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4 de agosto de 2007

16 Cavaleiros com as Barbas de Molho

Museus: 16 directores contestam posições de Dalila Rodrigues
3 de Agosto de 2007, 22:13

Famalicão, 03 Ago (LUSA) - Dezasseis directores de museus nacionais subscreveram um abaixo-assinado em que põem em causa declarações e posições de Dalila Rodrigues, a directora do Museu Nacional de Arte Antiga a quem não foi renovada a comissão de serviço, segundo documento a que a agência Lusa teve hoje acesso.

Dalila Rodrigues “tem, por diversas vezes, passado a imagem pública de que tal ideia (autonomia financeira e gestão dos museus) merecia a concordância de outros directores de museus nacionais, assumindo, de certa forma, uma posição de representação da classe museológica portuguesa, de que ela própria se reconhece o direito de liderar”, diz a determinado passo o documento.

Os subscritores salientam, mais à frente, que Dalila Rodrigues era directora “apenas há três anos” e que nenhum dos 16 directores conferiu “poderes de representação à directora do Museu Nacional de Arte Antiga como porta-voz da classe museológica portuguesa a que igualmente pertencem, nem lhe reconhecem esse papel a que se arroga”.

Na quarta-feira, o director do Instituto dos Museus e Conservação, Manuel Bairrão Oleiro, comunicou à directora do Museu de Arte Antiga, Dalila Rodrigues, que a sua comissão de serviço não seria renovada.

A decisão motivou críticas do CDS/PP e do PSD e a realização de uma vigília de protesto junto ao Museu.

Paulo Henriques, actual director do Museu Nacional do Azulejo, sucederá a 01 de Setembro a Dalila Rodrigues à frente do Museu Nacional de Arte Antiga.

EYM.

Lusa/Fim

in Sapo Notícias



1. Mete-me nojo a tomada de posição de determinadas pessoas quando sentem o chão fugir-lhes debaixo dos pés. Os 16 tomaram agora uma posição mediática, mas não o fizeram das outras “diversas vezes”.

2. Dalila Rodrigues deve consultá-los, aos Senhores, antes de dizer o que pensa.

3. Segundo os 16 Dalila Rodrigues “tem, por diversas vezes, passado a imagem pública de que tal ideia (autonomia financeira e gestão dos museus) merecia a concordância de outros directores de museus nacionais”… E será mentira? Será que "outros directores” são os 16?

4. Dizem os Senhores que nenhum dos 16 directores “conferiu poderes de representação à directora do Museu Nacional de Arte Antiga como porta-voz da classe museológica portuguesa a que igualmente pertencem, nem lhe reconhecem esse papel a que se arroga”. E a eles, quem lhes outorgou poderes ou reconheceu capacidades para contestar as posições de Dalila Rodrigues? Será que os 16 são “a classe museológica portuguesa”?

5. Não conheço pessoalmente Dalila Rodrigues. Escrevo estes apontamentos apenas porque sinto asco pela subserviência.


admário costa lindo

1 de agosto de 2007

A Palanca-negra sobrevive!



Temia-se que a Palanca-negra-gigante, ex-libris nacional, estivesse extinta.

Em 2005 foram apresentadas fotografias deste antílope, endémico de Angola, captadas no Parque Nacional de Cangandala por uma expedição promovida pelo Centro de Estudos de Investigação Científica da Universidade Católica de Angola que contou com uma equipa de pesquisadores sul-africanos, representantes do Governo provincial de Malanje e da Fundação Kissama e o apoio do Fundo das Nações Unidas Para o Desenvolvimento - PNUD.

Mesmo assim os temores continuaram, até há muito pouco tempo.

Finalmente uma manada composta por doze palancas-negras-gigantes foi avistada recentemente por populares da comuna do Luando, município do Kuemba, 273 quilómetros a leste da cidade do Kuito, na província do Bié.

A existência de palancas negras gigantes ficou também provada pelos resultados de análises de DNA realizadas a excrementos e pêlos encontrados na Reserva de Cangandala, cinco dos quais cientificamente comprovados como pertencentes a palancas-negras-gigantes.

A palanca-negra-gigante está incluída no Anexo I da CITES (revisão de 4.03.2007) e na Lista Vermelha 2006 da IUCN, classificada como CR.

admário costa lindo

fonte:
Angop

30 de julho de 2007

Isto é só para Angolanos!

Conferência no Porto sobre as eleições em Angola
- 200 angolanos de primeira e alguns de segunda



Hoje à tarde, na Faculdade de Economia do Porto (Portugal) realizou-se uma conferência sobre o processo eleitoral em Angola. Caetano de Sousa, presidente da Comissão Nacional Eleitoral (CNE), foi o orador principal do evento ao qual compareceram cerca de 200 angolanos de primeira e mais meia dúzia de segunda.

Com uma hora de atraso, o encontro começou com o aplauso da assistência à entrada do Embaixador de Angola, Assunção Afonso Sousa dos Anjos, bem como das cônsules em Lisboa e no Porto, respectivamente Elisabeth Simbrão e Maria de Jesus dos Reis Ferreira, e ao orador convidado.

Por deficiências sonoras, que nada preocuparam a assistência, pouco percebi do que disse o Embaixador ou do que afirmou Caetano de Sousa. Também é certo que, diga-se em abono da verdade, abandonei a sessão no início da intervenção do presidente da CNE.

E abandonei a sessão porque descobri que, afinal, o meu lugar não era ali. E descobri graças à oportuna explicação de gente ligada à organização, presumo que do Consulado no Porto.

Explico. No meio dos tais 200 cidadãos presentes estavam pouco mais de meia dúzia de brancos, mesmo contando com o meu velho amigo Ricardo Pereira que ali se encontrava a fotografar ao serviço do Consulado.

Durante a sessão algumas pessoas foram distribuindo pela assistência um pequeno papel que, tempos depois recolhiam. Presumo que se tratava de perguntas sobre o processo eleitoral e destinadas aos oradores.

Reparei (talvez por deficiência profissional) que esses papéis não eram entregues aos cidadãos brancos que, se não eram angolanos eram, pelo menos, amigos de Angola. Não creio que estivessem ali como penetras apenas para o faustoso beberete que estava a ser montado para o fim da festa.

Interpelei então uma das pessoas que distribuía os ditos papéis, perguntando-lhe se eu não teria direito a um deles.

A resposta foi clara e inequívoca:

“- Isto é só para angolanos”.

A tradução desta afirmação é fácil, já que nenhum dos 200 cidadãos presentes trazia qualquer rótulo a dizer: “Sou angolano”. Ou seja, queria dizer: “Isto é só para angolanos negros”.

Assim sendo, e porque sou angolano… mas branco, não tive outro remédio que não fosse abandonar a sala. Triste, é certo. Magoado, é claro. Mas como nada posso fazer quanto ao local em que nasci, ao país que amo, e muito menos quanto à minha cor, a solução foi vir embora.

28.07.2007
Orlando Castro
in
Alto Hama



A raça no Bilhete de Identidade parecia uma brincadeira. Mas não era. Otyiri muene.

Afinalmente aparece outra: angolano tem que ser negro; para ter todos os direitos e regalias da angolanidade só sendo negro, nem que seja pintado.

O Mário, filho de um grande avilo meu, que nasceu em Angola mas de ascendência angolana, portuguesa e macaense, não é negro. Portanto, se estivesse na Conferência do Porto não teria recebido o papelinho.

Mas quem garante aos promotores da Conferência que aqueles que receberam o papelinho eram (todos) angolanos?

Não sabiam que também há negros portugueses?

Por que carga de água é que um branco nascido em Angola, só porque é branco não há-de ser angolano?

E por que carga de água um negro nascido em Portugal, só porque é negro não há-de ser português?

Alguém sabe responder?

admário costa lindo

7 de julho de 2007

Faleceu Luísa Rangel

A jornalista Luísa Rangel, que trabalhou na RDP durante quase vinte anos, faleceu hoje em Lisboa aos 70 anos, vítima de cancro.

Natural do Porto, onde nasceu em 1936, Luísa Rangel trabalhou em Angola no Rádio Clube da Huila e foi co-fundadora da Rádio Comercial de Angola.

De regresso a Portugal, Luísa Rangel integrou os quadros da RDP em 1976 onde trabalhou como jornalista até meados dos anos 1990.

Dirigente sindical no Sindicato dos Jornalistas e formadora no Cenjor, depois de ter rescindido com a RDP, Luísa Rangel foi ainda assessora da provedora da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, Maria do Carmo Romão, a partir de 1996.

O corpo de Luísa Rangel estará em câmara ardente a partir das 16:00 de domingo na Basília da Estrela, em Lisboa, de onde sairá o funeral, segunda-feira às 17:30, para o cemitério dos Olivais, também na capital.

SS.

Lusa

30 de junho de 2007

Bazooka Joe

Na minha infância a ânsia na compra das xuingas não derivava apenas do supremo gozo de adocicar a salivação. Era maior o prazer de desvendar qual a tira de BD que nos iria caber do embrulho. A xuinga não seria doce, o sabor passaria despercebido, se nos calhasse uma tira repetida e, pior ainda, se não servisse a nenhum dos amigos, para troca. E, nacionalistas inconscientes, chamávamos-lhe Bazóka Jói, canhestros que éramos no linguajar do Sr Sam. Conhecíamos o Bazooka Joe, a roupa de fardo e o John Wayne. E gostávamos das três coisas, sem interiorizarmos a sua origem.

A vida correu e um dia destes o Bazooka Joe saltou das tiras e chegou a Portugal, de cheques em punho, disposto a comprar tudo: de governantes a centros culturais, de clubes de futebol a partidos políticos (não demora, descansem!). Disposto a conquistar Portugal coisa que ninguém conseguiu, até hoje, pela força de (outras) armas.

O Bazooka entaramela a língua sempre que necessita de se exprimir em português, como nós candengues fazíamos com o inglês. Mas tem, em contrapartida, a conta bancária recheada e comprou obras de arte a rodos, diz-se. Adquiriu também – e em conjunto com os quadros, estilo dois-em-um – uma indisfarçável gaguez intelectual: pensa que, com o acervo de quadros, possui bacharelato em Cultura. Mas não passa de um podre diabo e, pior ainda, convencido de ser Alguém. Há muito quem o venere mas desses sabemos nós a história toda.

Há, no entanto, alguém que o Bazooka não conseguiu comprar porque, sei-o eu e alguns mais, esse não está à venda. É uma daquelas pessoas que não necessita de acenar com a caderneta de cheques para provar quanto vale.

O facto de António Mega Ferreira se ter distanciado do Bazooka só abona a favor da nossa sanidade colectiva.

admário costa lindo

1 de junho de 2007

Dia da Criança

No Dia da Criança, para que os mais novos tenham uma ideia aproximada da evolução dos tempos, aqui deixo esta previsão:

Quando as crianças de hoje chegarem à idade da Reforma - e pelo andar da carruagem - a Lei da Segurança Social dirá, a certa altura do clausulado - o seguinte:


Artº X.


O Direito à Pensão de Reforma, salvo os casos de membros do Governo e do Poder Local, dos Tribunais, Presidência da República e restantes órgãos de soberania, bem como dos órgãos dirigentes dos partidos e sindicatos legitimamente reconhecidos pelo Estado, prescreve ao fim de 6 meses.

§ único. Os Pensionistas que, à data do termo deste direito, estejam ainda vivos, deverão requerer instrução de processo de Aplicação de Eutanásia para que o seu estado de vida se complete.


Alguns dirão que é de muito mau gosto, no dia dedicado à criança, apresentar tanto pessimismo, em lugar de organizar muitas festinhas com balões, chocolates, rebuçados e tudo.

Eu não embarco nessa! Enaltecer verdadeiramente a Vida que as Crianças têm pela frente, será fazer tudo para que esta situação seja, na verdade, de muito mau gosto.


admário costa lindo

28 de maio de 2007

Depois de Maiakovski


Maiakovski

Poeta russo “suicidado” após a revolução de Lenin… escreveu, ainda no início do século XX:

Na primeira noite, eles se aproximam
E colhem uma flor de nosso jardim.
E não dizemos nada.


Na segunda noite, já não se escondem,
Pisam as flores, matam nosso cão.
E não dizemos nada.

Até que um dia, o mais frágil deles, entra
Sozinho em nossa casa, rouba-nos a lua,
E, conhecendo o nosso medo,
Arranca-nos a voz da garganta.

E porque não dissemos nada,
Já não podemos dizer nada.

Depois de Maiakovski …

Primeiro levaram os negros
Mas não me importei com isso
Eu não era negro

Em seguida levaram alguns operários
Mas não me importei com isso
Eu também não era operário

Depois prenderam os miseráveis
Mas não me importei com isso
Porque eu não sou miserável

Depois agarraram uns desempregados
Mas como tenho meu emprego
Também não me importei

Agora estão me levando
Mas já é tarde.
Como eu não me importei com ninguém
Ninguém se importa comigo.

Bertold Brecht (1898-1956)

Um dia vieram e levaram meu vizinho que era judeu.
Como não sou judeu, não me incomodei.

No dia seguinte, vieram e levaram
meu outro vizinho que era comunista.
Como não sou comunista, não me incomodei.

No terceiro dia vieram e levaram meu vizinho católico.
Como não sou católico, não me incomodei.

No quarto dia, vieram e me levaram;
já não havia mais ninguém para reclamar…

Martin Niemöller, 1933
- símbolo da resistência aos nazistas.

Primeiro eles roubaram nos sinais, mas não fui eu a vítima;
Depois incendiaram os ônibus, mas eu não estava neles;
Depois fecharam ruas, onde não moro;
Fecharam então o portão da favela, que não habito;
Em seguida arrastaram até a morte uma criança, que não era meu filho…

Cláudio Humberto, em 09 FEV 2007

O que os outros disseram, foi depois de ler Maiakovski.

Incrível é que, após mais de cem anos, ainda nos encontremos tão desamparados, inertes e submetidos aos caprichos da ruína moral dos poderes governantes, que vaporizam o erário, aniquilam as instituições e deixam aos cidadãos os ossos ruídos e o direito ao silêncio: porque a palavra, há muito se tornou inútil…

- até quando?


( composição de autor desconhecido, recebida por email)

26 de maio de 2007

Criança Indigo na ONU

A Cimeira da TerraECO’92, que se realizou no Rio de Janeiro, teve como pano de fundo o drama ambiental que a Amazónia vivia (e continua a viver) com a destruição impúdica e assassina da sua área florestal, provocada maioritariamente pelo alargamento das áreas de exploração agropecuária e a extracção de madeiras exóticas destinadas aos países ricos.

Dessa conferência recordo particularmente, como se o estivesse a ler pela primeira vez, o discurso proferido por uma criança da ECO. Nunca o tinha ouvido - de viva voz - e digo-vos que o som é incomensuravelmente mais emocionante do que as letras dos jornais da época.

Hoje recebi uma mensagem da minha Professora Dª Maria Albertina Coelho Estácio, com uma mensagem (que vou passar a transcrever) e a ligação ao vídeo (que também segue já). Decidi publicar a mensagem porque sei que a autora, mais do que para mim, pretende que ela seja global.

O gosto que manifesto pela linguística e pela literatura a esta Senhora o devo. Tínhamo-nos “perdido” na voragem do tempo e do espaço. Voltámos a saber um do outro há relativamente pouco tempo - precisamente por via deste meio que utilizamos agora - e encantou-me descobrir que a Dª Maria Albertina continua a ser (e penso que nunca o deixará de ser) a Minha Professora do secundário. E, para além do mais, agradou-me verificar que não parou no tempo… nem podia, sendo como é: uma pessoa que sabe, do futuro, aquilo que há de melhor no passado – o saber da vida. Coisa que, pelos vistos, é de muito difícil assimilação por quem governa e determina os destinos do Mundo – Nós, os viventes actuais.

Antes de ler a mensagem da Dª Maria Albertina vejam o vídeo que se mostra, dia a dia e infelizmente, cada vez mais actual.

“Compartilho, pois é de extrema importância para o futuro de nossa Casa Maior - Gaya - este belo planeta a que chamamos Terra, de uma riqueza e diversidade incalculáveis e que está sendo delapidado a uma velocidade cada vez maior, com altíssimo risco para todos os seus habitantes, nós incluídos, claro! E, por incrível que pareça, somos os mais ameaçados! Quem se dá conta disso?!!! Refletir sobre tudo isso e sobretudo sobre a nossa quota de responsabilidade nessa destruição é muito importante! Qual a nossa escolha? Continuarmos omissos ou adotar um comportamento ecológico, baseado na simplicidade voluntária e através dele procurar sensibilizar e conscientizar, pelo menos aqueles que estejam mais próximos de nós, quanto à responsabilidade de cada um na recuperação e manutenção da nossa única Casa. Não há saída pois não há outro lugar para se ir. Embora haja queixas de que já encontramos muitas coisas erradas, que fizemos para as corrigir? Que herança deixaremos para as futuras gerações, se elas tiverem possibilidade de aqui nascer?

Essa criança que corajosamente interpelou os representantes da maioria dos países na ONU, é um ótimo exemplo. Basta que alguns façam grandes coisas! Porém, se cada um de nós fizer as pequenas, por muito insignificantes que as achemos, muito será feito e será conseguido. Confio em que todos juntos fiaremos com a Vida e Ela nos ajudará a conquistar o direito de recuperar o que foi depredado, salvar o que está ameaçado e preservar o que de bom ainda existe, para o nosso bem e o bem-estar de todos sem exceção.

Com muito carinho

Maria Albertina”


Saiba mais sobre a Cimeira da Terra
[clicar nas imagens]

un.brasilia FolhaGilPortugal

daEco92aRio+10Wamani

14 de maio de 2007

Avilos & Outros Kambas



















Como os amigos do Angola Haria já repararam, desapareceram da coluna da direita os índices “Avilos”, “Sítios Úteis” e “+ Imagens de Angola”.

Passaram para a nova página “Avilos & Outros Kambas”, com acesso por “As Outras Páginas”, “1. Diversas”.

Na página “Avilos & Outros Kambas” continuam todos os links, provisoriamente dispostos como aqui estavam.

Existirá um artigo para cada sítio (mas não para todos, estando neste caso incluídos os institucionais e similares), com os seus dados característicos e um curto comentário.

Quando a nova estrutura estiver completa o acesso far-se-á da seguinte forma:

1. Na coluna da direita (índice temático) haverá um link para o artigo da página;

2. No artigo da página haverá um link - na imagem - para acesso ao sítio respectivo.

Boas leituras.

admário costa lindo

2 de maio de 2007

Angola na 116ª Conferência da UIP



Decorre em Bali, na Indonésia, entre 30 de Abril e 4 de Maio, a 116ª Conferência da União Inter-Parlamentar (UIP), subordinada ao tema “Aquecimento Global – Dez Anos Depois de Kyoto”.

Angola está representada por uma delegação chefiada pelo Presidente da Assembleia Nacional, Roberto de Almeida e composta pelos deputados Bernarda da Silva, Ângela Bragança, Manuel Lourenço, Armando Machado e José Kativa.

Manuel Lourenço defendeu, na Comissão de Desenvolvimento Sustentável, Finanças e Comércio, a promoção de políticas sustentáveis com vista ao combate ao desemprego e à pobreza, adiantando que o desenvolvimento de políticas agrícolas duradouras pode dar uma importante contribuição para a criação de empregos, nomeadamente nos países em vias de desenvolvimento, onde a grande maioria da população é camponesa: "A agricultura tradicional reduz a dependência alimentar e pode criar excedentes para a troca, o que, em última instância, significa geração de rendimentos e redução da pobreza nos seus aspectos económicos". Segundo Lourenço, o grande desafio do futuro no que concerne a este combate passa pela elaboração de planos nacionais que articulem os sistemas de ensino e formação, a evolução tecnológica e a procura de mão-de-obra pelo sistema produtivo.

Armando Machado dissertou, na Comissão de Democracia e Direitos Humanos sob o lema" Promoção da Diversidade e da Igualdade de Direitos Para Todos", sobre os últimos desenvolvimentos registados em Angola em matéria de garantia de direitos humanos e reforço da democracia. Segundo este deputado, desde a realização das primeiras eleições gerais em 1992, o país regista um crescimento na participação dos cidadãos na vida política activa e no exercício dos seus direitos. Afirmou ainda que o sistema eleitoral angolano, sobretudo o referente à eleição do parlamento, estabelece um conjunto de regras que não permite qualquer tipo de discriminação com base nas diferenças de sexo, opções políticas, religiosas ou étnicas e que a legislação eleitoral actual prevê nas listas de candidatos a deputados uma percentagem de ambos os sexos não inferior a 50 por cento.

Na Sessão Plenária Roberto de Almeida defendeu uma acção fiscalizadora mais activa dos parlamentos mundiais no controlo dos actos dos governos com incidência sobre o ambiente. Almeida explicou que esta sua posição é cada vez mais justificada face à ameaça da sobrevivência humana, resultante da degradação dos recursos naturais, da extinção de espécies da fauna e da flora selvagens e da subida das temperaturas causada pela emissão de gases poluentes, tudo isto provocado pela acção humana. Roberto de Almeida atribuiu aos países desenvolvidos o maior peso de responsabilidade por esta degradação, uma vez que são eles os responsáveis pela maior parte das emissões de gases com efeito estufa, desde a Revolução Industrial.

A UIP, sediada em Genebra, na Suiça, foi criada em 1889 com o objectivo de promover contactos e troca de experiências entre Parlamentos.





fontes:






27 de abril de 2007

Góis & Giestas juntas


Exposição Conjunta
de 27 de Abril a 30 de Julho
... mas só no Brasil...
que pena!
digo eu...
... mesmo assim pode ter uma pequena panorâmica das obras, linkando nos nomes das artistas.
actualização 29.04.2007
As imagens da Exposição já estão disponíveis.
Basta ir à página do ArtHaria, ou linkar no nome Maria Góis (acima).

18 de abril de 2007

Plástico Assassino




Façamos de conta.

Imagine-se na pele de uma tartaruga, qualquer que seja a espécie.

Com a placidez natural com que a Natureza o(a) dotou você vagueia, literalmente, como tartaruga-marinha nas águas imensas do seu habitat.

Subitamente avista à sua frente um delicioso petisco, ondulante, gelatinoso e transparente, uma medusa, a sua base alimentar. Veio mesmo a calhar. Aproxima-se e abocanha-o com sofreguidão.

Mas que é isto? Há qualquer coisa de errado com esta medusa, no sabor e, agora reparou, na textura...

Você, tartaruga, não sabe dos milagres inventados pelo Homo dito sapiens. Nunca virá a saber que este género (super)predador inventou uma coisa chamada plástico. É disso que você está a tentar desembaraçar-se. Infrutiferamente.

Você vai morrer asfixiado(a)...


... Agora que já voltou à sua condição anterior de Homem, pense nisto:



O plástico é um perigo mortal para as tartarugas.



Atente bem no destino que dá aos sacos de plástico onde transportou o frango, as hortaliças ou a fruta.



O plástico é um produto não-biodegradável.

Demora entre 200 e 500 anos a degradar-se.


Sempre que se veja forçado a utilizar sacos de plástico guarde-os e reutilize-os.

De preferência utilize sacos de papel reciclado ou reciclável.

Pela sua Saúde, pela preservação da sua própria espécie, trate a Natureza como se do seu próprio sangue fosse. Afinal você é uma das inúmeras Maravilhas da Natureza.

No sítio da Corrida http://www.greatturtlerace.com/ siga estes links:

»» Leatherback World: On The Brink

»» Enter the Leatherback World

»» Phooey on Plastic Bags (2º Triângulo a contar do cimo)

admário costa lindo
última actualização: 18.04.2007 22H00



Corrida de Tartarugas




Sabiam, os leitores do Angola Haria, que está em curso uma corrida de Tartarugas-de-couro?

Não é nada que se compare a outras competições em que se exploram as capacidades de certos animais – de velocidade, guerreiras e outras – para fins meramente comerciais.

Pretende-se com esta corrida alertar para os perigos que espreitam estes répteis e angariar simpatias e fundos para a sua preservação.

A corrida é a migração normal destas tartarugas, que partiram há três dias da costa ocidental da Costa Rica em direcção às praias de nidificação, nas Galápagos.

O decurso da corrida pode ser acompanhado pela Internet em


onde também se poderá saber mais sobre tudo isto, explorando todas as possibilidades que a página oferece.


Veja também

admário costa lindo

16 de março de 2007

Alguma Cultura para Ver





Cidades da CPLP – Gravuras do Arquivo Histórico Ultramarino

Quem vive perto e ainda não visitou, aproveite porque termina já a 21 de Março, exposição de imagens que resultam do lançamento de um álbum comemorativo do 10º Aniversário da CPLP, uma iniciativa conjunta do Instituto de Investigação Científica Tropical e da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa e que contém reproduções de gravuras antigas das cidades dos oitos Estados da CPLP. No Jardim Tropical.

mais informações na Agenda Lx (clique em +info)





Lisboa - Luanda - Maputo

Até 24 de Abril, exposição de trabalhos de pintura, escultura, fotografia, vídeo e instalação que pretende reflectir os laços e afinidades entre três países da lusofonia – Angola, Moçambique e Portugal. A mostra inclui artistas portugueses, angolanos e moçambicanos do contexto da arte contemporânea.

mais informações na Agenda Lx (clique em +info)




Entre a Palavra e a Imagem

Até 29 de Abril, exposição produzida pelo Museu da Cidade/C. M. de Lisboa, pretende traçar um panorama das experiências entre a palavra e a imagem no trabalho de artistas portugueses, brasileiros e espanhóis.


mais informações na Agenda Lx (clique em +info)



Jordi Burch - Estamos juntos!

Até 29 de Junho, o fotógrafo catalão radicado em Portugal Jordi Burch expõe na ARCO imagens captadas em Angola, Portugal, Brasil, Antárctida, Marrocos, Peru e Espanha ao longo de alguns anos e muitas viagens.


mais informações na Agenda Lx (clique em +info)


veja um Portfolio

10 de março de 2007

As cores todas

Já conheço o KoresdAfrika, o site, de cor e salteado. Estão lá as cores todas.

A Exposição do Jorge Miranda será, estou certo disso, uma revisitação às cores que nós tivemos o supremo privilégio de beber in loco:




"sente-se o vento que nos fustiga o rosto com picos de areia perfurantes.
apalpa-se a erosão no desgastar das rochas.

Estranhos relevos.
almofadas ondulantes de veludo ou esquinantes limas abrasivas,
contramaré na monotonia da planura infinda queimada pelo sol sedento.

A este não é premente fixá-lo olho a olho por perigo de cegueira,
basta admirar as novas cores os vermelhos os laranjas e os
dourados de aguarela nos morros calcinados pelo tempo.

Pegue-se uma moldura em madeira pintada a ouro
e coloque-se de encontro à paisagem:
da direita para a esquerda ou da esquerda para a direita, tanto faz,
uma pincelada de ocre abarca os dois terços superiores do quadro.
à direita baixa uma mancha vertical em azul-verde esmeralda.
à esquerda, partindo de baixo, quatro barras horizontais evoluem
do vermelho ao amarelo-alaranjado"


o Namibe
in o bico-de-lacre e o tarrote


Jorge Miranda no ArtAfrica
(busca por António Jorge Miranda)


admário costa lindo

9 de março de 2007

Exposição Kores d'África




EXPOSIÇÃO DE

JORGE MIRANDA











NO HOTEL TIVOLI SINTRA

DE 31 DE MARÇO A 15 DE ABRIL


Reflexão e Apelo




Amigos,

Nesta comunidade virtual a que todos pertencemos, uns conhecendo-nos já pessoalmente e outros não, trocamos frequentemente, mensagens, imagens, vídeos, músicas, anedotas, informações, etc. Muitas vezes somos aliciados a participar em correntes religiosas de amor ao próximo ou cadeias de solidariedade, algumas até de objectivos duvidosos, por ou para pessoas que nem sequer conhecemos e ainda assim o fazemos. Nestas actividades, utilizamos muito do pouco tempo de lazer de que dispomos nas nossas vidas, mas ocorre-me perguntar hoje aqui, até que ponto estamos a utilizar estes meios tecnológicos maravilhosos de que dispomos hoje em dia, para fazer algo de realmente útil e positivo pelo nosso próximo e semelhante? Ou será, que à força de tanto focarmos a nossa atenção no monitor à nossa frente, de forma assaz obsessiva, não nos tornamos um pouco autistas, deixando de ver o que se passa realmente à nossa volta?

Muitos de nós partilhamos interesses e gostos comuns, principalmente no que respeita a Angola em particular e à África em geral, pelo facto de termos compartilhado no passado um espaço comum e pelas vivências e emoções desta forma adquiridas. Gostamos ainda, depois de tantos anos, dos sons e sabores africanos e temos imensas saudades dos seus cheiros e das suas cores, ao ponto de não perdemos uma oportunidade para os poder reviver. Apregoamos inclusivamente, a quem queira ouvir, que a “Maneira de Ser e de Estar do Pessoal” que viveu em África e nomeadamente em Angola - que é a minha experiência, é diferente dos demais Europeus, por ser mais aberta, mais tolerante, mais solidária. Mas será isto efectivamente verdade? Somos mesmos mais solidários e capazes de ajudar o nosso próximo, ou tudo não passa de mais uma “balela”, de uma “fachada” ou de um mero auto-convencimento?

Vem isto a propósito, de ter sabido que um casal de angolanos, que partilha connosco o Espaço Virtual da Sanzalangola está a passar por uma situação financeira difícil e a enfrentar algumas dificuldades, que serão no entanto muito fáceis de resolver, se tal solidariedade existir de facto. São eles o Jorge Miranda e a Luisa Couto, ela já reformada e ele em vias de perder o emprego de que vive actualmente, dedicando-se ambos à pintura, por paixão é certo, mas também para poderem obter um complemento de vencimento. Devo admitir, que o Jorge tem o dom de recriar com muita qualidade, temas da vida e da paisagem angolana de outros tempos, além de outros claro, qualidade já reconhecida por muita gente. Eles não necessitam nem de pena nem de esmola, mas tão-somente, que as pessoas vejam, apreciem e adquiram alguns dos seus trabalho, pois se, como disse Confúcio, “a um pobre não se deve dar um peixe, mas sim uma vara e ensiná-lo a pescar”, eu humildemente acrescento, que é necessário que alguém compre também o pescado, pois a pesca, essa já foi realizada.

Na tentativa de ultrapassar essas dificuldades, ajudei-os a criar na Internet (já que pouco percebiam de informática, para o poderem fazer eles próprios), a Galeria virtual KoresdAfrika, (cliquem no link) na qual pudessem expor as suas obras e dar-lhes maior divulgação. Talvez ingenuamente acreditei que esse poderia ser um bom caminho, pois com essa ferramenta e integrando a comunidade de angolanos Sanzalangola, seria muito mais fácil dar a conhecer a sua obra e obter algumas encomendas, mas quero confessar-vos que estou muito triste e desiludido, não por falta de interesse em visualizar, pois já 1394 pessoas visitaram a Galeria até este momento, mas por falta das tão esperadas encomendas. Caramba, gasta-se tanto dinheiro em tanta porcaria que não serve rigorosamente para nada e não se compra uma de tão belas obras, que tem tanto daquilo de que se diz ter saudade! É por isso que me questiono hoje, se todas as afirmações feitas por e/ou em relação às pessoas originárias de Angola serão de facto verdadeiras.

Eu sei bem que o momento é de crise e que muitas outras pessoas têm dificuldades, quiçá talvez até superiores, mas será que de entre todos vós a quem me dirijo, não haverá alguém que vá ou queira remodelar a decoração da sua casa ou que possa e deseje adquirir uma dessas obras? Faço-vos um Apelo (não virtual, mas muito real desta vez) e deixo-vos também um repto – visitem a Galeria, apreciem o trabalho (algumas obras só atingem maior impacto quando visualizadas no tamanho máximo), comentem-no e se possível, adquiram alguma obra e, se por acaso a ideia que têm registada na vossa memória não estiver exactamente representada, falem com o artista e digam-lhe o quê e como gostavam de ver representado, que decerto ele terá muito gosto em vos fazer o “vosso quadro”, ao vosso gosto, dentro do que forem as suas limitações, obviamente. Tenho muita esperança, que alguns de vós poderão responder a este meu Apelo.

Por último devo esclarecer-vos, só para aquietar algumas mentes eventualmente mais suspeitosas, que não me movem quaisquer outros interesses neste assunto, para além da amizade e nem sequer os interessados sabem da minha iniciativa e assim gostaria que continuassem, pois conseguir ajudar um amigo, é por si só recompensa bastante. É evidente que só ajuda quem quer, mas como pode alguém esperar algum dia receber algo, se antes nunca foi capaz de dar nada de si aos outros?

Conto convosco

Nelo (José Caroça)

4 de março de 2007

Festas do Mar 2007




As tradicionais “Festas do Mar”, edição 2007, foram ontem inauguradas na cidade do Namibe. De antiga tradição com carácter cultural, recreativo e desportivo, as festas realizam-se na época de verão e foram este ano abertas com uma Exposição de produtos de agricultura, pescas, construção civil, petróleos e agro-pecuária.

Armando Valente, administrador municipal do Namibe e coordenador das festas, divulgou as novidades para este ano: "A feira terá um carácter recreativo, cultural e desportivo, pois no decorrer das festividades serão efectuadas várias actividades, com destaque para a montagem do equipamento de carrossel para a classe infantil e ainda a realização do Caldo do Poeira a partir da cidade da Welwitschia, que nesta região é denominado por Moio".

A edição 2007 decorre até 31 de Março.

fonte:

25 de fevereiro de 2007

Zeca, o Andarilho

crédito: Aroso/MC-Mundo da Canção




“Pela noite calada”, na madrugada do dia 23, a RTP emitiu um programa comemorativo do 20º aniversário da morte do Zeca.

Os poderes instituídos ainda não lhe deram o devido valor. Deles Zeca sempre teve razões de queixa, mas nunca se vergou.

Emitir um programa sobre José Afonso àquela hora da noite é uma afronta. Salvou-se a qualidade das intervenções e os testemunhos de, entre outros, Cristina Branco, José Jorge Letria, Otelo Saraiva de Carvalho, Ruy Vieira Nery, Viriato Telles – no estúdio – e Francisco Fanhais – em depoimento gravado… e a transmissão do Concerto do Coliseu.

Não obstante a ignóbil indiferença que a generalidade dos meios de comunicação social (1) vota a Zeca Afonso, foi gratificante ouvir o depoimento de alguns jovens que, ficamos a saber, vão beber a outras fontes a informação sobre O Andarilho.

E é por esse motivo, pela indiferença, que resolvi abrir uma página sobre o Zeca, no Angola Haria: “Amigo, Maior que o Pensamento”, assim se chama e acede-se a ela pela coluna da direita, em “As Outras Páginas” no título “Zeca, o Andarilho”.

Vou procurar incluir nesta nova página toda a informação que me for possível, até à exaustão. E tenho uma certeza: por falta de material a página não irá parar.

Isto vai forçar-me a reler tudo o que guardei sobre o Zeca. Desta forma e para economia de esforços, nenhum artigo publicado será definitivo – todos eles terão actualização permanente, de acordo com o avançar da pesquisa.

E é neste ponto que me recordo e vos conto que, com muita “raiva” minha, os meus arquivos anteriores a 1979 ficaram em Angola, algures numa secretária qualquer da DISA. Não consegui substituir a grande maioria desses documentos mas, mesmo assim, há material suficiente para contribuir, com o meu modesto trabalho, para a divulgação do Homem, do Poeta e do Músico – intemporal e transcontinental – que foi José Afonso, aquele que passou pela vida como um Andarilho da música e da palavra mas que, hoje tenho a certeza disso, venceu a Morte.

O Zeca será para sempre um “Amigo, Maior que o Pensamento”.


(1)
… com raríssimas e honrosas excepções: no momento em que escrevo este texto a RDP Antena 1 está a emitir um programa, chamado por António Macedo e Henrique Amaro “Venham Mais Cinco”, onde estes radialistas estão e passar e comentar (e com muita propriedade) 5 versões de temas do Zeca e respectivos originais. Neste preciso momento, 19H47, escuto a versão “Vozes da Rádio” de “Os Índios da Meia-Praia”.


admário costa lindo

27 de janeiro de 2007

Angola no século XIX




Aida Freudenthal, José Manuel Fernandes e Maria de Lurdes Janeiro. Angola no Século XIX, Cidades, Território e Arquitecturas. 200 pp, 45 euros.

Eis um álbum que, para além da vasta iconografia (os postais da colecção de João Loureiro), constitui um precioso contributo para a História de Angola. Graças ao texto, de tripla autoria, um longo ensaio, com ênfase na Arquitectura e no Urbanismo, nomeadamente de Luanda, mas não só. Atente-se nos capítulos: Urbanismo e arquitectura coloniais no século IXI e início do século XX: a «África Portuguesa»; Urbanismo em Angola no século XIX; Angola e o território e Angola, as cidades (Luanda, a cidade como estrutura geo-histórica, o Norte, o Centro e o Sul), Angola, as arquitecturas. A edição (graficamente muito cuidada) é dos autores, com o patrocínio de uma instituição bancária angolana (BFA) e da Fundação Portugal África.

JL-Jornal de Letras, Artes e Ideias, 17-30.01.2007



25 de janeiro de 2007

Requentado


Cheira-me a requentado.

Futebologicamente ando pelas bandas do 4X2X4. Já o meu amigo Nando é defensor acérrimo do 4X3X3. É bom de ver que não estamos sempre de acordo.

O nosso exercício de liberdade é a crítica mútua e a cada um daqueles sistemas. É um direito que nos assiste por vivermos num Estado de Direito, Democrático.

Eu digo mais: é um Direito Natural, independentemente do local onde se viva.

O que não é natural é que nem todos pensem e executem o exercício da liberdade no seu sentido universal. Há muito quem pratique mais o sentido umbilical da questão.

O senhor Manuel Portela, director do Teatro Académico de Gil Vicente, recusou o acolhimento do Espectáculo “Sós em Miami” do grupo Teatro em Movimento (TM), “com o argumento de que se tratava de um espectáculo panfletário”.

O que significa o conceito “panfletário”?

Quanto a mim, na prática quotidiana, “panfletário” é tudo aquilo que alguém (neste caso com poder para tal) detesta ou pretende impedir de se realizar, apresentar ou ver. Tudo aquilo que esse alguém aprecia, realiza, apresenta ou vê nunca é panfletário. Porque segue os trâmites do seu pensamento ideológico ou político.

A série televisiva “Floribella” não é panfletária! Não?

Leandro Vale, director e encenador do TM, acusou Portela de ter censurado o seu trabalho.

Manuel Portela diz que “a acusação não tem qualquer fundamento, a não ser que se entenda o não programar uma proposta como acto de censura”.

Na verdade Portela teria razão se a sua resposta ficasse por aí. Não programar uma peça não é, só por isso, um acto de censura. Porém o que se segue revela que Leandro Vale tem toda a razão:

”Não havia interesse especial em apresentar um texto dessa natureza”, justificou-se Portela, considerando o espectáculo “claramente pró-cubano e antiamericano, mas de uma forma primária”.

É ou não elucidativo?

Além do mais, o senhor Portela tem um conceito de censura bastante próprio:

”Fazer censura, na perspectiva de Portela, seria programar o espectáculo e, depois, cancelá-lo ou exigir a supressão de partes indesejadas”.

A censura é só isto!

A este respeito lembrei-me de dois factos, ocorridos em Portugal, não muito distantes na memória:

1 – As loas que se teceram aos “Versícuos Satânicos” de Salman Rushdie e o tratamento de “santo” que lhe foi concedido;

2 – A posição política do senhor Lara em relação a “O Evangelho Segundo Jesus Cristo” de Saramago e o tratamento de “diabo” que lhe foi concedido.

Ora digam se não cheira a requentado!


admário costa lindo

Novo Blogger

Caros leitores:

O Blogger mudou.

No sistema novo há ainda rectificações que terão que ser feitas por mim.

Se repararam na coluna da direita a acentuação das palavras trasnformou-se em hierógrlifos.

Peço-vos um pouco de paciência porque a coisa arranja-se.

Um abraço.

Admário Costa Lindo

17 de janeiro de 2007

"Fala do Homem Nascido"

crédito: Mário Monteiro Jaleco


Venho da terra assombrada,
do ventre da minha mãe;
não pretendo roubar nada
nem falar mal de ninguém…

Com licença! Com licença!
Que a barca se fez ao mar.
Não há poder que me vença.
Mesmo morto hei-de passar.

António Gedeão, “Fala do Homem Nascido”

Muito se tem falado sobre a questão do momento: o Aborto*. Assim mesmo, seja qual for o volteio que se pretenda dar à questão.

Toda a gente tem opinião própria, coisa louvável desde que ninguém pense ser senhor da verdade absoluta. Desde que ninguém pense que os seus direitos particulares devem prevalecer sobre todos os outros.

Andam no ar e no papel argumentos que vão desde as questões económicas à problemática do direito da mulher a dispor do próprio corpo.

Poucas vezes... melhor, quase nunca se escuta ou lê o seguinte:


Todo indivíduo tem direito à vida, à liberdade e à segurança pessoal.

Artigo 3° da Declaração Universal dos Direitos Humanos, aprovada em Roma a 4 de Novembro de 1950, em vigor desde 3 de Setembro de 1953 e ratificada por Portugal a 13 de Outubro de 1978.


1. Os Estados Partes reconhecem à criança o direito inerente à vida.

2. Os Estados Partes asseguram na máxima medida possível a sobrevivência e o desenvolvimento da criança.

Artigo 6º da Convenção sobre os Direitos da Criança, adoptada pela Assembleia Geral nas Nações Unidas em 20 de Novembro de 1989 e ratificada por Portugal em 21 de Setembro de 1990.


Este é o tempo
Da selva mais obscura

Até o ar azul se tornou grades
E a luz do sol se tornou impura

Esta é a noite
Densa de chacais
Pesada de amargura

Este é o tempo em que os homens renunciam.

Sophia de Mello Breyner Andresen



Escrevi este pequeno desabafo porque me sinto nascido.
Todos podem e devem manifestar-se, aqui. Quer se sintam nascidos… ou não!


admário costa lindo

*

O que eu queria dizer, na verdade: "liberalização do Aborto". - 22.01.2007

30 de dezembro de 2006

FELIZ 2007

crédito: Maria Júlia Jaleco
Tenho Esperança nas Crianças.
Espero ardentemente que consigam um Futuro Melhor.
Desejo a todos os amigos, colaboradores e leitores do Angola Haria
continuação de Boas Festas
e um FELIZ 2007
admário costa lindo

10 de dezembro de 2006

Mulonga, 2ª edição




Caros leitores:

Vamos dar início à publicação da 2ª Edição do dicionário, Mulonga, a palavra.

As inovações introduzidas dizem respeito, essencialmente, à consulta mais directa e rápida a todo o dicionário.

A nova estrutura comporta a Página Inicial e 1 Página para cada uma das letras do alfabeto.

A substituição da 1ª pela 2ª edição será feita da seguinte forma:

1. Desconexão da postagem referente à primeira letra da 1ª edição;
2. Conexão da primeira letra da 2ª edição;
3. Colocação de links referentes à primeira letra da 2ª edição em todos os artigos do Angola Haria;
4. Desconexão da postagem referente à segunda letra da 1ª edição;
e assim por diante.

É evidente que o dicionário só entrará em pleno funcionamento depois da se efectuar a conexão da última letra da 2ª edição e colocação dos respectivos links nos artigos publicados. Até lá continuarão em funcionamento as postagens referentes às letras cuja 2ª edição ainda não tenha sido publicada.

Algumas regras de consulta serão publicadas na Página Inicial do dicionário.

Agradecemos que nos informem, via email, de todas as anomalias encontradas durante as consultas.

Esperemos que o trabalho ora iniciado sirva ainda melhor os leitores do Angola Haria.


admário costa lindo

26 de novembro de 2006

Poetisa dos Mosaicos



A mistura de Mãe-África, Angola, Luanda, Brasil, Vila Velha, painéis, tintas e traços fez de Mª Góis a "Poetisa dos Mosaicos".

Esta definição dá a sua obra um colorido todo especial, com graça, calor humano e conteúdo. No conjunto de sua obra há o melhor de sí, suado. Sem máscaras. Uma verdadeira identificação da arte com a vida, do prazer de pintar com o poder de fazer de suas telas um instrumento de mensagem para um mundo melhor.

Do sonho de criança em ser Artista Plástica, na distante Luanda, em que desenhava para os colegas do Colégio Madre de Deus os seus primeiros rabiscos, até os nossos dias, Mª Góis já expôs em várias galerias, salões, museus e palácios, participando de coletivas e individuais, sempre com a mesma garra e determinação. O sangue Africano que corre em suas veias a faz guerreira de sua arte: "A arte de viver a sua obra com toda a intensidade, maestria e colorido".

A sua irreverência em quebrar protocolos dá o clima necessário para escolha de temas que questionam imagens/mensagens de sentimentos necessidades de gritos e protestos diante da realidade que nos envolve numa tentativa de confundir a consciência de nós mesmos, enquanto essência, enquanto humanos. Tirando-nos da cômoda posição de expectadores para levar-nos ao deleite. Pois arrasta-nos da mera contemplação para nos envolver numa ciranda de reflexões, devolvendo-nos a capacidade e o direito de romper com as malhas da alienação. Tudo mostrado de forma sutil.

Mª Góis representa, algo sempre real, mesmo quando não-palpável. Sua linguagem é a única que a faz capaz de desnudar a aparência formal das coisas e dar-lhe o verdadeiro significado. A ousadia de colocar diante de nós toda a sua sensibilidade, sem receio de se machucar é consciente. Góis é fiel para com a vida e consigo mesma e consequentemente com a humanidade. Sabedoria de quem sabe que tudo tem um significado específico ou universal e um estilo próprio.

Sobre a técnica do Mosaico

Caros internautas,


Para aqueles que estão menos acostumados a questões técnicas - da pintura e da informática -
deixo aqui uma sugestão:
Mais do que o pontilhismo, a técnica do Mosaico requer, no nosso caso, uma visualização distanciada, exactamente como se procede numa galeria de arte ou numa exposição.
Assim, para apreciar devidamente a arte da Maria Góis, depois de aumentarem a imagem afastem-se um pouco do computador e verão que a beleza do quadro surge na sua verdadeira plenitude.
Desfrutem com prazer.
Admário Costa Lindo

Apresentando Maria Góis







Nascida em Angola, aos 23/07/1955
Modalidade: Pintura

Formada em Artes Visuais, em Luanda, Angola. Sua arte integrou inúmeras e significativas exposições coletivas e individuais, nacionais e internacionais, incluindo-se a participação em amostras ocorridas em palácios e museus do exterior. Suas obras compõem acervos em diversas cidades do Brasil e do Mundo

Em variada gama de cores, tons e semitons, seu trabalho é inspirado no mosaico, usando a técnica do pontilhismo, modernizando-a e cujo resultado, de extrema delicadeza e suavidade, raramente encontrada, exprime uma característica muito peculiar.

“Como se pode observar em seus trabalhos, não deixa de ser menina (Filo) irrequieta, atenta a todos e a tudo que a rodeia, observando a vida que passa para as telas numa magia que só os deuses podem ofertar. Seu trabalho já é reconhecido favoravelmente pela crítica nas diversas vernissages apresentadas por este Brasil afora”.

Sá Moraes, RJ – 1990
in “Artes & Letras Capixabas”


Born in Angola, on 07/23/1955
Category: Painting

She graduated in Visual Arts in Luanda, Angola. Her paintings have been part of numerous and significant solo and collective exhibits, both nationally and internationally, which include exhibits which have taken place in palaces and museums abroad.

In a variety of colors, tones and semi-tones, her work is inspired in the mosaic, using the technique of pointillism, modernizing it, resulting in extremely delicate and pleasing works as are rarely found, and which express very personal characteristics.

“As one can notice in her works, she has not stopped being the restless little girl (Filó), attentive to everyone and everything around her, observing life, which she transposes to canvasses in a magic touch only the gods can offer.

Her work has received favourable recognition by critics at the various vernissages she has presented throughout Brazil”.

Sá Moraes, RJ, 1990
in “Artes & Letras Capixabas”


Maria Góis está na página ArtHaria

15 de novembro de 2006

Liberta o Grito!

Acabei de receber esta mensagem por email.

Mais palavras… para quê?

Leiam, reflictam e comentem.

admário costa lindo




"Liberta o grito que trazes dentro
E a coragem e o amor
Mesmo que seja só um momento
Mesmo que traga alguma dor
Só isso faz brilhar o lume
Que hás-de levar até ao fim
E esse lume já ninguém pode
Nunca apagar dentro de ti
"

Mafalda Veiga


Date: Thu, 09 Nov 2006 20:12:42 +0000

Recebi hoje esta partilha da Lina, que já tínhamos recebido há alguns meses, amanhã estaremos um grupo grande de amigos no funeral em Aguiar da Beira, Teresa

A Lina e o Padre Valdir morreram ontem, assassinados, na missão de Fonte Boa, em Moçambique. Ambos tinham uma Missão e lavaram-na até ao fim. Disseram SIM a uma causa, a uma Missão, SIM a Deus, SIM à Vida, SIM aos outros...

Qual a Missão nas nossas Vidas, TODOS os dias, no nosso dia-a-dia? O que fazemos pelos outros? Por quem damos a Vida? O que fazemos dela? A quem a damos? Como a partilhamos? Qual é o nosso "Grito"?

Qual é o "GRITO" da nossa "VIDA"?

Não tenho mais palavras...leiam abaixo...


HÁ UM ANO ATRÁS RECEBI ESTE MAIL DA LINA...

crédito: Via Oceânica

Queridos amigos,

Este é o meu Grito pelos que não têm Pão...

Hoje é um dia triste...

Segundas-feiras é dia de pagamento aos trabalhadores e o drama repete-se desde há um mês para cá: a fome está a assolar o povo moçambicano!

Os trabalhadores pedem de comer na vez do dinheiro;

Trabalhadores que se ajoelhavam a pedirem milho

Trabalhadores que choravam a pedirem de comer

Trabalhadores que não queriam ir embora para suas casas

Homens e mulheres a implorar ajuda

Crianças a morrer de fome

Famílias inteiras com os pratos vazios

Mães que têm seus filhos e não têm que comer: hoje vieram chamar às 4.30 manhã para levar uma mãe, filha do pedreiro da missão, ao hospital com anemia, a morrer aos poucos e sua filha de 2 semanas a sobreviver a água...

Que realidade é esta?

Meu coração se enche de compaixão, de tristeza

Fui à missa no final da tarde e só consegui chorar, implorando a Deus para que ajude esta gente.

Pensar que só agora se começa a semear e lá para Maio é que são as colheitas, o que vai comer esta gente até lá, faltam tantos dias, tantos meses, o que fazer?

Já se sabia que este ano é um ano de fome e o Irmão Pedro fez um projecto a uma organização espanhola que acabou de aprovar, agora com o dinheiro que a ONG deu é tentar comprar milho (vai ser difícil porque o que há é muito pouco e claro, caro) arroz, soja. Depois é ir vendo as pessoas mais necessitadas e sem comida e dar de comer, sabendo, no entanto, que mal chega para um mês. Que fazer? Começar já a dar? E depois, os outros meses? e até irmos comprar comida com este dinheiro? Eu não quero ver pessoas a morrer, não é possível, como pode isto acontecer, se por tantos sítios há comida a estragar-se, a sobrar, há dinheiro mal gasto em ninharias, porcarias digo mesmo...

"Eis-me aqui"

sim, é esta a minha resposta ao grito desta gente mas não basta!! Como diz o fado que canta Mariza: "Ó gente da minha terra, agora é que eu percebi"

"Dar de comer a quem tem fome e dar de beber a quem tem sede"- "Mim mesmo o fazeis"

Como posso tornar isto possível?

aqui as pessoas quando têm algum problema, precisam de algo, dizem muito quando vêm ter connosco: "Tenho uma preocupação"

Agora é a minha vez de dizer:

Meu Senhor tenho uma preocupação;

Meus amigos tenho esta preocupação? o que fazer?

A realidade da pobreza, da fome é mesmo dura e custa muito presenciá-la, fará para quem a sente?!?

Bom, vou rezar ao nosso Bom Deus, que providencie e peço-vos que também rezeis por esta realidade, por esta gente.

Aquele Abraço, fiquem todos bem

Lina

Moçambique, Missão de Fonte Boa



Portugal Diário »»» 6.11.2006

Diário de Notícias »»» 7.11.2006

»»» O que é a Leigos

3 de novembro de 2006

Uma Questão de Obras





Como os leitores mais atentos já reparam, nos últimos artigos publicados – LiterHaria, Poíesis e ProzHaria - não foram colocados links para certas expressões angolanas.

A razão é simples; mas só falando porque na prática não o é, efectivamente.

O Angola Haria entrará, durante algum tempo, em economia de publicação. Esta situação prende-se com o facto de estarmos a remodelar o Dicionário – Mulonga, a palavra – no sentido de tornarmos a consulta a esta página mais rápida e directa.

Actualmente existe um verbete (postagem) para cada letra do alfabeto. Estamos a abrir verbetes para todas as palavras o que tornará, como se disse, a consulta mais directa.

Prevê-se que este processo leve algum tempo. No entanto o Mulonga, na sua estrutura actual, continuará no ar e disponível para consultas.

Deste modo as restantes páginas do Angola Haria sofrerão um pouco, sem no entanto ficarem totalmente paralisadas.

Esperamos e agradecemos a vossa compreensão.

26 de outubro de 2006

A Excisão em África







A excisão em África reduz a mulher ao estado animal


As mutilações sexuais femininas tornaram-se um dos crimes mais ignóbeis contra a Humanidade, indica um documento do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos.

Com efeito a maior parte das mulheres africanas são vítimas de fístulas vesicovaginais como consequência das mutilações sexuais. Entre 100 e 132 milhões de entre elas sofrem das consequências desta prática. A cada ano um número acrescido de 2 milhões de raparigas arrisca-se a sofrer a mesma sorte. Tornam-se incontinentes, o que lhes vale serem banidas da sociedade. Morrem, por vezes.

Estas condições reduzem as mulheres ao estado animal.

Estas operações infamantes são praticadas em África, na Ásia, no Médio Oriente e na Península Arábica. A excisão é igualmente praticada no Peru, nomeadamente entre os Conibos, tribo de índios Panos do nordeste do país.

Tudo começa quando uma rapariguinha se aproxima da maturidade: é drogada e submetida a mutilações na presença do grupo familiar. A operação é praticada por uma mulher mais-velha com a ajuda de uma lâmina de bambu. Consiste no corte do hímen à entrada da vagina e separação dos lábios, expondo completamente o clítoris. De sublinhar que o peso da tradição é tal que as mulheres têm dificuldade em relacionar a excisão com as suas consequências para a saúde e a reprodução, afirma a fonte.

Para erradicar o carácter nefasto destas práticas existem, no Burkina Faso como no Senegal, textos legais que as reprimem, não acontecendo o mesmo ainda no Mali, na Gambia ou na Guiné-Bissau. Daí a “transumância” das excisadoras, o que torna difícil o combate aos relapsos, do mesmo modo que os próprios pais contribuem para a perpetuação do fenómeno enviando as filhas para os países vizinhos, onde as fazem excisar sem temer qualquer acção dos poderes públicos.

Os parlamentares eleitos de vários países da África Ocidental insistem na necessidade da harmonização das legislações. As coisas avançam lentamente. Em África as mulheres batem-se pelo recuo desta prática; em Paris Pierre Foldes, cirurgião urologista e responsável para a Ásia dos Médicos do Mundo, inventou uma técnica de reparação do clítoris.

A título de referência: a mutilação sexual feminina mais frequente é a excisão do clítoris e pequenos lábios, representando perto de 80% dos casos. A forma extrema é a infibulação: cerca de 15% dos casos. Um estudo sobre as mutilações sexuais femininas realizado em 1998 fornece detalhes sobre as consequências físicas, psicológicas e sexuais nas mulheres e raparigas que as suportam.

As consequências físicas são as seguintes: falecimento, hemorragias, choques, lesões nos órgãos vizinhos, infecções, dores agudas, ausência de cicatrização, formação de abcessos, dermatoses, quistos, quelóides, neurones de cicatriz, dispareunia, HIV/SIDA, Hepatite B e outras doenças transmissíveis pelo sangue, pseudoinfibulação, infecção das vias genitais, dismenorreias, retenção urinária, infecção das vias urinárias, obstrução crónica das vias urinárias, incontinência urinária, estenose da abertura artificial da vagina, complicações no trabalho de parto.

O ideal seria que toda a sociedade – e particularmente os líderes de opinião como são os parlamentares, as autoridades tradicionais e os responsáveis religiosos, bem como os médicos e os técnicos de saúde - se mobilizasse para proteger as jovens de tais práticas que atentam contra a dignidade da mulher e deixam marcas duradouras na sua integridade física e moral e perturbam as relações entre homens e mulheres.

Doudou Esungi


16.05.2006


tradução:
Admário Costa Lindo



"É difícil saber o que me teria acontecido se não tivesse sido mutilada. Faz parte de mim, não conheço outra realidade"

Se a mutilação genital fosse um problema que afectasse os homens, o assunto estaria resolvido há muito tempo

Waris Dirie


WARIS DIRIE nasceu na Somália.

Com apenas cinco anos de idade foi vítima de um dos mais bárbaros costumes - a mutilação genital.

Aos doze anos o pai tentou negociar o seu casamento com um homem de sessenta.

Decidiu desaparecer. Os perigos da sua fuga pelo deserto viriam a ser largamente compensados pela conquista da liberdade.

Hoje é uma modelo famosa e vive em Nova Iorque.

Em 1997 foi nomeada pelas Nações Unidas Embaixadora para os Direitos das Mulheres, na luta pela eliminação da prática da mutilação genital feminina.

adaptado de
Waris Dirie. Aurora no Deserto, Edições ASA, Porto, 2003.




Leitura aconselhada:

Waris Dirie – Flor do Deserto e Aurora no Deserto, publicados em Portugal por Edições ASA.

Mutilar o corpo e a alma


Outubro/Dezembro.2000 pg. 5


O Manifesto de Waris Dirie

Fundação de Waris Dirie

17 de outubro de 2006

Rafael Marques, "Civil Courage Prize" 2006



foto Civil Courage Prize




O jornalista angolano e activista dos Direitos Humanos, Rafael Marques de Morais, foi galardoado com o “Civil Courage Prize” (Prémio Coragem Cívica) 2006, instituído pelo “Northcote Parkinson Fund”, uma prestigiada Fundação privada norte-americana.

A Cerimónia de entrega do Prémio terá lugar a 18 de Outubro corrente na Harold Pratt House de Nova Iorque.

Com 35 anos de idade, Rafael Marques “é um líder tenaz no combate pela reforma do repressivo e corrupto governo de Angola.”, pode ler-se no comunicado de atribuição do prémio.

Quem não se lembra que Rafael Marques foi acusado de injúrias ao Presidente da República e condenado por abuso de liberdade de imprensa? Do recurso resultou a suspensão da pena e a obrigatoriedade do pagamento de uma indemnização por danos morais ao Presidente.

A sua prisão ficará na História como o marco cimeira da luta pela liberdade de imprensa em Angola.

Mas Rafael Marques não se intimidou e não parou por aqui. Tenho para mim que isso apenas lhe deu mais força para a sua batalha contra a repressão, a corrupção e a injustiça.

O prémio foi-lhe atribuído pelo seu trabalho realizado entre 1999 e 2002, período durante o qual investigou e “escreveu extensivamente sobre as condições contínuas de pobreza das populações da província de Cabinda, rica em petróleo, e da Lunda, a principal região de exploração diamantífera.”

“Rafael Marques estuda presentemente na University of London. A sua família continua em Angola. A publicação dos seus textos críticos continua via Internet e outros media.”

Embora Portugal o ignore, ou por isso mesmo, não deixem de ler o portentoso relatório

Operação Kissonde:
Os Diamantes da Humilhação e da Miséria



Admário Costa Lindo

15 de outubro de 2006

1ºs Jogos da Lusofonia






4 Continentes, 1 Língua
Unidos pelo desporto


Terminam hoje os 1ºs Jogos da Lusofonia a decorrer em Macau sob a égide da Associação dos Comités Olímpicos de Língua Oficial Portuguesa (ACOLOP).

Estão presentes 760 atletas dos 12 países e regiões da ACOLOP: Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Índia (Goa), Macau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe, Sri Lanka e Timor-Leste, competindo nas modalidades de atletismo, basquetebol, futebol, futsal, taekwondo, ténis de mesa, voleibol e voleibol de praia.


A ACOLOP foi fundada a 8 de Junho de 2004, em Lisboa, com o objectivo de integrar os países e regiões de língua portuguesa a partir do desporto estando reconhecida pelo Comité Olímpico Internacional.


“Foi o culminar de um complexo processo de diplomacia desportiva, de aproximação entre povos e culturas, de comunhão de vontades e aspirações, mas foi, sobretudo, a concretização do que muitos consideravam uma utopia. Foi um sinal de vitalidade extraordinário, com impacto indelével no futuro próximo.

Focalizando a génese desta Associação, bastaria enunciar os laços históricos comuns e o elo de ligação traduzido na língua comum e em fenómenos de intersecção cultural seculares, mas a ACOLOP projecta-se bem mais além. Ela propõe-se confrontar alguns dos novos desafios que se colocam ao Olimpismo, à globalização e que caracterizam o movimento evolutivo desportivo em cada um dos países integrantes deste movimento, que transcende a CPLP, ao congregar a Guiné Equatorial e a Região Administrativa Especial de Macau.” (1)

“A realização dos primeiros jogos da ACOLOP em Macau não pode nem deve ser dissociada do elevado empenho de todos e do Governo de Macau em preservar a história singular de encontro de culturas do território bem como de servir como plataforma de ligação entre a República Popular da China e a lusofonia.” (2)

“A nossa ligação e amizade não fica apenas nas trocas comerciais e na cooperação económica e por isso, a área desportiva assume um destaque particular como mais um elo da ligação, como mais uma forma de cooperação e de desenvolvimento da nossa amizade.” (3)


Jogos de 2009 atribuídos a Portugal

A 6.ª Assembleia-geral da ACOLOP, reunida em Macau a 10 do corrente, atribuiu a Portugal a realização dos 2ºs Jogos da Lusofonia, a decorrer em 2009.

A esta assembleia foram também apresentadas as pré-candidaturas da Índia (Estado de Goa) e do Brasil à terceira edição, em 2013.

Admário Costa Lindo

HINO

Não há terra nem há mar
Que consigam separar
Quem fala o idioma
Do coração
Não há tempo nem distância
Que apaguem a fragrância
De uma amizade
Que perdura

Não há credo nem há cor
Que abalem o ardor
Desta grande família
Que mora em todo o mundo
Vamos juntos celebrar
Este encontro singular
Em paz, harmonia
E plena comunhão

Gentes da lusofonia
Espalhem a vossa emoção
E a vossa alegria
Gentes da lusofonia
Partilhem a vossa paixão
E sabedoria

Há sabores e perfumes
E diferença nos costumes
Que trazem mais riqueza
À nossa união
Há no ar uma esperança
Há a fé numa mudança
Que transforme a nossa vida
Em algo bem melhor

Letra e música de Luís Pedro Fonseca



(1)
Comandante Vicente Moura, Presidente da Associação dos Comités Olímpicos de Língua Oficial Portuguesa.

(2)
Dr. Manuel Silvério, Presidente da Comissão Organizadora dos Primeiros Jogos dos Comités Olímpicos de Língua Oficial Portuguesa.

(3)
Dr. Edmund Ho, Chefe do Executivo da Região Administrativa Especial de Macau da República Popular da China.

13 de outubro de 2006

Muhammad Yunus, Nobel da Paz 2006



"Se eu fosse um capitalista abastado, criaria uma dotação de fundos para cada um destes empreendedores. Se fosse um produtor de Hollywood, faria um filme para contar as suas histórias."


O Prémio Nobel da Paz 2006 foi atribuído a Muhammad Yunus, professor universitário de Economia e ao Banco Grameen do Bangladesh, por si fundado e entidade bancária vocacionada para o microcrédito, pelos “seus esforços para criar desenvolvimento económico e social a partir da base”.


Atendendo que - como referiu à Lusa o sociólogo e presidente do Conselho Económico e Social, Alfredo Bruto da Costa - "há uma relação muito forte entre a pobreza e a paz", uma vez que "a pobreza e a fome significam em si próprias uma situação de violência e são um clima favorável ao desenvolvimento de guerras", a atribuição deste prémio ao pai do microcrédito é de uma justeza inatacável.

O grande contributo de Muhammad Yunus para a causa da Paz foi o facto de, definitivamente, ter transformado o microcrédito em teoria Económica.

Por outras palavras: Muhammad Yunus provou que também os pobres e marginalizados pelo grande capital, aqueles que não conseguem as garantias exigidas pelos magnatas da banca mundial, são capazes de ter ideias e criar riqueza.

A prova acabada desta teoria é a rentabilidade demonstrada pelo Banco Grameen. Nascido no Bangladesh, um país subdesenvolvido, com uma população de 150 milhões de habitantes num território que não chega a ter duas vezes a área de Portugal e cujo rendimento das famílias mais pobres não ultrapassa os 51 euros anuais, o Banco já estendeu a sua acção a mais 59 países, Portugal incluído.

A Associação Nacional de Direitos de Crédito baseia a sua acção na filosofia de Muhammad Yunus. “O número de empréstimos concedidos a pessoas que não têm acesso a crédito para desenvolver negócios por falta de garantias mais do que duplicou em 2005, em Portugal. O número de empréstimos de microcrédito tinha aumentado em Portugal 142 por cento relativamente a 2004, para 153 processos, que totalizaram um volume de crédito concedido de 693,73 mil euros e que traduz uma subida de 119 por cento, segundo dados disponibilizados em Janeiro passado. Desde o início da associação, em 1999, a ANDC ajudou a criar cerca de 630 empresas e 700 postos de trabalho.”

E pergunta-se: será que os grandes senhores da banca nacional seguirão o exemplo do Prémio Nobel da Paz?

É muito difícil acreditar nesta hipótese. Para se igualar Muhammad Yunus não é vital ser Economicista: é necessário, apenas, ser um Grande Humanista. E alguém conhece Humanistas na grande banca portuguesa?

Admário Costa Lindo.

fonte: SIC/Lusa.


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9 de outubro de 2006

Mossungo





Acaba de nascer uma nova página no Angola Haria.

Mossungo é o pseudónimo de Eduardo Brazão-Filho, um moçamedense com uma vasta obra praticamente inédita.

Iremos publicando excertos dessa obra, em poesia e em prosa, que demonstra quanto o autor amava a sua terra e o seu povo.

O link encontra-se na coluna da direita, em "As Outras Páginas".