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18 de maio de 2008

O Estado da Nação II

Estive sem acesso à internet durante um mês, por questões relacionadas com a linha telefónica. A este respeito apetece-me aqui registar que a PT (porque é ela quem faz o débito) nos deve em dobro, a mim e aos meus vizinhos, a Taxa Municipal de Direitos de Passagem. Não estranhem porque a razão é simples: os cabos telefónicos da zona onde residimos são aéreos e passam pelas nossas propriedades. A questão do dobro é também de fácil explicação: uma parte pela restituição dos débitos até agora liquidados e outra parte, de igual valor, pelos direitos de passagem que nos assistem mas dos quais a telefónica faz tábua rasa.


A zona em causa, na cidade da Póvoa de Varzim, é uma parcela do território municipal esquecida por todas as entidades, oficiais ou oficiosas, excepção feita aos períodos eleitorais. Há alguns anos atrás, quando foi instalada na zona uma grande superfície comercial, a artéria principal, Rua de Sacra Família, foi desventrada e aproveitou-se a altura para colocação das infra-estruturas da TV Cabo. Toda a população da dita rua e seus ramais colaterais beneficiaram com essa implementação, com excepção do nosso bairro que fica, com precisão milimétrica, a dois passos da dita artéria principal. A TV Cabo bem tentou impingir-nos o sistema mais dispendioso, via satélite, mas enganou-se redondamente: ninguém aderiu.


Durante este interregno (de privação de acesso à internet) a Terra não parou, nem a rotação nem a translação, e muita água correu sob as pontes.


Os combustíveis aumentaram em Portugal, durante o corrente ano, 15 vezes (e pelos vistos a coisa não pára por aqui). A Autoridade da Concorrência será chamada à Assembleia da República para explicações sobre o assunto. Mas não será suficiente que esta Autoridade esclareça por que motivo a formação de cartel por parte das gasolineiras tem passado em claro, escandalosamente. Será necessário que o Governo defina se está, realmente, aberto à diminuição da enorme carga fiscal sobre os combustíveis, que ultrapassa os 60%.


A questão do Acordo Ortográfico continua na berra. Para Pinto Ribeiro, ministro da Cultura, a uniformização da grafia é essencial e “vai ajudar a afirmar a língua portuguesa no mundo”. Os ingleses que não saibam desta tirada do nosso ministro, caso contrário ficam logo a saber qual o mal que tem impedido que o Inglês seja a língua mais utilizada no mundo.


Na China um terramoto fez, até ao momento, mais de 22.000 mortos e uma enormidade de situações de carência alimentar e sanitária. Como sempre, em situações destas, os mais prejudicados são as populações mais desfavorecidas. Ainda assim o governo chinês teve o desplante de colocar entraves às primeiras ajudas humanitárias. E todos os governantes se rebaixam ao governo daquele país asiático, organizador dos próximos Jogos Olímpicos. Como é o caso do senhor Albano Nunes, chefe de uma delegação do PCP que visitou a China. O senhor Nunes elogiou os êxitos das conquistas chinesas na construção do socialismo: desrespeito pelos Direitos Humanos, repressão, implantação de um sistema capitalista ultraliberal, desemprego, salários de miséria, segurança social inexistente, injustiça social com um fosso abissal entre ricos e pobres, inexistência de liberdade de opinião e reunião, imprensa manietada, etc. e tal.


O espantoso é que o combate a tudo isto é o cavalo de batalha do PCP na Assembleia da República… em Portugal. Duas posições antagónicas ou apenas a constatação que o que reclamamos para nós não é o mesmo que defendemos para os outros?

Angola ultrapassou, com a média de 1.873 milhões de barris de petróleo, a produção da Nigéria, que tem sido o maior produtor africano do ouro negro. Talvez assim as condições de sobrevivência do povo angolano sofram uma significativa dignificação.


Pôde ler-se no Jornal de Angola (1): “A liberdade de Imprensa teve sempre inimigos confessos e alguns idiotas úteis que, mesmo sem o saberem, são os inimigos mais difíceis de conter ou de enfrentar. São aqueles que os patrões usam para todos os abusos, para todos os fins, para todas as manobras.”


Para uns ninguém se atreverá a contestar esta posição de defesa da liberdade de imprensa. Para outros terá sido um tiro no pé.


Seja como for, o jornal que assim “fala” emprega, num artigo de opinião (ou será uma mucanda?), 12 vezes as palavras quadrilha/quadrilheiro, 6 vezes idiota, 5 vezes dono/a voz do dono, para além de alarves, ladrão, cleptomaníaco, roubou, salteadores, etc., referindo-se a jornalistas portugueses e tendo como pano de fundo as declarações de Bob Geldoff em Lisboa.


Outras tiradas filosóficas inseridas no artigo em causa:


1. “… são os angolanos que decidem do seu presente e do seu futuro…” Não se diz quem são esses angolanos que decidem, nem com que instrumentos isso é conseguido. Será por meio de eleições livres e democráticas?


2. “… diamantes de sangue…” A este respeito será aconselhável a leitura da reportagem “Operação Kissonde: Os Diamantes da Humilhação e da Miséria”, de Rafael Marques.

3. “Por uma questão de decência e como forma de nos solidarizarmos com o Povo Português, que merece uma imprensa livre e responsável.” Sem comentários!


Este artigo do Jornal de Angola termina desta forma: “Basta de abusos e insultos!”


Só me resta concluir que, numa “imprensa livre e responsável”, só escreve desta forma quem veicula “a voz do dono”.


E que mesmo os tiros no pé têm limite!


admário costa lindo


(1) “A quadrilha dos abusadores”, Jornal de Angola, 12.05.2008

10 de abril de 2008

Inqualificável



Nunca saberei tudo do que é capaz a parte mais infame dessa espécie animal a que pertenço e que dá pelo epíteto de Homo sapiens. Um dos seus espécimes, um tal Habacuc, Guillermo Habacuc Vargas - que deve fazer parte da espécie por puro engano uma vez que, dentro do esqueleto, terá, quando muito, rochas em vez de carne, nervo e sangue e serradura no lugar de cérebro - cometeu um crime hediondo e inimaginável… pelo menos para mim.

Em 2007, durante a Bienal Costarricense de Artes Visuales (Bienarte), aquele energúmeno atou um pobre cachorro a uma das paredes do centro de exposições e manteve-o ali, sem alimentação, até à morte.

“Segundo me foi dado saber o cão morreu no dia seguinte por falta de alimentação. Durante a inauguração fiquei a saber que o cão fora perseguido durante a tarde por entre as casas de chapa e papelão de um bairro de Manágua com nome de um santo que Habacuc não soube precisar na altura. Cinco das crianças que ajudaram na captura receberam, pela colaboração, gorjetas de 10 córdobas. Durante a exposição algumas pessoas pediram a libertação do cãozinho mas o artista recusou-a. O nome do cão era (foi) Natividad [Natal] e foi deixado morrer à fome à vista de todos, como se a morte de um pobre cão fosse um desavergonhado show mediático, durante o qual ninguém fez nada, senão aplaudir ou observar com olhares desorientados.”

Este facto é do conhecimento público mas o endemoninhado continua impune. E mais: pelos vistos há quem ache graça e considere aquilo uma “obra de arte”. Vai daí o dito selvagem foi convidado a repetir a proeza durante a Bienal Centroamericana Honduras 2008.

Inqualificável.


Se estás tão revoltado quanto eu, assina a petição online

Boicot a la presencia de Guillermo Habacuc Vargas en la Bienal Centroamericana Honduras 2008


admário costa lindo

nota:
A citação e as imagens são do blog El Perrito Vive

9 de abril de 2008

Mitologias



é evidente que é preciso ter em conta a mediocridade…” (1)


Há muito quem aspire ao estatuto de mito, neste mundo e em outros. Os mitos, como os deuses, constroem-se para serem idolatrados, alguns para lá de várias eternidades. Isto porque, é bom de ver, a cada um a sua eternidade. Mas os mitos, como os deuses, também se desmoronam dado que têm, todos eles, pés de barro.

Mais do que de qualquer outro aspecto, como o respeito pelas pessoas visadas e pela sua acção cívica que Agualusa expressamente ressalvou, tendo em atenção o rumo que as coisas tomaram aqui se falará de Mitos, de Liberdade e de Sipaios.

José Eduardo Agualusa, autor de “O Vendedor de Passados”, afirmou ao Angolense sobre o autor de “Sagrada Esperança”:

"Uma pessoa que ache que o Agostinho Neto, por exemplo, foi um extraordinário poeta é porque não conhece rigorosamente nada de poesia. Agostinho Neto foi um poeta medíocre", adiantando ainda que António Cardoso ou António Jacinto “a quem reconhece destaque na luta nacionalista angolana, são igualmente fracos poetas". (2)

Até aqui nada se nos afigura como anormal - nem o conceito legítimo, tampouco a adjectivação, uma vez que medíocre é melhor que mau que, por sua vez, vale mais que péssimo.

A opinião de Agualusa é partilhada, em Portugal e para já, por Vasco Graça Moura : "Conheço relativamente mal a poesia angolana. Mas daquilo que conheço, estou inteiramente de acordo com aquilo que diz o José Eduardo Agualusa. Penso que ele faz uma apreciação do ponto de vista literário e isso está no exercício pleno da sua liberdade de expressão e do seu direito à crítica." (2)

Da polémica em Angola, Artur Queiroz acha que “a grandeza da obra literária de Agostinho Neto foi reconhecida em todo o mundo por académicos, professores, críticos literários e confrades.” (3)

Sousa Jamba contraria-o ao afirmar: “Tenho dado aulas e feito conferências de e sobre Literatura Africana em várias partes do mundo. Muitos dos meus alunos e participantes dessas conferências nunca ouviram falar de Agostinho Neto.” (4)

Laurindo Vieira afirma que não é “crítico literário, nunca fui e acredito que não o serei por não dispor de formação nesta área”, mas lá vai dizendo que “a poesia de Agostinho Neto apresenta uma dimensão estética em que predomina o belo e o seu efeito sobre os sentidos é avassalador” e “retrata um tempo de sonhos desfeitos, de hetero-utopias constantes em que o sonho e a realidade do sujeito retratado se manifestavam no desejo da Liberdade.” (5)

Não é por essas mas por outras que Barthes considera que “é a escrita do recitativo, e não o seu conteúdo, que reintegra o romance sartriano na categoria das Belas-Letras.” (1)

“Agostinho Neto guiou o seu povo pelo caminho das estrelas. Que outro poeta na História Universal libertou a sua pátria com poemas e fuzis?”, questiona(-se) Queiroz. (3)

Abomino o mito. Essa dos fuzis é um tanto forçada, embora faça parte da argamassa utilizada para a construção do dito. Seja como for, com as duas coisas em simultâneo - poemas e fuzis - confesso que não me recordo, de momento. Mas lembram-se que há não muito tempo atrás se exaltava o conceito e a prática da Negritude, como arma libertadora? Pois então, nesse contexto, que tal lembrar Léopold Sédar Senghor ? E, já agora, o que tem isso a ver com a qualidade literária?

“... o presumível escritor voltou a atacar, desta vez três poetas que estão mortos e por isso nem sequer podem fazer a sua defesa.” (3)

Xé! Calma aí, para ver se entendi: por terem morrido, já não se pode falar deles? Fala-se, sim ... mas só se for em tom elogioso! É isso?

Bem vistas as coisas, nada de verdadeiramente dramático se passou, até esta fase da maka. Argumentar desta forma é tão normal, em sociedade, como tomar uma aspirina para a enxaqueca.

Em sociedade, ou em democracia como é mais correcto discorrer. Há, porém, quem oiça falar em democracia e trate imediatamente de sacar a pistola.

“Vem agora uma flatulência retardada do colonial fascismo sujar a sua memória com uma tentativa de assassinato de carácter.” (3)

Grande pensamento, camarada! Antológico! Estamos a tratar de qualidades de carácter ou de qualidades literárias? Então que tal falarmos do nacional-fascismo ou fascismo-nacionalista?

“A cobardia aqui assume a dimensão de um assassinato de carácter o que faz de Agualusa uma figura com todos os predicados para entrar na minha lista pessoal dos leprosos morais.” (3)

Arrepio-me quando alguém que está no poder, ou encostado a ele como é o caso, fala em listas pessoais. Nem todos têm a memória curta e é preciso ter cuidado porque não se trata, aqui, da lista de Schindler.

Grosso modo estas opiniões, por serem salutares, não obstam a que estejamos de sobreaviso em relação a quem argumenta com um porrinho na mão. Porém, chegados à argumentação de João Pinto é inevitável que sintamos calafrios. As afirmações que este senhor faz - e só as faz porque tem as costas quentes - são aterradoras. Pelo exacerbado mitismo que encerram e pela evidente intenção de repressão que exaltam. Tanto mais que surgem de uma área que deveria ser um garante fundamental da liberdade - o Direito e a Justiça.

João Pinto (6) disse de sua justiça: (7)

“Ao escritor importa narrar, verdades ou inverdades, mas cabe aos professores, intelectuais ou sábios ensinarem o que é verdadeiro, científico, afastando os embustes, malabarismos; e aos políticos servirem em nome do bem comum.”

Esta tirada, no que se refere à ficção, e à poesia em particular, são palavras ocas. Depois há a velha questão de saber o que é a Verdade, ou as verdades. Quanto ao “servirem em nome do bem comum” caiu-lhe a boca para a verdade: servirem em nome de e não servirem O bem comum.

“Mas, ao sê-lo, não pode mentir, [o escritor] ofender a honra dos outros, muito menos impor seus gostos pessoais ou estéticos, mesmo que apresentados; por serem susceptíveis de discussões, … é uma questão de interesses da comunidade, é gestão de interesses, ou seja, é política, cidade, tem haver com lideranças dos sujeitos, elites naquilo que é a expressão máxima na estética literária, política, económica ou social.”

O que aí vai de estapafúrdio. A literatura tem uma estética própria, melhor, estéticas concretas que não se devem confundir nem misturar com a politiquice de que V.Exª trata.

“Neto é Kilamba, kituta, kiximbi sendo-o é intérprete das divindades aquáticas do Kwanza, é o antropónino de crianças que nascem com poderes especiais, segundo o antropólogo Virgílio Coelho (1989). Quando o fazem rompem, revolucionam, atacam dando origem aos conflitos ou xinguilamentos, atendendo os interesses espirituais, por razões inerentes à religiosidade, nzumbi, kalunga, malunga, ituta, segundo Heli Chatelain.”

O Mito em avançado estadio de construção, mais concretamente.

“… o texto da entrevista de Agualusa, no Jornal Angolense de 15 a 22 de Março de 2008, e no seu Artigo de defesa no Semanário a “Capital”, de 29 de Março a 5 de Abril de 2008, mostra um arrazoado intelectual de uma elite que a todo custo quer ser livre e fazer o que lhe apetece sem ser respondido! São democratas quando xingam os outros, quando dizem qualquer baboseira e ainda por cima se agradece! Que tamanha liberdade, que ética defendemos, que humanismo! Que educação, que conhecimento manifestamos, onde está afinal a cultura...

De humanismo falarei num próximo artigo sobre o encerramento do Escritório das Nações Unidas para os Direitos Humanos em Angola.

Por outro lado, quem lê o seu artigo na íntegra fica com a clara sensação que este pedaço de prosa se vira contra si, como a pescadinha-de-rabo-na-boca. E, ademais, ao “fazer o que lhe apetece sem ser respondido” V.Exª vai já esclarecer:

“Acho mesmo que, deve haver responsabilidade criminal e civil por estarem reunidos todos requisitos do ultraje à moral pública (ofendeu a moral cultural ou intelectual dos angolanos), previsto e punido no Artigo 420º do Código Penal. É preciso moralizar, sob pena de banalizar a figura mais importância da nossa memória colectiva contemporânea.”

V.Exª enganou-se, não tem estofo de jurista, nem de homem de Direito. Talvez de sipaio ou capataz de roça. Que me diz?

De todos aqueles que correram atrás das declarações de Agualusa, Sousa Jamba surge como o mais equilibrado e sensato:

“Temos de agradecer a Agualusa por ter levantado a questão. Agora cabe-nos ler ou reler as obras dos autores que ele menciona para tirarmos as nossas conclusões.” (4)

E assim sendo, sejam quais forem as conclusões, urge que os sipaios de Angola interiorizem de uma vez por todas que Opinião não é um Crime.


admário costa lindo


notas e fontes:
(1) Roland Barthes. O Grau Zero da Escrita, Edições 70, Lisboa, 1997.
(2)
José Eduardo Agualusa considera Agostinho Neto ”poeta medíocre" e é ameaçado com processo judicial, Lusa, 8.04.2008.
(3) Artur Queiroz.
O comerciante desalmado, Jornal de Angola, 18.03.2008
(4) Sousa Jamba,
Em defesa de José Eduardo Agualusa, Angolense cit. AngoNotícias, 22.03.2008.
(5) Laurindo Vieira.
Sobre a poesia de Agostinho Neto, Jornal de Angola, 30.03.2008.
(6) João Pinto é Jurista e Ensina Ciência Política e Direito Público na UnIA e Faculdade de Letras e Ciências Sociais da UAN (Universidade Agostinho Neto).
(7) João Pinto,
Literatura identidade e política, Jornal de Angola, 6.04.2008.

1 de abril de 2008

Aileda. Bio


Aileda


Nascida no Algarve (Olhão), cresceu em Angola até 1975.

Faz do seu "mata-saudade" o Desenho e a Pintura, como a Poesia que, além de hobbies, foram suporte à interacção com alunos e outros, no seu percurso como Professora.

Autodidacta, com sonhos... (inspira-se no Tempo dos Sonhos... em "Memórias de memória"), ensaia experiências plásticas, por técnicas variadas.

Aileda - assina os seus trabalhos, apenas reconhecidos no seu meio restrito (familiares, amigos e colegas).


clique no logotipo para aceder à página ArtHaria

29 de março de 2008

O País que Falta




Numa altura em que o baile é mandado pela questão do Acordo ortográfico, daqui afirmo que à comunidade lusófona, ou CPLP (Comunidade dos Países de Língua Oficial Portuguesa), falta um país.

Não sou apenas eu quem o diz. Em lugares tão distantes quanto a Galiza e o Brasil, há muitas vozes que o reclamam.

Aqui ficam alguns apontamentos a respeito:

1.
“Este é o sítio web do Movimento Defesa da Língua (M.D.L.). Somos uma organização de acção social de base nascida no 1995 como aposta dos grupos de base que existiam na altura, e que como eles procura a naturalização da língua própria da Galiza, conhecida internamente como galego e internacionalmente como português. Queremos ser o referente das pessoas que acreditam na reintegração das falas galegas no sistema linguístico a que pertence, a Lusofonia, especialmente para reverter o processo de substituição do galego/português polo castelhano na população da Galiza e recuperá-lo para todo o uso linguístico.

Somos um colectivo democrático, aberto e horizontal que se rege por assembleia; independente de qualquer outro colectivo e partido político; e que aceita e ainda fomenta a liberdade de pensamento, salvo práticas ou condutas anti-sociais intoleráveis. Mais informação na secção Sobre o MDL.

Um fito importante foi que conseguimos fazer pola primeira vez que todos os colectivos lusistas da Galiza se reunissem em Compostela em Dezembro de 2001. Ali nasceu o Manifesto unitário reintegracionista do 15 de Dezembro (M15D), que defende a opção da Lusofonia como a única válida para a naturalização e recuperação da língua. O Comunicado sobre a reforma ortográfica e a língua na Galiza é muito parecido e além disso mais actual.

Convidamos-te a veres o nosso trabalho durante este tempo, e o que temos preparado para dentro de pouco. Convidamos-te também a contactar-nos e remeter-nos quaisquer sugestões. Estamos cá na defesa da língua na Galiza.”

( página principal do portal MDL )


2.
“Por muitos anos, chefes políticos galegos derrotados optaram pelo exílio em Portugal, inconformados com a sujeição de sua pátria aos reinos de Castela e Aragão. Um desses exilados foi o avô paterno de um poeta que, hoje, tem o seu nome ligado indissociavelmente à Língua Portuguesa: Luís Vaz de Camões (1524-1525?/1580). Se as circunstâncias políticas fossem outras, com certeza, Camões também seria reverenciado como o maior poeta da língua galega, ao lado de Rosalía de Castro (1837-1885)…
Carlos Quiroga, 45 anos, nascido em Vilazante, é professor de Literaturas Lusófonas na Universidade de Santiago… Continua a defender a liberdade e o final da censura promovida por aqueles setores comprometidos com os interesses político-económicos de Madri, apesar das últimas mudanças políticas que permitiram ao galego pelo menos recuperar sua auto-estima.
Essa liberdade, obviamente, só será completa quando a Galiza puder se filiar como nação independente à Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP), integrando-se ao mundo lusófono de mais de 200 milhões de pessoas, já que os galegos continuam a ser portugueses que ficaram além do Minho como os portugueses são galegos que ficaram do lado de cá.”

( Adelto Gonçalves, “Periferias” ou a viagem da língua, Vértice nº 136, Setembro-Outubro 2007, pp.140/142)


3.
Rosalía de Castro (1837-1885)

Este vaise e aquel vaise

Este vaise i aquel vaise,
e todos, todos se van,
Galicia, sin homes quedas
que te poidan traballar.

Téns, en cambio, orfos e orfas
e campos de soledad,
e pais que non teñen fillos
e fillos que non tén pais.

E téns corazóns que sufren
longas ausencias mortás,
viudas de vivos e mortos
que ninguén consolará.

¡Olvidémo-los mortos!



Corre o vento, o río pasa

Corre o vento, o río pasa;
corren nubes, nubes corren
camiño da miña casa.

Miña casa, meu abrigo:
vanse todos, eu me quedo
sin compaña, nin amigo.

Eu me quedo contemprando
as laradas das casiñas
por quen vivo suspirando.

Ven a noite..., morre o día,
as campanas tocan lonxe
o tocar da Ave María.

Elas tocan pra que rece;
eu non rezo, que os saloucos,
afogándome parece
que por min tén que rezar.

Campanas de Bastabales,
cando vos oio tocar,
mórrome de soidades.


admário costa lindo

24 de março de 2008

Luanda-a-Velha ou Luanda-a-Nova? III











3. Luanda-a-Nova

Neste tempo consumista em que vivemos, quando as pernas de uma cadeira se desengonçam é mais apropriado comprar uma nova mobília completa.

Os Bancos estão aí para ajudar. Fazem empréstimos ao preço da uva mijona, sem entrada e sem juros, com prazos a perder de vista e sem necessidade de garantias. Há até aqueles que nos pagam o seguro do carro e as contas da água, luz, telefone, internet e TV Cabo. É por estas e por outras que se diz que o Prémio Nobel da Paz de 2006 foi mal atribuído a Muhammad Yunus, porque o que ele faz é a mesmíssima coisa que fazem os grandes bancos capitalistas. Isso e muito mais: os grandes bancos, na Páscoa, põem à disposição dos clientes, nos seus balcões, tigelinhas de cristal com amêndoas e caramelos, oferecem serpentinas pelo Carnaval e cartões de boas festas no Natal. A Banca usurpou as funções das Misericórdias.

Voltando à pacassa fria, é mais fácil comprar o novo do que consertar o velho. No estado em que se encontra Luanda, diz-se à boca cheia, é melhor construir uma capital nova. Esta questão não é de agora mas acentuou-se nos últimos tempos, segundo me confidenciou um amigo que visitou Angola há pouco tempo. Contou-me isso e mais: que Luanda está edificada sobre uma mina de diamantes e é por essa razão que os governantes não se interessam em renovar ou requalificar a cidade. Deixa-se apodrecer e depois é só catar diamantes.

Mujimbos [5] à parte, o certo é que, segundo esse amigo, Luanda-a-Nova já está em construção, de Belas para sul. O ministro diz que é mentira, mas não deixa de esconder o gato com o rabo de fora:

“Diríamos que, quando se fala em nova capital, significa, essencialmente, a transferência, por assim dizer, do centro superior do poder político. Do que eu saiba, isto não está ainda na agenda do Governo”. [6]

1. Antes que tudo, caro Ministro, quando se fala em capital, em Angola, sabe tão bem como eu, fala-se de Luanda-a-cidade.

2. O que está verdadeiramente em causa é algo mais do que o “centro superior do poder político”.

3. Quando diz que “não está AINDA na agenda do Governo” quer significar que não há fumo sem fogo!? Mentira?

4. O que é necessário esclarecer: aquilo que está a ser construído para sul de Belas,
a) é uma nova cidade,
b) ou apenas está a ser posto em prática o plano de urbanismo que, afirmou V.Exª na entrevista citada, ainda está em estudo… e nem sequer tem competências atribuídas?

admário costa lindo













[5]
Boatos.
[6] Sita José, entrevista citada.


Para ler na íntegra a entrevista de Sita José:
aceder ao “Jornal de Angola online/
fazer a pesquisa por “criação de uma nova capital”.



imagens Google Earth 24.03.2008:
1. Sambizanga e Mercado Roque Santeiro
2. São Paulo
3/8. Belas


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18 de março de 2008

Luanda-a-Velha ou Luanda-a-Nova? II


















2. O Paraíso

Quem olha para estas imagens descobre que o Paraíso existe. Fica em Luanda e serve, exclusivamente, para Reis, Príncipes, Viscondes, Condes, Marqueses, Duques, Valetes e Manilhas. E Jokers. Os tais de quem se sabe serem produtos do Vendedor de Passados.

Para estes pouco importa que o saneamento esteja podre – eles pouco tempo passam nas ruas, não sentem os cheiros.

Pouco importa que a distribuição eléctrica ande pelas ruas da amargura – eles compram geradores de corrente.

Pouco importa que falte a água canalizada – eles bebem água engarrafada, de marca, e lavam-se com perfumes, de marca.

Pouco importa que os musseques se tenham multiplicado na proporção de 1 para 20 – eles vivem em apartamentos de luxo e condomínios fechados, com áreas nunca inferiores a 150m2 por fracção.

O tempo do “Viva o Poder Popular” vai longe. O Povo já esqueceu o que isso queria dizer, se alguma vez pretendeu dizer alguma coisa. Muitos dos que berravam o slogan aos quarenta ventos hoje são Jokers, que podem assumir qualquer valor do baralho. Hoje quando alguém, por brincadeira, lhes sopra o velho slogan ao ouvido sentem asco e vomitam… uísque de malte e dom pérignon.

Quem olha para estas imagens descobre que o Paraíso existe. Fica em Luanda e dele se fixam fotos maravilhosas. Hoje, porém, o avanço da tecnologia permite-nos descobrir a fealdade que a beleza, por vezes, encerra.











Os Jokers pouco se importam com isso, apreciam mais o vistoso e o efémero. Manobram o passado com uma displicência arrogante.

“A agitação retrambolhava a placidez da ilha. Mais barcos cruzavam as águas descarregando objectos e pessoas. Os do bengalô matabichavam, a música suspendera-se e Noíto escutava as conversas.
«Fiat, já topaste que esses bailundos queimaram já as janelas? Puta que os pariu. Eu bem tentei um esquema para a casa ficar com o Silva mas o gajo é uma merda até decidir entrevistar-se com o funcionário da capitania. E agora calha-nos esta vizinhança. Traz aí o jindungo para remediar. Não é a mesma coisa. Devias ter temperado antes, Vera.»
«E os miúdos?»
«Eu na idade deles, pequeno almoço, pão e café com leite. E vivó-velho. Eles têm manteiga, doce, bolo, pá. Dá-me uma a estalar. Mando cá um sarro. Carreguei demais no uísque, ontem. Hoje não saio da cerveja. Fiat, amanhã, vais-me enterrar essas latas todas, pá. Isto é uma vergonha. Porra, és pior que o Comissariado ou estás a precisar de Filipinos?»
«Começas logo de manhã a dar pra trás!»
«O Jaime não aguenta! Henda, tu ou o Mandela, liguem a música, estamos a desperdiçar a energia.» [3]

“Andava a manhã a tilintar-se de latas e garrafas, patadas e dentadas dos cães sobre os despojos sobressaídos na areia. Ossos. Demasias de condutos, carne. Sobejos de peixe. Pedaços de ananás, mamão e abacate. Acompanhamentos, funji, arroz, batata e macarrão. Tudo salgalhado na areia. Papéis e pensos higiénicos. E o farejar dos cães, rabo de antena, latindo em despique pelos mais do espólio.” [4]

Ali fica o Paraíso, paredes-meias com o Inferno. Dantesco.

admário costa lindo


[3] Monteiro, Manuel Rui. Rioseco, Edições Cotovia, Lisboa, 1997, p. 111.
[4] Monteiro, ob.cit. p. 115.



crédito das imagens:
1. Mário Leong Antunes
2,3,4. Fernando Manuel Antunes




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17 de março de 2008

Domínio Público

Dominio Publico


È um dos meus Portais favoritos.

Um sítio onde se pode encontrar de tudo o que é do domínio público (que não está dependente de direitos de autor) desde a Arte à Literatura, da História às Novas Tecnologias aplicadas ao ensino.

Se queres mulheres nuas, não tem. Se queres piadas de caserna, também não tem. Mas se queres Camões, Machado de Assis ou Fernando Pessoa, tem muito. Se queres Shakespeare, Sófocles ou Lorca, também tem muito.

O portal “Domínio Público" foi lançado em Novembro de 2004 pelo Ministério da Educação do Brasil e “propõe o compartilhamento de conhecimentos de forma equânime, colocando à disposição de todos os usuários da rede mundial de computadores - Internet - uma biblioteca virtual que deverá se constituir em referência para professores, alunos, pesquisadores e para a população em geral.

Este portal constitui-se em um ambiente virtual que permite a coleta, a integração, a preservação e o compartilhamento de conhecimentos, sendo seu principal objetivo o de promover o amplo acesso às obras literárias, artísticas e científicas (na forma de textos, sons, imagens e vídeos), já em domínio público ou que tenham a sua divulgação devidamente autorizada, que constituem o patrimônio cultural brasileiro e universal.”

(in Missão do Portal)

Obras dos autores citados e muitos outros podem ser descarregadas de borla. O acervo é enorme.

Não obstante a notícia chegou... aterradora. O portal está em vias de ser encerrado por não ser usado com a dimensão que o projecto requer.

É isto que nós, internautas da cultura, queremos?

admário costa lindo


nota:
para aceder ao portal clica no logótipo.

15 de março de 2008

Luanda-a-Velha ou Luanda-a-Nova? I













1. O Pesadelo




Luanda é uma cidade sem Rei nem Roque. Diz-se.

Há, no entanto, quem conteste esta afirmação porque Luanda tem Rei, sim senhor, tem vários Reis para maior precisão, porque não há burguesia que se preze sem o(s) seu(s) Rei(s). E quando não tem vai-se ao Vendedor de Passados:

“Depois de terminarem o jantar, depois de beber o seu chá de menta – José Buchmann preferiu um café – o albino foi buscar uma pasta de cartolina e abriu-a em cima da mesa. Mostrou o passaporte, o bilhete de identidade, a carta de condução. Havia também várias fotografias. Numa, em tons de sépia, bastante gasta, via-se um homem enorme, com um ar absorto, montado num boi-cavalo.
«Este», apresentou o albino, «é Cornélio Buchmann, o seu avô.»
Numa outra, um casal abraçava-se, junto a um rio, contra um horizonte largo e sem arestas. O homem tinha os olhos baixos. A mulher, num vestido estampado, florido, sorria para a objectiva. José Buchmann segurou a fotografia e levantou-se, colocando-se directamente sob a luz do candeeiro. A voz tremeu-lhe um pouco:
«São os meus pais?»
O albino confirmou.” [1]

E Roque também tem… o Santeiro pois então!

O certo e sabido é que Luanda está a rebentar pelas costuras:
por mor da sobrepopulação, do caos urbanístico, da surrealista desordem do transito rodoviário, pela escassez de meios de assistência social e pela caducidade das infra-estruturas de água, electricidade e saneamento básico.

A culpada por esta catástrofe urbana e social é a guerra, ou a sua herança, é bom de ver.

Se concordo com esta justificação no que diz respeito ao aumento demográfico da capital, o mesmo não posso dizer em relação aos restantes itens da questão. A cidade, depois da independência, não sofreu os efeitos directos da guerra. Mas, ao fim e ao cabo, a haver um bode expiatório quem mais o poderia ser senão a guerra? Embora se soubesse que, sem obras de conservação e manutenção, as infra-estruturas, mais dia menos dia, entrariam em colapso. Embora também se saiba que em tempo de guerra não se limpam armas. Nem as armas nem o resto.

“A cidade de Luanda, sobretudo a partir do período pós-idependência, começou a evoluir, ou seja, a crescer territorialmente, do ponto de vista espacial, mas sem aquilo que se pode considerar desenvolvimento. A cidade cresceu, sem que, em contrapartida, houvesse um acompanhamento das suas infra-estruturas e uma dotação de serviços sociais ao ritmo da expansão da cidade.” [2]


admário costa lindo


[1] Agualusa, José Eduardo. O Vendedor de Passados, Publicações Dom Quixote, Lisboa, 2004, pp.56-57.
[2] Sita José, Ministro do Urbanismo e Ambiente, entrevista ao Jornal de Angola em 9.09.2007.

crédito das imagens:
1. Fernando Manuel Antunes
2. desconhecido
3.
Steven LeVourc’h
4. Jorge Alberto


29 de fevereiro de 2008

Uma língua não é de ninguem!

Os camaradas guerrilheiros vinham de todo o lado. Cada um na sua língua. E entendiam-se. Essa língua dos tugas, que não é só deles, é nossa, uniu-nos muito. Afinal uma língua não é de ninguém! A língua é de quem aprendeu. Igual saber resolver. Carpintaria é do meu marido não é só de quem lhe ensinou. Já viu uma pessoa com uma língua só para si? Uma língua é para falar com outra pessoa e se as pessoas são muitas, tem de haver uma maneira de se entenderem.

fala de Noíto
Rioseco” de Manuel Rui

24 de fevereiro de 2008

Dois Grandes Humanistas

COMUNICADO


Envolta na mais profunda dor, a Direcção da Casa de Angola, em Lisboa, comunica aos seus associados e a toda a Comunidade Angolana em Portugal, o passamento de dois concidadãos que se transformaram em Ilustres e Distintos na luta pela Independência da nossa Pátria, bem como para o bem-estar social dos Angolanos:
- Gentil Ferreira Viana e
- Joaquim Pinto de Andrade
A nossa dor é tamanha que só nos resta tempo para enviar às respectivas famílias as nossa profundas e sentidas condolências.

A Direcção

(Comunicado da “Casa de Angola”)

O “Angola Haria” sente profundamente a perda de dois dos maiores Humanistas angolanos, dois Homens que nunca ninguém conseguiu vergar, que tinham da política o sentido verdadeiro – servir e não servir-se – e que rejeitaram sempre benesses e mordomias em detrimento do bem-estar do Povo.

Bem Hajam pela Obra, pelo Exemplo e pelo Legado.

admário costa lindo


22 de fevereiro de 2008

Fórum: segurança anti-spam

Foi acrescentada ao Fórum uma segurança anti-spam:

assim, para publicação de uma resposta ou tema não é necessária a confirmação de e-mail; em sua substituição foi colocada uma imagem de confirmação; antes da publicação devem digitar-se, na caixa que surge por baixo dessa imagem, as letras e/ou algarismos que aí aparecem.


admário costa lindo

Fórum Angola Haria





Olá amigos e leitores!

A rede de blogs Angola Haria, http://angolaharia.blogspot.com, disponibiliza, a partir de hoje, o “Forum Angola Haria” para que os seus leitores possam dar asas ao querer, escrevendo uma simples mensagem, partilhando as suas memórias ou promovendo discussões salutares, enfim... viajando pela vida.

COMO VIAJAR PELO FÓRUM

1 - Os Temas ou tópicos podem ser abertos por qualquer visitante (em “POST”) atendendo aos quesitos Simplicidade e Originalidade, evitando sempre as repetições de temas. Qualquer visitante pode, não obstante, solicitar a abertura de um Tema ao Administrador, dirigindo-se-lhe por este post.

2 – Para que os Temas sejam efectivamente Temas, as respostas devem ser sempre efectuadas na mensagem respectiva ( em “REPLY”) e nunca em novo POST.

3 – NÃO HÁ possibilidade de EDITAR as mensagens.

4 - Apenas o Administrador tem a faculdade de APAGAR qualquer TEMA.

REGRAS

O Fórum é um espaço aberto e livre não sendo necessário, sequer, registo prévio mas, para que a estadia e as viagens decorram em bonança, há algumas regras a respeitar:

1 – O “Fórum Angola Haria” rege-se pelos princípios da democracia e da sã convivência, respeitadores das regras do Estado de Direito Democrático.

2 – Não são permitidas mensagens que perfilhem ou incitem a qualquer forma de discriminação ou intolerância.

3 – Não são permitidas mensagens insultuosas, quer a visitantes quer a pessoas exteriores ao fórum.

4 - O “Fórum Angola Haria” reserva-se o direito de actuar “in situ” contra quem não respeitar as regras enunciadas.

Desejo a todos uma feliz estadia.

admário costa lindo


(mensagem de abertura do Fórum)
o acesso faz-se pela coluna da direita, em "Enter my Forum" ou por
http://pub23.bravenet.com/forum/1917116303


12 de fevereiro de 2008

Encerramento de "o bico" e "Makamba"

Caros Leitores e Amigos,

a página “o bico-de-lacre e o tarrote” e o suplemento “Makamba” serão encerrados muito em breve.

Mais notícias sobre o assunto surgirão aqui oportunamente.

admário costa lindo

24 de janeiro de 2008

Não se pode viver com o rio...


Quando as grandes catástrofes naturais sucedem são os mais pobres, aqueles que vivem do dia-a-dia, da sua força de trabalho que lhes fornece condições de mera subsistência, quem mais sofre.

Nessas alturas salva-os apenas a solidariedade, as acções de organizações não governamentais que, a esmagadora maioria das vezes, fazem muito mais do que os governos e que, para além disso, dão aos governantes as alternativas certas para as situações concretas, conhecimentos que só pode adquirir quem anda no terreno com as vítimas.

As cheias do Zambeze já se tornaram ciclicamente regulares. A tradição tem uma grande força naquela região, como noutras, mas já muita coisa se poderia ter feito para controlar e prevenir as cheias e evitar tanta desgraça. Infelizmente os governos têm a memória curta e mesquinha.

admário costa lindo










Não se pode viver com o rio, nem se pode viver sem ele






Os povos que vivem ao longo do rio Zambeze, na região central de Moçambique, sabem que, com pequenos intervalos anuais, uma inundação é inevitável. Podem perder tudo mas o solo fértil da planície inundada, o peixe a adicionar ao seu cabaz alimentar e a tradição levam-nos a regressar às planícies, a cada primavera, para plantação das novas colheitas.

Este ano, conforme o governo de Moçambique ia resgatando por barco os fazendeiros, muitos das mesmas comunidades vitimadas pelas inundações do ano passado e alguns residentes na bacia do rio, começaram a questionar-se sobre a possibilidade de se manter essa tradição. O Zambeze transbordou por três vezes em sete anos, provocando devastação e roubando vidas.

"Este ano foi demais," disse Félix Bernardo, um fazendeiro da vila inundada de Muriwa, descansando à sombra de uma árvore na cidade de Mopeia, província do Zambeze, depois de ter desembarcado de um barco de salvamento. "Não restou nenhum alimento. O povo está farto desta situação”.

Bernardo e cerca de vinte vizinhos esperavam, ao calor opressivo da meia-tarde, a partida para o centro de realojamento de Zona Verde, ali próximo. Carregavam todas as suas imbambas: panelas e cabaças, uma enfiada de peixe seco, algumas mangas, e rolos de luandos. Disseram que as reservas de alimentos se tinham perdido.

Quando um trabalhador desalojado sugeriu que passariam agora a viver do dia-a-dia, o grupo agitou-se. "Viver do dia-a-dia era o que já fazíamos!" disse Adélia Ernesto, também de Muriwa, que chegou no mesmo barco com um bebé às costas. "Aqui, mesmo que cultivemos, não haverá nenhum alimento."

Em Mopeia muitas pessoas dos centros de realojamento partilham a opinião de Ernesto e acreditam que a terra acima da área de inundação não é suficientemente fértil para alimentar grandes famílias. "Aqui há um lugar para nós permanecermos, mas a terra não dá grande coisa," disse Inês de Luís, deslocada há uma semana da sua cidade para o Centro de Realojamento 24 de Julho. "Nós poderíamos permanecer aqui mas o alimento não crescerá, assim teremos que voltar para as zonas baixas."


Não voltem para casa

Os 2.574 km de comprimento do rio Zambeze, o quarto mais extenso de África, correm desde a Zâmbia, de Angola, ao longo das fronteiras da Namíbia, do Botswana e do Zimbabwe até Moçambique, onde desagua no Oceano Índico.

Depois das inundações de 2007, que ceifaram dezenas de vidas, o governo de Moçambique incentivou fortemente os fazendeiros a reconstruir as suas casas em terrenos mais elevados e a fazer sementeiras alternativas caso estivessem na disposição de continuar a plantar nos terrenos de aluvião. "No ano passado nós aconselhámos a população a cultivar dois lotes de terra," disse Abrista Mujuarte, administrador distrital de Mopeia. "Há algumas comunidades onde cada família fez duas quintas."

Mas as pessoas do acampamento de Zona Verde dizem que lá não há força de trabalho suficiente para cultivar dois lotes de terra, mesmo nas comunidades não afectadas pela recente inundação. No acampamento os membros masculinos da família fazem tijolos durante o dia em troca de ajuda alimentar, enquanto as mulheres cultivam as terras junto ao rio na esperança de uma colheita melhor.

Apesar da actividade de fabrico de tijolos, as pessoas do centro de Zona Verde vivem em qualquer lugar, desde casas com cobertura de capim a tendas esfarrapadas do ano passado. Dúzias de jovens voluntários vindos da capital, Maputo, disseram que não havia cimento suficiente para as prometidas casas que se disponibilizaram vir construir para os desalojados.

A inundação deste ano, que desalojou mais de 57.000 pessoas, veio cedo demais e apanhou de surpresa os organismos não-governamentais mais relevantes. Como parte de um plano de recuperação das vítimas da inundação do ano passado, a Save the Children do Reino Unido organizou duas feiras agrícolas em Mopeia, em Novembro 2007.

Este organismo ofereceu às famílias certificados no valor aproximado de 16,00 US dólares e convenceu os comerciantes locais de sementes e ferramentas a vender-lhes os seus produtos. O governo de Moçambique organizou feiras semelhantes em outras partes do distrito. Infelizmente, as sementeiras feitas com aquelas sementes perderam-se uma vez mais. "Tudo que nós recebemos na feira de Muriwa, todas aquelas coisas se perderam na enxurrada," disse Inês de Luis.


"Diz-se," repete Judite Waera, responsável do Save the Children em Mopeia, "que é um fenómeno natural mas foi uma despesa que desperdiçámos. A partir de agora será necessário prever isto; agora aprendemos a lição."

Repensar estratégias

Os trabalhadores desalojados, o governo e os residentes perguntam-se como prevenir a perda das colheitas e as evacuações em massa quando o rio Zambeze voltar a transbordar. A distribuição de terras, a ajuda agrícola e as medidas de controlo das inundações, como diques, foram possibilidades equacionadas. "Não podemos incentivar as populações a mudarem-se para terrenos mais elevados se não lhes for oferecida uma alternativa económica," disse Chris McIvor, director nacional do Save the Children do Reino Unido.

Disse ainda que a sua organização irá implementar um programa que beneficiará as crianças órfãs e vulneráveis, incluindo as vítimas das inundações. O programa incentiva os membros da comunidade a fazer propostas de negócios em actividades como a pesca, a carpintaria ou o artesanato; aos projectos seleccionados serão concedidos subsídios até ao montante de 1.200 US dólares.

Estimulando meios de subsistência para além do produto das colheitas, McIvor tem esperança que as vítimas do rio não voltarão a viver sem nenhuma fonte de rendimento. "É um modelo que deveria ser seguido pelo governo e por outras organizações”, disse aquele responsável. “Para as populações continuarem em zonas seguras, necessitam destes incentivos económicos.”


IRIN


online, 22.01.2008

31 de dezembro de 2007

A nossa celebrada inteligência II



Há uma geração, os humanos evitaram a destruição nuclear; com sorte, continuaremos a iludir esses e outros terrores em massa. Mas, hoje, damos muitas vezes por nós a perguntar-nos se teremos inadvertidamente envenenado ou aquecido demais o planeta, connosco incluídos. Também usámos e abusámos da água e do solo a ponto de já haver pouco de cada, e dizimámos dezenas de espécies que, provavelmente, nunca mais voltarão a existir. O nosso mundo, como alertam várias e respeitadas vozes, poderá um dia degenerar em algo parecido com um terreno vazio, onde corvos e ratazanas corram por entre as ervas, caçando-se uns aos outros. Se isso acontecer, a que ponto correram tão mal as coisas para que, com toda a nossa celebrada inteligência superior, não estejamos entre os sobreviventes?


Alan Weisman
“O Mundo Sem Nós”

A nossa celebrada inteligência I




Uma amiga fez o favor de me enviar esta imagem por email.
Continua actual, embora tenham decorrido alguns anos.
Eis a legenda que a acompanhava e que subscrevo inteiramente:

“Só quem é pobre, é que procede com tanta generosidade.

Que pena o HOMEM não ser sempre assim.”



crédito da imagem: Gujarat Samachar Online

24 de dezembro de 2007

Exposições ArtHaria

Caros Amigos:

Todos os Artistas desejam que a sua Obra seja divulgada até ao mais recôndito canto da Terra.

Não sabemos se isso é possível, mas vamos tentar.

o Angola Haria abriu hoje mais uma página que mais não é do que a extensão das Exposições dos nossos artistas.

Porém, como se disse várias vezes, o Angola Haria está aberto para o mundo. Basta uma mensagem por correio electrónico para nascer uma nova página.

A página "Exposições" estará ligada à página do ArtHaria respectiva.

No presente caso, a 1ª Exposição é "Tempo no Tempo" de Ferreira Pinto.
Basta ligar, desta página, à ArtHaria de Ferreira Pinto e nesta a "Tempo no Tempo" (coluna da direita).

21 de dezembro de 2007

Festas Felizes




Desejamos a todos os Amigos e Colaboradores

FELIZ NATAL

e

PRÓSPERO ANO NOVO

crédito da imagem do imbondeiro:
ADIMO, Amigos do Distrito de Moçamedes

8 de dezembro de 2007

Portugal, o Estado da Nação I



Faz ou que eu digo…
não faças o que eu faço!

É, o Estado Português, Pessoa de Bem?

Tenho muitas dúvidas. Pelo que me é dado observar é o mínimo que se pode dizer a respeito.

Quem é devedor ao Estado paga, mais tarde ou mais cedo, a bem ou a mal. Caso a colecta não seja legítima, o imposto indevido ou a taxa estapafúrdia, pagas primeiro e reclamas depois.

O Estado recebe em prazos fixos e rígidos, que ele próprio determina, mas paga em prazos móveis e maleáveis, que ele próprio decide.

O Estado cobra juros nos pagamentos fora do prazo. A uns chama “compensatórios”, por compensação está-se mesmo a ver, a outros “de mora”, precisamente pela demora. E são cumulativos. E são, muitas das vezes, duplicativos, juros sobre juros.

O Estado, aos cidadãos que pagam, não lhes chama “pagantes”, mas “contribuintes”. Para dar a ideia que estamos, assim, a contribuir… para a UNICEF, os Médicos Sem Fronteiras ou a Cruz Vermelha.

O Estado não se contenta em colectar e cobrar impostos: inventa nomes e obrigações. Em vez de cobrar os impostos no final do exercício ou ano civil, inventou os “Pagamentos por Conta”: recebe antecipadamente, “por contado que há-de vir. Não chegando, inventa-se outro: “Pagamento Especial por Conta”, inventado há anos atrás com o objectivo de “equilibrar o Orçamento”. Daquele ano. Ficou para sempre. Mas, caso haja lugar a devolução daquilo que recebeu indevidamente, o Estado não paga juros.

O Estado nunca prescinde de qualquer imposto. O epíteto mais suave que se deu à “Sisa” foi “anacrónico”. Acabou-se com ele. Acabou-se? Então o que é o IMT, Imposto Municipal sobre as Transacções, (re)nascido das suas cinzas como a Fénix?

O Estado é exímio nos nomes pomposos. Passamos a vida, todos, pobres e ricos, a descontar para a Segurança Social. E o que se recebe no fim da vida activa? Uns cem, outros cinco mil. Numa idade em que todos têm as mesmas necessidades de alimentação, saúde e assistência médica, os que menos ganharam durante a vida activa, menos recebem na pré-morte. Ao organismo que tutela esta discrepância o Estado denomina de Solidariedade Social. E não falei nas “reformas douradas”, atribuídas em período activo e que são, no mínimo, IMORAIS.

Tenho para mim que as fiscalizações aos estabelecimentos comerciais e industriais, a cargo da ASAE, são, mais do que fiscalizações, colectas. Mais um dinheirinho que entra para os cofres do Estado, para “equilíbrio” do Orçamento. Não são as condições de trabalho, de atendimento ao público, de higiene e segurança no trabalho o que está verdadeiramente em causa. De outro modo como se justifica a notícia que se segue?

A Associação Sindical dos Funcionários da Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASF – ASAE), (sic) mostra-se … descontente com a atribuição das ajudas de custo, o incumprimento de regras internas de higiene, saúde e segurança e ainda com o facto de a ASAE «não passar recibos discriminados de todos e cada um dos montantes que são pagos a cada funcionário (impedindo assim que este possa verificar da sua correcção)». [1]

A pergunta inicial fica, assim, com resposta concreta.



[1] Sol, 5.12.2007




admário costa lindo

28 de novembro de 2007

Boas Festas do Zé da Fisga


BOAS FESTAS

é o que desejam a toda Angola e aos leitores do Angola Haria,
o Zé da Fisga e o seu criador, Nando.

O Nando aproveita esta oportunidade para fazer o seguinte apelo:

Pretendendo reunir o seu espólio artístico, agradece a quem possua qualquer obra sua, imagem em qualquer suporte e formato ou qualquer objecto com as suas criações, o favor de o contactar através do e-mail do Angola Haria.

Agradecemos que passem esta informação a amigos e conhecidos.

A reunião desse espólio será apresentada no Angola Haria, em página ArtHaria a criar oportunamente.

O Nando e o Angola Haria agradecem penhoradamente.

11 de novembro de 2007

Kuta xiri


nas bordas da lavra há mandioca aos montinhos
na sanzala o pilão faz em pó
o suor de todos dias,

nos carreiros da lavra sente a terra entre os dedos,
na sanzala reprime o nó
e o travo na garganta.

dali eles não ouvem o ruído da cidade grande
nem batuques nem massembas
nem o canto da vitória,

sabem que a chuva ameaça não chegar a tempo
de salvar a colheita do massango
e o quiabo e o cará.

- e amanhã, o que será?

ele responde a única verdade que na alma
ainda resiste:

- Kuta xiri, meu amor!




admário costa lindo
11.11.2007

10 de novembro de 2007

Espécies marinhas ameaçadas



Decorreram em Luanda, de 7 a 9 de Novembro, as “14ªs Jornadas Técnico-científicas do INIP - Instituto Nacional de Investigação Pesqueira”, durante as quais se debateu o tema "As Mudanças Climáticas e os Novos Desafios da Investigação Pesqueira e Tecnológica".

Durante os trabalhos especialistas de Angola, Portugal e Noruega discutiram temas relacionados com o Ambiente e Saúde dos Ecossistemas Aquáticos, os Recursos Biológicos Aquáticos e o Controlo e Qualidade de Produtos de Pesca.

Muitas espécies marinhas estão ameaçadas e outras em vias de extinção, devido às alterações climáticas e à acção do ser humano nos seus habitats, reconheceu a vice-ministra das Pescas, Vitória de Barros Neto, na cessão de abertura.

Disse Vitória de Barros que a temperatura, o chumbo e o oxigénio são factores limitantes para muitas espécies marinhas e que a sua alteração no meio põe em risco a sobrevivência das espécies, com maior ênfase para os recursos pesqueiros, alvo de pressão da pesca.

Os especialistas prevêem a delapidação dos recursos marinhos até 2024, caso a situação actual não seja alterada.

Kosi Luyeye, Director Técnico do INIP, apresentou o estudo “Impacto das Alterações Ambientais no Comportamento dos Recursos Marinhos” onde se refere que Angola poderá registar, nos próximos anos, uma redução drástica da quantidade de peixe nos mares em consequência das alterações ambientais, podendo mesmo ocorrer a extinção de algumas espécies.

A grande mortandade de peixes ocorrida nos anos 1995 e 1996 na província de Benguela, a redução e redistribuição de recursos pelágicos, o estabelecimento de colónias de focas a sul de Tombwa e a elevada quantidade de medusas existente nessa região, são consequência das alterações ambientais na costa angolana.

A solução apontada pela pesquisa refere ser necessário optar por abordagens holísticas no mar angolano, espécie a espécie, com a introdução e consolidação de medidas de conservação dos recursos biológicos aquáticos e seus ecossistemas e preparação de planos de contingência que obstem a que as mudanças climáticas afectam áreas interligadas, os habitats de peixes, sua distribuição, abundância de espécies e as cadeias alimentares.

Os participantes recomendaram a necessidade de complementar os dados recolhidos ao longo dos cruzeiros científicos com os dados obtidos por satélite, de modo a encontrar-se mecanismos que forneçam dados fiáveis, que permitam a realização de estudos realistas dos recursos pesqueiros e para que se saiba da fiabilidade das informações de captura fornecidas pelas empresas pesqueiras.

A forma mais simples de acompanhar as alterações no ecossistema marinho, segundo Francisca Delgado, directora do INIP, consiste na medição regular da variação de parâmetros oceanográficos e atmosféricos, como as temperaturas do mar e a atmosférica, as concentrações de oxigénio e chumbo, a altura das marés ao longo da costa ou em pontos pré-determinados.


admário costa lindo


fonte: Angop

6 de novembro de 2007

Guerra Civil em Portugal: 66.000 mortos


Muitos portugueses, desde as tertúlias de café até a posições oficiais de pessoas com responsabilidade, já se manifestaram contra a regra anunciada de distinção dos condutores mediante a colocação de dísticos nas viaturas, de acordo com os registos de sinistralidade de que forem responsáveis.



Os argumentos variam, desde a privacidade e liberdade individuais até ao facto de uma obrigação deste jaez não se admitir num Estado de Direito, como Portugal.

Ninguém lembra, porém, as 66.000 pessoas que, segundo a Direcção-Geral de Viação, morreram nas estradas portuguesas nos últimos 30 anos.

Não há muitas guerras civis com tantos mortos e esses não podem argumentar.

admário costa lindo

26 de outubro de 2007

Escolas de Campo





“Escolas de Campo” é uma metodologia que está a ser implementada em Angola desde 2006 com o apoio da “FAO - Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura”.

Proporcionando uma nova cultura agrícola aos camponeses, nomeadamente com o ensino – no próprio campo – de novas técnicas de sementeira e plantação, uso de fertilizantes, combate às pragas e práticas de colheita, pretende-se aumentar a sustentabilidade das famílias rurais.

“Escolas” estão já em funcionamento no Bié – municípios de Andulo e Catabola – e Huambo – municípios de Catchiungo e Ekunha – através do “PESA – Programa Especial de Segurança Alimentar”.

fonte:
Angop




admário costa lindo

7 de setembro de 2007

Barragem no Cunene novamente adiada

“Interesses políticos e lobbies especializados parece, uma vez mais, terem protelado os planos de represa do rio Cunene na fronteira entre Angola e a Namíbia. Depois de anos de negociações, vários estudos de viabilidade dispendiosos e considerável retórica política, a proposta Barragem de Epupa no rio Cunene está ainda longe da fase inicial de construção.”

[…]

“Assim que a Namíbia e Angola iniciaram negociações, em1991, para a construção de um projecto hidroeléctrico no rio Cunene, estalou uma séria divisão sobre a localização exacta da barragem. A Namíbia pretendia um local a quatro quilómetros a jusante das quedas de Epupa, enquanto Angola fez finca-pé a favor de uma localização nos Montes Baynes, 40 km mais a jusante.”

[…]

“Os angolanos estão bastante cépticos quanto a projectos conjuntos no rio Cunene, uma vez que poucos benefícios retiram do complexo hidroeléctrico Ruacaná-Calueque. O poder colonial português construiu este projecto, imaginado e financiado pelo governo de Pretoria nos anos setenta, principalmente para irrigação dos terrenos agrícolas do norte da Namíbia.”

[…]

“Adicionalmente, o IRN e outras organizações não-governamentais argumentam que esta grande inundação arruinaria o modo de vida da tribo semi-nómada dos Himbas. Grupos familiares desta tribo vivem da criação de gado em ambas as margens do rio.”

[…]

Este artigo, referente a um projecto de grande importância para os povos e províncias do Sul de Angola, pode ser lido na íntegra e/ou impresso clicando-se nas imagens abaixo.




5 de setembro de 2007

A Vida





"Vida, irmão, é pau de fósforo aceso –
dum lado queima os alheios; do outro nos queimamos nós…"

Luandino Vieira
de “Lourentinho Dona Antónia de Sousa Neto & Eu”

27 de agosto de 2007

Afrobasket 2007


A selecção angolana venceu, pela 9ª vez, o Campeonato Africano Sénior Masculino de Basquetebol (Afrobasket 2007) ao bater na final, na Cidade Desportiva em Luanda, a selecção dos Camarões por 86-72.

Foi o seguinte o percurso da Selecção Angolana:

1ª Fase
Angola - 109-66 - Ruanda
Angola - 100-44 - Cabo Verde
Angola - 108-58 - Marrocos

Quartos de Final
Angola - 78-51 - RCA

Meia Final
Angola - 93-60 - Cabo Verde

Final
Camarões – 72-86 - Angola



classificação


classificacao




palmarés



tabela 1

tabela 2

tabela 3



NB:
RCA – República Centro-Africana


a Selecção Angolana »»»

Historial da Selecção Angolana »»»

a Selecção de Cabo Verde »»»

a Selecção de Moçambique »»»



admário costa lindo

21 de agosto de 2007

Quando os professores são assim...



Quando os professores são assim...
em França...
no "país" que se diz "das Luzes"...
é razão para desconfiar dos fabricantes das Lâmpadas!




Paris, 21 Ago (Lusa) - Um professor foi condenado hoje a um mês de prisão, com pena suspensa, e ao pagamento de dois mil euros, por ter proferido insultos racistas a um jovem aluno francês de origem angolana.

De acordo com a acusação que deu origem à sentença decretada hoje pelo Tribunal Correcional de Epinal, o professor, de 52 anos, insultou repetidamente, na aula, o aluno, de 17 anos, com palavras como "és negro, roubas", "não toques na minha régua, vais sujá-la" ou "volta para o teu país para comer bananas".

As injúrias ocorreram entre Outubro de 2006 e Março deste ano, tendo sido denunciadas por colegas da vítima e responsáveis do estabelecimento onde o homem leccionava.

ER.

Lusa/Fim



PS:
E, já que estamos na Internet, que chega ao ponto mais recôndito do universo, o energúmeno vai ficar a saber o quanto eu gosto de bananas! Ou talvez não... mas alguém lhe dirá que Homens também comem bananas! A julgar pelos plafonds de importação, em França também... mas talvez o dito cujo tenha, para as ditas, outros fins!


admário costa lindo

15 de agosto de 2007

Amorizade

crédito: Vasco/Público




“De longe em longe cabe-nos a sorte de topar com uma pessoa assim, que gosta de nós não apesar dos nossos defeitos mas com eles, num amor simultaneamente desapiedado e fraternal, pureza de cristal de rocha, aurora de Maio, vermelho de Velázquez.”

António Lobo Antunes, de “Memória de Elefante”




4 de agosto de 2007

16 Cavaleiros com as Barbas de Molho

Museus: 16 directores contestam posições de Dalila Rodrigues
3 de Agosto de 2007, 22:13

Famalicão, 03 Ago (LUSA) - Dezasseis directores de museus nacionais subscreveram um abaixo-assinado em que põem em causa declarações e posições de Dalila Rodrigues, a directora do Museu Nacional de Arte Antiga a quem não foi renovada a comissão de serviço, segundo documento a que a agência Lusa teve hoje acesso.

Dalila Rodrigues “tem, por diversas vezes, passado a imagem pública de que tal ideia (autonomia financeira e gestão dos museus) merecia a concordância de outros directores de museus nacionais, assumindo, de certa forma, uma posição de representação da classe museológica portuguesa, de que ela própria se reconhece o direito de liderar”, diz a determinado passo o documento.

Os subscritores salientam, mais à frente, que Dalila Rodrigues era directora “apenas há três anos” e que nenhum dos 16 directores conferiu “poderes de representação à directora do Museu Nacional de Arte Antiga como porta-voz da classe museológica portuguesa a que igualmente pertencem, nem lhe reconhecem esse papel a que se arroga”.

Na quarta-feira, o director do Instituto dos Museus e Conservação, Manuel Bairrão Oleiro, comunicou à directora do Museu de Arte Antiga, Dalila Rodrigues, que a sua comissão de serviço não seria renovada.

A decisão motivou críticas do CDS/PP e do PSD e a realização de uma vigília de protesto junto ao Museu.

Paulo Henriques, actual director do Museu Nacional do Azulejo, sucederá a 01 de Setembro a Dalila Rodrigues à frente do Museu Nacional de Arte Antiga.

EYM.

Lusa/Fim

in Sapo Notícias



1. Mete-me nojo a tomada de posição de determinadas pessoas quando sentem o chão fugir-lhes debaixo dos pés. Os 16 tomaram agora uma posição mediática, mas não o fizeram das outras “diversas vezes”.

2. Dalila Rodrigues deve consultá-los, aos Senhores, antes de dizer o que pensa.

3. Segundo os 16 Dalila Rodrigues “tem, por diversas vezes, passado a imagem pública de que tal ideia (autonomia financeira e gestão dos museus) merecia a concordância de outros directores de museus nacionais”… E será mentira? Será que "outros directores” são os 16?

4. Dizem os Senhores que nenhum dos 16 directores “conferiu poderes de representação à directora do Museu Nacional de Arte Antiga como porta-voz da classe museológica portuguesa a que igualmente pertencem, nem lhe reconhecem esse papel a que se arroga”. E a eles, quem lhes outorgou poderes ou reconheceu capacidades para contestar as posições de Dalila Rodrigues? Será que os 16 são “a classe museológica portuguesa”?

5. Não conheço pessoalmente Dalila Rodrigues. Escrevo estes apontamentos apenas porque sinto asco pela subserviência.


admário costa lindo

1 de agosto de 2007

A Palanca-negra sobrevive!



Temia-se que a Palanca-negra-gigante, ex-libris nacional, estivesse extinta.

Em 2005 foram apresentadas fotografias deste antílope, endémico de Angola, captadas no Parque Nacional de Cangandala por uma expedição promovida pelo Centro de Estudos de Investigação Científica da Universidade Católica de Angola que contou com uma equipa de pesquisadores sul-africanos, representantes do Governo provincial de Malanje e da Fundação Kissama e o apoio do Fundo das Nações Unidas Para o Desenvolvimento - PNUD.

Mesmo assim os temores continuaram, até há muito pouco tempo.

Finalmente uma manada composta por doze palancas-negras-gigantes foi avistada recentemente por populares da comuna do Luando, município do Kuemba, 273 quilómetros a leste da cidade do Kuito, na província do Bié.

A existência de palancas negras gigantes ficou também provada pelos resultados de análises de DNA realizadas a excrementos e pêlos encontrados na Reserva de Cangandala, cinco dos quais cientificamente comprovados como pertencentes a palancas-negras-gigantes.

A palanca-negra-gigante está incluída no Anexo I da CITES (revisão de 4.03.2007) e na Lista Vermelha 2006 da IUCN, classificada como CR.

admário costa lindo

fonte:
Angop

30 de julho de 2007

Isto é só para Angolanos!

Conferência no Porto sobre as eleições em Angola
- 200 angolanos de primeira e alguns de segunda



Hoje à tarde, na Faculdade de Economia do Porto (Portugal) realizou-se uma conferência sobre o processo eleitoral em Angola. Caetano de Sousa, presidente da Comissão Nacional Eleitoral (CNE), foi o orador principal do evento ao qual compareceram cerca de 200 angolanos de primeira e mais meia dúzia de segunda.

Com uma hora de atraso, o encontro começou com o aplauso da assistência à entrada do Embaixador de Angola, Assunção Afonso Sousa dos Anjos, bem como das cônsules em Lisboa e no Porto, respectivamente Elisabeth Simbrão e Maria de Jesus dos Reis Ferreira, e ao orador convidado.

Por deficiências sonoras, que nada preocuparam a assistência, pouco percebi do que disse o Embaixador ou do que afirmou Caetano de Sousa. Também é certo que, diga-se em abono da verdade, abandonei a sessão no início da intervenção do presidente da CNE.

E abandonei a sessão porque descobri que, afinal, o meu lugar não era ali. E descobri graças à oportuna explicação de gente ligada à organização, presumo que do Consulado no Porto.

Explico. No meio dos tais 200 cidadãos presentes estavam pouco mais de meia dúzia de brancos, mesmo contando com o meu velho amigo Ricardo Pereira que ali se encontrava a fotografar ao serviço do Consulado.

Durante a sessão algumas pessoas foram distribuindo pela assistência um pequeno papel que, tempos depois recolhiam. Presumo que se tratava de perguntas sobre o processo eleitoral e destinadas aos oradores.

Reparei (talvez por deficiência profissional) que esses papéis não eram entregues aos cidadãos brancos que, se não eram angolanos eram, pelo menos, amigos de Angola. Não creio que estivessem ali como penetras apenas para o faustoso beberete que estava a ser montado para o fim da festa.

Interpelei então uma das pessoas que distribuía os ditos papéis, perguntando-lhe se eu não teria direito a um deles.

A resposta foi clara e inequívoca:

“- Isto é só para angolanos”.

A tradução desta afirmação é fácil, já que nenhum dos 200 cidadãos presentes trazia qualquer rótulo a dizer: “Sou angolano”. Ou seja, queria dizer: “Isto é só para angolanos negros”.

Assim sendo, e porque sou angolano… mas branco, não tive outro remédio que não fosse abandonar a sala. Triste, é certo. Magoado, é claro. Mas como nada posso fazer quanto ao local em que nasci, ao país que amo, e muito menos quanto à minha cor, a solução foi vir embora.

28.07.2007
Orlando Castro
in
Alto Hama



A raça no Bilhete de Identidade parecia uma brincadeira. Mas não era. Otyiri muene.

Afinalmente aparece outra: angolano tem que ser negro; para ter todos os direitos e regalias da angolanidade só sendo negro, nem que seja pintado.

O Mário, filho de um grande avilo meu, que nasceu em Angola mas de ascendência angolana, portuguesa e macaense, não é negro. Portanto, se estivesse na Conferência do Porto não teria recebido o papelinho.

Mas quem garante aos promotores da Conferência que aqueles que receberam o papelinho eram (todos) angolanos?

Não sabiam que também há negros portugueses?

Por que carga de água é que um branco nascido em Angola, só porque é branco não há-de ser angolano?

E por que carga de água um negro nascido em Portugal, só porque é negro não há-de ser português?

Alguém sabe responder?

admário costa lindo