SEGUIDORES

10 de março de 2007

As cores todas

Já conheço o KoresdAfrika, o site, de cor e salteado. Estão lá as cores todas.

A Exposição do Jorge Miranda será, estou certo disso, uma revisitação às cores que nós tivemos o supremo privilégio de beber in loco:




"sente-se o vento que nos fustiga o rosto com picos de areia perfurantes.
apalpa-se a erosão no desgastar das rochas.

Estranhos relevos.
almofadas ondulantes de veludo ou esquinantes limas abrasivas,
contramaré na monotonia da planura infinda queimada pelo sol sedento.

A este não é premente fixá-lo olho a olho por perigo de cegueira,
basta admirar as novas cores os vermelhos os laranjas e os
dourados de aguarela nos morros calcinados pelo tempo.

Pegue-se uma moldura em madeira pintada a ouro
e coloque-se de encontro à paisagem:
da direita para a esquerda ou da esquerda para a direita, tanto faz,
uma pincelada de ocre abarca os dois terços superiores do quadro.
à direita baixa uma mancha vertical em azul-verde esmeralda.
à esquerda, partindo de baixo, quatro barras horizontais evoluem
do vermelho ao amarelo-alaranjado"


o Namibe
in o bico-de-lacre e o tarrote


Jorge Miranda no ArtAfrica
(busca por António Jorge Miranda)


admário costa lindo

9 de março de 2007

Exposição Kores d'África




EXPOSIÇÃO DE

JORGE MIRANDA











NO HOTEL TIVOLI SINTRA

DE 31 DE MARÇO A 15 DE ABRIL


Reflexão e Apelo




Amigos,

Nesta comunidade virtual a que todos pertencemos, uns conhecendo-nos já pessoalmente e outros não, trocamos frequentemente, mensagens, imagens, vídeos, músicas, anedotas, informações, etc. Muitas vezes somos aliciados a participar em correntes religiosas de amor ao próximo ou cadeias de solidariedade, algumas até de objectivos duvidosos, por ou para pessoas que nem sequer conhecemos e ainda assim o fazemos. Nestas actividades, utilizamos muito do pouco tempo de lazer de que dispomos nas nossas vidas, mas ocorre-me perguntar hoje aqui, até que ponto estamos a utilizar estes meios tecnológicos maravilhosos de que dispomos hoje em dia, para fazer algo de realmente útil e positivo pelo nosso próximo e semelhante? Ou será, que à força de tanto focarmos a nossa atenção no monitor à nossa frente, de forma assaz obsessiva, não nos tornamos um pouco autistas, deixando de ver o que se passa realmente à nossa volta?

Muitos de nós partilhamos interesses e gostos comuns, principalmente no que respeita a Angola em particular e à África em geral, pelo facto de termos compartilhado no passado um espaço comum e pelas vivências e emoções desta forma adquiridas. Gostamos ainda, depois de tantos anos, dos sons e sabores africanos e temos imensas saudades dos seus cheiros e das suas cores, ao ponto de não perdemos uma oportunidade para os poder reviver. Apregoamos inclusivamente, a quem queira ouvir, que a “Maneira de Ser e de Estar do Pessoal” que viveu em África e nomeadamente em Angola - que é a minha experiência, é diferente dos demais Europeus, por ser mais aberta, mais tolerante, mais solidária. Mas será isto efectivamente verdade? Somos mesmos mais solidários e capazes de ajudar o nosso próximo, ou tudo não passa de mais uma “balela”, de uma “fachada” ou de um mero auto-convencimento?

Vem isto a propósito, de ter sabido que um casal de angolanos, que partilha connosco o Espaço Virtual da Sanzalangola está a passar por uma situação financeira difícil e a enfrentar algumas dificuldades, que serão no entanto muito fáceis de resolver, se tal solidariedade existir de facto. São eles o Jorge Miranda e a Luisa Couto, ela já reformada e ele em vias de perder o emprego de que vive actualmente, dedicando-se ambos à pintura, por paixão é certo, mas também para poderem obter um complemento de vencimento. Devo admitir, que o Jorge tem o dom de recriar com muita qualidade, temas da vida e da paisagem angolana de outros tempos, além de outros claro, qualidade já reconhecida por muita gente. Eles não necessitam nem de pena nem de esmola, mas tão-somente, que as pessoas vejam, apreciem e adquiram alguns dos seus trabalho, pois se, como disse Confúcio, “a um pobre não se deve dar um peixe, mas sim uma vara e ensiná-lo a pescar”, eu humildemente acrescento, que é necessário que alguém compre também o pescado, pois a pesca, essa já foi realizada.

Na tentativa de ultrapassar essas dificuldades, ajudei-os a criar na Internet (já que pouco percebiam de informática, para o poderem fazer eles próprios), a Galeria virtual KoresdAfrika, (cliquem no link) na qual pudessem expor as suas obras e dar-lhes maior divulgação. Talvez ingenuamente acreditei que esse poderia ser um bom caminho, pois com essa ferramenta e integrando a comunidade de angolanos Sanzalangola, seria muito mais fácil dar a conhecer a sua obra e obter algumas encomendas, mas quero confessar-vos que estou muito triste e desiludido, não por falta de interesse em visualizar, pois já 1394 pessoas visitaram a Galeria até este momento, mas por falta das tão esperadas encomendas. Caramba, gasta-se tanto dinheiro em tanta porcaria que não serve rigorosamente para nada e não se compra uma de tão belas obras, que tem tanto daquilo de que se diz ter saudade! É por isso que me questiono hoje, se todas as afirmações feitas por e/ou em relação às pessoas originárias de Angola serão de facto verdadeiras.

Eu sei bem que o momento é de crise e que muitas outras pessoas têm dificuldades, quiçá talvez até superiores, mas será que de entre todos vós a quem me dirijo, não haverá alguém que vá ou queira remodelar a decoração da sua casa ou que possa e deseje adquirir uma dessas obras? Faço-vos um Apelo (não virtual, mas muito real desta vez) e deixo-vos também um repto – visitem a Galeria, apreciem o trabalho (algumas obras só atingem maior impacto quando visualizadas no tamanho máximo), comentem-no e se possível, adquiram alguma obra e, se por acaso a ideia que têm registada na vossa memória não estiver exactamente representada, falem com o artista e digam-lhe o quê e como gostavam de ver representado, que decerto ele terá muito gosto em vos fazer o “vosso quadro”, ao vosso gosto, dentro do que forem as suas limitações, obviamente. Tenho muita esperança, que alguns de vós poderão responder a este meu Apelo.

Por último devo esclarecer-vos, só para aquietar algumas mentes eventualmente mais suspeitosas, que não me movem quaisquer outros interesses neste assunto, para além da amizade e nem sequer os interessados sabem da minha iniciativa e assim gostaria que continuassem, pois conseguir ajudar um amigo, é por si só recompensa bastante. É evidente que só ajuda quem quer, mas como pode alguém esperar algum dia receber algo, se antes nunca foi capaz de dar nada de si aos outros?

Conto convosco

Nelo (José Caroça)

4 de março de 2007

Festas do Mar 2007




As tradicionais “Festas do Mar”, edição 2007, foram ontem inauguradas na cidade do Namibe. De antiga tradição com carácter cultural, recreativo e desportivo, as festas realizam-se na época de verão e foram este ano abertas com uma Exposição de produtos de agricultura, pescas, construção civil, petróleos e agro-pecuária.

Armando Valente, administrador municipal do Namibe e coordenador das festas, divulgou as novidades para este ano: "A feira terá um carácter recreativo, cultural e desportivo, pois no decorrer das festividades serão efectuadas várias actividades, com destaque para a montagem do equipamento de carrossel para a classe infantil e ainda a realização do Caldo do Poeira a partir da cidade da Welwitschia, que nesta região é denominado por Moio".

A edição 2007 decorre até 31 de Março.

fonte:

25 de fevereiro de 2007

Zeca, o Andarilho

crédito: Aroso/MC-Mundo da Canção




“Pela noite calada”, na madrugada do dia 23, a RTP emitiu um programa comemorativo do 20º aniversário da morte do Zeca.

Os poderes instituídos ainda não lhe deram o devido valor. Deles Zeca sempre teve razões de queixa, mas nunca se vergou.

Emitir um programa sobre José Afonso àquela hora da noite é uma afronta. Salvou-se a qualidade das intervenções e os testemunhos de, entre outros, Cristina Branco, José Jorge Letria, Otelo Saraiva de Carvalho, Ruy Vieira Nery, Viriato Telles – no estúdio – e Francisco Fanhais – em depoimento gravado… e a transmissão do Concerto do Coliseu.

Não obstante a ignóbil indiferença que a generalidade dos meios de comunicação social (1) vota a Zeca Afonso, foi gratificante ouvir o depoimento de alguns jovens que, ficamos a saber, vão beber a outras fontes a informação sobre O Andarilho.

E é por esse motivo, pela indiferença, que resolvi abrir uma página sobre o Zeca, no Angola Haria: “Amigo, Maior que o Pensamento”, assim se chama e acede-se a ela pela coluna da direita, em “As Outras Páginas” no título “Zeca, o Andarilho”.

Vou procurar incluir nesta nova página toda a informação que me for possível, até à exaustão. E tenho uma certeza: por falta de material a página não irá parar.

Isto vai forçar-me a reler tudo o que guardei sobre o Zeca. Desta forma e para economia de esforços, nenhum artigo publicado será definitivo – todos eles terão actualização permanente, de acordo com o avançar da pesquisa.

E é neste ponto que me recordo e vos conto que, com muita “raiva” minha, os meus arquivos anteriores a 1979 ficaram em Angola, algures numa secretária qualquer da DISA. Não consegui substituir a grande maioria desses documentos mas, mesmo assim, há material suficiente para contribuir, com o meu modesto trabalho, para a divulgação do Homem, do Poeta e do Músico – intemporal e transcontinental – que foi José Afonso, aquele que passou pela vida como um Andarilho da música e da palavra mas que, hoje tenho a certeza disso, venceu a Morte.

O Zeca será para sempre um “Amigo, Maior que o Pensamento”.


(1)
… com raríssimas e honrosas excepções: no momento em que escrevo este texto a RDP Antena 1 está a emitir um programa, chamado por António Macedo e Henrique Amaro “Venham Mais Cinco”, onde estes radialistas estão e passar e comentar (e com muita propriedade) 5 versões de temas do Zeca e respectivos originais. Neste preciso momento, 19H47, escuto a versão “Vozes da Rádio” de “Os Índios da Meia-Praia”.


admário costa lindo

27 de janeiro de 2007

Angola no século XIX




Aida Freudenthal, José Manuel Fernandes e Maria de Lurdes Janeiro. Angola no Século XIX, Cidades, Território e Arquitecturas. 200 pp, 45 euros.

Eis um álbum que, para além da vasta iconografia (os postais da colecção de João Loureiro), constitui um precioso contributo para a História de Angola. Graças ao texto, de tripla autoria, um longo ensaio, com ênfase na Arquitectura e no Urbanismo, nomeadamente de Luanda, mas não só. Atente-se nos capítulos: Urbanismo e arquitectura coloniais no século IXI e início do século XX: a «África Portuguesa»; Urbanismo em Angola no século XIX; Angola e o território e Angola, as cidades (Luanda, a cidade como estrutura geo-histórica, o Norte, o Centro e o Sul), Angola, as arquitecturas. A edição (graficamente muito cuidada) é dos autores, com o patrocínio de uma instituição bancária angolana (BFA) e da Fundação Portugal África.

JL-Jornal de Letras, Artes e Ideias, 17-30.01.2007



25 de janeiro de 2007

Requentado


Cheira-me a requentado.

Futebologicamente ando pelas bandas do 4X2X4. Já o meu amigo Nando é defensor acérrimo do 4X3X3. É bom de ver que não estamos sempre de acordo.

O nosso exercício de liberdade é a crítica mútua e a cada um daqueles sistemas. É um direito que nos assiste por vivermos num Estado de Direito, Democrático.

Eu digo mais: é um Direito Natural, independentemente do local onde se viva.

O que não é natural é que nem todos pensem e executem o exercício da liberdade no seu sentido universal. Há muito quem pratique mais o sentido umbilical da questão.

O senhor Manuel Portela, director do Teatro Académico de Gil Vicente, recusou o acolhimento do Espectáculo “Sós em Miami” do grupo Teatro em Movimento (TM), “com o argumento de que se tratava de um espectáculo panfletário”.

O que significa o conceito “panfletário”?

Quanto a mim, na prática quotidiana, “panfletário” é tudo aquilo que alguém (neste caso com poder para tal) detesta ou pretende impedir de se realizar, apresentar ou ver. Tudo aquilo que esse alguém aprecia, realiza, apresenta ou vê nunca é panfletário. Porque segue os trâmites do seu pensamento ideológico ou político.

A série televisiva “Floribella” não é panfletária! Não?

Leandro Vale, director e encenador do TM, acusou Portela de ter censurado o seu trabalho.

Manuel Portela diz que “a acusação não tem qualquer fundamento, a não ser que se entenda o não programar uma proposta como acto de censura”.

Na verdade Portela teria razão se a sua resposta ficasse por aí. Não programar uma peça não é, só por isso, um acto de censura. Porém o que se segue revela que Leandro Vale tem toda a razão:

”Não havia interesse especial em apresentar um texto dessa natureza”, justificou-se Portela, considerando o espectáculo “claramente pró-cubano e antiamericano, mas de uma forma primária”.

É ou não elucidativo?

Além do mais, o senhor Portela tem um conceito de censura bastante próprio:

”Fazer censura, na perspectiva de Portela, seria programar o espectáculo e, depois, cancelá-lo ou exigir a supressão de partes indesejadas”.

A censura é só isto!

A este respeito lembrei-me de dois factos, ocorridos em Portugal, não muito distantes na memória:

1 – As loas que se teceram aos “Versícuos Satânicos” de Salman Rushdie e o tratamento de “santo” que lhe foi concedido;

2 – A posição política do senhor Lara em relação a “O Evangelho Segundo Jesus Cristo” de Saramago e o tratamento de “diabo” que lhe foi concedido.

Ora digam se não cheira a requentado!


admário costa lindo

Novo Blogger

Caros leitores:

O Blogger mudou.

No sistema novo há ainda rectificações que terão que ser feitas por mim.

Se repararam na coluna da direita a acentuação das palavras trasnformou-se em hierógrlifos.

Peço-vos um pouco de paciência porque a coisa arranja-se.

Um abraço.

Admário Costa Lindo

17 de janeiro de 2007

"Fala do Homem Nascido"

crédito: Mário Monteiro Jaleco


Venho da terra assombrada,
do ventre da minha mãe;
não pretendo roubar nada
nem falar mal de ninguém…

Com licença! Com licença!
Que a barca se fez ao mar.
Não há poder que me vença.
Mesmo morto hei-de passar.

António Gedeão, “Fala do Homem Nascido”

Muito se tem falado sobre a questão do momento: o Aborto*. Assim mesmo, seja qual for o volteio que se pretenda dar à questão.

Toda a gente tem opinião própria, coisa louvável desde que ninguém pense ser senhor da verdade absoluta. Desde que ninguém pense que os seus direitos particulares devem prevalecer sobre todos os outros.

Andam no ar e no papel argumentos que vão desde as questões económicas à problemática do direito da mulher a dispor do próprio corpo.

Poucas vezes... melhor, quase nunca se escuta ou lê o seguinte:


Todo indivíduo tem direito à vida, à liberdade e à segurança pessoal.

Artigo 3° da Declaração Universal dos Direitos Humanos, aprovada em Roma a 4 de Novembro de 1950, em vigor desde 3 de Setembro de 1953 e ratificada por Portugal a 13 de Outubro de 1978.


1. Os Estados Partes reconhecem à criança o direito inerente à vida.

2. Os Estados Partes asseguram na máxima medida possível a sobrevivência e o desenvolvimento da criança.

Artigo 6º da Convenção sobre os Direitos da Criança, adoptada pela Assembleia Geral nas Nações Unidas em 20 de Novembro de 1989 e ratificada por Portugal em 21 de Setembro de 1990.


Este é o tempo
Da selva mais obscura

Até o ar azul se tornou grades
E a luz do sol se tornou impura

Esta é a noite
Densa de chacais
Pesada de amargura

Este é o tempo em que os homens renunciam.

Sophia de Mello Breyner Andresen



Escrevi este pequeno desabafo porque me sinto nascido.
Todos podem e devem manifestar-se, aqui. Quer se sintam nascidos… ou não!


admário costa lindo

*

O que eu queria dizer, na verdade: "liberalização do Aborto". - 22.01.2007

30 de dezembro de 2006

FELIZ 2007

crédito: Maria Júlia Jaleco
Tenho Esperança nas Crianças.
Espero ardentemente que consigam um Futuro Melhor.
Desejo a todos os amigos, colaboradores e leitores do Angola Haria
continuação de Boas Festas
e um FELIZ 2007
admário costa lindo

10 de dezembro de 2006

Mulonga, 2ª edição




Caros leitores:

Vamos dar início à publicação da 2ª Edição do dicionário, Mulonga, a palavra.

As inovações introduzidas dizem respeito, essencialmente, à consulta mais directa e rápida a todo o dicionário.

A nova estrutura comporta a Página Inicial e 1 Página para cada uma das letras do alfabeto.

A substituição da 1ª pela 2ª edição será feita da seguinte forma:

1. Desconexão da postagem referente à primeira letra da 1ª edição;
2. Conexão da primeira letra da 2ª edição;
3. Colocação de links referentes à primeira letra da 2ª edição em todos os artigos do Angola Haria;
4. Desconexão da postagem referente à segunda letra da 1ª edição;
e assim por diante.

É evidente que o dicionário só entrará em pleno funcionamento depois da se efectuar a conexão da última letra da 2ª edição e colocação dos respectivos links nos artigos publicados. Até lá continuarão em funcionamento as postagens referentes às letras cuja 2ª edição ainda não tenha sido publicada.

Algumas regras de consulta serão publicadas na Página Inicial do dicionário.

Agradecemos que nos informem, via email, de todas as anomalias encontradas durante as consultas.

Esperemos que o trabalho ora iniciado sirva ainda melhor os leitores do Angola Haria.


admário costa lindo

26 de novembro de 2006

Poetisa dos Mosaicos



A mistura de Mãe-África, Angola, Luanda, Brasil, Vila Velha, painéis, tintas e traços fez de Mª Góis a "Poetisa dos Mosaicos".

Esta definição dá a sua obra um colorido todo especial, com graça, calor humano e conteúdo. No conjunto de sua obra há o melhor de sí, suado. Sem máscaras. Uma verdadeira identificação da arte com a vida, do prazer de pintar com o poder de fazer de suas telas um instrumento de mensagem para um mundo melhor.

Do sonho de criança em ser Artista Plástica, na distante Luanda, em que desenhava para os colegas do Colégio Madre de Deus os seus primeiros rabiscos, até os nossos dias, Mª Góis já expôs em várias galerias, salões, museus e palácios, participando de coletivas e individuais, sempre com a mesma garra e determinação. O sangue Africano que corre em suas veias a faz guerreira de sua arte: "A arte de viver a sua obra com toda a intensidade, maestria e colorido".

A sua irreverência em quebrar protocolos dá o clima necessário para escolha de temas que questionam imagens/mensagens de sentimentos necessidades de gritos e protestos diante da realidade que nos envolve numa tentativa de confundir a consciência de nós mesmos, enquanto essência, enquanto humanos. Tirando-nos da cômoda posição de expectadores para levar-nos ao deleite. Pois arrasta-nos da mera contemplação para nos envolver numa ciranda de reflexões, devolvendo-nos a capacidade e o direito de romper com as malhas da alienação. Tudo mostrado de forma sutil.

Mª Góis representa, algo sempre real, mesmo quando não-palpável. Sua linguagem é a única que a faz capaz de desnudar a aparência formal das coisas e dar-lhe o verdadeiro significado. A ousadia de colocar diante de nós toda a sua sensibilidade, sem receio de se machucar é consciente. Góis é fiel para com a vida e consigo mesma e consequentemente com a humanidade. Sabedoria de quem sabe que tudo tem um significado específico ou universal e um estilo próprio.

Sobre a técnica do Mosaico

Caros internautas,


Para aqueles que estão menos acostumados a questões técnicas - da pintura e da informática -
deixo aqui uma sugestão:
Mais do que o pontilhismo, a técnica do Mosaico requer, no nosso caso, uma visualização distanciada, exactamente como se procede numa galeria de arte ou numa exposição.
Assim, para apreciar devidamente a arte da Maria Góis, depois de aumentarem a imagem afastem-se um pouco do computador e verão que a beleza do quadro surge na sua verdadeira plenitude.
Desfrutem com prazer.
Admário Costa Lindo

Apresentando Maria Góis







Nascida em Angola, aos 23/07/1955
Modalidade: Pintura

Formada em Artes Visuais, em Luanda, Angola. Sua arte integrou inúmeras e significativas exposições coletivas e individuais, nacionais e internacionais, incluindo-se a participação em amostras ocorridas em palácios e museus do exterior. Suas obras compõem acervos em diversas cidades do Brasil e do Mundo

Em variada gama de cores, tons e semitons, seu trabalho é inspirado no mosaico, usando a técnica do pontilhismo, modernizando-a e cujo resultado, de extrema delicadeza e suavidade, raramente encontrada, exprime uma característica muito peculiar.

“Como se pode observar em seus trabalhos, não deixa de ser menina (Filo) irrequieta, atenta a todos e a tudo que a rodeia, observando a vida que passa para as telas numa magia que só os deuses podem ofertar. Seu trabalho já é reconhecido favoravelmente pela crítica nas diversas vernissages apresentadas por este Brasil afora”.

Sá Moraes, RJ – 1990
in “Artes & Letras Capixabas”


Born in Angola, on 07/23/1955
Category: Painting

She graduated in Visual Arts in Luanda, Angola. Her paintings have been part of numerous and significant solo and collective exhibits, both nationally and internationally, which include exhibits which have taken place in palaces and museums abroad.

In a variety of colors, tones and semi-tones, her work is inspired in the mosaic, using the technique of pointillism, modernizing it, resulting in extremely delicate and pleasing works as are rarely found, and which express very personal characteristics.

“As one can notice in her works, she has not stopped being the restless little girl (Filó), attentive to everyone and everything around her, observing life, which she transposes to canvasses in a magic touch only the gods can offer.

Her work has received favourable recognition by critics at the various vernissages she has presented throughout Brazil”.

Sá Moraes, RJ, 1990
in “Artes & Letras Capixabas”


Maria Góis está na página ArtHaria

15 de novembro de 2006

Liberta o Grito!

Acabei de receber esta mensagem por email.

Mais palavras… para quê?

Leiam, reflictam e comentem.

admário costa lindo




"Liberta o grito que trazes dentro
E a coragem e o amor
Mesmo que seja só um momento
Mesmo que traga alguma dor
Só isso faz brilhar o lume
Que hás-de levar até ao fim
E esse lume já ninguém pode
Nunca apagar dentro de ti
"

Mafalda Veiga


Date: Thu, 09 Nov 2006 20:12:42 +0000

Recebi hoje esta partilha da Lina, que já tínhamos recebido há alguns meses, amanhã estaremos um grupo grande de amigos no funeral em Aguiar da Beira, Teresa

A Lina e o Padre Valdir morreram ontem, assassinados, na missão de Fonte Boa, em Moçambique. Ambos tinham uma Missão e lavaram-na até ao fim. Disseram SIM a uma causa, a uma Missão, SIM a Deus, SIM à Vida, SIM aos outros...

Qual a Missão nas nossas Vidas, TODOS os dias, no nosso dia-a-dia? O que fazemos pelos outros? Por quem damos a Vida? O que fazemos dela? A quem a damos? Como a partilhamos? Qual é o nosso "Grito"?

Qual é o "GRITO" da nossa "VIDA"?

Não tenho mais palavras...leiam abaixo...


HÁ UM ANO ATRÁS RECEBI ESTE MAIL DA LINA...

crédito: Via Oceânica

Queridos amigos,

Este é o meu Grito pelos que não têm Pão...

Hoje é um dia triste...

Segundas-feiras é dia de pagamento aos trabalhadores e o drama repete-se desde há um mês para cá: a fome está a assolar o povo moçambicano!

Os trabalhadores pedem de comer na vez do dinheiro;

Trabalhadores que se ajoelhavam a pedirem milho

Trabalhadores que choravam a pedirem de comer

Trabalhadores que não queriam ir embora para suas casas

Homens e mulheres a implorar ajuda

Crianças a morrer de fome

Famílias inteiras com os pratos vazios

Mães que têm seus filhos e não têm que comer: hoje vieram chamar às 4.30 manhã para levar uma mãe, filha do pedreiro da missão, ao hospital com anemia, a morrer aos poucos e sua filha de 2 semanas a sobreviver a água...

Que realidade é esta?

Meu coração se enche de compaixão, de tristeza

Fui à missa no final da tarde e só consegui chorar, implorando a Deus para que ajude esta gente.

Pensar que só agora se começa a semear e lá para Maio é que são as colheitas, o que vai comer esta gente até lá, faltam tantos dias, tantos meses, o que fazer?

Já se sabia que este ano é um ano de fome e o Irmão Pedro fez um projecto a uma organização espanhola que acabou de aprovar, agora com o dinheiro que a ONG deu é tentar comprar milho (vai ser difícil porque o que há é muito pouco e claro, caro) arroz, soja. Depois é ir vendo as pessoas mais necessitadas e sem comida e dar de comer, sabendo, no entanto, que mal chega para um mês. Que fazer? Começar já a dar? E depois, os outros meses? e até irmos comprar comida com este dinheiro? Eu não quero ver pessoas a morrer, não é possível, como pode isto acontecer, se por tantos sítios há comida a estragar-se, a sobrar, há dinheiro mal gasto em ninharias, porcarias digo mesmo...

"Eis-me aqui"

sim, é esta a minha resposta ao grito desta gente mas não basta!! Como diz o fado que canta Mariza: "Ó gente da minha terra, agora é que eu percebi"

"Dar de comer a quem tem fome e dar de beber a quem tem sede"- "Mim mesmo o fazeis"

Como posso tornar isto possível?

aqui as pessoas quando têm algum problema, precisam de algo, dizem muito quando vêm ter connosco: "Tenho uma preocupação"

Agora é a minha vez de dizer:

Meu Senhor tenho uma preocupação;

Meus amigos tenho esta preocupação? o que fazer?

A realidade da pobreza, da fome é mesmo dura e custa muito presenciá-la, fará para quem a sente?!?

Bom, vou rezar ao nosso Bom Deus, que providencie e peço-vos que também rezeis por esta realidade, por esta gente.

Aquele Abraço, fiquem todos bem

Lina

Moçambique, Missão de Fonte Boa



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3 de novembro de 2006

Uma Questão de Obras





Como os leitores mais atentos já reparam, nos últimos artigos publicados – LiterHaria, Poíesis e ProzHaria - não foram colocados links para certas expressões angolanas.

A razão é simples; mas só falando porque na prática não o é, efectivamente.

O Angola Haria entrará, durante algum tempo, em economia de publicação. Esta situação prende-se com o facto de estarmos a remodelar o Dicionário – Mulonga, a palavra – no sentido de tornarmos a consulta a esta página mais rápida e directa.

Actualmente existe um verbete (postagem) para cada letra do alfabeto. Estamos a abrir verbetes para todas as palavras o que tornará, como se disse, a consulta mais directa.

Prevê-se que este processo leve algum tempo. No entanto o Mulonga, na sua estrutura actual, continuará no ar e disponível para consultas.

Deste modo as restantes páginas do Angola Haria sofrerão um pouco, sem no entanto ficarem totalmente paralisadas.

Esperamos e agradecemos a vossa compreensão.

26 de outubro de 2006

A Excisão em África







A excisão em África reduz a mulher ao estado animal


As mutilações sexuais femininas tornaram-se um dos crimes mais ignóbeis contra a Humanidade, indica um documento do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos.

Com efeito a maior parte das mulheres africanas são vítimas de fístulas vesicovaginais como consequência das mutilações sexuais. Entre 100 e 132 milhões de entre elas sofrem das consequências desta prática. A cada ano um número acrescido de 2 milhões de raparigas arrisca-se a sofrer a mesma sorte. Tornam-se incontinentes, o que lhes vale serem banidas da sociedade. Morrem, por vezes.

Estas condições reduzem as mulheres ao estado animal.

Estas operações infamantes são praticadas em África, na Ásia, no Médio Oriente e na Península Arábica. A excisão é igualmente praticada no Peru, nomeadamente entre os Conibos, tribo de índios Panos do nordeste do país.

Tudo começa quando uma rapariguinha se aproxima da maturidade: é drogada e submetida a mutilações na presença do grupo familiar. A operação é praticada por uma mulher mais-velha com a ajuda de uma lâmina de bambu. Consiste no corte do hímen à entrada da vagina e separação dos lábios, expondo completamente o clítoris. De sublinhar que o peso da tradição é tal que as mulheres têm dificuldade em relacionar a excisão com as suas consequências para a saúde e a reprodução, afirma a fonte.

Para erradicar o carácter nefasto destas práticas existem, no Burkina Faso como no Senegal, textos legais que as reprimem, não acontecendo o mesmo ainda no Mali, na Gambia ou na Guiné-Bissau. Daí a “transumância” das excisadoras, o que torna difícil o combate aos relapsos, do mesmo modo que os próprios pais contribuem para a perpetuação do fenómeno enviando as filhas para os países vizinhos, onde as fazem excisar sem temer qualquer acção dos poderes públicos.

Os parlamentares eleitos de vários países da África Ocidental insistem na necessidade da harmonização das legislações. As coisas avançam lentamente. Em África as mulheres batem-se pelo recuo desta prática; em Paris Pierre Foldes, cirurgião urologista e responsável para a Ásia dos Médicos do Mundo, inventou uma técnica de reparação do clítoris.

A título de referência: a mutilação sexual feminina mais frequente é a excisão do clítoris e pequenos lábios, representando perto de 80% dos casos. A forma extrema é a infibulação: cerca de 15% dos casos. Um estudo sobre as mutilações sexuais femininas realizado em 1998 fornece detalhes sobre as consequências físicas, psicológicas e sexuais nas mulheres e raparigas que as suportam.

As consequências físicas são as seguintes: falecimento, hemorragias, choques, lesões nos órgãos vizinhos, infecções, dores agudas, ausência de cicatrização, formação de abcessos, dermatoses, quistos, quelóides, neurones de cicatriz, dispareunia, HIV/SIDA, Hepatite B e outras doenças transmissíveis pelo sangue, pseudoinfibulação, infecção das vias genitais, dismenorreias, retenção urinária, infecção das vias urinárias, obstrução crónica das vias urinárias, incontinência urinária, estenose da abertura artificial da vagina, complicações no trabalho de parto.

O ideal seria que toda a sociedade – e particularmente os líderes de opinião como são os parlamentares, as autoridades tradicionais e os responsáveis religiosos, bem como os médicos e os técnicos de saúde - se mobilizasse para proteger as jovens de tais práticas que atentam contra a dignidade da mulher e deixam marcas duradouras na sua integridade física e moral e perturbam as relações entre homens e mulheres.

Doudou Esungi


16.05.2006


tradução:
Admário Costa Lindo



"É difícil saber o que me teria acontecido se não tivesse sido mutilada. Faz parte de mim, não conheço outra realidade"

Se a mutilação genital fosse um problema que afectasse os homens, o assunto estaria resolvido há muito tempo

Waris Dirie


WARIS DIRIE nasceu na Somália.

Com apenas cinco anos de idade foi vítima de um dos mais bárbaros costumes - a mutilação genital.

Aos doze anos o pai tentou negociar o seu casamento com um homem de sessenta.

Decidiu desaparecer. Os perigos da sua fuga pelo deserto viriam a ser largamente compensados pela conquista da liberdade.

Hoje é uma modelo famosa e vive em Nova Iorque.

Em 1997 foi nomeada pelas Nações Unidas Embaixadora para os Direitos das Mulheres, na luta pela eliminação da prática da mutilação genital feminina.

adaptado de
Waris Dirie. Aurora no Deserto, Edições ASA, Porto, 2003.




Leitura aconselhada:

Waris Dirie – Flor do Deserto e Aurora no Deserto, publicados em Portugal por Edições ASA.

Mutilar o corpo e a alma


Outubro/Dezembro.2000 pg. 5


O Manifesto de Waris Dirie

Fundação de Waris Dirie

17 de outubro de 2006

Rafael Marques, "Civil Courage Prize" 2006



foto Civil Courage Prize




O jornalista angolano e activista dos Direitos Humanos, Rafael Marques de Morais, foi galardoado com o “Civil Courage Prize” (Prémio Coragem Cívica) 2006, instituído pelo “Northcote Parkinson Fund”, uma prestigiada Fundação privada norte-americana.

A Cerimónia de entrega do Prémio terá lugar a 18 de Outubro corrente na Harold Pratt House de Nova Iorque.

Com 35 anos de idade, Rafael Marques “é um líder tenaz no combate pela reforma do repressivo e corrupto governo de Angola.”, pode ler-se no comunicado de atribuição do prémio.

Quem não se lembra que Rafael Marques foi acusado de injúrias ao Presidente da República e condenado por abuso de liberdade de imprensa? Do recurso resultou a suspensão da pena e a obrigatoriedade do pagamento de uma indemnização por danos morais ao Presidente.

A sua prisão ficará na História como o marco cimeira da luta pela liberdade de imprensa em Angola.

Mas Rafael Marques não se intimidou e não parou por aqui. Tenho para mim que isso apenas lhe deu mais força para a sua batalha contra a repressão, a corrupção e a injustiça.

O prémio foi-lhe atribuído pelo seu trabalho realizado entre 1999 e 2002, período durante o qual investigou e “escreveu extensivamente sobre as condições contínuas de pobreza das populações da província de Cabinda, rica em petróleo, e da Lunda, a principal região de exploração diamantífera.”

“Rafael Marques estuda presentemente na University of London. A sua família continua em Angola. A publicação dos seus textos críticos continua via Internet e outros media.”

Embora Portugal o ignore, ou por isso mesmo, não deixem de ler o portentoso relatório

Operação Kissonde:
Os Diamantes da Humilhação e da Miséria



Admário Costa Lindo

15 de outubro de 2006

1ºs Jogos da Lusofonia






4 Continentes, 1 Língua
Unidos pelo desporto


Terminam hoje os 1ºs Jogos da Lusofonia a decorrer em Macau sob a égide da Associação dos Comités Olímpicos de Língua Oficial Portuguesa (ACOLOP).

Estão presentes 760 atletas dos 12 países e regiões da ACOLOP: Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Índia (Goa), Macau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe, Sri Lanka e Timor-Leste, competindo nas modalidades de atletismo, basquetebol, futebol, futsal, taekwondo, ténis de mesa, voleibol e voleibol de praia.


A ACOLOP foi fundada a 8 de Junho de 2004, em Lisboa, com o objectivo de integrar os países e regiões de língua portuguesa a partir do desporto estando reconhecida pelo Comité Olímpico Internacional.


“Foi o culminar de um complexo processo de diplomacia desportiva, de aproximação entre povos e culturas, de comunhão de vontades e aspirações, mas foi, sobretudo, a concretização do que muitos consideravam uma utopia. Foi um sinal de vitalidade extraordinário, com impacto indelével no futuro próximo.

Focalizando a génese desta Associação, bastaria enunciar os laços históricos comuns e o elo de ligação traduzido na língua comum e em fenómenos de intersecção cultural seculares, mas a ACOLOP projecta-se bem mais além. Ela propõe-se confrontar alguns dos novos desafios que se colocam ao Olimpismo, à globalização e que caracterizam o movimento evolutivo desportivo em cada um dos países integrantes deste movimento, que transcende a CPLP, ao congregar a Guiné Equatorial e a Região Administrativa Especial de Macau.” (1)

“A realização dos primeiros jogos da ACOLOP em Macau não pode nem deve ser dissociada do elevado empenho de todos e do Governo de Macau em preservar a história singular de encontro de culturas do território bem como de servir como plataforma de ligação entre a República Popular da China e a lusofonia.” (2)

“A nossa ligação e amizade não fica apenas nas trocas comerciais e na cooperação económica e por isso, a área desportiva assume um destaque particular como mais um elo da ligação, como mais uma forma de cooperação e de desenvolvimento da nossa amizade.” (3)


Jogos de 2009 atribuídos a Portugal

A 6.ª Assembleia-geral da ACOLOP, reunida em Macau a 10 do corrente, atribuiu a Portugal a realização dos 2ºs Jogos da Lusofonia, a decorrer em 2009.

A esta assembleia foram também apresentadas as pré-candidaturas da Índia (Estado de Goa) e do Brasil à terceira edição, em 2013.

Admário Costa Lindo

HINO

Não há terra nem há mar
Que consigam separar
Quem fala o idioma
Do coração
Não há tempo nem distância
Que apaguem a fragrância
De uma amizade
Que perdura

Não há credo nem há cor
Que abalem o ardor
Desta grande família
Que mora em todo o mundo
Vamos juntos celebrar
Este encontro singular
Em paz, harmonia
E plena comunhão

Gentes da lusofonia
Espalhem a vossa emoção
E a vossa alegria
Gentes da lusofonia
Partilhem a vossa paixão
E sabedoria

Há sabores e perfumes
E diferença nos costumes
Que trazem mais riqueza
À nossa união
Há no ar uma esperança
Há a fé numa mudança
Que transforme a nossa vida
Em algo bem melhor

Letra e música de Luís Pedro Fonseca



(1)
Comandante Vicente Moura, Presidente da Associação dos Comités Olímpicos de Língua Oficial Portuguesa.

(2)
Dr. Manuel Silvério, Presidente da Comissão Organizadora dos Primeiros Jogos dos Comités Olímpicos de Língua Oficial Portuguesa.

(3)
Dr. Edmund Ho, Chefe do Executivo da Região Administrativa Especial de Macau da República Popular da China.

13 de outubro de 2006

Muhammad Yunus, Nobel da Paz 2006



"Se eu fosse um capitalista abastado, criaria uma dotação de fundos para cada um destes empreendedores. Se fosse um produtor de Hollywood, faria um filme para contar as suas histórias."


O Prémio Nobel da Paz 2006 foi atribuído a Muhammad Yunus, professor universitário de Economia e ao Banco Grameen do Bangladesh, por si fundado e entidade bancária vocacionada para o microcrédito, pelos “seus esforços para criar desenvolvimento económico e social a partir da base”.


Atendendo que - como referiu à Lusa o sociólogo e presidente do Conselho Económico e Social, Alfredo Bruto da Costa - "há uma relação muito forte entre a pobreza e a paz", uma vez que "a pobreza e a fome significam em si próprias uma situação de violência e são um clima favorável ao desenvolvimento de guerras", a atribuição deste prémio ao pai do microcrédito é de uma justeza inatacável.

O grande contributo de Muhammad Yunus para a causa da Paz foi o facto de, definitivamente, ter transformado o microcrédito em teoria Económica.

Por outras palavras: Muhammad Yunus provou que também os pobres e marginalizados pelo grande capital, aqueles que não conseguem as garantias exigidas pelos magnatas da banca mundial, são capazes de ter ideias e criar riqueza.

A prova acabada desta teoria é a rentabilidade demonstrada pelo Banco Grameen. Nascido no Bangladesh, um país subdesenvolvido, com uma população de 150 milhões de habitantes num território que não chega a ter duas vezes a área de Portugal e cujo rendimento das famílias mais pobres não ultrapassa os 51 euros anuais, o Banco já estendeu a sua acção a mais 59 países, Portugal incluído.

A Associação Nacional de Direitos de Crédito baseia a sua acção na filosofia de Muhammad Yunus. “O número de empréstimos concedidos a pessoas que não têm acesso a crédito para desenvolver negócios por falta de garantias mais do que duplicou em 2005, em Portugal. O número de empréstimos de microcrédito tinha aumentado em Portugal 142 por cento relativamente a 2004, para 153 processos, que totalizaram um volume de crédito concedido de 693,73 mil euros e que traduz uma subida de 119 por cento, segundo dados disponibilizados em Janeiro passado. Desde o início da associação, em 1999, a ANDC ajudou a criar cerca de 630 empresas e 700 postos de trabalho.”

E pergunta-se: será que os grandes senhores da banca nacional seguirão o exemplo do Prémio Nobel da Paz?

É muito difícil acreditar nesta hipótese. Para se igualar Muhammad Yunus não é vital ser Economicista: é necessário, apenas, ser um Grande Humanista. E alguém conhece Humanistas na grande banca portuguesa?

Admário Costa Lindo.

fonte: SIC/Lusa.


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9 de outubro de 2006

Mossungo





Acaba de nascer uma nova página no Angola Haria.

Mossungo é o pseudónimo de Eduardo Brazão-Filho, um moçamedense com uma vasta obra praticamente inédita.

Iremos publicando excertos dessa obra, em poesia e em prosa, que demonstra quanto o autor amava a sua terra e o seu povo.

O link encontra-se na coluna da direita, em "As Outras Páginas".

6 de outubro de 2006

Prémio Nacional de Cultura 2006 - II

O escritor Uanhenga Xitu foi o vencedor da disciplina de Literatura do Prémio Nacional de Cultura e Artes.

Uanhenga Xitu
foto Angop


Para a atribuição deste troféu, o júri do prémio presidido por Fátima Viegas, justificou a escolha de Uanhenga Xitu pela qualidade estético-artística do conjunto das obras do escritor que teve início em 1974 com a publicação do "Meu Discurso".

Nos seus trabalhos, o escritor e o contador tradicional cruzam-se numa recriação escrita da oralidade, que se faz mediante a inserção genealógica e a hibridação textual que é, no fundo, o caminho escolhido para manifestar em termos formais as confluências referidas.

Uanhenga Xitu é o pseudónimo de Agostinho Mendes de Carvalho, nascido aos 29 de Agosto de 1924, em Calomboloca, Icolo e Bengo, província do Bengo.

De sua autoria fazem parte as obras "Meu Discurso", 1974; "Mestre Tamoda", 1974; "Bola com Feitiço", 1974; "Manana", 1974; "Vozes na Sanzala - Kahitu", 1976; "Os Sobreviventes da Máquina Colonial Depõem", 1980; "Os Discursos de Mestra Tamoda", 1984; "O Ministro", 1989; "Cultos Especiais", 1997, "Os Sobreviventes da Máquina Colonial Depõem", reedição 2002.



A Banda Maravilha foi a vencedora da disciplina de Música do Prémio Nacional de Cultura e Artes.

Segundo a presidente do júri, Fátima Viegas, a atribuição do prémio a este grupo tem a ver com a singularidade do seu percurso no contexto da música popular angolana.

Acrescentou que foi realçado durante o período de análise das obras concorrentes, o grau de profissionalização, a evidenciação de renovação e capacidade de diálogo do grupo com outras vertentes estilísticas.

Para a atribuição do troféu, o corpo de jurado socorreu-se ainda ao facto de a sua última obra discográfica "Zungueira" consolidar as qualidades rítmicas do grupo.

A Banda Maravilha, criada em 1993, tem como integrantes Moreira Filho (baixista e vocalista), Chico Santos (percussionista), Marito Furtado (baterista), Carlos Venâncio (guitarra ritmo e solo) e Mikeias (teclista).

O agrupamento tem no mercado três discos, sendo o primeiro "Angola Maravilha", lançado em Julho de 1997, o segundo "Semba Luanda", em Fevereiro de 2001, e o terceiro "Zungueira", em Agosto de 2001.

A obra contém 11 faixas musicais e contou com as participações de músicos brasileiros como Margareth de Menezes, Serginho Trombone, Leu, Goldmen e Demetrio Bizerra, bem como a Banda Desejos.

Produzido pela Rubens Produções, foi masterizado e misturado pela Rádio Vial sem quaisquer custos.



5.10.2006

5 de outubro de 2006

Prémio Nacional de Cultura 2006 - I



Anúncio do Prémio Nacional de Cultura e Artes 2006
foto Angop



O Ministério da Cultura (Mincult) anunciou hoje, em conferência de imprensa realizada no Museu Nacional de História Natural, em Luanda, os vencedores das diversas disciplinas do Prémio Nacional de Cultura e Artes 2006.

Fátima Republicano Viegas, Presidente do Júri


O júri foi integrado pelas seguintes personalidades:
Fátima Republicano Viegas– presidente,
Samuel Aço, na disciplina de Investigação em Ciências Humanas e Sociais,
Adriano Botelho de Vasconcelos e João Maiomona, Literatura,
Marcela Costa e Augusto Ferreira, Artes Plásticas.

Fizeram ainda parte dos jurados
Nelson Augusto e Domingos Nguinzani, Dança,
Dionísio Rocha e Angelo Quental, música,
Carlos Alberto Castelhano Dias e Pulquéria Van-Dúnem, Teatro,
Maria João Ganga e Manuel Mariano, nas disciplinas de Cinema e Áudiovisuais.

Eis os premiados na edição 2006:

Investigação em Ciências Humanas e Sociais
Investigador e professor universitário Zavoni Ntondo, pela obra Morfologia e Sintaxe do Ngangela

Dança
Ana Clara Guerra Marques, pela qualidade estético-artística das suas representações.

Música
Banda Maravilha, pela singularidade do seu percurso no contexto da música popular angolana.

Literatura
Uanhenga Xito, pela qualidade do conjunto da sua obra literária, cujas produção se iniciou em 1974 com o livro Os Discursos do Mestre Tamoda.

Nas disciplinas de Teatro, Artes Plásticas e Cinema e Audiovisuais não houve vencedores por o júri considerar que as obras apresentadas não apresentaram qualidade compatível com o nível de exigência do prémio.

De periodicidade anual, o Prémio Nacional de Cultura e Artes é uma realização do Ministério da Cultura (Mincult) e visa incentivar a criatividade artística, promover a qualidade da produção do cinema e audiovisuais, os bens culturais e de conhecimento, através da publicação, divulgação e valorização.

O prémio é uma homenagem e incentivo ao génio criador dos angolanos, tendo por fim perpetuar no seio dos cidadãos nacionais ideias tendentes à compreensão das múltiplas formas da criação artística, diversidade das manifestações linguísticas e culturais do povo e da unidade do Estado e da Nação.


»»» Desenvolvimento






5.10.2006

24 de setembro de 2006

Alto Hama - crónicas (diz)traídas


Foi lançado em Lisboa, na Casa de Angola, com apresentação de Eugénio Costa Almeida, o livro “Alto Hama - crónicas (diz)traídas”, do jornalista Orlando Castro, uma colectânea de artigos publicados no “Notícias Lusófonas”.

Editada pela Papiro Editora com o apoio da Casa de Angola, a obra reúne crónicas que abordam temáticas relacionadas com os países da Lusofonia. O prefácio é de Eugénio Costa Almeida.

Segundo Eugénio Costa Almeida, “Alto Hama - crónicas (diz)traídas” é um livro onde se analisam alguns casos respeitantes a Portugal, a Angola, à Lusofonia e todas as vertentes que a envolvem, como a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), a africanidade e alguns sectores não africanos, assim como o jornalismo.



foto Alto Hama.blogspot.com

Orlando Castro nasceu em 1954 em Angola, onde viveu até 1975. A sua actividade jornalística teve início muito antes da independência do país no jornal “A Voz dos Mais Novos”, órgão de informação do Liceu Nacional General Norton de Matos de Nova Lisboa. Foi também nesta instituição que se diplomou em Jornalismo.

Ainda em Angola, entre 1973 e 1975, foi redactor do diário “A Província de Angola” e chefe de Redacção da revista “Olá! Boa Noite”, bem como colaborador da Rádio Clube do Huambo, da Emissora Comercial do Huambo e do bissemanário “O Planalto”.

Em Portugal, para onde veio em finais de 1975, colaborou com os jornais “Pontual”, “O País”, “Templário”, “Jornal de Ramalde”, “Vida Social”, “Voz do Barreiro”, “O Primeiro de Janeiro” e ainda na “RIT – Revista da Indústria Têxtil”. Integra, desde 1991, a redacção do “Jornal de Notícias”.

É também autor dos livros “Algemas da Minha Traição” (1975), “Açores - Realidades Vulcânicas” 1995), “Ontem, Hoje... e Amanhã?” (1997) e “Memórias da Memória” (2001).

Twayovoka apresenta “O Perdão e a Reconciliação”

Uma peça teatral intitulada "O Perdão e a Reconciliação", uma aceitação mútua e sem exclusão num lar turbulento, vai abrir hoje em Benguela o projecto "Noites de Teatro", uma iniciativa da Organização Twayovoka Para o Desenvolvimento, destinada a fomentar um espaço de cultura e lazer, através das artes cénicas.

Segundo o seu director-geral António Capela, o projecto visa ainda angariar fundos para dar sustentabilidade às acções que a instituição pretende realizar na província.

Com duração de um ano , a iniciativa contempla a exibição quinzenal, nas cidades de Benguela e Lobito, de peças de teatro envolvendo mais de 20 actores. Pretende-se também expandir a experiência para Luanda, de três em três meses.

As "Noites de Teatro" terão como inovação a entoação de cânticos e a declamação de poesias.

A Organização Twayovoka, criada em 2000 inicialmente como grupo teatral, é uma ONG de índole voluntária, apartidária e filantrópica, com personalidade jurídica, autonomia administrativa e financeira.

23.09.2006

Memórias de Alcides Sakala



Está editada pela D. Quixote a obra “Memórias de Um Guerrilheiro", de Alcides Sakala, líder do grupo parlamentar da UNITA.

Sobre o livro diz o autor

Este diário retrata o meu quotidiano, enquanto guerrilheiro, político e diplomata. Escrevi-o num dos períodos mais difíceis da história de Angola, entre os anos de 1998 a 2002, numa fase que considero como a mais importante da minha vida, relativamente à consolidação das minhas convicções políticas e ideológicas.
[...]
Estas reflexões são produto da experiência que vivi ao longo de muitos anos de luta política, armada e diplomática, por um ideal em que sempre acreditei: a implantação em Angola de um Estado de Direito Democrático multipartidário.”




Público

21 de setembro de 2006

Leis Novas, Ideias Velhas





ESTA GENTE QUE MANDA AGORA
FAZ LEIS NOVAS COM IDEIAS VELHAS

CASTRO SOROMENHO


( fala de Albino Lourenço em “A Chaga” )

As Mulheres de Ferreira Pinto


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As Cores de Uma Descoberta

de Ferreira Pinto


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20 de setembro de 2006

Analfabetos

crédito da imagem: http://www.unisc.br


OS VERDADEIROS ANALFABETOS
SÃO OS QUE APRENDERAM A LER
E NÃO LÊEM.

Mário Quintana


( de uma amiga muito especial do Angola Haria)

5 de setembro de 2006

Angola organiza o CAN'2010

"A República de Angola vai albergar em 2010 a fase final do Campeonato Africano das Nações em futebol (CAN), anunciou hoje na cidade do Cairo (Egipto), o presidente da Confederação continental da modalidade (CAF), o camaronês Issa Hayatou."

ler notícia completa »»»


Os responsáveis angolanos mais directamente relacionados com o evento já se pronunciaram tecendo loas a esta conquista.

Escolha traduz o prestígio que o país tem vindo a conquistar… José Eduardo dos Santos, Presidente da República

Agora devem ser preparadas as condições desportivas e não só… Roberto de Almeida, Presidente da A.N.

Um orgulho nacional acolher a prova agfricana… Justino Fernandes, Presidente da F.A.F.

Dignificámos o nome do país… Albino da Conceição, Vice-Ministro da Juventude e Desportos

Eu também me regozijei com o facto, mas fico na expectativa.

Vou reter as palavras de Roberto de Almeida, Presidente da AN: “agora devem ser preparadas as condições desportivas e não só para que, como organizadores, estejamos entre os lugares dignos na tabela classificativa.”

Pode ser que o Povo beneficie com as condições “e não só”: melhoramento da rede viária e incremento das ligações interurbanas, resolução do cancro do saneamento básico, criação de empregos dignos, melhoria substancial das infraestruturas de saúde pública, humanização da malha habitacional periférica de Luanda…

Espero que este evento sirva, também, para isto! E isto não será pedir muito (aguardemos os orçamentos!). Só a satisfação destas necessidades básicas do Povo Angolano dará algum sentido a estes discursos.

admário costa lindo

fonte:
Angop, 4.09.2006

3 de setembro de 2006

Africando os Sons



José Góis* é nascido, criado e fugido de Angola. Músico autodidacta pela curiosidade e necessidade. Nos finais dos anos 70 criou, com Paulo Fiel, Álvaro Serra e Cepeda, a banda Íris Púrpura. Depois de muitas viagens encontrou-se em estúdio com um grupo de amigos e gravou, em 1998, o CD Agridoce.

Voz da Póvoa: O africano parece nascer com os ritmos e a música, é também o seu caso?

José Góis: A música corre há gerações no sangue da minha família. A sanfona, o bandolim ou o violino, são apenas alguns dos instrumentos que o meu pai, o meu avô ou o meu bisavô tocavam. É uma herança genética à qual dei continuidade, por estar sempre pendurado na saudade de Angola. Em presença tenho estado por cá, mas em alma nunca saí de lá. O instrumento aparece como uma terapia e uma companhia.

VP: Já a viver na Póvoa a música africana acaba por ter que esperar. Porquê?

JG: Quando cheguei, em 1977, fugindo da guerra, os amigos que fui conhecendo com as suas bandas de garagem, apostavam em projectos rock, adaptei-me guardando a minha África para outra altura. O primeiro projecto chamava-se Íris Púrpura. Depois nesta história da música cabem muitos amigos, que vão chegando e abraçando as sonoridades, como Noé Gavina, Carlos Martins, Ernesto Candal, Sérgio e tantos outros. Com o evoluir dos músicos andamos ali perto do jazz e do clássico sem ter atingido nenhum dos lugares, desta fusão deu-se a confusão e cada um seguiu a sua estória.

VP: Porque razão nunca teve um projecto consistente?

JG: Na música sempre andei à procura de mim, não sigo nenhum sonho, devo apenas estar a perseguir essa história do meu lado preto. Sei que para voltar às minhas origens só posso ir por aí, pelo lado do sentimento, para assinar o meu armistício interior, que me arranca da alma as composições. Nunca tive a necessidade de me afirmar com nada. Nas viagens e nos concertos por essa Europa encontrei pessoas que gostam de mim e daquilo que faço. A música é o princípio do meu equilíbrio.

VP: Qual é a fórmula errada para que um projecto musical se perca?

JG: Penso que o músico debita um certo individualismo e quando isso acontece os projectos falham. O grupo tem a exigência da afinação para que funcione num todo. Muitos dos músicos com quem trabalhei hoje tocam sozinhos, os persistentes fazem carreira, os outros andam por aí e é pena porque havia grandes talentos que ficaram muito perto das coisas sérias. Eu também andei por aí, fiz uma viagem de 180 dias no deserto da Namíbia tendo como companhia a guitarra.

VP: E o disco Agridoce?

JG: É a primeira estória do sabor adquirido da África e do mundo. É um disco carregado de saudade e de cansaço, cantado num dialecto de Angola que, tendo passado um pouco ao lado deste país, passou muito no auditório da RDP África e nas rádios de Angola. O disco já passou pela pirataria e sofreu umas mixagens. Os tipos viram que eu estava cansado e deram-lhe outro ritmo, africanizando mais um pouco.

VP: Sei que o regresso ao estúdio está para breve. É o regresso à África dos sons?

JG: Definitivamente o projecto tomou a direcção africana, o objectivo é chegar ao corredor da lusofonia. Para esta viagem conto com um grupo de jovens amigos, o brasileiro Tuca na percussão, Toni Vieira no baixo e contrabaixo, o Tiago, como convidado, no violino e umas vozes femininas africanas. O projecto está a ser trabalhado desde o início do ano, os compromissos têm atrasado um pouco, mas está aí mesmo a bater à porta.

entrevista conduzida por José Peixoto
“A Voz da Póvoa”, 17.08.2006


* José Góis nasceu na Palanca, Humpata, Huíla a 16 de Março de 1962. Reside na Póvoa de Varzim. É irmão do artista plástico Carlos Góis Pino »»».



31 de agosto de 2006

Memorando para a Paz em Cabinda

Tarefas do Memorando de Entendimento para a Paz em Cabinda assinado pelo Governo e o FCD entram em funcionamento

O Memorando de Entendimento para a Paz e Reconciliação em Cabinda começou a ser implementado quarta-feira, na sequência da primeira reunião ordinária da Comissão Conjunta, que teve lugar na província mais ao norte de Angola, com a participação dos responsáveis desse órgão.

Na sequência deste encontro, o governo angolano e o Fórum Cabindês para o Diálogo (FCD) consideraram estar reunidas as condições necessárias para o início da implementação desse instrumento.

Manifestaram-se igualmente determinadas a tudo fazer no sentido do cumprimento escrupuloso das suas obrigações e, por conseguinte, declararam a entrada em funções da Comissão Conjunta do Memorando de Entendimento para a Paz e Reconciliação em Cabinda. O mesmo apreço foi dado à Comissão Militar Mista.

Com vista a promover e velar pela implementação do memorando o governo e FCD declararam a entrada em funções da Comissão Conjunta resultante do memorando, incluindo a Comissão Militar Mista.

As conclusões desta primeira reunião da Comissão Conjunta realçam que as partes abordaram os assuntos principais ligados ao memorando, assim como apresentaram as bases de planeamento e os objectivos a atingir. As tarefas imediatas, seus executantes e os prazos de cumprimento foram também abordadas pelas duas delegações.

A iniciativa foi presidida pelo ministro da Administração do Território, Virgílio Fontes Pereira, e nela estiveram presentes o presidente do FCD, António Bento Bembe, para além dos restantes integrantes de cada lado.

Participaram nesta primeira reunião, na qualidade de convidados, o ministro das Obras Públicas, Higino Carneiro, representantes da igreja Católica e do Conselho das Igrejas Cristãs em Angola.

O Memorando de Entendimento para a Paz e Reconciliação na província de Cabinda foi assinado a um de Agosto, na cidade do Namibe, pelo Governo e o Fórum Cabindês para o Dialogo.

Este documento é o resultado de longo período de conversações, que resultou na assinatura entre as chefias militares do Governo e do FCD, no passado dia 18, na localidade de Chicamba, município de Massabi, Cabinda, de um acordo de cessar-fogo para esta parcela do território nacional.

O instrumento prevê a atribuição de um estatuto especial a Cabinda, com respeito à Lei Constitucional e demais legislação em vigor na República de Angola, Nação una e indivisível.

Angop, 31.08.2006

Início do Registo Eleitoral

O Governo aprovou quarta-feira, em Luanda, uma resolução que estabelece o período de Registo Eleitoral normal, que deverá ocorrer do dia 15 de Novembro do corrente ano a 15 de Junho de 2007.

Segundo um comunicado de imprensa da reunião, orientada pelo Presidente da República, José Eduardo dos Santos, o período de Registo Eleitoral terá a duração de seis meses, já que sofrerá um interregno no período que vai de 15 de Dezembro a 15 de Janeiro de 2007.

Em declarações à imprensa, no final do encontro, o vice-ministro da Administração do Território, Edeltrudes Costa, referiu que "a aprovação deste documento é de extrema importância, pois só se poderá pensar na realização de eleições depois da conclusão do Registo Eleitoral".

Acrescentou que todo o trabalho realizado pela Comissão Nacional Eleitoral foi no sentido de se criar as condições técnicas para a realização deste registo.

"Poderemos agora implementar todas as tarefas que constam do programa elaborado por este grupo", concluiu.

Angop, 31.08.2006

30 de agosto de 2006

Novas da Cultura III





Huíla vai ganhar estúdio de gravação

A União nacional dos artistas e compositores (UNAC) vai instalar um estúdio de gravação na Huíla, em Janeiro de 2007. Será o colmatar duma lacuna que penaliza os músicos locais; ser-lhes-á, agora, mais fácil gravar.

RNA reeditada “Memória de Sofia Rosa"

Esta 2ª edição foi feita, segundo fontes da Rádio Nacional de Angola, a pedido de vários fãs do artista que, em Maio deste ano, não conseguiram adquirir uma das mil cópias então postas à venda.
Um “Caldo do Poeira” homenageou o cantor nessa altura.

Obras de artistas angolanos expostas em Espanha

Dezasseis obras de artistas plásticos africanos, nomeadamente dos angolanos Ihosvanny, Yonamine, Ndilo Mutima, Kiluanji kia Henda, Nástio Mosquito e Paulo Kapela, estão expostas no Instituto Valenciano de Arte Moderna, em Espanha.
O ante-projecto da Trienal de Luanda está na base da participação angolana nesse certame internacional.

Tantã Cultural nº 225, 10-16.08.2006


Musikando 2

Musikando é um festival musical organizado pela área cultural da Kalu, uma associação de carácter cívico.

A 2ª edição do festival decorreu a 19 de Agosto em Luanda, no Espaço Verde Caxinde.

“O festival MUSIKANDO procura promover a diversidade étnica, cultural e musical de Luanda, tentando, através da interacção dos participantes, abordar temas e problemáticas sociais diversos.
Porque a música é e sempre foi um meio eficaz para levar a mensagem aos jovens, pretendemos, com isso, ajudar a mudar atitudes e mentalidades.
Neste MUSIKANDO 2, teremos, tal como no primeiro, a oportunidade de ver e ouvir novos grupos musicais, dos mais variados estilos, que estão a emergir no seio da nossa cidade. Par além disso, pretendemos alertar e consciencializar todos os participantes deste evento, para uma problemática tão actual e presente na nossa sociedade que é o combate ao HIV SIDA.
Os lucros obtidos no Musikando 2 serão doados à Associação dos Amigos dos Seropositivos (AAS), de forma a apoiar o seu esforço na promoção da luta contra a SIDA."
Organização do Musikando2

Este festival, onde actuaram as bandas Contrastes, Difíceis, Rajja Blues, Nguami Maka, The Niers, Neblina e Kizua teve a participação especial de Dódó Miranda e Afrikanita.

Tantã Cultural nº 226, 17-23.08.2006

20 de agosto de 2006

para escreber vem




Dicas para escreber vem

Evite ao máx. a utiliz. de abrev., etc.

não esqueça as maiúsculas no início das frases.

Evite lugares-comuns como o diabo foge da cruz.

Anule aliterações altamente abusivas.

O uso de parênteses (mesmo quando for relevante) é desnecessário.

Estrangeirismos podem parecer cool, mas dê sempre preferênca a palavras de origem portuguesa.

Evite o emprego de gíria, mesmo que fique maneiro.

Palavras de baixo calão podem transformar o seu texto numa merda.

Nunca generalize: generalizar é um erro em todas as situações.

Não abuse das citações. Como costuma dizer um amigo meu: "Quem cita os outros não tem ideias próprias".

Seja mais ou menos específico.

A voz passiva deve ser evitada.

Exagerar é cem milhões de vezes pior do que a moderação.

Evite mesóclises. Repita comigo: "mesóclises: evitá-las-ei!"

Analogias na escrita são tão úteis quanto chifres numa galinha.

Não abuse das exclamações! Nunca!!! O seu texto fica horrível!!!!!

Seja incisivo e coerente, ou não.

Frases incompletas podem causar.


Recebi um e-mail com texto atribuído a um professor. Modifiquei um pouco e corrigi os erros. Não vou dar crédito pro gajo, mas permito que copie de volta, devidamente repaginado.




16 de agosto de 2006

Comunicação Social... estática

Conselho da Comunicação Social recomenda adaptação das linhas editoriais dos órgãos


A necessidade de se adaptar as linhas editoriais (1) dos órgãos de Comunicação Social ao novo clima de paz e reconciliação nacional e a criação de editoriais de atendimentos às províncias em cada uma das instituições, foram recomendados pelos participantes ao II Conselho Consultivo do Ministério da Comunicação Social, realizado segunda-feira, em Luanda.

A informação consta do comunicado final do encontro, lida no início da II reunião metodológica dos Adidos de Imprensa, realizada terça-feira, igualmente sob a égide do Ministério da Comunicação Social (MCS).

O Conselho teve como objectivo fazer o balanço do trabalho desenvolvido e o grau de implementação das recomendações do encontro anterior, realizado em Junho de 2005, identificar os constrangimentos que dificultaram ou impediram a realização de algumas acções e as propostas de solução, bem como determinar o estado actual do sector e perspectivar o futuro.

Nesta senda, foi recomendado ainda o combate à prática do jornalismo coberto do anonimato e a não observância de postulados deontológicos da profissão e reconhecida a necessidade do uso da publicidade estática, incluindo em línguas nacionais, para a divulgação das realizações do Governo (2), no quadro do seu Programa de Reconstrução e Desenvolvimento.

A aposta na indústria gráfica regional para o seu crescimento e os esforços desenvolvidos pelo Governo, em geral, e particularmente pelo Presidente da República de Angola, José Eduardo dos Santos, foram reconhecidos pelos presentes ao encontro.

A apreciação de informações sobre os investimentos a serem feitos pelo MCS de 2006 a 2008, o estudo para identificar o conjunto dos recursos humanos existentes no sector, bem como a cooperação internacional, onde se destacaram questões relacionadas com o intercâmbio mantido por Angola com outros países no domínio da Comunicação Social, foram ainda apreciados.

O Conselho manifestou-se igualmente preocupado com a falta de cursos superiores de jornalismo nos pólos universitários provinciais e sugeriu a sua inclusão no currículo das unidades universitárias e ouviu atentamente as preocupações levantadas pelos responsáveis da Comunicação Social, tendo concluído continuarem algumas dificuldades nas áreas de transportes, equipamento, energia eléctrica, instalações e formação profissional.

Em relação aos Adidos de Imprensa, reconheceu a oportunidade da criação de mecanismos de articulação entre estes e a estrutura central, usando-se os recursos tecnológicos disponíveis.

A reunião presidida pelo titular da Comunicação Social, Manuel Rabelais, contou com a presença do seu vice-ministro, Manuel Miguel de Carvalho "Wadijimbi", o director nacional, Luís de Matos, directores dos órgãos de imprensa, os delegados provinciais da informação, bem como os adidos de imprensa na qualidade de convidados.

O primeiro encontro do género aconteceu em Junho de 2005, em Luanda.

Angop, 15.08.2006



1.
Isto quer dizer, mais ou menos, o que muita gente pensa e diz: que Angola precisa é de paz e reconciliação nacional. E que neste entretanto nada de ataques ao governo que, coitado, faz o que pode. As críticas ficam para qualquer dia destes, lá mais para diante… Para quando houver outro governo?

2.
Lá como cá, só que mais declaradamente recomendado.
Assim sendo (conjugando o pontos 1 e 2) quem fará a publicidade, estática ou não-estática, incluindo em línguas nacionais, para a divulgação das não-realizações do Governo?

admário costa lindo

5 de agosto de 2006

Novas da Cultura II




ANGOLA

Ilha do Mussulo
crédito : Fernando Manuel Antunes

O 10 de Junho – Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas foi assinalado pelo Centro de Língua Portuguesa/Instituto Camões (CLP/IC) de Benguela com o lançamento da obra Chiquito da Camuxiba, da escritora angolana Chó do Guri, prémio de Literatura Africana do Instituto Marquês de Valle Flor 2003.
Na oportunidade Manuel Pracana Martins, Cônsul-Geral de Portugal, leu uma mensagem do Presidente da República, Cavaco Silva, alusiva ao acto.

Foi inaugurada no Centro Cultural Português de Luanda, a 3 de Julho, a exposição Réplica e Rebeldia: Artistas Plásticos de Moçambique, Angola, Cabo Verde e Brasil.
Antes de se instalar em Luanda esta mostra, produzida pelo IC e já referenciada no Angola Haria, iniciou a sua carreira internacional em Moçambique, a 3 de Julho no Museu Nacional de Arte de Maputo, onde esteve patente durante dois meses.
A exposição é composta por 150 obras de 30 artistas do “atlântico negro de expressão portuguesa”que, vivendo em contextos de pós-guerra e com recursos reduzidos, nunca puderam divulgar os trabalhos dentro e fora dos seus países.


ÍNDIA

Taj Mahal
crédito : http://www.farhorizon.com/India/images-india ac. 4.08.2006


Teve lugar entre os dias 10 e 13 de Junho, em Kolkata, o Festival de Cinema Português numa organização do CLP/IC de Nova Deli.
Foram exibidos os filmes:
de Fernando Lopes, O Delfim (2002);
de José Álvaro Morais, Peixe Lua (2000);
de José Sá Caetano, Maria e as Outras (2004);
de Luís Filipe Rocha, A Passagem da Noite (2003);
de Manoel de Oliveira, Um Filme Falado (2003);
e de Margarida Cardoso, A Costa dos Murmúrios (2004).


MACAU

Mosteiro de Pou Tai Un
crédito : http://www.macautourism.gov.mo/english/photo_gal2_en.phtml ac. 4.08.2006

Esteve patente, de 8 de Junho a 1 de Julho, na Galeria da Livraria Portuguesa de Macau, uma exposição de aguarelas de Lai Ieng *, promovida pelo Instituto Português do Oriente.

A mostra, intitulada Lugares de Portugal, reuniu obras realizadas pelo pintor macaense durante várias visitas a Portugal.
Lai Ieng já expôs, para além de Macau, em Portugal, Canadá, Cantão, Xangai e Hong Kong.


MOÇAMBIQUE

Ilha de Moçambique
crédito : http://www.templeworld.com/africa/mozambique.htm ac. 4.08.2006

Decorreu entre 13 e 16 de Junho, na sala de conferências do CLP/IC de Maputo, no âmbito do programa Novo Cinema Gulbenkian – Programa Gulbenkian – Criatividade e Criação Artística, uma mostra de cinema composta por filmes produzidos nos cursos de realização, documentários, realização de cinema e encenação de ópera, ministrados sob a égide da Fundação Gulbenkian.
A mostra constou da exibição de 20 filmes, documentários e curtas-metragens de ficção, alguns já premiados em festivais internacionais.

De 8 a 17 de Junho estiveram expostas, na galeria do CLP/IC de Maputo, as obras vencedoras do Prémio Instituto Camões para o Conto e Banda Desenhada 2005, dirigido a estudantes de Escolas Secundárias Gerais, Ensino Médio, Técnico e Universitário.
O 1º Prédio do Conto foi atribuído a Manuel Jesus Joaquim, o 2º a Francisco Jaime Absalão e o 3º a Lucílio Orlando Manjate. Na modalidade BD foi apenas atribuído o 1º Prémio, a Rui Vaquina dos Santos, e uma Menção Honrosa a Titos Moisés Pelembe.


SÃO TOMÉ E PRÍNCIPE

São Tomé e Príncipe
crédito : http://www.corpodapaz.com ac. 4.08.2006

Decorreu, de 9 a 15 de Junho, a Semana de Língua Portuguesa organizada pelo CLP/IC.
Isabel Leiria, Professora da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, foi a convidada de honra e orientadora da conferência O Português em África e da Acção de Formação para Professores de Língua Portuguesa.
Do encontro fizeram ainda parte a exposição Os Espaços do Crioulo e a final das Olimpíadas da Língua Portuguesa.


fonte:
Suplemento Camões, nº 102
in:
JL-Jornal de Letras, Artes e Ideias, 2-15.08.2006



*
Lai Ieng começou a pintar aguarelas em 1970.

Explora cada canto de Macau, cada rua, para captar a essência da vida da cidade e do seu povo.
Os tons doces do seu trabalho retratam os detalhes naturais da paisagem citadina e inflamam de nostalgia as suas memórias.
Os trabalhos de Lai manifestam um amor enraizado por Macau e uma grande afeição pelo passado.




adaptado de http://www.macautourism.gov.mo/news ac. 04.08.2006