SEGUIDORES

13 de outubro de 2006

Muhammad Yunus, Nobel da Paz 2006



"Se eu fosse um capitalista abastado, criaria uma dotação de fundos para cada um destes empreendedores. Se fosse um produtor de Hollywood, faria um filme para contar as suas histórias."


O Prémio Nobel da Paz 2006 foi atribuído a Muhammad Yunus, professor universitário de Economia e ao Banco Grameen do Bangladesh, por si fundado e entidade bancária vocacionada para o microcrédito, pelos “seus esforços para criar desenvolvimento económico e social a partir da base”.


Atendendo que - como referiu à Lusa o sociólogo e presidente do Conselho Económico e Social, Alfredo Bruto da Costa - "há uma relação muito forte entre a pobreza e a paz", uma vez que "a pobreza e a fome significam em si próprias uma situação de violência e são um clima favorável ao desenvolvimento de guerras", a atribuição deste prémio ao pai do microcrédito é de uma justeza inatacável.

O grande contributo de Muhammad Yunus para a causa da Paz foi o facto de, definitivamente, ter transformado o microcrédito em teoria Económica.

Por outras palavras: Muhammad Yunus provou que também os pobres e marginalizados pelo grande capital, aqueles que não conseguem as garantias exigidas pelos magnatas da banca mundial, são capazes de ter ideias e criar riqueza.

A prova acabada desta teoria é a rentabilidade demonstrada pelo Banco Grameen. Nascido no Bangladesh, um país subdesenvolvido, com uma população de 150 milhões de habitantes num território que não chega a ter duas vezes a área de Portugal e cujo rendimento das famílias mais pobres não ultrapassa os 51 euros anuais, o Banco já estendeu a sua acção a mais 59 países, Portugal incluído.

A Associação Nacional de Direitos de Crédito baseia a sua acção na filosofia de Muhammad Yunus. “O número de empréstimos concedidos a pessoas que não têm acesso a crédito para desenvolver negócios por falta de garantias mais do que duplicou em 2005, em Portugal. O número de empréstimos de microcrédito tinha aumentado em Portugal 142 por cento relativamente a 2004, para 153 processos, que totalizaram um volume de crédito concedido de 693,73 mil euros e que traduz uma subida de 119 por cento, segundo dados disponibilizados em Janeiro passado. Desde o início da associação, em 1999, a ANDC ajudou a criar cerca de 630 empresas e 700 postos de trabalho.”

E pergunta-se: será que os grandes senhores da banca nacional seguirão o exemplo do Prémio Nobel da Paz?

É muito difícil acreditar nesta hipótese. Para se igualar Muhammad Yunus não é vital ser Economicista: é necessário, apenas, ser um Grande Humanista. E alguém conhece Humanistas na grande banca portuguesa?

Admário Costa Lindo.

fonte: SIC/Lusa.


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9 de outubro de 2006

Mossungo





Acaba de nascer uma nova página no Angola Haria.

Mossungo é o pseudónimo de Eduardo Brazão-Filho, um moçamedense com uma vasta obra praticamente inédita.

Iremos publicando excertos dessa obra, em poesia e em prosa, que demonstra quanto o autor amava a sua terra e o seu povo.

O link encontra-se na coluna da direita, em "As Outras Páginas".

6 de outubro de 2006

Prémio Nacional de Cultura 2006 - II

O escritor Uanhenga Xitu foi o vencedor da disciplina de Literatura do Prémio Nacional de Cultura e Artes.

Uanhenga Xitu
foto Angop


Para a atribuição deste troféu, o júri do prémio presidido por Fátima Viegas, justificou a escolha de Uanhenga Xitu pela qualidade estético-artística do conjunto das obras do escritor que teve início em 1974 com a publicação do "Meu Discurso".

Nos seus trabalhos, o escritor e o contador tradicional cruzam-se numa recriação escrita da oralidade, que se faz mediante a inserção genealógica e a hibridação textual que é, no fundo, o caminho escolhido para manifestar em termos formais as confluências referidas.

Uanhenga Xitu é o pseudónimo de Agostinho Mendes de Carvalho, nascido aos 29 de Agosto de 1924, em Calomboloca, Icolo e Bengo, província do Bengo.

De sua autoria fazem parte as obras "Meu Discurso", 1974; "Mestre Tamoda", 1974; "Bola com Feitiço", 1974; "Manana", 1974; "Vozes na Sanzala - Kahitu", 1976; "Os Sobreviventes da Máquina Colonial Depõem", 1980; "Os Discursos de Mestra Tamoda", 1984; "O Ministro", 1989; "Cultos Especiais", 1997, "Os Sobreviventes da Máquina Colonial Depõem", reedição 2002.



A Banda Maravilha foi a vencedora da disciplina de Música do Prémio Nacional de Cultura e Artes.

Segundo a presidente do júri, Fátima Viegas, a atribuição do prémio a este grupo tem a ver com a singularidade do seu percurso no contexto da música popular angolana.

Acrescentou que foi realçado durante o período de análise das obras concorrentes, o grau de profissionalização, a evidenciação de renovação e capacidade de diálogo do grupo com outras vertentes estilísticas.

Para a atribuição do troféu, o corpo de jurado socorreu-se ainda ao facto de a sua última obra discográfica "Zungueira" consolidar as qualidades rítmicas do grupo.

A Banda Maravilha, criada em 1993, tem como integrantes Moreira Filho (baixista e vocalista), Chico Santos (percussionista), Marito Furtado (baterista), Carlos Venâncio (guitarra ritmo e solo) e Mikeias (teclista).

O agrupamento tem no mercado três discos, sendo o primeiro "Angola Maravilha", lançado em Julho de 1997, o segundo "Semba Luanda", em Fevereiro de 2001, e o terceiro "Zungueira", em Agosto de 2001.

A obra contém 11 faixas musicais e contou com as participações de músicos brasileiros como Margareth de Menezes, Serginho Trombone, Leu, Goldmen e Demetrio Bizerra, bem como a Banda Desejos.

Produzido pela Rubens Produções, foi masterizado e misturado pela Rádio Vial sem quaisquer custos.



5.10.2006

5 de outubro de 2006

Prémio Nacional de Cultura 2006 - I



Anúncio do Prémio Nacional de Cultura e Artes 2006
foto Angop



O Ministério da Cultura (Mincult) anunciou hoje, em conferência de imprensa realizada no Museu Nacional de História Natural, em Luanda, os vencedores das diversas disciplinas do Prémio Nacional de Cultura e Artes 2006.

Fátima Republicano Viegas, Presidente do Júri


O júri foi integrado pelas seguintes personalidades:
Fátima Republicano Viegas– presidente,
Samuel Aço, na disciplina de Investigação em Ciências Humanas e Sociais,
Adriano Botelho de Vasconcelos e João Maiomona, Literatura,
Marcela Costa e Augusto Ferreira, Artes Plásticas.

Fizeram ainda parte dos jurados
Nelson Augusto e Domingos Nguinzani, Dança,
Dionísio Rocha e Angelo Quental, música,
Carlos Alberto Castelhano Dias e Pulquéria Van-Dúnem, Teatro,
Maria João Ganga e Manuel Mariano, nas disciplinas de Cinema e Áudiovisuais.

Eis os premiados na edição 2006:

Investigação em Ciências Humanas e Sociais
Investigador e professor universitário Zavoni Ntondo, pela obra Morfologia e Sintaxe do Ngangela

Dança
Ana Clara Guerra Marques, pela qualidade estético-artística das suas representações.

Música
Banda Maravilha, pela singularidade do seu percurso no contexto da música popular angolana.

Literatura
Uanhenga Xito, pela qualidade do conjunto da sua obra literária, cujas produção se iniciou em 1974 com o livro Os Discursos do Mestre Tamoda.

Nas disciplinas de Teatro, Artes Plásticas e Cinema e Audiovisuais não houve vencedores por o júri considerar que as obras apresentadas não apresentaram qualidade compatível com o nível de exigência do prémio.

De periodicidade anual, o Prémio Nacional de Cultura e Artes é uma realização do Ministério da Cultura (Mincult) e visa incentivar a criatividade artística, promover a qualidade da produção do cinema e audiovisuais, os bens culturais e de conhecimento, através da publicação, divulgação e valorização.

O prémio é uma homenagem e incentivo ao génio criador dos angolanos, tendo por fim perpetuar no seio dos cidadãos nacionais ideias tendentes à compreensão das múltiplas formas da criação artística, diversidade das manifestações linguísticas e culturais do povo e da unidade do Estado e da Nação.


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5.10.2006

24 de setembro de 2006

Alto Hama - crónicas (diz)traídas


Foi lançado em Lisboa, na Casa de Angola, com apresentação de Eugénio Costa Almeida, o livro “Alto Hama - crónicas (diz)traídas”, do jornalista Orlando Castro, uma colectânea de artigos publicados no “Notícias Lusófonas”.

Editada pela Papiro Editora com o apoio da Casa de Angola, a obra reúne crónicas que abordam temáticas relacionadas com os países da Lusofonia. O prefácio é de Eugénio Costa Almeida.

Segundo Eugénio Costa Almeida, “Alto Hama - crónicas (diz)traídas” é um livro onde se analisam alguns casos respeitantes a Portugal, a Angola, à Lusofonia e todas as vertentes que a envolvem, como a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), a africanidade e alguns sectores não africanos, assim como o jornalismo.



foto Alto Hama.blogspot.com

Orlando Castro nasceu em 1954 em Angola, onde viveu até 1975. A sua actividade jornalística teve início muito antes da independência do país no jornal “A Voz dos Mais Novos”, órgão de informação do Liceu Nacional General Norton de Matos de Nova Lisboa. Foi também nesta instituição que se diplomou em Jornalismo.

Ainda em Angola, entre 1973 e 1975, foi redactor do diário “A Província de Angola” e chefe de Redacção da revista “Olá! Boa Noite”, bem como colaborador da Rádio Clube do Huambo, da Emissora Comercial do Huambo e do bissemanário “O Planalto”.

Em Portugal, para onde veio em finais de 1975, colaborou com os jornais “Pontual”, “O País”, “Templário”, “Jornal de Ramalde”, “Vida Social”, “Voz do Barreiro”, “O Primeiro de Janeiro” e ainda na “RIT – Revista da Indústria Têxtil”. Integra, desde 1991, a redacção do “Jornal de Notícias”.

É também autor dos livros “Algemas da Minha Traição” (1975), “Açores - Realidades Vulcânicas” 1995), “Ontem, Hoje... e Amanhã?” (1997) e “Memórias da Memória” (2001).

Twayovoka apresenta “O Perdão e a Reconciliação”

Uma peça teatral intitulada "O Perdão e a Reconciliação", uma aceitação mútua e sem exclusão num lar turbulento, vai abrir hoje em Benguela o projecto "Noites de Teatro", uma iniciativa da Organização Twayovoka Para o Desenvolvimento, destinada a fomentar um espaço de cultura e lazer, através das artes cénicas.

Segundo o seu director-geral António Capela, o projecto visa ainda angariar fundos para dar sustentabilidade às acções que a instituição pretende realizar na província.

Com duração de um ano , a iniciativa contempla a exibição quinzenal, nas cidades de Benguela e Lobito, de peças de teatro envolvendo mais de 20 actores. Pretende-se também expandir a experiência para Luanda, de três em três meses.

As "Noites de Teatro" terão como inovação a entoação de cânticos e a declamação de poesias.

A Organização Twayovoka, criada em 2000 inicialmente como grupo teatral, é uma ONG de índole voluntária, apartidária e filantrópica, com personalidade jurídica, autonomia administrativa e financeira.

23.09.2006

Memórias de Alcides Sakala



Está editada pela D. Quixote a obra “Memórias de Um Guerrilheiro", de Alcides Sakala, líder do grupo parlamentar da UNITA.

Sobre o livro diz o autor

Este diário retrata o meu quotidiano, enquanto guerrilheiro, político e diplomata. Escrevi-o num dos períodos mais difíceis da história de Angola, entre os anos de 1998 a 2002, numa fase que considero como a mais importante da minha vida, relativamente à consolidação das minhas convicções políticas e ideológicas.
[...]
Estas reflexões são produto da experiência que vivi ao longo de muitos anos de luta política, armada e diplomática, por um ideal em que sempre acreditei: a implantação em Angola de um Estado de Direito Democrático multipartidário.”




Público

21 de setembro de 2006

Leis Novas, Ideias Velhas





ESTA GENTE QUE MANDA AGORA
FAZ LEIS NOVAS COM IDEIAS VELHAS

CASTRO SOROMENHO


( fala de Albino Lourenço em “A Chaga” )

As Mulheres de Ferreira Pinto


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As Cores de Uma Descoberta

de Ferreira Pinto


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20 de setembro de 2006

Analfabetos

crédito da imagem: http://www.unisc.br


OS VERDADEIROS ANALFABETOS
SÃO OS QUE APRENDERAM A LER
E NÃO LÊEM.

Mário Quintana


( de uma amiga muito especial do Angola Haria)

5 de setembro de 2006

Angola organiza o CAN'2010

"A República de Angola vai albergar em 2010 a fase final do Campeonato Africano das Nações em futebol (CAN), anunciou hoje na cidade do Cairo (Egipto), o presidente da Confederação continental da modalidade (CAF), o camaronês Issa Hayatou."

ler notícia completa »»»


Os responsáveis angolanos mais directamente relacionados com o evento já se pronunciaram tecendo loas a esta conquista.

Escolha traduz o prestígio que o país tem vindo a conquistar… José Eduardo dos Santos, Presidente da República

Agora devem ser preparadas as condições desportivas e não só… Roberto de Almeida, Presidente da A.N.

Um orgulho nacional acolher a prova agfricana… Justino Fernandes, Presidente da F.A.F.

Dignificámos o nome do país… Albino da Conceição, Vice-Ministro da Juventude e Desportos

Eu também me regozijei com o facto, mas fico na expectativa.

Vou reter as palavras de Roberto de Almeida, Presidente da AN: “agora devem ser preparadas as condições desportivas e não só para que, como organizadores, estejamos entre os lugares dignos na tabela classificativa.”

Pode ser que o Povo beneficie com as condições “e não só”: melhoramento da rede viária e incremento das ligações interurbanas, resolução do cancro do saneamento básico, criação de empregos dignos, melhoria substancial das infraestruturas de saúde pública, humanização da malha habitacional periférica de Luanda…

Espero que este evento sirva, também, para isto! E isto não será pedir muito (aguardemos os orçamentos!). Só a satisfação destas necessidades básicas do Povo Angolano dará algum sentido a estes discursos.

admário costa lindo

fonte:
Angop, 4.09.2006

3 de setembro de 2006

Africando os Sons



José Góis* é nascido, criado e fugido de Angola. Músico autodidacta pela curiosidade e necessidade. Nos finais dos anos 70 criou, com Paulo Fiel, Álvaro Serra e Cepeda, a banda Íris Púrpura. Depois de muitas viagens encontrou-se em estúdio com um grupo de amigos e gravou, em 1998, o CD Agridoce.

Voz da Póvoa: O africano parece nascer com os ritmos e a música, é também o seu caso?

José Góis: A música corre há gerações no sangue da minha família. A sanfona, o bandolim ou o violino, são apenas alguns dos instrumentos que o meu pai, o meu avô ou o meu bisavô tocavam. É uma herança genética à qual dei continuidade, por estar sempre pendurado na saudade de Angola. Em presença tenho estado por cá, mas em alma nunca saí de lá. O instrumento aparece como uma terapia e uma companhia.

VP: Já a viver na Póvoa a música africana acaba por ter que esperar. Porquê?

JG: Quando cheguei, em 1977, fugindo da guerra, os amigos que fui conhecendo com as suas bandas de garagem, apostavam em projectos rock, adaptei-me guardando a minha África para outra altura. O primeiro projecto chamava-se Íris Púrpura. Depois nesta história da música cabem muitos amigos, que vão chegando e abraçando as sonoridades, como Noé Gavina, Carlos Martins, Ernesto Candal, Sérgio e tantos outros. Com o evoluir dos músicos andamos ali perto do jazz e do clássico sem ter atingido nenhum dos lugares, desta fusão deu-se a confusão e cada um seguiu a sua estória.

VP: Porque razão nunca teve um projecto consistente?

JG: Na música sempre andei à procura de mim, não sigo nenhum sonho, devo apenas estar a perseguir essa história do meu lado preto. Sei que para voltar às minhas origens só posso ir por aí, pelo lado do sentimento, para assinar o meu armistício interior, que me arranca da alma as composições. Nunca tive a necessidade de me afirmar com nada. Nas viagens e nos concertos por essa Europa encontrei pessoas que gostam de mim e daquilo que faço. A música é o princípio do meu equilíbrio.

VP: Qual é a fórmula errada para que um projecto musical se perca?

JG: Penso que o músico debita um certo individualismo e quando isso acontece os projectos falham. O grupo tem a exigência da afinação para que funcione num todo. Muitos dos músicos com quem trabalhei hoje tocam sozinhos, os persistentes fazem carreira, os outros andam por aí e é pena porque havia grandes talentos que ficaram muito perto das coisas sérias. Eu também andei por aí, fiz uma viagem de 180 dias no deserto da Namíbia tendo como companhia a guitarra.

VP: E o disco Agridoce?

JG: É a primeira estória do sabor adquirido da África e do mundo. É um disco carregado de saudade e de cansaço, cantado num dialecto de Angola que, tendo passado um pouco ao lado deste país, passou muito no auditório da RDP África e nas rádios de Angola. O disco já passou pela pirataria e sofreu umas mixagens. Os tipos viram que eu estava cansado e deram-lhe outro ritmo, africanizando mais um pouco.

VP: Sei que o regresso ao estúdio está para breve. É o regresso à África dos sons?

JG: Definitivamente o projecto tomou a direcção africana, o objectivo é chegar ao corredor da lusofonia. Para esta viagem conto com um grupo de jovens amigos, o brasileiro Tuca na percussão, Toni Vieira no baixo e contrabaixo, o Tiago, como convidado, no violino e umas vozes femininas africanas. O projecto está a ser trabalhado desde o início do ano, os compromissos têm atrasado um pouco, mas está aí mesmo a bater à porta.

entrevista conduzida por José Peixoto
“A Voz da Póvoa”, 17.08.2006


* José Góis nasceu na Palanca, Humpata, Huíla a 16 de Março de 1962. Reside na Póvoa de Varzim. É irmão do artista plástico Carlos Góis Pino »»».



31 de agosto de 2006

Memorando para a Paz em Cabinda

Tarefas do Memorando de Entendimento para a Paz em Cabinda assinado pelo Governo e o FCD entram em funcionamento

O Memorando de Entendimento para a Paz e Reconciliação em Cabinda começou a ser implementado quarta-feira, na sequência da primeira reunião ordinária da Comissão Conjunta, que teve lugar na província mais ao norte de Angola, com a participação dos responsáveis desse órgão.

Na sequência deste encontro, o governo angolano e o Fórum Cabindês para o Diálogo (FCD) consideraram estar reunidas as condições necessárias para o início da implementação desse instrumento.

Manifestaram-se igualmente determinadas a tudo fazer no sentido do cumprimento escrupuloso das suas obrigações e, por conseguinte, declararam a entrada em funções da Comissão Conjunta do Memorando de Entendimento para a Paz e Reconciliação em Cabinda. O mesmo apreço foi dado à Comissão Militar Mista.

Com vista a promover e velar pela implementação do memorando o governo e FCD declararam a entrada em funções da Comissão Conjunta resultante do memorando, incluindo a Comissão Militar Mista.

As conclusões desta primeira reunião da Comissão Conjunta realçam que as partes abordaram os assuntos principais ligados ao memorando, assim como apresentaram as bases de planeamento e os objectivos a atingir. As tarefas imediatas, seus executantes e os prazos de cumprimento foram também abordadas pelas duas delegações.

A iniciativa foi presidida pelo ministro da Administração do Território, Virgílio Fontes Pereira, e nela estiveram presentes o presidente do FCD, António Bento Bembe, para além dos restantes integrantes de cada lado.

Participaram nesta primeira reunião, na qualidade de convidados, o ministro das Obras Públicas, Higino Carneiro, representantes da igreja Católica e do Conselho das Igrejas Cristãs em Angola.

O Memorando de Entendimento para a Paz e Reconciliação na província de Cabinda foi assinado a um de Agosto, na cidade do Namibe, pelo Governo e o Fórum Cabindês para o Dialogo.

Este documento é o resultado de longo período de conversações, que resultou na assinatura entre as chefias militares do Governo e do FCD, no passado dia 18, na localidade de Chicamba, município de Massabi, Cabinda, de um acordo de cessar-fogo para esta parcela do território nacional.

O instrumento prevê a atribuição de um estatuto especial a Cabinda, com respeito à Lei Constitucional e demais legislação em vigor na República de Angola, Nação una e indivisível.

Angop, 31.08.2006

Início do Registo Eleitoral

O Governo aprovou quarta-feira, em Luanda, uma resolução que estabelece o período de Registo Eleitoral normal, que deverá ocorrer do dia 15 de Novembro do corrente ano a 15 de Junho de 2007.

Segundo um comunicado de imprensa da reunião, orientada pelo Presidente da República, José Eduardo dos Santos, o período de Registo Eleitoral terá a duração de seis meses, já que sofrerá um interregno no período que vai de 15 de Dezembro a 15 de Janeiro de 2007.

Em declarações à imprensa, no final do encontro, o vice-ministro da Administração do Território, Edeltrudes Costa, referiu que "a aprovação deste documento é de extrema importância, pois só se poderá pensar na realização de eleições depois da conclusão do Registo Eleitoral".

Acrescentou que todo o trabalho realizado pela Comissão Nacional Eleitoral foi no sentido de se criar as condições técnicas para a realização deste registo.

"Poderemos agora implementar todas as tarefas que constam do programa elaborado por este grupo", concluiu.

Angop, 31.08.2006

30 de agosto de 2006

Novas da Cultura III





Huíla vai ganhar estúdio de gravação

A União nacional dos artistas e compositores (UNAC) vai instalar um estúdio de gravação na Huíla, em Janeiro de 2007. Será o colmatar duma lacuna que penaliza os músicos locais; ser-lhes-á, agora, mais fácil gravar.

RNA reeditada “Memória de Sofia Rosa"

Esta 2ª edição foi feita, segundo fontes da Rádio Nacional de Angola, a pedido de vários fãs do artista que, em Maio deste ano, não conseguiram adquirir uma das mil cópias então postas à venda.
Um “Caldo do Poeira” homenageou o cantor nessa altura.

Obras de artistas angolanos expostas em Espanha

Dezasseis obras de artistas plásticos africanos, nomeadamente dos angolanos Ihosvanny, Yonamine, Ndilo Mutima, Kiluanji kia Henda, Nástio Mosquito e Paulo Kapela, estão expostas no Instituto Valenciano de Arte Moderna, em Espanha.
O ante-projecto da Trienal de Luanda está na base da participação angolana nesse certame internacional.

Tantã Cultural nº 225, 10-16.08.2006


Musikando 2

Musikando é um festival musical organizado pela área cultural da Kalu, uma associação de carácter cívico.

A 2ª edição do festival decorreu a 19 de Agosto em Luanda, no Espaço Verde Caxinde.

“O festival MUSIKANDO procura promover a diversidade étnica, cultural e musical de Luanda, tentando, através da interacção dos participantes, abordar temas e problemáticas sociais diversos.
Porque a música é e sempre foi um meio eficaz para levar a mensagem aos jovens, pretendemos, com isso, ajudar a mudar atitudes e mentalidades.
Neste MUSIKANDO 2, teremos, tal como no primeiro, a oportunidade de ver e ouvir novos grupos musicais, dos mais variados estilos, que estão a emergir no seio da nossa cidade. Par além disso, pretendemos alertar e consciencializar todos os participantes deste evento, para uma problemática tão actual e presente na nossa sociedade que é o combate ao HIV SIDA.
Os lucros obtidos no Musikando 2 serão doados à Associação dos Amigos dos Seropositivos (AAS), de forma a apoiar o seu esforço na promoção da luta contra a SIDA."
Organização do Musikando2

Este festival, onde actuaram as bandas Contrastes, Difíceis, Rajja Blues, Nguami Maka, The Niers, Neblina e Kizua teve a participação especial de Dódó Miranda e Afrikanita.

Tantã Cultural nº 226, 17-23.08.2006

20 de agosto de 2006

para escreber vem




Dicas para escreber vem

Evite ao máx. a utiliz. de abrev., etc.

não esqueça as maiúsculas no início das frases.

Evite lugares-comuns como o diabo foge da cruz.

Anule aliterações altamente abusivas.

O uso de parênteses (mesmo quando for relevante) é desnecessário.

Estrangeirismos podem parecer cool, mas dê sempre preferênca a palavras de origem portuguesa.

Evite o emprego de gíria, mesmo que fique maneiro.

Palavras de baixo calão podem transformar o seu texto numa merda.

Nunca generalize: generalizar é um erro em todas as situações.

Não abuse das citações. Como costuma dizer um amigo meu: "Quem cita os outros não tem ideias próprias".

Seja mais ou menos específico.

A voz passiva deve ser evitada.

Exagerar é cem milhões de vezes pior do que a moderação.

Evite mesóclises. Repita comigo: "mesóclises: evitá-las-ei!"

Analogias na escrita são tão úteis quanto chifres numa galinha.

Não abuse das exclamações! Nunca!!! O seu texto fica horrível!!!!!

Seja incisivo e coerente, ou não.

Frases incompletas podem causar.


Recebi um e-mail com texto atribuído a um professor. Modifiquei um pouco e corrigi os erros. Não vou dar crédito pro gajo, mas permito que copie de volta, devidamente repaginado.




16 de agosto de 2006

Comunicação Social... estática

Conselho da Comunicação Social recomenda adaptação das linhas editoriais dos órgãos


A necessidade de se adaptar as linhas editoriais (1) dos órgãos de Comunicação Social ao novo clima de paz e reconciliação nacional e a criação de editoriais de atendimentos às províncias em cada uma das instituições, foram recomendados pelos participantes ao II Conselho Consultivo do Ministério da Comunicação Social, realizado segunda-feira, em Luanda.

A informação consta do comunicado final do encontro, lida no início da II reunião metodológica dos Adidos de Imprensa, realizada terça-feira, igualmente sob a égide do Ministério da Comunicação Social (MCS).

O Conselho teve como objectivo fazer o balanço do trabalho desenvolvido e o grau de implementação das recomendações do encontro anterior, realizado em Junho de 2005, identificar os constrangimentos que dificultaram ou impediram a realização de algumas acções e as propostas de solução, bem como determinar o estado actual do sector e perspectivar o futuro.

Nesta senda, foi recomendado ainda o combate à prática do jornalismo coberto do anonimato e a não observância de postulados deontológicos da profissão e reconhecida a necessidade do uso da publicidade estática, incluindo em línguas nacionais, para a divulgação das realizações do Governo (2), no quadro do seu Programa de Reconstrução e Desenvolvimento.

A aposta na indústria gráfica regional para o seu crescimento e os esforços desenvolvidos pelo Governo, em geral, e particularmente pelo Presidente da República de Angola, José Eduardo dos Santos, foram reconhecidos pelos presentes ao encontro.

A apreciação de informações sobre os investimentos a serem feitos pelo MCS de 2006 a 2008, o estudo para identificar o conjunto dos recursos humanos existentes no sector, bem como a cooperação internacional, onde se destacaram questões relacionadas com o intercâmbio mantido por Angola com outros países no domínio da Comunicação Social, foram ainda apreciados.

O Conselho manifestou-se igualmente preocupado com a falta de cursos superiores de jornalismo nos pólos universitários provinciais e sugeriu a sua inclusão no currículo das unidades universitárias e ouviu atentamente as preocupações levantadas pelos responsáveis da Comunicação Social, tendo concluído continuarem algumas dificuldades nas áreas de transportes, equipamento, energia eléctrica, instalações e formação profissional.

Em relação aos Adidos de Imprensa, reconheceu a oportunidade da criação de mecanismos de articulação entre estes e a estrutura central, usando-se os recursos tecnológicos disponíveis.

A reunião presidida pelo titular da Comunicação Social, Manuel Rabelais, contou com a presença do seu vice-ministro, Manuel Miguel de Carvalho "Wadijimbi", o director nacional, Luís de Matos, directores dos órgãos de imprensa, os delegados provinciais da informação, bem como os adidos de imprensa na qualidade de convidados.

O primeiro encontro do género aconteceu em Junho de 2005, em Luanda.

Angop, 15.08.2006



1.
Isto quer dizer, mais ou menos, o que muita gente pensa e diz: que Angola precisa é de paz e reconciliação nacional. E que neste entretanto nada de ataques ao governo que, coitado, faz o que pode. As críticas ficam para qualquer dia destes, lá mais para diante… Para quando houver outro governo?

2.
Lá como cá, só que mais declaradamente recomendado.
Assim sendo (conjugando o pontos 1 e 2) quem fará a publicidade, estática ou não-estática, incluindo em línguas nacionais, para a divulgação das não-realizações do Governo?

admário costa lindo

5 de agosto de 2006

Novas da Cultura II




ANGOLA

Ilha do Mussulo
crédito : Fernando Manuel Antunes

O 10 de Junho – Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas foi assinalado pelo Centro de Língua Portuguesa/Instituto Camões (CLP/IC) de Benguela com o lançamento da obra Chiquito da Camuxiba, da escritora angolana Chó do Guri, prémio de Literatura Africana do Instituto Marquês de Valle Flor 2003.
Na oportunidade Manuel Pracana Martins, Cônsul-Geral de Portugal, leu uma mensagem do Presidente da República, Cavaco Silva, alusiva ao acto.

Foi inaugurada no Centro Cultural Português de Luanda, a 3 de Julho, a exposição Réplica e Rebeldia: Artistas Plásticos de Moçambique, Angola, Cabo Verde e Brasil.
Antes de se instalar em Luanda esta mostra, produzida pelo IC e já referenciada no Angola Haria, iniciou a sua carreira internacional em Moçambique, a 3 de Julho no Museu Nacional de Arte de Maputo, onde esteve patente durante dois meses.
A exposição é composta por 150 obras de 30 artistas do “atlântico negro de expressão portuguesa”que, vivendo em contextos de pós-guerra e com recursos reduzidos, nunca puderam divulgar os trabalhos dentro e fora dos seus países.


ÍNDIA

Taj Mahal
crédito : http://www.farhorizon.com/India/images-india ac. 4.08.2006


Teve lugar entre os dias 10 e 13 de Junho, em Kolkata, o Festival de Cinema Português numa organização do CLP/IC de Nova Deli.
Foram exibidos os filmes:
de Fernando Lopes, O Delfim (2002);
de José Álvaro Morais, Peixe Lua (2000);
de José Sá Caetano, Maria e as Outras (2004);
de Luís Filipe Rocha, A Passagem da Noite (2003);
de Manoel de Oliveira, Um Filme Falado (2003);
e de Margarida Cardoso, A Costa dos Murmúrios (2004).


MACAU

Mosteiro de Pou Tai Un
crédito : http://www.macautourism.gov.mo/english/photo_gal2_en.phtml ac. 4.08.2006

Esteve patente, de 8 de Junho a 1 de Julho, na Galeria da Livraria Portuguesa de Macau, uma exposição de aguarelas de Lai Ieng *, promovida pelo Instituto Português do Oriente.

A mostra, intitulada Lugares de Portugal, reuniu obras realizadas pelo pintor macaense durante várias visitas a Portugal.
Lai Ieng já expôs, para além de Macau, em Portugal, Canadá, Cantão, Xangai e Hong Kong.


MOÇAMBIQUE

Ilha de Moçambique
crédito : http://www.templeworld.com/africa/mozambique.htm ac. 4.08.2006

Decorreu entre 13 e 16 de Junho, na sala de conferências do CLP/IC de Maputo, no âmbito do programa Novo Cinema Gulbenkian – Programa Gulbenkian – Criatividade e Criação Artística, uma mostra de cinema composta por filmes produzidos nos cursos de realização, documentários, realização de cinema e encenação de ópera, ministrados sob a égide da Fundação Gulbenkian.
A mostra constou da exibição de 20 filmes, documentários e curtas-metragens de ficção, alguns já premiados em festivais internacionais.

De 8 a 17 de Junho estiveram expostas, na galeria do CLP/IC de Maputo, as obras vencedoras do Prémio Instituto Camões para o Conto e Banda Desenhada 2005, dirigido a estudantes de Escolas Secundárias Gerais, Ensino Médio, Técnico e Universitário.
O 1º Prédio do Conto foi atribuído a Manuel Jesus Joaquim, o 2º a Francisco Jaime Absalão e o 3º a Lucílio Orlando Manjate. Na modalidade BD foi apenas atribuído o 1º Prémio, a Rui Vaquina dos Santos, e uma Menção Honrosa a Titos Moisés Pelembe.


SÃO TOMÉ E PRÍNCIPE

São Tomé e Príncipe
crédito : http://www.corpodapaz.com ac. 4.08.2006

Decorreu, de 9 a 15 de Junho, a Semana de Língua Portuguesa organizada pelo CLP/IC.
Isabel Leiria, Professora da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, foi a convidada de honra e orientadora da conferência O Português em África e da Acção de Formação para Professores de Língua Portuguesa.
Do encontro fizeram ainda parte a exposição Os Espaços do Crioulo e a final das Olimpíadas da Língua Portuguesa.


fonte:
Suplemento Camões, nº 102
in:
JL-Jornal de Letras, Artes e Ideias, 2-15.08.2006



*
Lai Ieng começou a pintar aguarelas em 1970.

Explora cada canto de Macau, cada rua, para captar a essência da vida da cidade e do seu povo.
Os tons doces do seu trabalho retratam os detalhes naturais da paisagem citadina e inflamam de nostalgia as suas memórias.
Os trabalhos de Lai manifestam um amor enraizado por Macau e uma grande afeição pelo passado.




adaptado de http://www.macautourism.gov.mo/news ac. 04.08.2006

31 de julho de 2006

27 de Maio

Ao Baptista Neto,
que foi mandado colher café
e nunca mais voltou.


Longe de mim julgar quem quer e o que quer que seja. Nunca tive vocação para tal.

Posso, quando muito, ter opinião sobre questões que me toquem particularmente.

Posso, quando muito (e não seria a primeira vez) sofrer as consequências de ter opinado.

Sem dados concretos, no caso os papéis (que nunca se escrevem) sobre determinadas questões. Por exemplo: não tenho papelada alguma que confirme que existem fortunas colossais de membros do Governo e do Partido no poder em Angola, nascidas do nada (os cogumelos levam mais tempo a nascer).

Assim sendo, de acordo com alguns puristas da legalidade (!?), essas fortunas não existem, são pura especulação. Quem trata esses assuntos, seja jornalista ou simples cidadão interessado, não passa de um qualquer membro de uma qualquer organização mafiosa que apenas pretende denegrir o país, que é aquilo que Angola (pretendem, na verdade, significar o Governo de Angola) menos precisa no momento, atarefada como está na reparação das vias de comunicação destruídas pela guerra, na construção de mais e melhores escolas e centros hospitalares, na reconversão dos sistemas de saneamento básico, no combate à pobreza, na melhoria das condições de vida dos órfãos, viúvas e mutilados de guerra…

Querem de fechemos os olhos, que tapemos os ouvidos, que atentemos na corrupção que se passa por esse mundo fora, Portugal incluído, porque os governos africanos e o de Angola também têm direito ao seu quinhão.

Ainda hoje um amigo que muito prezo me disse para deixar para lá. Que ninguém, em Angola (Governo obviamente), irá reconhecer o que se passou.

Na História nada constará. As vítimas dos fuzilamentos (que não houve, segundo a História oficial) continuarão insepultas. Da História constará, talvez, aquilo que me disseram outros presos na cadeia da DISA, no Uije em 1978: que “aqueles camaradas foram mandados para a colheita do café”. Muito longa, a colheita!

Sigo, no entanto, um princípio que considero sagrado: toda a pessoa tem direito à dignidade.

A dignidade pressupõe a liberdade de expressão, quer seja ou não a favor dos nossos princípios particulares.

A liberdade de expressão pressupõe o manifesto publico daquilo que nos vai na alma mas, no mesmo nível de liberdade, o saber ouvir o que outros têm para contar.

Ninguém me vai impedir, nunca, seja quem for e a que pretexto for, de dizer aquilo que penso. Ou, como é o presente caso, ouvir o que outros têm a dizer.

Das suas mágoas. Das suas feridas.

Cada um terá a sua opinião sobre o “27 de Maio de 1977”.

Os familiares e amigos das vítimas desaparecidas também.

Que ninguém o ouse negar, para bem da sua consciência.


admário costa lindo





CARO VISITANTE do site 27MAIO.ORG
2006-07-28

Esperamos manter o site operacional e em permanente evolução para o tornar cada vez mais útil a todos aqueles que se interessam pelos acontecimentos do 27 de Maio de 1977 em Angola. Entretanto, permita-nos apresentar muito sumariamente quem somos.

A Associação 27 de Maio foi constituída por escritura pública realizada em Cartório Notarial em Lisboa, Portugal, em 2005, por iniciativa de alguns sobreviventes, familiares de vítimas, e amigos que também foram atingidos por aqueles acontecimentos.

A Associação 27 de Maio tem como seu objectivo principal a investigação, esclarecimento e divulgação dos acontecimentos de 27 de Maio de 1977 em Angola.
Nesse sentido, um dos trabalhos da Associação tem sido o da recolha de testemunhos de sobreviventes, familiares, amigos, vítimas daqueles trágicos acontecimentos, e sua inventariação para que a memória não se perca, recolha essa feita quer pela participação das pessoas no site, quer por contacto directo com elas. Esses depoimentos serão classificados e reservados no nosso arquivo, garantindo-se a confidencialidade dos mesmos quando solicitada pelo seu autor, e a possibilidade de serem utilizados quando necessário.
É nossa convicção que este trabalho é um sustentáculo básico para todos aqueles que, melhor que nós, estão apetrechados para o continuar – historiadores, investigadores sociais, organismos internacionais, bem como para uma entidade independente capacitada para concretizar o que preconizamos como nossos objectivos: trazer a verdade dos factos ao domínio público, contribuindo de forma pacífica e objectiva para repor a verdade histórica, doa a quem doer, honrar os mortos e serenar o espírito dos vivos.
Para isso, precisamos do contributo de todos os que se interessam por esta causa.

Assim, gostaríamos de conhecer qual o propósito de cada um, qual o seu vínculo , quer sejam sobreviventes, familiares, amigos ou simplesmente interessados neste esclarecimento definitivo. Nesse sentido, solicitamos que utilizando o site, ou enviando para os endereços (geral@27maio.org ou APARTADO 23 , 2731-901 BARCARENA , PORTUGAL ), nos indiquem qual o Vosso “estatuto” (amigo, sobrevivente, familiar...), a natureza do Vosso interesse, e prestem o Vosso testemunho: só congregando intenções fortes e revelações credíveis, almejaremos um dia o conhecimento da história e a demanda da justiça.

E não se esqueça de subscrever o abaixo-assinado (www.27maio.org/peticao.php)

A Direcção da Associação 27 de Maio


(mensagem por correio electrónico )


»»» http://www.27maio.org/

26 de julho de 2006

Novas da Cultura


Discos de prata

Carlos Burity, Caló Pascoal e Yola Araújo receberam discos de prata da distribuidora "Ngola Música", por terem sido vendidas mais de 10 mil cópias dos seus discos Zwela Okidi, Santa Mariazinha e Um pouco Diferente, respectivamente.





Dia Kassembe lança livro de estórias
Dia 14 na União dos Escritores Angolanos, com a chancela da Editorial Nzila, a
escritora angolana Dia Kassembe lançou o livro de estórias Os amores das sanzalas.
O acto foi precedido de uma conferência de imprensa para anúncio da 1ª Bienal Internacional do Livro de Luanda. Este importante evento, que decorrerá em Luanda, de 2 a 9 de Dezembro, sob o lema "Mais Leitura, mais Cultura", consistirá na expo-venda de literatura académica e generalista, sendo uma iniciativa da União dos Escritores Angolanos (UEA)., Editorial Nzila e da ONG Causa Solidária.


Fortalezas de Luanda valorizadas
Os Ministérios da Cultura (Mincult) e da Hotelaria e Turismo criaram, em despacho conjunto, uma equipa técnica encarregada de avaliar e elaborar propostas para a utilização e conservação das fortalezas de São Miguel, Penedo e São Pedro da Barra, todas localizadas em Luanda.

Óscar Gil conclui rodagem de mini série
Em 22 dias de filmagens, a Óscar Gil Produções conseguiu terminar a rodagem da mini série televisiva "Vidas a Preto e Branco", que esteve paralisada por dois anos, devido a falta de financiamento.
A estreia da obra audiovisual está prevista para Setembro do ano em curso.

Paulo Flores na Womex
O músico angolano Paulo Flores faz parte da lista de artistas estrangeiros convidados a participar, de 25 a 30 de Outubro, na Feira de Música do Mundo, também denominada Womex, a acontecer na cidade espanhola de Sevilha.


“Absoluto”, 13 obras de Hildebrando de Melo
"Em que lugar, em que tempo estamos?
Estamos hoje e aqui. O Passado não existe, perdeu-se. Vivemos na crista de uma onda em que, na verdade, nada muda. Tudo é imutável e, contudo… move-se.
A subtileza desse movimento, porém, induz uma apreciação relativa do tempo, cuja verdadeira essência e importância nos escapam.
Qual é, então, o segredo do tempo? O seu movimento?
Na verdade, estamos perante todo um jogo de ilusões. O tempo é fruto da ilusão do espaço em movimento.
E, contudo, a luz que chega das estrelas longínquas foi emitida há tanto tempo, que muitas delas já não existem. Mas delas ainda vemos a luz.
É nesta reflexão que importa ler o Absoluto que Hildebrando de Melo pinta. E como pinta. E, quiçá o mais misterioso, porque pinta. E para quem."

Manuel Dionísio (in convite para a inauguração)

“Absoluto”, 13 obras de estilo expressionista de Hildebrando de Melo, patentes até 17 de Agosto no Hotel Globo (R. Rainha Ginga, 100). A mostra inscreve-se no âmbito da Trienal de Luanda.

»»» ler mais sobre a Exposição

Tantã Cultural nº 221 13-19.julho.2006


Homenagem
No passado dia 12, o Estado brasileiro, através da sua Embaixada em Angola, outorgou a Medalha da Ordem do Mérito Cultural à antropóloga Ana Maria de Oliveira e ao escritor Pepetela.
A insígnia premeia personalidades brasileiras e estrangeiras que se distinguem pelas relevantes contribuições por si prestadas à cultura.


No top musical, de pedra e cal
"Crioula do Sal", de Eduardo Paim, lidera o Top 10 da música africana da Rádio e Difusão Portuguesa (RDP-África) há duas semanas.

Tantã Cultural nº 222 20-26.julho.2006

25 de julho de 2006

Mário Tendinha.Bio





MÁRIO TENDINHA


Nascido em Maio de 1950, na cidade do Namibe.

Oriundo de uma família de algarvios que chega ao Namibe em 1890, sempre teve o mar, as pescas, o deserto, o povo cuvale, como referencias naturais marcantes na sua vida.
Começa a desenhar e pintar aos 18 anos, muito influenciado pelas correntes modernas da época, a musica, os hippies e os movimentos sociais.

O surrealismo marca desde logo e para sempre o seu trabalho, ao tomar contacto com as obras dos grandes mestres, Picasso, Dali, Miro, Ernst, Klee e tantos outros.

A banda desenhada, uma das suas paixões desde a infância, deixa marcas no seu trabalho inicial que se traduz pelas técnicas e suportes então utilizados, o papel, o guache e aguarela, a tinta-da-china.

Já no Bié e casado, onde estava a cumprir o serviço militar, desenvolve uma grande produção e prepara a sua primeira exposição individual que se realiza no Huambo.

Depois novos trabalhos e exposições e sobretudo a sua ligação a fundação da Oficina d’Arte, no Lubango, em conjunto com outros artistas locais, que culmina com uma grande exposição colectiva que reúne obras de artistas de todo o pais em 1974 na cidade do Lubango. A Oficina d’Arte funcionava no antigo Palácio do Governo, era um espaço cedido pela Câmara Municipal do Lubango, onde os artistas em geral se reuniam, pintavam, faziam suas tertúlias literárias, se lia poesia e se ensaiavam peças de teatro, conversavam e partilhavam o seu trabalho, livremente.

Depois da invasão sul-africana e a sua casa e estúdio terem sido completamente vandalizados, deixou de pintar.

Esteve ligado ao movimento sindical angolano, militou no MPLA, e foi gestor de empresas, funções que ainda hoje exerce.

Apenas em 2002, depois de 25 anos sem pintar, para alem de uns “bonecos” que ia fazendo esporadicamente, depois de 28 anos sem expor, motivado e incentivado pelos pintores angolanos, António Ole, seu amigo de infância, e Isabel Batista e sobretudo pela sua mulher, volta a expor e retoma a sua actividade nas artes plásticas.





Exposições Individuais


1972 – Biblioteca Municipal – Huambo – Angola
1973 – CITA – Luanda – Angola
2003 – “...la para o Sul” – Galeria Cenarius – Luanda – Angola
2004 – “Partilhar” (I) – Casa das Artes – Famalicão – Portugal
2004 – “Partilhar” (II) – Centro Cultural do Instituto Camões – Luanda – Angola

Exposições Colectivas


1974 – Oficina d’Arte – Lubango – Angola


Mário Tendinha no »»» ArtHaria

série Anos 70/80
Ébrio * Incitamento * Madrugada * Queda

série Desenhos
Depapoproar * Engraxador * Fodido e mal pago * Kianda * Let's go * Pastuuss

série ...dos ogros...do fantástico...
Ekisi * Tcazangombe

série Lá para o Sul
Caçador da Paz * Caçadores * Carroça cheia de nada * Expectativa * Kianda no Mussulo * Lá para o sul * No sul os pastores * Ongombes nossos no Sul * Quitandeira com filha às costas no mercado * Velas ao Vento no Mussulo

série Obras do baú do atelier
Fetiche * Mukaia com lenha e lenço azul * Namoro na ilha de Moçambique * Peixe Papagaio

série Partilhar
Bué de Bocas * Carapaué * Carmina Miranda * Fado I * Fado II * Ginvuluvulu * Hepi ou o pastor de poucos bois * Herdeiros do Sol * Homo Urbanus * Nampingo's * Pensamento muinto * Rebita

»»» há muito mais no sítio do Mário

14 de julho de 2006

A. Costa Lindo. AutoBio


a Canon




Sou homem de várias paixões. Por exemplo, entre a leitura e a escrita prefiro ambas. Mas isto é mais do que uma paixão: é um respirar, uma necessidade vital.

A paixão pela fotografia agarrei-a em 1972 em Carmona, Uije, no norte de Angola. Comprei, a um colega de trabalho, uma Canon (de que já não me lembro o modelo) em segunda-mão. E comecei imediatamente a disparar: contra tudo, o que mexia e o que estava quieto. Fui devorando livros sobre fotografia. Cedo os abandonei, depois de adquirir os conhecimentos básicos, porque sabia que o principal era a prática: regular, focar, enquadrar, disparar, disparar, disparar.

A certa altura concluí que o disparo não me chegava. Montei um mini laboratório para fotografia a preto-e-branco, também em segunda-mão. E foi então que descobri a fotografia como a quero: manipulável. Era isso, afinal, o que eu procurava: uma forma de pintar à minha maneira.

Desse tempo quase nada salvei. A minha família vivia no extremo oposto, no sul desértico. Para lá ia levando uma ou outra fotografia que aí ficava arquivada em álbum, junto a algumas outras que ia tirando nas férias que por lá passava. Muito poucas porque nessas alturas o que eu queria era o sol e o mar que me faltavam durante o resto do ano. Foram essas poucas fotografias que a minha mãe, com o seu zeloso sentido de amor, trouxe para Portugal. Muito pouco do que produzi entre 1972 e 1974.

Entretanto, no Uije, fui visitar, com alguns amigos, o primeiro acampamento da FNLA, em liberdade total. A minha inseparável Canon foi também. Foram longas horas de conversa com os guerrilheiros, acompanhando uma funjada comida à maneira tradicional: com os dedos. Saber bem, soube. Mas só até ao momento em que me lembrei que deixara a Canon no Landrover, que o Neves tinha o fraco costume de deixar aberto. E foi um ar que lhe deu, à minha Canon.

Depois veio a guerra, a segunda, a prisão, a fuga para Portugal em 1979 e etc.

Nunca deixei de ir adquirindo uma maquineta para me entreter, agora mais modestas porque o dinheiro está muito caro. Mas sempre pensei (e continuo a pensar) que a máquina não é tudo. Por vezes é, até, quase nada. O mais importante está por trás dela (o maquinista) e à sua frente (os carris e os passageiros).

E descobri a digitalização: as máquinas e os programas – aquilo que eu procurava quando me encafuava no minilaboratório do Uije. Descobri que há, agora, uma nova forma de pintar as fotografias. Com a vantagem de os pincéis e as tintas não borrarem as mãos.

Presentemente ando a cismar com outra hipótese: a de ver com o olhar de uma libelinha, de um lince, de uma cabra-de-leque ou de um gavião. Mas como essa questão está relacionada com a manipulação genética, ainda não o consegui.

admário costa lindo

13 de julho de 2006

Futebol. O Mundial de A a Z

Algumas considerações politicamente incorrectas sobre o Campeonato Mundial de Futebol de 2006:

ANGOLA
A 1ª participação da selecção angolana numa fase final do Mundial excedeu as minhas espectativas. Para um país saído de uma guerra fratricida prolongada, conseguir 2 pontos num grupo que incluía, por ordem de ranking da FIFiA, México, Portugal e Irão, não é feito de somenos importância.

BOLA
Dizia-se que a deste Mundial era traiçoeira para os guarda-redes, pelos desvios de trajectória que, por vezes, adquire. Comprovámo-lo durante o apuramento do 3º e 4º classificados, onde os portugueses sofreram mais golos do que nos restantes jogos da competição.

CRISTIANO RONALDO
Sofreu um ataque acéfalo por parte da imprensa inglesa, a mais analfabeta que por aí anda embora se dê ares de grande dama. O nosso “miúdo” não tem condições para continuar a jogar em Inglaterra: nem o clube, nem o treinador, menos ainda os colegas, ninguém saiu em sua defesa. Aquele país não o merece. No entanto o clube não quer negociar a sua transferência. Em que ponto do masoquismo ficamos? Ou será que esta decisão tem outros objectivos... inconfessados?

DIEGO ARMANDO MARADONA
Veio à baila durante a competição. Lembram-se do célebre golo com a mão? Que eu saiba essa atitude deste endeusado do futebol nunca foi considerada falta de fair-play: isso são as quedas dos portugueses.

É FALTA!
Gritou, no seu bom francês, Raymond Domenech quando um seu jogador, o primeiro a mergulhar no jogo Portugal – França, se atirou para o chão. Mas não foi falta de fair-play: isso é com os portugueses.

FOLKLORE-PLAY
Disse o árbitro do jogo Portugal - Holanda que apenas se limitou a aplicar as leis do futebol (esqueceu-se o senhor que nós também temos inteligência e bem sabemos que a Lei é uma coisa e a sua aplicação outra, que pode ser bem diversa) e que os culpados daquilo que se passou em campo foram os jogadores holandeses comandados por Van Basten: mas nem por isso expulsou o agressor de Cristiano Ronaldo, como mandam as regras, permitindo que a violência avançasse a partir daí. Sempre que a violência é reprimida, para um dos lados, e permitida para o outro, nada de bom há a esperar. Por outro lado (ou do mesmo lado) um dirigente da FIFiA, a propósito do pedido de despenalização do 1º cartão amarelo mostrado a Deco no mesmo Portugal - Holanda, invocando-se a falta de fair-play dos holandeses, argumentou que aquela era apenas uma questão moral e não de regulamentação. Donde se conclui que o Mundial não era para se tratar de questões de moral (pelo menos no que aos “pequenos” dizia respeito) e que a Declaração de Fair-play, que as selecções participantes foram obrigadas a assinar, era apenas uma Declaração de Folklore... play.

GOLIAS
Davides éramos nós, sempre fomos. Conseguimos derrubar alguns golias mas estes tinham a lição bem encomendada: a corrupção faz a força.

HILARIANTE
Aconteceu muita hilaridade durante este Mundial. A melhor de todas, que merece ser perpetuada nos melhores manuais do riso, foi a daquele senhor árbitro que só expulsou um jogador após a mostragem do 3º cartão amarelo: isto, sim, é que é fair-play.

IMPRENSA
A Inglesa e alguma francesa fartaram-se de insultar os jogadores portugueses. Nunca se viu nem ouviu tanta mentira acumulada por parte dos pasquins mais reles do – chamado - Terceiro Mundo. Há frustrações históricas que alguns indivíduos não conseguem ultrapassar.

JOGO
Grande mesmo foi o Portugal – Alemanha. Esse sim, foi o jogo final do Mundial. O que se seguiu, entre franceses e italianos, foi uma peladinha entre compinchas para distribuição do espólio de guerra... suja.

LUÍS FIGO
Foi o capitão de selecção portuguesa, teve um comportamento exemplar, o verdadeiro timoneiro que, desde o primeiro jogo, apontou aos colegas o rumo certo. Foi de longe, mas de muito longe, superior (e de que maneira!) àquele que a FIFiA considerou o melhor jogador do campeonato. Foi mais disciplinado, sensato e educado durante toda a carreira.

MERGULHOS
1. Sinal utilizado até à exaustão pelo seleccionador francês, que o tomou como filosofia de via. 2. Disse o árbitro do Portugal – Holanda e disse-o a imprensa inglesa, que os portugueses são conhecidos por fiteiros, por se deixarem cair por dá cá aquela relva: daí a razão de a selecção portuguesa ter cometido menos faltas do que os cartões exibidos; no entanto um outro senhor do apito, certamente não instruído na mesma escola anti-fiteiros, assinalou uma grande penalidade fantasma a favor da Itália, por mergulho, que ditou a vitória desta selecção no confronto dos oitavos de final com a Austrália; um outro apitador assinalou grande-penalidade contra Portugal no jogo das meias-finais porque o jogador francês não mergulhou; quem mergulhou foi o Cristiano Ronaldo, depois de ter sido empurrado pelas costas, coisa pouca.

NAPOLEÃO
“Portugal é tão pequeno que, se dermos um pontapé aos portugueses, eles caem ao mar”. Não me recordo quem foi o francês que o disse, durante este campeonato, mas também não é necessário individualizar a afirmação por não ser tão rara como se possa pensar, por esse mundo fora. No entanto: por um lado quem o diz esquece-se que o mar nunca meteu medo aos Portugueses; por outro, esta foi também a teoria de Napoleão. A verdade, histórica mas que tentam “esquecer”, é esta: quem foi corrido a pontapé foram eles – os franceses – que, aquando das célebres Invasões, levaram para França muito o que contar.

OURO
Acaba aqui a saga da chamada “Geração de Ouro” do futebol português. Havia quem esperasse mais desta geração. Não contavam, esses, com os golias. No entanto, 2 Campeonatos de Mundo de júniores, um 2º lugar num Campeonato da Europa e um 4º lugar no Campeonato do Mundo, não são proezas a desprezar, para além das conquistas individuais.

PENALTIES
Ricardo, o guarda-redes da selecção portuguesa, defendeu 3 de uma assentada, bateu um record mundial mas não foi proeza suficiente. Outros, que sofreram mais golos, foram melhores, segundo a FIFiA.

QUALIDADE DA ARBITRAGEM
Se estes são os melhores árbitros da FIFiA, muito mal vai a cena do apito mundial. Erros (chamemos-lhe assim para não irmos mais longe) crassos e clamorosos e arbitragens rastejantes aconteceram vezes demais para uma competição desta envergadura. É nestas alturas que se confirma que os árbitros nacionais são tão bons ou melhores do que todos os outros. Os adeptos portugueses pensam que não!


RIBEIRO
Nuno, ou Maniche no meio futebolístico. Foi dos melhores em campo, sempre, e marcou contra a Holanda um dos mais (só?!) belos golos deste Mundial.

SENHORES DO MUNDO
É assim que se julgam os senhores da FIFiA. Não me cabe na cabeça que seja possível que um organismo privado se arrogue o direito de proibir os seus membros de recorrer aos tribunais civis. Nos países de regime democrático, pelo menos, a Constituição e o Sistema Judicial são os garantes dos direitos e liberdades dos cidadãos. Para a FIFiA isso são coisas da política. O “caso Bosman” não lhes serviu de exemplo. Para quando uma lição “exemplar” a estes senhores do mundo?

TESTÍCULOS
Os ingleses não sabem o que seja. Um tal de Rooney confundiu os do Ricardo Carvalho com a bola de futebol. Depois ficaram irritados com a expulsão: onde já se viu alguém ser expulso por pontapear as bolas?!

UUHH FST UUHH FST FSIUUUUUU!
É a única coisa que os adeptos ingleses sabem fazer. A par do bater de palmas quando os seus ídolos pontapeiam um adversário.

VERDADE DESPORTIVA
“O que é isso?” – pergunta a FIFiA.

XENOFOBIA
É aquilo a que (alguma) imprensa inglesa (e francesa) usa como isenção jornalística.

ZIDANE
É um senhor que agrediu à cabeçada um adversário. Foi expulso do jogo, segundo dizem o último da carreira, façanha suficiente para a FIFiA o considerar o melhor jogador do campeonato. Ficou a saber-se agora que o feito se deveu ao facto de ter sido insultado pelo adversário. Pelos vistos já tinha sido insultado no Mundial de 1998, no jogo frente à Arábia Saudita. E, segundo o “L’Equipe”, por mais 12 vezes. É que Zidane foi expulso 14 vezes durante a carreira de futebolista. Mas lá que é um menino de coro, disso não restam dúvidas. É por demais evidente que, terminada a carreira, o senhor passará a liderar as claques de apoiantes que, após as vitórias desportivas, desfilam pelas ruas de Paris incendiando viaturas, destruindo montras, disparando balas contra os adversários... isto digo eu que sou arruaceiro como os jogadores portugueses, Cristiano Ronaldo, Costinha, Petit, Deco... e João Pinto, lembram-se? A quem a FIFiA aplicou um castigo “exemplar” porque não teve justificação para a atitude que tomou contra um árbitro, no anterior Mundial. As 14 atitudes do anjo Zidane, não – essas foram plenamente justificadas.

admário costa lindo

10 de julho de 2006

Interrogação dos Mundos



Mário Tendinha:

a interrogação dos mundos e das existências


Depois de “ Lá para o Sul…”, Luanda, Galeria Cenárius, Julho de 2003, este homem do Sul de Angola regressa de forma surpreendente para “ PARTILHAR” – título da presente exposição – 14 pinturas (acrílicos sobre tela com técnicas mistas) e 10 desenhos a tinta-da-china sobre papel.

Mário Tendinha nasceu e vive em Angola há 54 anos, é descendente de uma família ligada ao mar – navegadores, pescadores algarvios e mouros – que chega ao país em 1891 num barco à vela chamado “Harmonia”que aporta em Moçamedes – actualmente a cidade do Namibe.

Com um perfil de autodidacta, desenvolve uma original visão expressionista da imensidão do universo pastoril onde passou a adolescência no Sul de Angola, no deserto do Namibe e do Iona, dos criadores de gado mucubais, a luz do sol, da vastidão do mar que abraça esta Angola excessiva; os pastores, os mucubais, as cores do céu, a observação das nuvens.

Recordações íntimas que marcaram a sua infância, retomadas nesta mostra com notável energia musical do traço, o sentido do ritmo secreto das cerimónias mucubais.

E a noite, no mar, a chegada dos pescadores sobre a proa dos barcos.

Mário Tendinha não pinta com ideias preconcebidas sobre arte, modas e teorias; avança para a tela e para os papéis com uma única legitimidade: a consciência de uma vivência íntima, sentida, visceral. Pinta também com o corpo. E com a memória.

Partilhar é um profundo sentimento da materialidade das coisas, e – ao mesmo tempo – uma enorme capacidade em estabelecer ligações nos mais variados sentidos. Uma acção interior, silenciosa, quase secreta.

As personagens de Mário Tendinha são seres complexos, com nomes – a Mingota, o Avozinho, as Zungueiras (vendedoras de fruta que percorrem as cidades angolanas) – envolvidas em contradições profundas, inocentes, desesperadas, tristes, ansiosas, flageladas, hesitantes, que perpassam do Sul ao Norte da nossa Terra.

Gente com força e dignidade que resiste num combate desigual, sem tréguas, mas também sem fim.

E, nessa fundamentação, beleza e grandeza do mundo coexistem. Mas a intensidade da presença visual dessa gente do deserto do Namibe, desses pastores excluídos e deserdados, e sobretudo dessa gente que nas cidades procura a Luz e a Vida, Mário Tendinha interroga a existência e o mundo, e convoca e motiva a emoção do espectador, assegurando a continuidade de um percurso marcado pelo legado de certos mestres da pintura que o influenciaram, mas também por uma visão pessoal da arte e da sua importância, fortemente apoiada na consciência da realidade social e económica de um mundo injusto; ou seja, numa profunda inquietude social.

O percurso de Mário Tendinha, aliás, é conseguido a pulso, e construído a partir de uma grande diversidade de registos expressivos, sobretudo baseados num inquietante e obstinado exercício de experimentação. No entanto, toda a sinalética envolvente da sua obra repousa profundamente num imaginário repleto de paisagens e lugares e pessoas com quem se cruza. É um olhar único, uma abstracção habitada.

Os desenhos que igualmente integram a presente mostra – quase todos expostos pela primeira vez – delimitam espaços habitados por personalidades algo grotescas, numa sublime gestualidade que apenas sugere um quotidiano difícil e intensamente vivido.

Partilhar é um espaço de liberdade, para frequentar sem medo nem angústias; estamos lá todos nós.

Esta obra de Mário Tendinha que cultiva a diversidade a instabilidade das linguagens deste tempo, apoiada na liberdade expressiva do autor que defende com invulgar eficácia a complexa angolanidade de que somos todos testemunhas e actores, e a própria irregularidade dos resultados, traduzem - de forma inequívoca e indesmentível - a constante frescura que é a marca da aventura livremente assumida – e vivida – pelo pintor; manifestação clara de uma criatividade corajosa, avessa a modas e a modelos.


Jerónimo Belo
Luanda, Maianga, Maio de 2004


»»» Mário Tendinha no ArtHaria

9 de julho de 2006

Prefácio do Sol e do Silêncio



Lá para o Sul... Prefácio do Sol e do Silêncio

Não se fazem prefácios para catálogos de pintura, muito embora os prefácios sejam mais próprios do meu hábito e costume. Nas entrelinhas das telas (tal como nos livros) encontram-se tantas leituras quantos os leitores e embora a pintura tenha uma só apresentação, o livro tem, sabe-se lá porquê, mais - a do Prefácio, a do Lançamento e, algumas vezes, a de um antiquíssimo Posfácio. Para corrigir este desajuste atrevo-me, pois, a fazer este prefácio, aonde prefácio não haveria de ser feito. Alguém virá que vos faça a apresentação destas telas e caberá a cada um de vós posfaciar, com a vossa opinião, esta exposição, à saída da vossa benquista visita. E assim, é dizer...

Mário Tendinha deixou a pintura há uma boa vintena de anos. Outras preocupações o tomavam: ganhar a vida, para poder um dia melhor viver a vida. E acreditava, quando fazia riscos e bonecos, nas chatas reuniões a que era obrigado, que o manejo do lápis seria um simples exercício de desenfastiado tédio. Não era. Era medo. Como artista, sabia que se perdesse a mão, emperraria o traço, cegaria a fantasia, a imaginação e atenção do olhar. Daí que tenha regressado ao óleo, ao acrílico, à aguarela e à tinta negra da china sem grandes embaraços, muito embora não lhe tivesse parecido suficiente voltar a pintar, mas refazer todo o seu percurso iniciando pelo desenho, até chegar à pintura.

Esta exposição é, também, por assim dizer, uma revisitação ao anterior percurso de pintor. E aqui o temos: na série “Perfis”, a delicada afinação dos dedos, o tom cuidado, embora medroso, de uma aguarela à procura de sentido. Mais adiante a infância - a menina inocente, o cão e a ausência sempre presente da mãe na mola da roupa. Olhemos os “Barcos do Mussulo” ou a saudade magoada de outras águas. Há um azul serrado, forte que nos fica a tempestuar a retina, um d’ouro e mar que nos sugere a dimensão inacabada do inatingível. O Avôzinho e Mingota é a escrita dos dias de hoje, suave porque as cores são de uma temperada suavidade, um espécie de passividade a que nos acostumamos, quando a rotina nos obriga a olhar e não ver. E de repente, intuímos, agressiva e violenta, forte e impressiva, a verdade - quase pornográfica - do erro, do abuso e da mentira. Porém onde o Mário Tendinha melhor se expressa, é na tonalidade amarelo-incandescente do deserto, cuja luz fazia morada de exílio na sua alma. Quase se diria que estes quadros são pintados sem nenhum elemento líquido. Que as figuras sempre difusas dos pastores e sempre presentes dos bois são a lembrança, perdurável e antiga, de sopros e areias, ainda mal lavados pela morrinha dos tempos. São tão só, luz, areia, crispação de vento cruciante e mar adivinhado. O Sol e o Silêncio como prefácio de um outro livro onde tudo é estranho, imperscrutável e segredoso – o deserto, o mar e o próprio homem. A infância, a solidão e o próprio sonho.Um convite a quem queira e seja capaz de ouvir esta quietude, tão já agora que leu - pequeno e pobre - este prefácio.

Darío de Melo


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8 de julho de 2006

Futebol. Alemanha 2006. Final



APURAMENTO dos 3º e 4º CLASSIFICADOS

Sábado 8/07/06 20H00, Estugarda
Alemanha 3-1 Portugal
Estádio: Gottlieb-Daimler-Stadion
Árbitro: Toru Kamiwava (Japão)
56’ 1-0 Schweinsteiger
61’ 2-0 Petit (ag)
78’ 3-0 Schweinsteiger
87’ 3-1 Nuno Gomes


de cabeça erguida! [ imagem AP/sic.sapo.pt ]




FINAL

Domingo 9/07/06 19H00, Berlim
Itália 1 – 1 (5-3*) França
Estádio: Estádio Olímpico de Berlim
Árbitro: Horacio Elizondo (Argentina)
6’ 0-1 Zinédine Zidane (gp)
19’ 1-1 Marco Materazzi


sem comentários, para quem viu o original! [ imagem AP/sic.sapo.pt ]



(ag) – auto-golo
(gp) - grande-penalidade

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desempate por pontapés da marca de grande-penalidade

última revisão: 11.07.2006
[ os horários indicados são TMG ]

Futebol. Alemanha 2006. 1/2 Final



Terça-feira 4/07/06 20H00, Dortmund
Alemanha 0-2 Itália
Árbitro: Benito Archundia (México)
Estádio: Westfalenstadion (Signal Iduna Park)
Jogo com prolongamento
118’ 0-1 Fabio Grosso
120’ 0-2 Del Piero


[ imagem EPA/sic.sapo.pt ]




Quarta-feira 5/07/06 20H00, Munique
Portugal 0-1 França
Estádio: Allianz Arena
Árbitro: Jorge Larrionda (Uruguai)
0-1 Zinédine Zidane (gp)


[ imagem EPA/sic.sapo.pt ]





(gp) - grande-penalidade

última revisão: 9.07.2006


[ os horários indicados são TMG ]

5 de julho de 2006

Réplica e Rebeldia


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Exposição de artistas lusófonos em Luanda


O Instituto Camões inaugurou no dia 3, no Centro Cultural Português de Luanda, a exposição «Réplica e Rebeldia», que reúne cerca de sete dezenas de obras de 35 artistas de Angola, Brasil, Cabo Verde e Moçambique. “Esta exposição pretende ser um contributo para a visibilidade de um conjunto de artistas que, sendo excelentes, não têm a projecção que era justo que tivessem”, afirmou António Pinto Ribeiro, comissário desta mostra, em declarações à Lusa na capital angolana. Nesse sentido, a exposição, integralmente produzida pelo Instituto Camões, surge numa perspectiva de “cooperação artística internacional”. “De uma forma geral, os artistas africanos são muito pouco conhecidos”, admitiu António Pinto Ribeiro, que se encontra em Luanda a preparar a abertura desta exposição de artistas lusófonos. Para António Pinto Ribeiro, uma das razões para esse desconhecimento internacional reside na “falta de mercado, de galerias e de críticos de arte em África”, mas, no caso concreto dos criadores lusófonos, também é consequência de Portugal, antigo país colonizador, “não ter força suficiente para lhes assegurar uma presença internacional”. De alguma forma, a realização da exposição pretende ser uma forma de minimizar este problema, assegurando projecção e visibilidade internacional a um conjunto de artistas de língua portuguesa que, de outra forma, teriam grandes dificuldades para apresentar o seu trabalho.

A exposição estreou em Maputo, capital de Moçambique, onde esteve patente dois meses no Museu de Arte Moderna, viajando depois para Luanda, onde poderá ser visitada até meados de Agosto no Centro Cultural Português e no Museu de História Natural. Até finais de 2008, esta exposição vai ainda estar patente no Brasil e em Cabo Verde, mas também em Berlim, capital alemã, e em Washington, nos Estados Unidos.
Segundo António Pinto Ribeiro, não é por acaso que a digressão começa por África. “A intenção - disse - foi permitir que, ao contrário do que habitualmente acontece, os artistas possam ser os primeiros a ver a exposição”. O catálogo da mostra inclui um texto da autoria de uma pessoa de cada país com artistas representados, que apresenta uma visão sobre a história da arte local, cuja evolução pretende estar sintetizada no título da exposição: «Réplica e Rebeldia». “Inicialmente, a arte africana era uma espécie de ‘réplica’ do modelo europeu, transmitido pelo país colonizador, mas, a determinada altura, surgiu uma consciência de ‘rebeldia’ dos artistas locais, que tentaram encontrar um modo de trabalho mais de acordo com a sua realidade”, afirmou António Pinto Ribeiro, explicando o título da exposição. Nesta perspectiva, o núcleo inicial da exposição “é uma espécie da retaguarda mais importante dessa rebeldia”, apresentado de uma forma que “pretende marcar a diferença” entre a fase da ‘réplica’ e a evolução que resultou da ‘rebeldia’ dos artistas africanos face aos modelos impostos pelos europeus.

“O Primeiro de Janeiro”, 3.07.2006

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«Réplica e Rebeldia» mostra arte contemporânea

Esta exposição, cujo critério deselecção esteve a cargo de Pinto Ribeiro, reúne 70 obras de artistas que correspondem à retaguarda da história contemporânea de Angola, Moçambique,
Cabo-Verde e Brasil.

Produzida e encomendada pelo Instituto Camões, numa lógica de cooperação artística internacional, «Réplica e Rebeldia» integra imagens artísticas dos criadores angolanos Victor Teixeira (Viteix) 1, Fernando Alvim 2, António Ole 3, Tiago Borges 4 e Yonamine 5, que por meio de quadros, instalações, esculturas, vídeo, fotografia e desenho poderão mostrar, através da arte, alguns dos meandros da história de Angola.

“Tantã Cultural” nº 220, 29.Junho/5.Julho.2006

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para saber Mais:
na caixa de Busca do portal
artafrica seleccione o nome do artista.

1 de julho de 2006

Protecção das Línguas "Nacionais"




Legislação de protecção de línguas nacionais deve obedecer a diversidade cultural


O jurista angolano João Pinto manifestou-se a favor da criação de uma legislação sobre a protecção jurídica das línguas nacionais que tenha em conta a sua diversidade cultural no país.

Este pensamento de João Pinto foi manifesto durante uma palestra sobre "Protecção Jurídica das Línguas Nacionais", promovida pelo Ministério da Cultura, em alusão à realização do III Simpósio de Cultura Nacional, no mês de Setembro.

Segundo ele, proteger as línguas nacionais é defender a história de um povo, por isso deve traçar-se estratégias de equilíbrio, para que constem em tal legislação, para as valorizar sem alguma influência política.

"O problema das línguas nacionais tem a ver com consolidação de um Estado de direito, assente na identidade do seu povo, dado a isso, a legislação relativa a esta problemática deve promover o conhecimento e o estudo destes idiomas sem preconceitos" - referiu.

João Pinto disse que se afigura preocupante quando em certas repartições administrativas e relações entre indivíduos, os falantes da língua nacional são nalguns casos menosprezados, por não se expressarem em português.

Isto é um erro fatal, porque, de acordo com ele, por mais que queiramos nos tornar portugueses ou ingleses não será possível, dado que entranhamos uma cultura africana e em particular angolana.

"Devemos sim, na actualidade, compreender o outro que não se expressa em língua portuguesa ou se o faz, mal, dentro do princípio da solidariedade cultural, que se pode extrair da leitura do artigo 7º da Lei Constitucional" - mencionou.

O jurista apontou que este artigo sétimo da constituição, conjugado com o artigo 18º, igualmente da Lei Constitucional, apela à igualdade de todos os indivíduos sem distinção da cor, raça ou cultural, daí que devemos elaborar uma lei de protecção das línguas nacionais, para conformar a diversidade linguística e cultural do país.

No entanto, o linguista José Pedro discordou da definição dada por João Pinto de que a língua é um meio de exteriorizar o sentir e o estar do homem, porque, para ele, é sim um instrumento de comunicação.

José Pedro, porém, corrobora com o resto da tese defendida por João Pinto, quando dá ênfase à protecção das línguas nacionais, já que a maioria da população angolana utiliza, como instrumento de comunicação, a língua de origem Bantu (falada, em África, entre o Sul dos Camarões à África do Sul).

"É necessário realmente equilíbrio linguístico, pois não há línguas superiores, pois todas são iguais e ao ser escritas recorre-se ao alfabético fonético internacional" - asseverou.

Para a confusão quanto à definição do que é língua materna (é ou não aquela do país onde se nasce), esclareceu ser materna aquela que falamos pela primeira vez.

No caso de Angola pode ser o português ou as outras línguas.

Angop, 27.06.2006



1.
Já era tempo de se tratar este tema com a acuidade premente que a Cultura Angolana merece. Sei que estão a dar-se passos importantes nesse sentido. Era bom, no entanto, que o assunto fosse mais público do que tem sido até agora.

2.
Continuo a bater na questão, um tanto antiga e diversas vezes por mim aflorada, da terminologia “Línguas Nacionais”.
Na actualidade, contrariamente a teorias ultrapassados no tempo, considera-se Nação um agrupamento autónomo de indivíduos que ocupam um território definido, que se regem pelas mesmas leis, constituição e governo, independente da sua origem, raça, religião ou língua.
Portanto, Angola é uma Nação, política e sociologicamente falando. Não é, no entanto, uma “Nação Linguística”, se podemos tratar assim a questão. Não existe em Angola nenhuma “Língua Nacional”: há uma Língua Veicular - o Português – e várias Línguas Étnicas: Kikongo, Kimbundu, !Kung, Lunda-Tchokwe, Olunyanyeka, Tchielelo, Tchikwanyama, Tchiluba, Tchingangela, Umbundu, etc, etc.

3.
“No entanto, o linguista José Pedro discordou da definição dada por João Pinto de que a língua é um meio de exteriorizar o sentir e o estar do homem, porque, para ele, é sim um instrumento de comunicação.”
Quanto a mim a Língua não é apenas “um instrumento de comunicação”. Melhor dizendo: por ser isso mesmo – um instrumento de comunicação entre indivíduos – é também “um meio de exteriorizar o sentir e o estar do homem”, porque pela palavra e pela escrita, pela Língua, também se manifesta a cultura de um Povo, as suas características intrínsecas que o distinguem de outros – como a Literatura e a Tradição Oral, tão cara aos Povos de Angola.


admário costa lindo