SEGUIDORES

4 de maio de 2006

Lista Vermelha IUCN 2006

Foi hoje, 4.05.2006, publicada a Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas IUCN 2006.

Neste momento as categorias IUCN 2004, vigentes até hoje, estão assinaladas, no EcoHaria, a cor azul.

Conforme forem sendo actualizadas mudarão de cor. Aproveitaremos, então, a oportunidade para dar a cada uma dessas categorias uma cor específica, para melhor identificação.

As novidades não são nada animadoras para a Conservação e Protecção das espécies.

O Editor.

... ... ...

Comunicado de Prensa

Embargo hasta 00:01 GMT del 2 de mayo de 2006

Publicación de Lista Roja de Especies Amenazadas 2006 de la UICN revela que continúa el deterioro del estado de plantas y animales
El número de especies amenazadas conocidas llega a 16,119. Las filas de aquéllas que enfrentan la extinción se ven incrementadas por especies familiares como el oso polar, el hipopótamo y las gacelas del desierto, además de los tiburones oceánicos, peces de agua dulce y flores del Mediterráneo. Las acciones positivas han ayudado al pigargo europeo y ofrecen un destello de esperanza para los buitres de la India.
Gland, Suiza, 2 de Mayo 2006 (UICN) – El número total de especies oficialmente declaradas Extintas es de 784 y a otras 65 solamente se les puede encontrar en cautiverio o en cultivo. De las 40,177 especies evaluadas aplicando los criterios de la Lista Roja de la UICN , 16,119 figuran en la lista de especies amenazadas con la extinción. Esto incluye a uno de cada tres anfibios y a una cuarta parte de los árboles de coníferas del mundo, además de una de cada ocho aves y uno de cada cuatro mamíferos que se conocen están en peligro.

La Lista Roja de especies amenazadas 2006 de la UICN revela nítidamente el continuo deterioro de la biodiversidad del planeta y el impacto que tiene la humanidad en la vida sobre la tierra. Ampliamente reconocida como la evaluación con más autoridad sobre el estado global de plantas y animales, ésta mide con exactitud si se está avanzando o no hacia la meta mundialmente acordada de reducir de modo significativo el ritmo de la pérdida de biodiversidad para el 2010.

“ La Lista Roja 2006 de la UICN muestra una clara tendencia: la pérdida de biodiversidad está aumentando, no disminuyendo”, declaró Achim Steiner, Director General de la Unión Mundial para la Naturaleza (UICN). “Las repercusiones de esta tendencia en la productividad y capacidad de recuperación de los ecosistemas y la vida y medios de sustento de miles de millones de personas que dependen de ellos son de gran alcance. Es posible revertir esta tendencia, como lo comprueban numerosos casos de conservación exitosa. Para alcanzar el éxito a escala mundial, necesitamos nuevas alianzas en todos los sectores de la sociedad. Salvar la diversidad biológica no puede ser tarea exclusiva de los ambientalistas; debe convertirse en responsabilidad de todos aquellos que tengan el poder y los recursos para actuar”, añadió.

… … …

excerto do Comunicado de Imprensa da IUCN
Leia o comunicado completo em Castelhano Francês ou Inglês

21 de março de 2006

Nasceu o EcoHaria



21 de Março
- Inicio da Primavera
- Dia Mundial da Floresta
- Dia Mundial da Poesia
- Dia Internacional da Eliminação da Discriminação Racial
22 de Março
- Dia Mundial da Água

Será que tudo isto anda ligado ?

Andando e lendo, verificaremos que sim!

E um poeta responde:

“Como a árvore, também a poesia tem raízes na terra e nas profundidades do ser e da língua comum e também ela é exaltação e desejo, passagem do visível ao invisível, da vida ao conhecimento, ou, como na árvore invertida do esoterismo hebraico, que cresce de cima para baixo”
( como a verdade do imbondeiro, do Deus Kauha- digo eu),
“alimentando a vida com a força solar do pensamento e da linguagem. E também ela é ritmo elementar, sístole e diástole, morte e renascimento. Porque, se a natureza é a arte de Deus, a arte (e que há de mais artesanal do que a “poiesis”, o “fazer” da poesia?) é a natureza do homem.” [1]

A natureza do Homem fê-la Deus una e indistinta.

Mas os homens trataram de o desvirtuar:

a natureza da Natureza e a natureza do Homem.

Foi apenas uma coincidência, o facto de ter nascido hoje EcoHaria, a página ecológica do Angola Haria.

Ou será que tudo isto anda ligado ?


admário costa lindo

__________

[1]
Manuel António Pina, Por Outras Palavras, Jornal de Notícias, 21.03.2006

6 de março de 2006

Angola no Coração




Angola no coração de Ferreira Pinto

João de Melo

Dizem que o mundo começa nos Açores e no livro de Génesis. Dizem que termina em África, terra do fogo, continente de lendas, cazumbis e pássaros de bico vermelho com patas da cor do coral – sendo então o território perfeito do Apocalipse.

Na pintura de Ferreira Pinto, porém, não é assim. Há a vida, o tempo e a alegria. Há a dor, a coragem e a melancolia. Há a consciência do ser, a ansiedade do destino, a determinação dos passos que percorrem o caminho. A Angola de Ferreira Pinto, sendo ela mesma, é também uma projecção simbólica de todo o continente. Como se Angola fosse Angola mais a memória, mais a geografia onírica de outros povos e países que moram na terra da imaginação e do conhecimento. Nessa Angola concreta e mítica do pintor, o mundo atravessa uma ideia contínua, um movimento do rosto e do olhar, uma densidade de cores e formas expressivas que se constituem tanto na sua geografia humana como numa abóboda simbólica do universo. Vejo-a num esforço do esquecimento, em suspensão, a meio do gesto de caminhar, sem atender à alma que lhe dói e ao corpo que nela sangra. Vejo-a como um desejo, um impulso do coração, uma ciência do sentimento, um acto de fé contra o desespero, a morte, a própria nostalgia dos mortos e dos vivos.

A África de Ferreira Pinto (esta que eu aqui e agora contemplo, em presença e em sentimento, nos seus quadros) é um pronunciamento do olhar. Existe, nesse olhar, uma declaração antiga e renovada, uma orgulhosa ousadia, em levantamento dos motivos da tragédia, da dor, da alegria, da determinação e da esperança. Por isso o firmamento é turvo (entre o ocre, o fogo e a nuvem) como um tumulto contínuo; por isso a terra arde, vermelha e incandescente; por isso as roupas são garridas sobre os corpos densos – e por isso, também, os gestos são mais nítidos do que a sombra expressiva dos rostos.
Eis-nos perante uma busca de raiz, um regresso às profundezas da terra, uma espécie de nostalgia diferente da saudade e da memória – a qual tem como expressão a idade eterna do Homem, com seus mitos trágicos, sua história sentimental, os trabalhos, os dias. O telurismo absoluto da paixão e da vida.

Entre a circunstância açoriana e a vertente africana da pintura de Ferreira Pinto decorre afinal não apenas uma teoria do espaço, um modo de ver representado e um exercício precário da abstracção, mas sobretudo a expressão sentimental do tempo e da memória. Nos Açores, vê Ferreira Pinto a exuberância da paisagem e da vida, o concretismo e o desenho forte dos rostos; em Angola, escuta passos, as vozes, o frémito nocturno e a “metáfora do coração” da sua África. É essa mesma África convulsa, perturbada, perturbadora, que muitos de nós trazemos nos olhos da esperança e da memória – sempre com ela no coração.


Lisboa, 25 de Abril de 1995

4 de março de 2006

Primeira mini-série policial angolana



A primeira mini-série policial de produção nacional, com o título "113", será exibida a partir do dia 28 deste mês, pela Televisão Publica de Angola, segundo deu a conhecer a produtora Walmirez Audiovisuais.

A mini-série policial "113", que apresenta 13 capítulos, aborda aspectos referentes ao processo de modernização da Polícia Nacional e foi escrita por Walter Ferreira, igualmente actor.

Sob realização de Paulo Ramirez, esta produção apresenta nos papéis principais os actores Filipe Kwena, Elizabeth Neto e José Carlos, designado por "trio central da unidade de operações especiais", cujas actividades visam manter a ordem e tranquilidade, estendendo-se a todo o tipo de crime e desordem.

O elenco artístico da novela conta ainda com participações especiais de Miguel Hurtz, Ladislau Silva, Luís Kiffas, Sílvia Anair, Analtina Dias, Dicla Burity, Mário Vaz e Salu Gonçalves, todos angolanos, entre outros.

Tantã Cultural nº 204, 23.02 – 01.03.2006

NR:
É tempo de os nossos leitores ficarem a saber que o Tantã Cultural nos chega à caixa do correio fruto da amabilidade incansável do Bigó, Álvaro Luz dos Reis.
Ao Bigó o nosso reconhecido agradecimento.

3 de março de 2006

Carnaval em Benguela e Moxico

"Bravos da Vitória" da Catumbela conquista em Benguela

O grupo carnavalesco "Bravos da Vitória" da comuna da Catumbela (Lobito) conquistou terça-feira o 1º lugar da edição 2006 do Carnaval na província de Benguela, cujo prémio está avaliado em dois mil dólares americanos.
O segundo classificado foi o grupo do Magistério Primário de Benguela e o terceiro o "Água e Luz" do Lobito.
O grupo Água e Luz existe desde a década de 50 e conquistou várias edições até 1975. Na altura era considerado um dos melhores grupos do país.
Alguns espectadores contactados pela Angop referiram que a presente edição foi menos espectacular do que nos anos anteriores. Nesta edição do Carnaval, atribuiu-se o prémio Cuca equivalente a 800 dólares americanos ao Bloco Branco do Lobito e ao Bloco Amarelo, a distinção de melhor rainha.
O desfile realizado no largo 1º de Maio contou com a participaram de 17 grupos carnavalescos provenientes dos municípios de Benguela, Baia Farta e Lobito, no largo 1º de Maio.
O grupo Bravos da Vitória foi vencedor da edição passada.
Entretanto, o grupo carnavalesco Comité do Festival Tradicional Luvale (Cofetral) venceu a edição do Carnaval/2006, no Moxico, ao somar 330 pontos da classificação geral.
O grupo, na sua exibição mostrou os usos e costumes da região leste e deixou mensagem para a preservação da cultura nacional, tendo recebido 100 mil kwanzas, valor do prémio.
Na segunda e terceira posições, ficaram os grupos "Havemos de Voltar" e "Enxame de Abelhas", com 329 e 311 pontos, respectivamente, cabendo ao primeiro 75 mil kwanzas e ao segundo 50 mil kwanzas.

Jornal de Angola, 2.03.2006

Carnaval no Bengo

Rainha Nzinga Mbandi vence Entrudo do Bengo

Pedro Bica, em Caxito

O grupo carnavalesco Rainha Nzinga Mbande é o vencedor do desfile provincial do Bengo, da categoria de adultos, da edição 2006 do Carnaval, ao totalizar 258,5 pontos.
Em segundo lugar ficou o grupo União Jovens Independentes do Kingungo, com 216,5 pontos, sendo o terceiro lugar ocupado pelo Maringa da Caboxa, com 196 pontos.
O acto, que decorreu no largo das Ingabas, contou com a participação de apenas seis grupos e um bloco de animação denominado "Faixa Branca".
De acordo com o chefe do departamento de Acção Cultural do Bengo, João António, o primeiro classificado vai receber 200 mil kwanzas, enquanto que o segundo e terceiro classificados receberão 150 e 100 mil kwanzas, respectivamente.
Uma das grandes inovações introduzidas na presente edição do Carnaval no Bengo foi a gravação das músicas dos grupos concorrentes. Para o coreógrafo Domingos Nguizane, que presidiu o corpo de jurados, os critérios da atribuição dos prémios envolveram a dança, indumentária, coreografia e a mensagem das músicas. O coreógrafo chamou atenção aos responsáveis dos grupos carnavalescos para a importância cultural que representam os passos da dança tradicional. De acordo com Domingos Nguizane, a música deve reflectir-se na cadência rítmica do estilo da dança, bem como a capacidade da teatralização de cada momento

Jornal de Angola, 2.03.2006

Carnaval em Luanda

União 10 de Dezembro vence Carnaval de Luanda

João Bastos

O grupo União 10 de Dezembro é o grande vencedor da 28ª edição do Carnaval de Luanda ao totalizar 641 pontos, no desfile central do Entrudo, realizado terça-feira na Avenida Marginal.
De acordo com os resultados divulgados ontem pelo jurado, a classificação da classe «A» (adultos) ficou ordenada da seguinte maneira: segundo colocado com 625 pontos o União Kabocomeu; terceiro União 54 (578 pontos); quarto União Mundo da Ilha (577 pontos); quinto União Kiela (564 pontos) e sexto União Kazucuta do Sambizanga (545 pontos).
Para a mesma categoria ocuparam as duas últimas posições os grupos carnavalescos União estrela do Povo e União Kwanza com 358 e 341 pontos, respectivamente. Neste contexto, descem para o escalão «B», os grupos União Kwanza, Jovens do Mukuaxi, Amazonas do Prenda, Estrela do Povo, Dimba dya Ngola e Tonessa.
Na Classe «B», também de Adulto, o grupo Sagrada Esperança venceu com 475 pontos. Nas restantes posições ficaram o União Jovens da Cacimba (444 pontos), Comandante Kwenha (395 pontos), Operários do Rangel (356 pontos), Café de Angola (339 pontos), Bondosos (334 pontos) e Angola Independente (327). A julgar pela classificação, os seis grupos ascendem ao escalão principal na próxima edição do Carnaval.
Na categoria de infantis, após um empate técnico registado na primeira contagem entre os grupos União Cassule 54 e Amazonas com 380 pontos, o júri reuniu de imediato e recorreu ao voto do seu presidente como mecanismo de desempate e este atribuiu vitória ao grupo União Cassule 54, com 381 pontos.
As posições seguintes foram preenchidas pelo União Cassule do Amazonas (380 pontos), União Cassules/Jovens da Cacimba (365), União Esperança do Futuro com 364 pontos, que permanecem nessa categoria na próxima edição.
De acordo com o director provincial da Cultura, Manuel Sebastião, o processo de votação foi o mais democrático possível, na medida em que foi constituído um júri com experiência no domínio da música, alegoria, canção e bandeira para cada classe.
Por seu turno, o presidente do júri da classe «A», Carlos Lamartine, afirmou que em termos competitivos a presente edição do Carnaval de Luanda foi a mais disputada de sempre, a julgar pela preparação, indumentária e canções apresentadas pelos grupos, bem como a grande mobilização da população. Carlos Lamartine garantiu que a classificação dos grupos é fruto do desempenho que cada um deles teve na terça-feira, aquando do desfile na Avenida Marginal. Reconheceu, por outro lado, o empenho dos grupos na tentativa da busca de um melhor desempenho.
Note-se que os prémios aos vencedores serão entregues sábado, às 16 horas, no centro recreativo e cultural Kilamba.
Aos primeiros classificados da classe «A» estão destinados os seguintes valores monetários: 30 mil dólares para o primeiro, 20 mil para o segundo, 12 mil ao terceiro, USD 10 mil para o quarto colocado e oito mil dólares reservados ao quinto.

Jornal e Angola, 2.03.2006

23 de fevereiro de 2006

Prémios de Cultura 2005



Ministério da Cultura distinguiu criadores e instituições

A coreógrafa Ana Clara Guerra Marques, os músicos Carlos Burity e Filipe Mukenga, os escritores Mena Abrantes e Jerónimo Belo, bem como a Rádio Ngola Yetu receberam Diplomas de Mérito e um prémio monetário de 5 000 USD, pelo trabalho que desenvolveram em prol da cultura nacional.
O MinCult entregou, também, Diplomas de Honra aos bancos BFA e BAI, por se terem destacado como financiadores de actividades culturais.
A cerimónia de outorga dos citados galardões enquadrou-se no âmbito das actividades comemorativas do Dia da Cultura Nacional, o 8 de Janeiro.


Tantã Cultural nº 199, 12-19.01.2006



Constam da lista de vencedores do Prémio Nacional de Cultura e Artes

na disciplina de literatura, os escritores Óscar Ribas (2000), Boaventura Cardoso (2001), Pepetela (2002), Manuel Rui Monteiro (2003) e Arnaldo Santos (2004).

Na categoria de investigação em ciências humanas e sociais, o antropólogo Rui Duarte de Carvalho (2000), Pastoral da Diocese de Menongue (2001), os sociólogos Paulo de Carvalho (2002) e Edmundo Rocha (2003). Na última edição o galardão foi atribuído a jurista Maria do Carmo Medina (2004).

Em artes do espectáculo foram já premiados Zé Keno ( 2000), Ngola Ritmos (2001), Núcleo de Teatro Etu-Lena (2002) e Carlitos Vieira Dias (2004).

Ao nível das artes plásticas Viteix foi o vencedor em (2000), Massongui Afonso (2001), Marcela Costa (2002), Augusto Ferreira (2003) e António Ole (2004).

No cinema e audiovisuais, esta distinção já foi entregue a Orlando Fortunato (2002), Óscar Gil (2003) e Maria João Ganga (2004).

O Prémio nacional de Cultura e Artes, com o valor de 35 mil dólares para cada uma das categorias, foi instituído em 2000 com o propósito de distinguir os criadores que se destacam nas disciplinas de literatura, cinema e áudio visuais, artes plásticas, artes do espectáculo e investigação em ciências humanas e sociais.


Jornal de Angola, 21.10.2005

Associação Maria de Fátima Moura



"As homenagens à vida e obra de Maria de Fátima Oliveira Moura começaram pouco depois do seu falecimento, a 10 de Dezembro de 2003.
A sua pintura, desenhos e poesia estiveram em exposição em Viana do Castelo (Exposição de Pintura e Louça), na Casa da Cultura da Trofa (Exposição de “Desenho e Louça”) e em Angeja (“A Flor em Tela e Porcelana”), acolhendo a visita de centenas de pessoas.
A 10 de Dezembro de 2005, consolidar-se-á o tributo com a constituição da “Associação para o Desenvolvimento e Promoção Cultural – Maria de Fátima Moura”. Mulher, mãe, professora, poetisa e pintora, o seu anonimato em vida foi sempre preenchido por laivos de excepcionalidade e por uma vontade permanente de se auto-superar. Caracterizada por um espírito de demanda, por uma profunda generosidade e por um inconformismo latente, procurou encontrar-se na solidão da sua escrita e na expressão da sua pintura e desenho. Por isso, o seu legado está carregado de humanidade, de intimismo e de sensibilidade. No entanto, mais do que dar a conhecer a sua herança artística e cultural, a “Associação para o Desenvolvimento e Promoção Cultural – Maria de Fátima Moura” pretende perpetuar a sua obra social, através do apoio a projectos e iniciativas de relevância local e regional e através do incentivo ao desenvolvimento cultural do País, nomeadamente nas áreas da Pintura e Desenho, com a atribuição anual de uma bolsa de estudo.
Por ter vivido com intensidade, por se ter distinguido pela sua entrega e dinamismo, por ter tocado indelevelmente no coração de todos os que a conheceram, Maria de Fátima de Oliveira Moura conseguiu imortalizar-se. A criação de uma associação com o seu nome, vocacionada para a promoção e o apoio a manifestações artísticas e culturais, é a homenagem mais sentida e mais expressiva que poderia ser feita por um filho, mas também é um gesto imperativo para recordar e honrar uma vida que, acima de tudo, não merece ser esquecida."

da mensagem electrónica recebida da Associação Maria de Fátima Moura em 12.02.2006



Maria de Fátima de Oliveira Moura nasceu em 25 de Fevereiro de 1940.
Fez a sua formação inicial na cidade de Viana do Castelo e em 1963, concluiu o curso de Professora Primária, pela Escola Privada do Magistério Primário, também em Viana do Castelo.
No ano de 1963, partiu para leccionar em Angola, ficando a morar em S. Paulo de Assunção de Luanda. Aí, casou em 14 de Setembro de 1965 com Fernando Augusto da Silva Serra, na Igreja da Sagrada Família, e em 13 de Outubro de 1966 nasceu o seu único filho, Luís Filipe.
Em Angola leccionou em várias escolas, entre as quais se destacam:
a Escola da Liga Africana, a Escola de Aplicação e Ensino, a Escola Primária n.º 83, a Escola Popular e o Colégio “O Pelicano”.
Em 1975, após a independência da ex-colónia portuguesa, regressou a Portugal, onde continuou a sua actividade profissional.
Brevemente voltaremos a falar de Maria de Fátima Moura, nas páginas do Angola Haria.

30 de janeiro de 2006

Angolense, Quem Diria!

Quem diria!
Angolense é o nome de um jornal


1.
ANGOLENSE. adj. e s. cd. Angolano; o natural, o habitante ou o que pertence ou se refere a Angola.

CIT.1: “Angolense, adj., mona-ngola, I; mukua-ngola, I.”, Nascimento (1) p. 8.

CIT.2: “Massemba, sub. – Tradicional bailado angolense.”, Victor (1) p. 104.

CIT.3: “Apesar de esgotados e com efectivos cada vez mais pequenos, os angolenses e portugueses de Massangano organizaram uma expedição sob o comando de Diogo Gomes Morales, que foi bater os jagas e avassalar cerca de trinta sobados em rebelião.” , A. de Lemos, História de Angola, cit. in Ribas (1) p. 7.

CIT.4: “Hebo: nome feminino angolense.” , Vilanova (1) p. 100.



2.
Há tempos descobri, em “Ciberdúvidas da Língua Portuguesa” http://ciberduvidas.sapo.pt/ uma controvérsia à volta do termo Angolense. Passo a citar algumas passagens:

Angolense não é sinónimo de angolano. A primeira designação surgiu nos meios culturais luandenses e está ligada ao título de um jornal luandense que se pautou pelo nacionalismo.” , Rui Ramos 23.01.2003.
"”Se me perguntarem, hoje, se sou “angolense”, eu respondo: “Angolense” é o nome de um jornal que se publica em Luanda, eu sou angolano. Isso significa que a expressão histórica e prática aceite pela língua portuguesa para os nacionais de Angola é angolano/a. “Angolense”, nesse sentido, não se usa.”” , Rui Ramos 29.01.2003.

Não basta que um termo exista para que ele signifique. Os termos precisam não só existir, mas, também, ser usados com determinado sentido por um grupo considerável de falantes da língua em circunstâncias equivalentes de forma que entrem no léxico mental dos referidos falantes, os quais ao ouvirem o termo vão automaticamente relacioná-lo a um determinado referente no mundo real.” , Ida Rebelo 30.01.2003.

Do acima enunciado poucos irão discordar. No entanto, isto levanta várias questões:

1º EXISTÊNCIA. Contrariamente ao que afirma o muito respeitável Rui Ramos, este termo não existe apenas como título de um jornal, o que se pode confirmar pela relação de citações apresentadas na ficha acima. Desde, pelo menos, 1903 até à actualidade. A cit3 serve não só para A. de Lemos, mas para o próprio Óscar Ribas que afirma textualmente: “Natural ou habitante de Angola. O mesmo que angolano”.

2º NECESSIDADE. Na realidade, existindo um termo que “a expressão histórica e prática” aceita, não será necessária a existência de outros. Mas, não é menos verdade que a existência de outros termos para um mesmo sentido não possa ser aceite. Não é necessário mas é plausível porque, a meu ver, este facto enriquece a Língua, contrariamente ao que muitos puristas defendem.

3º EXCLUSÃO. Não é pelo facto de um termo não ser usado “com determinado sentido por um grupo considerável de falantes da língua(*) - e o que é um grupo considerável e a que escala? - que uma palavra ou expressão deva ser excluída do léxico.(*) Até porque está por provar que o termo Angolense não contenha em si todas as características que permitam “automaticamente relacioná-lo a um determinado referente no mundo real”.
4º SIMILITUDE. O que fazer, então, com o termo Santareno, em contraponto a Escalabitano? E Lisbonense a Lisboeta ? (in Grande Dicionário Universal da Língua Portuguesa, Texto Editora, edição em CD-ROM).


adaptado de “Cultura Angolense” in http://www.sanzalangola.com/


NB:
Para terminar quero apenas apresentar mais um defensor do Angolense, de seu nome António de Assis Júnior, que deu à estampa, em 1929, O Segredo da Morta (Romance de Costumes Angolenses) – existe uma edição modernamente realizada por Ediciones Cubanas para a União dos Escritores Angolanos, Cuba, Junho de 1985.

(*) A palavra consuetudinário estará incluída neste grupo? Deverá ser abolida?

admário costa lindo

O "N" de Negaje

Quando pensámos introduzir, no primeiro número do Angola Haria, a regra de que a seguir se trata, o jornal estava já pronto para distribuição. Resolvemos, assim, manter a norma usualmente tida como válida.

Uma das características das línguas da família Bantu é a nasalação de certas palavras iniciadas por consoante. A norma internacionalmente aceite para assinalar este facto é antepor-se um “N” (ou “M”) à consoante inicial. Por vezes essa grafia apresenta um apóstrofo entre as duas consoantes (o que achamos correcto por se entender que o “N” não faz parte da palavra). Mas isso nem sempre acontece.

O aportuguesamento de termos das línguas étnicas angolanas nem sempre apresenta grandes transformações. Por vezes essas palavras sofrem apenas uma adaptação morfológica/diacrítica: acomodação da grafia sónica ao Português escrito. Aconteceu com Kamba = Camba e com Misoso = Missosso. Aconteceu também, por via defeituosa, com Ngaji = Negaje.

Aquela norma (a da nasalação) tem dado azo a inúmeros equívocos, por parte de quem não é erudito em linguística. Alguns deles tornaram-se erros históricos, como é o caso de Negaje, cidade da província angolana do Uije. Negaje deriva do termo quicongo Ngaji, que significa dendém. O aportuguesamento incorrecto de Ngaji / NGaji / N’Gaji em Negaje, a nosso ver, deriva precisamente da norma utilizada.

O aportuguesamento oral nunca pode provocar erros deste jaez, uma vez que na linguagem falada não há sinais gráficos, apenas sons. Os erros nascem com a transformação dos fonemas em sinais escritos. Pela pronúncia vernácula, os fonemas sem sinais, a palavra deveria ter evoluído para Angaje, Ingaje ou, quando muito, Engaje. Como Ngola se transformou em Angola.

E se a grafia adoptada tivesse sido outra? ~Gaji, por exemplo! Teria acontecido o mesmo? Não há resposta possível, uma vez que esta norma nunca foi utilizada, mas não custa a crer que não. Parece-nos ser esta a forma mais correcta de representar esta nasalação. Os leigos, que nunca pensaram na existência de consoantes nasais, mesmo esses nunca transformariam ~G em Neg.

É assim que, a partir deste número do Glossário do Angola Haria, salvo quando se proceda a citações de outros autores e obras, a nasalação das consoantes iniciais será sempre representada por um til ( ~ ) antecedendo a consoante em causa. Logicamente, este sinal de nasalação transforma-se em “m” ou “n” no interior das palavras compostas.

Outra questão relacionada com a nasalação em “m” e “n” diz respeito à colocação dessas palavras por ordenação alfabética: deveriam seguir sempre a ordem da consoante verdadeira e não a dos símbolos “m” e “n”, o que é raro verificar-se. NGaje deveria ser, sempre, ordenada em “G” e não em “N”. Com a regra do til, essa questão desaparece.

Depois de consultado este Glossário, comparando-o com o anterior, o leitor aquilatará da pertinência desta questão.

admário costa lindo

26 de janeiro de 2006

O Que é ?

EM REMODELAÇÃO



Angola Haria é um jornal feito por amigos angolanos,
que nasceu em http://www.sanzalangola.com/
e é distribuído por email.

É chegada a hora de mostrá-lo ao mundo.

O que se segue é o Editorial do nº 1,
editado a 29 de Setembro de 2005.

Até hoje foram publicados
2 números,
1 edição Especial
e 1 Suplemento.

Tudo isto constituirá o início deste blog.

Os interessados na génese deste projecto
devem clicar aqui

e, em continuação, no fio próprio.
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última actualização: 17.10.2010