer à fome à vista de todos, como se a morte de um pobre cão fosse um desavergonhado show mediático, durante o qual ninguém fez nada, senão aplaudir ou observar com olhares desorientados.”
Este facto é do conhecimento público mas o endemoninhado continua impune. E mais: pelos vistos há quem ache graça e considere aquilo uma “obra de arte”. Vai daí o dito selvagem foi convidado a repetir a proeza durante a Bienal Centroamericana Honduras 2008.
Inqualificável.
Se estás tão revoltado quanto eu, assina a petição online
Boicot a la presencia de Guillermo Habacuc Vargas en la Bienal Centroamericana Honduras 2008
admário costa lindo
nota:
A citação e as imagens são do blog El Perrito Vive
Há muito quem aspire ao estatuto de mito, neste mundo e em outros. Os mitos, como os deuses, constroem-se para serem idolatrados, alguns para lá de várias eternidades. Isto porque, é bom de ver, a cada um a sua eternidade. Mas os mitos, como os deuses, também se desmoronam dado que têm, todos eles, pés de barro.
Mais do que de qualquer outro aspecto, como o respeito pelas pessoas visadas e pela sua acção cívica que Agualusa expressamente ressalvou, tendo em atenção o rumo que as coisas tomaram aqui se falará de Mitos, de Liberdade e de Sipaios.
José Eduardo Agualusa, autor de “O Vendedor de Passados”, afirmou ao Angolense sobre o autor de “Sagrada Esperança”:
"Uma pessoa que ache que o Agostinho Neto, por exemplo, foi um extraordinário poeta é porque não conhece rigorosamente nada de poesia. Agostinho Neto foi um poeta medíocre", adiantando ainda que António Cardoso ou António Jacinto “a quem reconhece destaque na luta nacionalista angolana, são igualmente fracos poetas". (2)
Até aqui nada se nos afigura como anormal - nem o conceito legítimo, tampouco a adjectivação, uma vez que medíocre é melhor que mau que, por sua vez, vale mais que péssimo.
A opinião de Agualusa é partilhada, em Portugal e para já, por Vasco Graça Moura : "Conheço relativamente mal a poesia angolana. Mas daquilo que conheço, estou inteiramente de acordo com aquilo que diz o José Eduardo Agualusa. Penso que ele faz uma apreciação do ponto de vista literário e isso está no exercício pleno da sua liberdade de expressão e do seu direito à crítica." (2)
Da polémica em Angola, Artur Queiroz acha que “a grandeza da obra literária de Agostinho Neto foi reconhecida em todo o mundo por académicos, professores, críticos literários e confrades.” (3)
Sousa Jamba contraria-o ao afirmar: “Tenho dado aulas e feito conferências de e sobre Literatura Africana em várias partes do mundo. Muitos dos meus alunos e participantes dessas conferências nunca ouviram falar de Agostinho Neto.” (4)
Laurindo Vieira afirma que não é “crítico literário, nunca fui e acredito que não o serei por não dispor de formação nesta área”, mas lá vai dizendo que “a poesia de Agostinho Neto apresenta uma dimensão estética em que predomina o belo e o seu efeito sobre os sentidos é avassalador” e “retrata um tempo de sonhos desfeitos, de hetero-utopias constantes em que o sonho e a realidade do sujeito retratado se manifestavam no desejo da Liberdade.” (5)
Não é por essas mas por outras que Barthes considera que “é a escrita do recitativo, e não o seu conteúdo, que reintegra o romance sartriano na categoria das Belas-Letras.” (1)
“Agostinho Neto guiou o seu povo pelo caminho das estrelas. Que outro poeta na História Universal libertou a sua pátria com poemas e fuzis?”, questiona(-se) Queiroz. (3)
Abomino o mito. Essa dos fuzis é um tanto forçada, embora faça parte da argamassa utilizada para a construção do dito. Seja como for, com as duas coisas em simultâneo - poemas e fuzis - confesso que não me recordo, de momento. Mas lembram-se que há não muito tempo atrás se exaltava o conceito e a prática da Negritude, como arma libertadora? Pois então, nesse contexto, que tal lembrar Léopold Sédar Senghor ? E, já agora, o que tem isso a ver com a qualidade literária?
“... o presumível escritor voltou a atacar, desta vez três poetas que estão mortos e por isso nem sequer podem fazer a sua defesa.” (3)
Xé! Calma aí, para ver se entendi: por terem morrido, já não se pode falar deles? Fala-se, sim ... mas só se for em tom elogioso! É isso?
Bem vistas as coisas, nada de verdadeiramente dramático se passou, até esta fase da maka. Argumentar desta forma é tão normal, em sociedade, como tomar uma aspirina para a enxaqueca.
Em sociedade, ou em democracia como é mais correcto discorrer. Há, porém, quem oiça falar em democracia e trate imediatamente de sacar a pistola.
“Vem agora uma flatulência retardada do colonial fascismo sujar a sua memória com uma tentativa de assassinato de carácter.” (3)
Grande pensamento, camarada! Antológico! Estamos a tratar de qualidades de carácter ou de qualidades literárias? Então que tal falarmos do nacional-fascismo ou fascismo-nacionalista?
“A cobardia aqui assume a dimensão de um assassinato de carácter o que faz de Agualusa uma figura com todos os predicados para entrar na minha lista pessoal dos leprosos morais.” (3)
Arrepio-me quando alguém que está no poder, ou encostado a ele como é o caso, fala em listas pessoais. Nem todos têm a memória curta e é preciso ter cuidado porque não se trata, aqui, da lista de Schindler.
Grosso modo estas opiniões, por serem salutares, não obstam a que estejamos de sobreaviso em relação a quem argumenta com um porrinho na mão. Porém, chegados à argumentação de João Pinto é inevitável que sintamos calafrios. As afirmações que este senhor faz - e só as faz porque tem as costas quentes - são aterradoras. Pelo exacerbado mitismo que encerram e pela evidente intenção de repressão que exaltam. Tanto mais que surgem de uma área que deveria ser um garante fundamental da liberdade - o Direito e a Justiça.
João Pinto (6) disse de sua justiça: (7)
“Ao escritor importa narrar, verdades ou inverdades, mas cabe aos professores, intelectuais ou sábios ensinarem o que é verdadeiro, científico, afastando os embustes, malabarismos; e aos políticos servirem em nome do bem comum.”
Esta tirada, no que se refere à ficção, e à poesia em particular, são palavras ocas. Depois há a velha questão de saber o que é a Verdade, ou as verdades. Quanto ao “servirem em nome do bem comum” caiu-lhe a boca para a verdade: servirem em nome de e não servirem O bem comum.
“Mas, ao sê-lo, não pode mentir, [o escritor] ofender a honra dos outros, muito menos impor seus gostos pessoais ou estéticos, mesmo que apresentados; por serem susceptíveis de discussões, … é uma questão de interesses da comunidade, é gestão de interesses, ou seja, é política, cidade, tem haver com lideranças dos sujeitos, elites naquilo que é a expressão máxima na estética literária, política, económica ou social.”
O que aí vai de estapafúrdio. A literatura tem uma estética própria, melhor, estéticas concretas que não se devem confundir nem misturar com a politiquice de que V.Exª trata.
“Neto é Kilamba, kituta, kiximbi sendo-o é intérprete das divindades aquáticas do Kwanza, é o antropónino de crianças que nascem com poderes especiais, segundo o antropólogo Virgílio Coelho (1989). Quando o fazem rompem, revolucionam, atacam dando origem aos conflitos ou xinguilamentos, atendendo os interesses espirituais, por razões inerentes à religiosidade, nzumbi, kalunga, malunga, ituta, segundo Heli Chatelain.”
O Mito em avançado estadio de construção, mais concretamente.
“… o texto da entrevista de Agualusa, no Jornal Angolense de 15 a 22 de Março de 2008, e no seu Artigo de defesa no Semanário a “Capital”, de 29 de Março a 5 de Abril de 2008, mostra um arrazoado intelectual de uma elite que a todo custo quer ser livre e fazer o que lhe apetece sem ser respondido! São democratas quando xingam os outros, quando dizem qualquer baboseira e ainda por cima se agradece! Que tamanha liberdade, que ética defendemos, que humanismo! Que educação, que conhecimento manifestamos, onde está afinal a cultura...
De humanismo falarei num próximo artigo sobre o encerramento do Escritório das Nações Unidas para os Direitos Humanos em Angola.
Por outro lado, quem lê o seu artigo na íntegra fica com a clara sensação que este pedaço de prosa se vira contra si, como a pescadinha-de-rabo-na-boca. E, ademais, ao “fazer o que lhe apetece sem ser respondido” V.Exª vai já esclarecer:
“Acho mesmo que, deve haver responsabilidade criminal e civil por estarem reunidos todos requisitos do ultraje à moral pública (ofendeu a moral cultural ou intelectual dos angolanos), previsto e punido no Artigo 420º do Código Penal. É preciso moralizar, sob pena de banalizar a figura mais importância da nossa memória colectiva contemporânea.”
V.Exª enganou-se, não tem estofo de jurista, nem de homem de Direito. Talvez de sipaio ou capataz de roça. Que me diz?
De todos aqueles que correram atrás das declarações de Agualusa, Sousa Jamba surge como o mais equilibrado e sensato:
“Temos de agradecer a Agualusa por ter levantado a questão. Agora cabe-nos ler ou reler as obras dos autores que ele menciona para tirarmos as nossas conclusões.” (4)
E assim sendo, sejam quais forem as conclusões, urge que os sipaios de Angola interiorizem de uma vez por todas que Opinião não é um Crime.
admário costa lindo
notas e fontes:
(1) Roland Barthes. O Grau Zero da Escrita, Edições 70, Lisboa, 1997.
(2) José Eduardo Agualusa considera Agostinho Neto ”poeta medíocre" e é ameaçado com processo judicial, Lusa, 8.04.2008.
(3) Artur Queiroz. O comerciante desalmado, Jornal de Angola, 18.03.2008
(4) Sousa Jamba, Em defesa de José Eduardo Agualusa, Angolense cit. AngoNotícias, 22.03.2008.
(5) Laurindo Vieira. Sobre a poesia de Agostinho Neto, Jornal de Angola, 30.03.2008.
(6) João Pinto é Jurista e Ensina Ciência Política e Direito Público na UnIA e Faculdade de Letras e Ciências Sociais da UAN (Universidade Agostinho Neto).
(7) João Pinto, Literatura identidade e política, Jornal de Angola, 6.04.2008.
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[5] Boatos.
[6] Sita José, entrevista citada.
Para ler na íntegra a entrevista de Sita José:
aceder ao “Jornal de Angola online/”
fazer a pesquisa por “criação de uma nova capital”.
imagens Google Earth 24.03.2008:
1. Sambizanga e Mercado Roque Santeiro
2. São Paulo
3/8. Belas
início do artigo
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2. O Paraíso
Quem olha para estas imagens descobre que o Paraíso existe. Fica em Luanda e serve, exclusivamente, para Reis, Príncipes, Viscondes, Condes, Marqueses, Duques, Valetes e Manilhas. E Jokers. Os tais de quem se sabe serem produtos do Vendedor de Passados.
Para estes pouco importa que o saneamento esteja podre – eles pouco tempo passam nas ruas, não sentem os cheiros.
Pouco importa que a distribuição eléctrica ande pelas ruas da amargura – eles compram geradores de corrente.
Pouco importa que falte a água canalizada – eles bebem água engarrafada, de marca, e lavam-se com perfumes, de marca.
Pouco importa que os musseques se tenham multiplicado na proporção de 1 para 20 – eles vivem em apartamentos de luxo e condomínios fechados, com áreas nunca inferiores a 150m2 por fracção.
O tempo do “Viva o Poder Popular” vai longe. O Povo já esqueceu o que isso queria dizer, se alguma vez pretendeu dizer alguma coisa. Muitos dos que berravam o slogan aos quarenta ventos hoje são Jokers, que podem assumir qualquer valor do baralho. Hoje quando alguém, por brincadeira, lhes sopra o velho slogan ao ouvido sentem asco e vomitam… uísque de malte e dom pérignon.
Quem olha para estas imagens descobre que o Paraíso existe. Fica em Luanda e dele se fixam fotos maravilhosas. Hoje, porém, o avanço da tecnologia permite-nos descobrir a fealdade que a beleza, por vezes, encerra.

Os Jokers pouco se importam com isso, apreciam mais o vistoso e o efémero. Manobram o passado com uma displicência arrogante.
“A agitação retrambolhava a placidez da ilha. Mais barcos cruzavam as águas descarregando objectos e pessoas. Os do bengalô matabichavam, a música suspendera-se e Noíto escutava as conversas.
«Fiat, já topaste que esses bailundos queimaram já as janelas? Puta que os pariu. Eu bem tentei um esquema para a casa ficar com o Silva mas o gajo é uma merda até decidir entrevistar-se com o funcionário da capitania. E agora calha-nos esta vizinhança. Traz aí o jindungo para remediar. Não é a mesma coisa. Devias ter temperado antes, Vera.»
«E os miúdos?»
«Eu na idade deles, pequeno almoço, pão e café com leite. E vivó-velho. Eles têm manteiga, doce, bolo, pá. Dá-me uma a estalar. Mando cá um sarro. Carreguei demais no uísque, ontem. Hoje não saio da cerveja. Fiat, amanhã, vais-me enterrar essas latas todas, pá. Isto é uma vergonha. Porra, és pior que o Comissariado ou estás a precisar de Filipinos?»
«Começas logo de manhã a dar pra trás!»
«O Jaime não aguenta! Henda, tu ou o Mandela, liguem a música, estamos a desperdiçar a energia.» [3]
“Andava a manhã a tilintar-se de latas e garrafas, patadas e dentadas dos cães sobre os despojos sobressaídos na areia. Ossos. Demasias de condutos, carne. Sobejos de peixe. Pedaços de ananás, mamão e abacate. Acompanhamentos, funji, arroz, batata e macarrão. Tudo salgalhado na areia. Papéis e pensos higiénicos. E o farejar dos cães, rabo de antena, latindo em despique pelos mais do espólio.” [4]
Ali fica o Paraíso, paredes-meias com o Inferno. Dantesco.
admário costa lindo
[3] Monteiro, Manuel Rui. Rioseco, Edições Cotovia, Lisboa, 1997, p. 111.
[4] Monteiro, ob.cit. p. 115.
crédito das imagens:
1. Mário Leong Antunes
2,3,4. Fernando Manuel Antunes
È um dos meus Portais favoritos.
Um sítio onde se pode encontrar de tudo o que é do domínio público (que não está dependente de direitos de autor) desde a Arte à Literatura, da História às Novas Tecnologias aplicadas ao ensino.
Se queres mulheres nuas, não tem. Se queres piadas de caserna, também não tem. Mas se queres Camões, Machado de Assis ou Fernando Pessoa, tem muito. Se queres Shakespeare, Sófocles ou Lorca, também tem muito.
O portal “Domínio Público" foi lançado em Novembro de 2004 pelo Ministério da Educação do Brasil e “propõe o compartilhamento de conhecimentos de forma equânime, colocando à disposição de todos os usuários da rede mundial de computadores - Internet - uma biblioteca virtual que deverá se constituir em referência para professores, alunos, pesquisadores e para a população em geral.
Este portal constitui-se em um ambiente virtual que permite a coleta, a integração, a preservação e o compartilhamento de conhecimentos, sendo seu principal objetivo o de promover o amplo acesso às obras literárias, artísticas e científicas (na forma de textos, sons, imagens e vídeos), já em domínio público ou que tenham a sua divulgação devidamente autorizada, que constituem o patrimônio cultural brasileiro e universal.”
(in Missão do Portal)
Obras dos autores citados e muitos outros podem ser descarregadas de borla. O acervo é enorme.
Não obstante a notícia chegou... aterradora. O portal está em vias de ser encerrado por não ser usado com a dimensão que o projecto requer.
É isto que nós, internautas da cultura, queremos?
admário costa lindo
nota:
para aceder ao portal clica no logótipo.

Os camaradas guerrilheiros vinham de todo o lado. Cada um na sua língua. E entendiam-se. Essa língua dos tugas, que não é só deles, é nossa, uniu-nos muito. Afinal uma língua não é de ninguém! A língua é de quem aprendeu. Igual saber resolver. Carpintaria é do meu marido não é só de quem lhe ensinou. Já viu uma pessoa com uma língua só para si? Uma língua é para falar com outra pessoa e se as pessoas são muitas, tem de haver uma maneira de se entenderem.
fala de Noíto
“Rioseco” de Manuel Rui
COMUNICADO
Envolta na mais profunda dor, a Direcção da Casa de Angola, em Lisboa, comunica aos seus associados e a toda a Comunidade Angolana em Portugal, o passamento de dois concidadãos que se transformaram em Ilustres e Distintos na luta pela Independência da nossa Pátria, bem como para o bem-estar social dos Angolanos:
- Gentil Ferreira Viana e
- Joaquim Pinto de Andrade
A nossa dor é tamanha que só nos resta tempo para enviar às respectivas famílias as nossa profundas e sentidas condolências.
A Direcção
(Comunicado da “Casa de Angola”)
O “Angola Haria” sente profundamente a perda de dois dos maiores Humanistas angolanos, dois Homens que nunca ninguém conseguiu vergar, que tinham da política o sentido verdadeiro – servir e não servir-se – e que rejeitaram sempre benesses e mordomias em detrimento do bem-estar do Povo.
Bem Hajam pela Obra, pelo Exemplo e pelo Legado.
admário costa lindo

Olá amigos e leitores!
A rede de blogs Angola Haria, http://angolaharia.blogspot.com, disponibiliza, a partir de hoje, o “Forum Angola Haria” para que os seus leitores possam dar asas ao querer, escrevendo uma simples mensagem, partilhando as suas memórias ou promovendo discussões salutares, enfim... viajando pela vida.
COMO VIAJAR PELO FÓRUM
1 - Os Temas ou tópicos podem ser abertos por qualquer visitante (em “POST”) atendendo aos quesitos Simplicidade e Originalidade, evitando sempre as repetições de temas. Qualquer visitante pode, não obstante, solicitar a abertura de um Tema ao Administrador, dirigindo-se-lhe por este post.
2 – Para que os Temas sejam efectivamente Temas, as respostas devem ser sempre efectuadas na mensagem respectiva ( em “REPLY”) e nunca em novo POST.
3 – NÃO HÁ possibilidade de EDITAR as mensagens.
4 - Apenas o Administrador tem a faculdade de APAGAR qualquer TEMA.
REGRAS
O Fórum é um espaço aberto e livre não sendo necessário, sequer, registo prévio mas, para que a estadia e as viagens decorram em bonança, há algumas regras a respeitar:
1 – O “Fórum Angola Haria” rege-se pelos princípios da democracia e da sã convivência, respeitadores das regras do Estado de Direito Democrático.
2 – Não são permitidas mensagens que perfilhem ou incitem a qualquer forma de discriminação ou intolerância.
3 – Não são permitidas mensagens insultuosas, quer a visitantes quer a pessoas exteriores ao fórum.
4 - O “Fórum Angola Haria” reserva-se o direito de actuar “in situ” contra quem não respeitar as regras enunciadas.
Desejo a todos uma feliz estadia.
admário costa lindo
(mensagem de abertura do Fórum)
o acesso faz-se pela coluna da direita, em "Enter my Forum" ou por
http://pub23.bravenet.com/forum/1917116303



Alan Weisman
“O Mundo Sem Nós”

Uma amiga fez o favor de me enviar esta imagem por email.
Continua actual, embora tenham decorrido alguns anos.
Eis a legenda que a acompanhava e que subscrevo inteiramente:
“Só quem é pobre, é que procede com tanta generosidade.
Que pena o HOMEM não ser sempre assim.”
crédito da imagem: Gujarat Samachar Online
Decorreram em Luanda, de 7 a 9 de Novembro, as “14ªs Jornadas Técnico-científicas do INIP - Instituto Nacional de Investigação Pesqueira”, durante as quais se debateu o tema "As Mudanças Climáticas e os Novos Desafios da Investigação Pesqueira e Tecnológica".
Durante os trabalhos especialistas de Angola, Portugal e Noruega discutiram temas relacionados com o Ambiente e Saúde dos Ecossistemas Aquáticos, os Recursos Biológicos Aquáticos e o Controlo e Qualidade de Produtos de Pesca.
Muitas espécies marinhas estão ameaçadas e outras em vias de extinção, devido às alterações climáticas e à acção do ser humano nos seus habitats, reconheceu a vice-ministra das Pescas, Vitória de Barros Neto, na cessão de abertura.
Disse Vitória de Barros que a temperatura, o chumbo e o oxigénio são factores limitantes para muitas espécies marinhas e que a sua alteração no meio põe em risco a sobrevivência das espécies, com maior ênfase para os recursos pesqueiros, alvo de pressão da pesca.
Os especialistas prevêem a delapidação dos recursos marinhos até 2024, caso a situação actual não seja alterada.
Kosi Luyeye, Director Técnico do INIP, apresentou o estudo “Impacto das Alterações Ambientais no Comportamento dos Recursos Marinhos” onde se refere que Angola poderá registar, nos próximos anos, uma redução drástica da quantidade de peixe nos mares em consequência das alterações ambientais, podendo mesmo ocorrer a extinção de algumas espécies.
A grande mortandade de peixes ocorrida nos anos 1995 e 1996 na província de Benguela, a redução e redistribuição de recursos pelágicos, o estabelecimento de colónias de focas a sul de Tombwa e a elevada quantidade de medusas existente nessa região, são consequência das alterações ambientais na costa angolana.
A solução apontada pela pesquisa refere ser necessário optar por abordagens holísticas no mar angolano, espécie a espécie, com a introdução e consolidação de medidas de conservação dos recursos biológicos aquáticos e seus ecossistemas e preparação de planos de contingência que obstem a que as mudanças climáticas afectam áreas interligadas, os habitats de peixes, sua distribuição, abundância de espécies e as cadeias alimentares.
Os participantes recomendaram a necessidade de complementar os dados recolhidos ao longo dos cruzeiros científicos com os dados obtidos por satélite, de modo a encontrar-se mecanismos que forneçam dados fiáveis, que permitam a realização de estudos realistas dos recursos pesqueiros e para que se saiba da fiabilidade das informações de captura fornecidas pelas empresas pesqueiras.
A forma mais simples de acompanhar as alterações no ecossistema marinho, segundo Francisca Delgado, directora do INIP, consiste na medição regular da variação de parâmetros oceanográficos e atmosféricos, como as temperaturas do mar e a atmosférica, as concentrações de oxigénio e chumbo, a altura das marés ao longo da costa ou em pontos pré-determinados.
admário costa lindo
fonte: Angop
Muitos portugueses, desde as tertúlias de café até a posições oficiais de pessoas com responsabilidade, já se manifestaram contra a regra anunciada de distinção dos condutores mediante a colocação de dísticos nas viaturas, de acordo com os registos de sinistralidade de que forem responsáveis.

Os argumentos variam, desde a privacidade e liberdade individuais até ao facto de uma obrigação deste jaez não se admitir num Estado de Direito, como Portugal.
Ninguém lembra, porém, as 66.000 pessoas que, segundo a Direcção-Geral de Viação, morreram nas estradas portuguesas nos últimos 30 anos.
Não há muitas guerras civis com tantos mortos e esses não podem argumentar.
admário costa lindo
